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segunda-feira, 16 de abril de 2012

SOUL KITCHEN


Tem coisas que quando esquentam demais, ficam tímidas... se retraem.
Assim como a couve, assim como eu.

- Ô couve! Se eu te deixar confortável, segura, sentindo-se querida, você não se esconde tanto?
- Ô couve! Se eu te comