domingo, 18 de março de 2012

Homens são PA e mulheres são PG


 Outro dia de papo com uma amiga ela pega e fala essa:

- É que homens são PA e mulheres são PG.

Eu já fiquei bolada aqui... Porque já ouvi uma definição de PA que fiquei horrorizada... Sim, eu sou feminista quase ao extremo. E justamente por isso, eu vejo e trato todos como iguais, independente da classificação de gênero... E achei horrorosa essa definição de PA... Por, automaticamente, imaginar o contrário - Eu não vou tratar um homem como um PA.... Porque também não quero ser tachada de BA (?). Existe isso?

Enfim, indignada, soltei na lata:

- Acho essa definição patética.

E ela se choca do lado de lá:

- Como assim? Acho óbvio! Faz todo o sentido do mundo.

- Você só está piorando as coisas. Me assustando e me decepcionando nos valores que tenho por sua pessoa.

- Você sabe o que é PA e PG?

- Olha... PA eu já ouvi falar. É pinto-amigo, não é? PG não sei, não...

Ela, chorando de rir, me explica:

- Claro que não! PA é Progressão Aritmética, PG é Progressão Geométrica, Lembra?

- Claro que não, mas como assim?

- PA é soma. PG é multiplicação... Em forma de equações é muito simples, muito óbvio, definição imediata: PA = + e PG = X. Em termos comportamentais é só parar para pensar e fazer suas associações aí. Veja se não é?

            Parei para pensar e vi que sim... Faz todo o sentido do mundo!
Ainda filosofamos um tanto mais a respeito... Os tais papos que reeeeendem.
            Até a hora em que ela suspira de lá:
- Você é sempre tão inocente e tão apaixonada...

Fiquei p da vida de novo... Duas palavras que não gosto. Não gosto nem de imaginar, não gosto nem de pensar, e, no fundo, no fundo, acho que não gosto por reconhecer que elas existem. Por saber que são reais, e isso por vezes me incomodar tanto....
Acho ainda que essa é “uma impressão”, aos olhos do mundo lá de fora... Pois aqui mesmo, aqui na real definição de mim mesma, não acho que há “ingenuidade”... há o copo vazio que ainda não foi cheio, há a liberdade de nada esperar, da expectativa zero, pronta para receber o que o outro pode me dar, com o que o outro pode encher esse copo. E acho que, naturalmente, como processo da vida, há de ser o bom, o melhor de si. Ingenuidade isso?
Também não acho que eu seja “apaixonada” conforme as definições da sociedade. Sou apaixonada sim, mas pela vida em si. Pelo outro, é consequência (ou seqüela)... É a paixão de ver e sentir e saber que estamos no mesmo mundo, no mesmo momento. Não é uma paixão romântica, não é uma paixão devaneadora, é uma paixão pelos seres humanos... Pelo querer o bem, pelo querer o bem do outro, ou algo assim. Faz sentido isso?

Fez algum sentido aqui...
Sou PG total!
Multiplico tudo aos seus extremos, ao holístico, ao globalizante, ao totalizante, a todas as abrangências da existência humana em si.
Mas acho também que transito entre a adição e a multiplicação... Devo ser então Função Exponencial (?). Regida por Leis Exponenciais no Plano Complexo?
Mas cadê o sentido nisso?!? Porque o termo constante da progressão geométrica é denominado “razão”... E eu, normalmente, não tenho um pingo desta no campo afetivo-comportamental, muito menos no dos relacionamentos... (e eu adooooro quando faço as minhas associações caóticas e literais aqui! :) pura poesia...)
Movida a paixão total (sem ser apaixonada, tá!)

Pelamordedeus!!!!!

Vamos fazer uma sessão de mesa branca aqui em casa?

Junta uma turma boa... Arquimedes, Pitágoras, Ptolomeu, Descartes, Euler, Einstein, Bháskara (e toda sua zen visão indiana), Fibonacci, Galileu, da Vinci, Newton?

Para não ficar muito maçante, ou cheio de papinhos paralelos, pode chamar também Aristóteles, Bacon, Bachelard, Deleuze, Guattari, Descartes, Foucault, Kant, Marx,  Platão, Sartre, Schopenhauer? E mais alguns?

A gente aproveita que são todos vegetarianos, eu faço um jantarzinho bacana, abrimos uns vinhos... Capra acho que ainda está vivo... Pode me ajudar com a louça?



... nessa casa se ouve U2

CUPIDOS SÃO SERES VESGOS

            Vesgos E míopes.
Além de bem limitados em todas suas faculdades mentais. Também são caóticos... São impulsivos, sabe? Agem sem nem pensar muito bem no que estão fazendo...
DDAs? Trabalham sob pressão, talvez?
Acho que ficam enrolando um tempão, quando vêem que já está quase na hora de fechar o expediente, saem atirando flechas por aí, cumprindo metas de merda e nem vêem o que estão fazendo...
Acho que é isso.
Só pode ser isso.
Comigo é assim... Grande vítima dessas inconseqüências, padecendo de tanta impulsividade, de tanta imprudência, diria...
Saem atirando flechas! A torto e a direito... Louca e ensandecidamente... Não olham para trás, não olham para os lados, não levam em conta os contextos relacionados, não pensam no outro!!!!! Que, no caso, sou eu....
Impressionante!
Têm o dom de fazer merda... Atirar sem nem olhar para quem, normalmente o fazem mal ...
Sentiu o drama?
Imagina a(s) cena(s)... Você está ali, livre, leve e solta, quase um comercial de absorvente, feliz e contente, quase um comercial da sprite, levando sua vida numa boa, quase um comercial de calça jeans.
 Então de repente, do nada aparece o FDP do cupido (espevitado, sacana, irônico e mordaz):
- Pá! – joga suas flechas (desconexas, discrepantes e absurdas! Diga-se de passagem...)
Looooouco!
Aí faz o quê?
Faz merda... Óbvio.

Por que é que sempre atira para o lado que não deve?
Por que é que sempre acerta a figura errada?
Por que é que só me arruma ‘sarna para me coçar’?

Pago o carma da Psiquê... E com juros altos, dividido em anos de prestações no carnê. Vou te falar uma verdade...

Na verdade, acho mesmo que o meu cupido não atira flechas... Ele deve estar no bar há um tempão, se atrapalhou, esqueceu o que tinha ido fazer, bebeu demais, estava desolado... seu time perdeu, tá meio puto meio querendo ir embora, não sabe bem o caminho... não sabe bem onde está, o que fazer, de repente levanta e pimba! Ele tropeça! Tropeça sozinho. Tropeça em si mesmo.
E a flecha escapa.... Desgovernada. Cambaleante. Irresoluta...
Meio oscilante, meio vacilante. Completamente instável.

E ele deve pensar assim: “se acertar, acertou”...
Puto!!!!!!
Irresponsável do C%$*#%&%*¨!!!!!

Acertou.
Acertou errado. Óbviooooo....

E quem é que carrega a pemba nas costas?

Euzinha aqui....

Sr. Cupido, prestenção:

- Eu sou uma pessoa que “precisa ser conquistada”... Que precisa ser conquistada todos os dias... Quase um reset do computador, quase o acordar do feitiço do tempo. Eu preciso (!!!!) me apaixonar todos os dias sim... Precisa lembrar, precisa avivar, inovar, senão não dá... Isso é fato. Diariamente, freqüentemente, constantemente. Se achar que está entrando em campo com o jogo ganho, já era... “perdeu, prayboy”! Além disso, sou uma figura moderna e contemporânea, com uma mentalidade avançada em nosso tempo... Convenhamos - Nem toda a humanidade tem acompanhado isso...  O homem contemporâneo continua com esse “instinto” (?) tradicionalista barato de achar que é o conquistador... E que se levar, levou. Cumpriu com suas predisposições inatas para a realização de determinadas sequências de ações e comportamentos, essa prosaica, estereotipada, padronizada e pré-definida capacidade singular de achar que “me ganhou porque ficou comigo”. Não ganhou!!! Meeeesmo! Sequer conquistou!

- Vamos lá... Por partes, parte I: Admito... A arte da conquista continua a mesma.... Mas mudou um tanto... Mas a única coisa que mudou é que tem uma noite de sexo antes... O cara não me conquista de prima. Estou com ele porque eu quero (para não usar um verbo um tanto chulo, ok?). Mas ele só me conquista mesmo nos dias seguintes... Mas ele não sabe disso ainda!!!!!! A mentalidade masculina contemporânea ainda não se acostumou com esse processo evolucionista. Ainda não percebe isso com clareza e coerência....

- Por partes, parte II: além de eu ser “uma pessoa que precisa ser conquistada”, eu sou também uma pessoa que custo muuuuito a me interessar por alguém, me apaixonar então.... Um processo! Mas quando bate.... Bate que vai de uma vez só, sabe? Apaixono. Apaixono sim. Apaixono intensamente. Em menos de 5 minutos entro para o fã clube oficial da figura...
E aí acontece o quê?
Acontece o que mesmo?

E aí que dá sempre a sempre a sensação “de que me apaixonei pela pessoa errada”.....
A constar: não, ele nunca sabe! Se depender de mim, vai continuar sem saber. Processo meu é processo meu. Sentimento meu é sentimento meu. O que “eu sinto e penso” é uma coisa, o que “pode ser que ele sinta e ache” é outra, não cabe a mim. É dele. Processo dele, não é coisa minha. Não falo mesmo!!!

Mas voltando... Quando apaixono, apaixono mesmo... “flechada do cupido”. E é encrenca na certa...
Então parei para pensar onde é que está a complicação dos fatos... Só pode ser culpa do cupido vesgo!!! Total dolo, infração e responsabilidade do sr.!!! senhor, o c#%$@¨&*¨%, seu moleque!

Peguei o cupido para cristo, sim...
Jogo o encargo todo para o cupido sim.

Porque acho que a culpa das flechadas erradas é dele mesmo.
Porque acho que ele é um cupido econômico demais, que joga só uma flecha, para um lado só. Bêbado e trôpego, joga uma e joga errado! Aposta as fichas que não tem na mesa do cassino. Começa a contar a uma piada que não lembra o fim. Abre a boca para falar o que ele não sabe.

Cupido-canalha....

Na verdade, já imagino que deve ter havido algum processo compensatório... Algum desfalque de um lado para contrapesar com outro... E então, para compensar a eficiência dos anjos da guarda (anjos mesmo! No plural! Ou como diz minha mãe que eu tenho um “batalhão de anjos da guarda”) o cupido é um fiasco...
Não dá para ter a tropa de elite em todos os departamentos, né?
É isso?
Me diz se é isso?
Mas, por favor, me dê uma resposta convincente e equilibrada.

E olhe.... Isso não é muito de meu feitio, não.... Mas se o sr. continuar assim (aliás, senhor é o C¨%#@&*¨%, seu moleque irresponsável), eu vou esperar até a próxima TPM (ato premeditado sim!!!), vou a seu encontro, pego essas suas flechinhas de merda e lhe mostro bem o que faço com elas. Sou capaz de amarrá-lo para assistir a cena, pego uma por uma e quebro bem picadinhas como se fosse espaguete para caber na panela pequenina, sacou?   

Aguardo retorno.

Grata (mas não muito...), DR




... nessa casa se ouve Mano Chao


domingo, 11 de março de 2012

BREVE REGISTRO DO AQUI-E-AGORA OU A DOR E A DELÍCIA DE SER O QUE SOU


Real e sincero, apesar de tanto lirismo talvez...
Verdade nua e crua...
E não. Eu não sou piegas... Eu (acho que) sou normal, e apesar de rabugenta, sou feliz! Tentando ver o mundo sob o melhor ponto de vista ;)



Sim.
Eu continuo buscando fazer toda semana algo que eu nunca tenha feito.
Eu continuo buscando olhar a vida de mil formas.
Eu continuo descobrindo, inventando e dando à vida novos sabores, novos sentimentos, novas sensações e novas experiências.
Eu quero ser feliz todos os dias. Eu busco isso todos os dias.
Das pequenas coisas eu faço grandes realizações. Eu faço o melhor que eu posso em tudo! Eu boto amor em tudo que eu faço!
Eu faço o bem, eu pratico o bem. Eu durmo tranqüila, com a consciência limpa e em equilíbrio com meus propósitos pessoais maiores todos os dias.
Eu sou feliz e tenho prazer com pequenos gestos, pequenas atitudes, pequenas coisinhas do dia a dia.
Para que cada dia da minha vida seja bem vivido e seja “dos melhores dias da minha vida” ;)
Eu me sinto agraciada por estar viva e sã. E sou grata por tudo que tenho.
Eu quero poder fazer com que cada amigo novo se torne um grande amigo.
Quero dar cada abraço com “aquele abraço”.
Quero que cada beijo seja único e inesquecível.
E quero sexo com entrega e partilha, com prazer e envolvimento. E a eternidade enquanto dure.
E quero “amar e beijar daquela vez como se fosse a última, e sentar para descansar como se fosse sábado, e dançar e gargalhar como se ouvisse música”.
E quero sentir o vento na cara. E os pingos da chuva nas costas enquanto pulo com os dois pés numa poça, e quero sentir cheiro de milho cozido e de alho refogado no azeite, e quero sentir que estou viva e presente.
E quero sentir a vida como um presente!

E, por incrível que pareça, isso não é da boca para fora, não...
Acho que sou assim mesmo.
Ainda bem.
Amém


... nessa casa se ouve Pixies


Rio de Janeiro, 10 de março de 2012.


Ontem fui a um show, e chorei-rindo por quase 2 horas, acho...
Dormi feliz.
Cansada, mas feliz.
Pouco, mas feliz.

Sonhei com um vestido que se desmanchava sozinho... Como um tricô sem o último ponto. Eram dois vestidos. Lindos, mas lindos de doer. Eu apenas pensei, mas era como se eu perguntasse para alguém: - posso vestir?
A resposta, que não era falada, era uma aceitação, uma concordância, uma anuência, veio por todos os poros. Peguei um dos vestidos. Liiiindo! Ele estava inteiro, mas quando eu o vesti a trama começou a se soltar, e aquele fio grosso escorrendo pelas minhas pernas virava um emaranhado sobre o chão, resumidamente... Emocionante!

Poucas vezes lembro o que sonhei tendo dormido pouco...

Acordei achando que ainda era sonho... Meio que acordei, meio que queria continuar dormindo. Parecia continuar sonhando, mas o sonho era outro, e me agarrei!!! Mal sabendo em que.

Acordei com uma sensação de ressaca estranha...
Não era uma ressaca de bebida, não era uma ressaca familiar ou conhecida. Não era uma ressaca como se espera que ela seja.
Senti-me esquisita. Senti-me errada e errônea. Senti-me como há tempos não me sentia, e isso não estava de todo confortável....
Incomodou. Senti-me como se incomodasse os outros. Senti-me esquisita sim e, ao mesmo tempo, pela metade. Não me entreguei (de novo!) como o faço... Não me entreguei como gostaria de fazê-lo (mas não vou admitir nunca...), não me entreguei com tudo que tenho e posso e faço (e quero... mas isso também não vou admitir nuuuunca...) ...
Ao mesmo tempo, também me senti feliz.
Um misto de estranhamento com satisfação. Uma ressaca de um choro, talvez. Uma ressaca de uma realização e satisfação, talvez. Um susto e uma sensação de ser pega de surpresa que só confundem mais as coisas....

Acordei de um choro.
Acordei de um sonho.
Acordei em um susto.

Andei. Zanzei. Andei para lá e para cá... Enfiei a cara na água, como se fosse uma pequena bica em algum riacho no meio do mato.
Já estava clareando e a lua continuava enooorme, brilhando como um holofote. Iluminava a casa como se fosse o sol a raiar. E eu ainda tentando entender tanta coisa...
Busquei trazer um pingo de razão e coerência.
Busquei entender o que estava acontecendo.

Zonza, desnorteada, confusa...

O show, que tanto me fez chorar, também fez mexer em arquivos de backup de todos os arquivos passados, de tantos fatos, de tantas emoções, de tantas histórias.
O sonho, que eu ainda me esforçava em lembrar, parecia tão real, e tão revelador e, ao mesmo tempo, tão confuso.
O susto... Aaaah, o susto! Apesar de eu adorar surpresas, e adorar ser pega de surpresa, e adorar a imprevisibilidade das coisas, assustou mais do que deveria. Um momento que eu chamo aqui de “surra em cachorro morto”... Quando você não consegue nem ter reação, não consegue nem entender bem o que está acontecendo e nem ter nenhum tipo de atitude consciente, sabe? Assustou e chocou. Assustou e (me) travou.... um bloqueio incômodo, um embaraço. Um peso que eu não queria carregar.

Acendi a luz. Acendi um cigarro. Liguei o rádio.

E quando eu falo que “o cosmos se comunica e se manifesta na ordem randômica das músicas” parece uma piada... (uma piada de gosto duvidoso e de uma ironia divina tão sagaz quanto safada). Parece uma mentira esdrúxula com cheiro de laquê, uma trilha demodê de novela dos anos 80...

Por lá estava ele, Rod Stewart e “Da Ya Think I'm Sexy”...

Fazer o quê?

Continuar com um gosto seco na alma e um peito apertado no meio desta e da vida em si no dia que começava? E a mente inquieta tentando acondicionar idéias coerentemente? Continuar “tentando entender”, “tentando entender” e “tentando entender” tantas coisas que não fazem o menor sentido?

Eu estava brava (muito brava) comigo mesma.
Ao mesmo eu também queria me abraçar.
Eu estava na ressaca com gosto de lágrimas e risos.
E também estava feliz, e eu também estava adversa...
Eu queria estar ali e ao mesmo eu queria evitar que o estivesse.

Eu, que nem de relance, sentia-me sexy, ia fazer o quê?
Fazer o que mesmo?
Fiz diferente, sem nem perceber ou atinar no momento. E de repente me vi no meio da casa, com os bracinhos para cima e os quadris de um lado para o outro, e dançava e dançava e dançava com aquele “tarãrã-rãrã, tarãrã-rãrã” de tecladinho-disco-da-calça pantalona...

E tanta alegria desse momento-desapego se confundia mais e mais com tanta aflição e agonia concentradas.

E assim começou o sábado por aqui.




... nessa casa se ouve John Dee Holeman


AO VIVO É OUTRA HISTÓRIA


Então fui ao show do Morrissey. Por tempos achei que esse fosse um dos “shows da minha vida”. Por tempos achei que ele fosse uma das partes de mim perdidas por aí.
E são.
E lá mesmo, no meio da muvuca, entremeada no meio da galera, meio apertadinho, meio longinho, peguei-me chorando. Peguei-me chorando do início ao fim.
Acho que chorei e ri durante o show inteiro...
Custei um tanto a perceber e entender por que...

O som estava ruim. Eu via o palco de diagonal. O bar estava longe. A cerveja estava quente. O banheiro? Nem comento... (até porque qualquer lugar que tenha fila para entrar, seja cheio de mulheres, abafado e sujo, é garantia obvia e natural de que eu vá me irritar).

Johnny Marr não estaria lá.... (mas eu ia superar isso!)

O lugar (uma das grandes incógnitas da humanidade... Tem tudo para ser o lugar mais legal do Rio! Mas é deprê... Mal tratado, né?) estava cheio. Lotado! E isso não é garantia de que seja legal. Aliás, muito pelo contrário...
As pessoas estão muito mal educadas. Têm perdido a noção dos relacionamentos humanos, da educação, civilidade... Tomei 2 empurrões completamente descabidos. Quase apanhei porque, educadamente (!!!), pedi licença para passar (?).
Muita gente besta por aí...

Dentre tantos desconfortos e “aspectos a melhorar”, consegui manter o bom humor!
Aliás, eu estava tão feliz, mas tão feliz de estar ali, que nada tiraria meu bom humor.

Pois então... Peguei-me chorando! De alegria e emoção...

E ali mesmo percebi por que... Ali mesmo, em cinco minutos ou menos, parece que fui abduzida, transposta a outra dimensão, parece que fiz uma viagem no tempo... Ao mesmo tempo sentia-me tão “presente”.

Lembrei de muitas vezes que ele mesmo (Mr. Morrissey, o próprio) esteve presente e me fez companhia nesta vidinha. E eu mesma ainda não tinha noção disso.

Lembrei da minha infância, e todas as vezes que eu balancei os bracinhos cantando Girl Afraid ou engrossei a voz cantarolando junto com o rapaz “rush and a push and the land that we stand on is ours; It has been before, so why can't it be now? And people who are weaker than you and I; they take what they want from life; but don't mention love. No - just don't mention love!”

Lembrei das festinhas pré adolescentes, nas garagens fechadas de véspera com lona preta, e a vitrola encostada nos cantos do quintal, onde a moçada botava discos de vinil “das novidades” – e todos dançavam naquela vaga de carro vazia: Titãs, Legião Urbana, dávamos “xutos e pontapés” com The Clash, e por aí vai...... Até que alguma mãe saísse da sala com uma bandeja de pão com carne assada na mão. Até que alguma mãe aparecesse e dissesse: - Vamos parar com isso, entrar, cortar o bolo que o tio Fulano está querendo ir embora.
Lá também esteve Mr. Morrissey, por vezes talvez até na hora do parabéns.

Lembrei de vários momentos de angústia adolescente, e todas as vezes que ele estava lá comigo... Eu fui crescendo, e ele (ele mesmo, Mr. Morrissey) ia comigo.

E quantas vezes eu berrei: “I wonder to myself, could life ever be sane again? (…) Burn down the disco, hang the blessed DJ because the music that they constantly play says nothing to me, about my life

Lembrei de festinhas, rodinhas, turminhas.
Lembrei da vida chegando cada vez mais e, junto com ela, todos seus grandes desafios.
Lembrei de momentos de dor e decepções. Lembrei de momentos de força e superação.
Lembrei de “fases”... amigos, turmas, faculdade, empregos, viagens. Lembrei de todas (!!!), ou quase todas, ou boa parte pelo menos, as idas à Ubatuba. Lembrei de momentos que ri e de momentos que chorei. Lembrei taaaanto....
Ele sempre esteve lá.

Lembrei das casas em que eu morei. Lembrei de coisas que eu fiz. Lembrei de pessoas que eu conheci. Lembrei de amigos que fiz, e de outros que perdi.
Lembrei de quando eu casei. Lembrei de quando eu me separei. Lembrei de pessoas com quem eu fiquei. Lembrei de pessoas com quem eu deixei de ficar.
Ele sempre estava lá. (ele mesmo...)

Lembrei de todos os “loneliness”, e todos os “sorries”, e todos os “caaaaares” que eu já cantei e berrei e extravasei junto com ele (ele mesmo... Mr. Morrissey).

Lembrei de perguntas que fiz, e as que não fiz. Respostas que dei, as que ouvi e as que eu nunca soube.

Lembrei de olhar (mais) para mim mesma. Ainda que poucas horas depois eu tenha esquecido completamente disso....

Lembrei que a vida é breve... Lembrei que estou aqui só de passagem. Lembrei desta passagem até o presente (tão presente) momento.

Lembrei onde eu estava, como, quando e porquê. Lembrei quem eu era, quem eu sou e o que tenho feito.

Tudo isso por causa de um show?!?

Tudo isso por causa deste amigo e companheiro - Mr. Morrissey - que ali falava DA MINHA “shyness that is criminally vulgar” e cantava comigo “how can you say I go about things the wrong way? I am human and I need to be loved just like everybody else does (…) You could meet somebody who really loves you, so you go, and you stand on your own, and you leave on your own. And you go home, and you cry and you want to die

Lembrei que eu talvez devesse ter tomado um lexotan (?). Lembrei de coisas que acho que eu deva esquecer.

E ali falamos junto que “everyday is silent and grey” e que “there is no point saying this again but I forgive you, I forgive you, always I do forgive you” e também lembramos juntos sobre (todas) “the choice I have made may seem strange to you, but who asked you, anyway? It's my life to wreck, my own way

E por aí foi…

Né, não, Mr. Morrissey?
Lembrou de tudo que já fizemos juntos por aí?

E então também lembrei de onde “pode ser que tenha vindo” tamanha sintonia e identificação... Pois, convenhamos... não faz muito sentido!

Não sei bem quais são as afinidades… Talvez nas promessas a si mesmo, os sentimentos de rejeição e de não-pertencimento, as ofertas de si para os outros (e o outro que nunca sabe ou percebe), algumas crises e angústias... Nem sei.
Nessas, também lembrei que acredito no celibato. E que também acredito e confio mais nos animais do que nos seres humanos.

Sei que gosto do cara! A gente deve ter vindo do mesmo planeta...

E então também me lembrei do planeta em que estava... (e outros pontos que acho que sintonizamos na mesma freqüência) – o real incômodo com pessoas (?) que estavam ali na grosseria e no desrespeito ao ser humano. Para que mesmo?
Na boa... para ir a um show destes e fazer grosseria a troco de nada com a mocinha educada gentilmente lhe pedindo passagem, ficasse em casa, em toda sua insignificância. Se Mr. Morrissey soubesse dessa falta de amor à humanidade, não iria gostar que você estivesse aqui, ô playboy babaca!

Então saio do show e a primeira coisa que vejo é um carrinho do churrasquinho, daqueles de me enjoar antes mesmo de passar perto. Na boa parte II... a volta à realidade é dolorida!

Aaaah, e na boa parte III.... senti falta de termos cantado e berrado rouca e loucamente (e chorado?) juntos end of the pier, end of the bay, you tug my arm, and say: give in to lust, give up to lust, heaven knows we'll soon be dust... But I'm not the man you think I am, I'm not the man you think I am, and sorrow's native son, he will not rise for anyone” ou então “why do you come here? And why do you hang around? (…) when you know it makes things hard for me?”
Entre outras…

Love you. Mr. Morrissey!

Ainda que o meu senso de realidade tenha ficado completamente distorcido.
Ainda que meus sentimentos sejam um vulcão em erupção (!!!), mas no meio do deserto...
Ainda que eu nem saiba bem porquê.

Imagino que o sr, esteja bem feliz de ter estado aqui comigo novamente (!), desta vez ao vivo, “missa de corpo presente”. ;)

E é... é verdade: “no, it's not like any other love. This one is different - because it's us. We can go wherever we please and everything depends upon how near you stand to me” ;)

E a melhor parte?!?! A de berrar por dentro, de cantar com a alma “I really don't know and I really don't caaaaaaare (…) yes, we may be hidden by rags, but we've something they'll never have”.

Pena não termos feito isto ontem (mas o sr. sobrevive, fique tranqüilo!)


... nessa casa se ouve Foo Fighters

passando a limpo | parte II


Passei o fim de ano na casa de mamãe.
Em certo momento, sentei em meu cantinho, comecei a escrever algumas coisas... Acho que teria escrito mais, mas não deu, mas tudo bem.
Boto aqui “tal qual como veio”, sem revisões e complementos.

(aí o ano começou que mal consegui perceber, fui realmente levada e tomada, só “apaguei incêndios” até o momento, só agora é que ando “arrumando a casa e a vida”, e assim vamos... Momento transcrever papeizinhos e anotações, jogo o que tenho até o momento aqui, outra hora, escrevo e completo mais talvez...)

segunda leva | “projetos 2012”
Também incompleta pacas, mas foi o começo...
Na verdade, a idéia era fazer uma lista top 100
Também não deu tempo (ainda...). Acho que vou fazê-la andando...




PROJETOS 2012

1.  Fazer um curso de somelier;

2.  Voltar a tocar percussão (regularmente; oficialmente; disciplinada e prazerosamente);

3.  Fazer aulas de esgrima!
Hummm... Esse é um projeto tão complexo, e que eu sei que eu realmente gostaria de me dedicar de corpo, alma e coração (...) que acho que viu deixar para outro momento (de novo...) nessa vida!
#ProcrastinaçãoNecessária

4.  Trabalhar menos, ganhar mais! Ai, ai...

5.  Trabalhar com gosto, prazer, envolvimento, satisfação de crenças e vontades. Com amor. Com pessoas bacanas, companheiras, dedicadas, amorosas e também guerreiras. E que compartilhem das mesmas vontades, contentamentos e ambições.


6.  Momento devaneio... Emprego dos sonhos: ser curadora de guitar hero!

7.  Namorar mais!

8.  Rir mais! Ser feliz! Das pequenas coisas e momentos às grandes alegrias e satisfações. Ser e sentir-me feliz. Saber rir sempre, saber sorrir por dentro.

9.  Fazer dinheiro! Saber fazê-lo. Saber recebê-lo.
E recebê-lo tanto, mas tanto, ao ponto de “dar para tudo” e ainda sobrar para ajudar muita gente (que também saiba recebê-lo e dar bom uso) ;)

10.         Quitar minhas dívidas!
Ou melhor: quitar minhas dívidas (!!!) e ainda sobrar um troco.
Melhooooor: quitar minhas dívidas (!!!) e ainda sobrar um troco que dê para: fazer uma temporada de SPA e encontros íntimos e pessoais comigo mesma no Spa Ananda nos Himalaias ou no Gstaad Palace na Suiça; ou ainda para uma semaninha de vida exótica no The Palace of the Lost City Hotel, para um festival de reggae na Jamaica e uns 2 de rock no Reino Unido, um “tour de vinhos” (total e completo!!!!) em Portugal, uma visita ao Il Giardino dei Tarocchi em Garavicchio, emendar com uma pizza napolitana em Napoli; para passar meados de julho e agosto no Festival de Bregenz na Áustria, andar de caminhão (daqueles beeeem coloridinhos) no Paquistão, alugar uma moto em Cádiz e só devolver em Barcelona; aproveitar o embalo, subir até a Borgonha de bicicleta (com cestinha!!!! E uns pães e uns queijos...) e tomar um Romanée-Conti (!!!); pegar um sol em Biarritz, um bronze em Pahang Pahang, um banho de chuva (com os bracinhos bem abertos) no Vietnã ou nas Filipinas, uma aurora boreal na Finlândia e/ ou na Noruega, pegar um gato em Santorini; também fazer um passeio de veleiro em Madagascar, e um de bucaneiro ou uma pequena fragata atravessando pelo canal do Panamá (vestida de pirata!!!! Com veludo cor de vinho e babados amarelados, tá!), parar de frente para Tortuga Bay, fazer um brinde com um rum da Wray and Nephew, enrolar um tabaco local e ficar vendo javalis na praia; comer batatas em Dusseldorf (e ver se houve mesmo um vampiro por lá...), tomar uma sopa de feijão em Budapeste, um pisco ou até uma chicha no Peru, ou melhor, tomar um pisco no Peru e um no Chile, e ver se eu os ajudo a acabar com tanta discussão em torno do pisco; tomar o maior caldo nas ondas de Waimea.
Obs.: Atravessar a Rússia pela transiberiana e tomar uma das champagnes do czar no Ritz de Moscou deixo para o ano que vem;

11.   Ir visitar as pessoas queridas! (e a lista é graaaande...)

12.  E também que eu saiba amar como uma criança.
          Sorrir para a vida como uma adolescente.
         Inovar e empreender como um jovem, e refletir como um velho (sem alzheimer nem esclerose, plíz!!!!).
E ser como sou!
E ser.
E só ser.

13.   Que eu tenha, e tenhamos todos, saúde!!! Muita saúde – física, mental e espiritual!

14.  E “paz e amor, bicho!”

15.  Que eu possa dormir 8h todas as noites.

16.  Que nunca me falte o alimento. Que este seja sempre abençoado e que eu saiba sempre agradecê-lo.

17.  E que eu saiba sempre agradecer por TUDO de maravilhoso que tenho!


18.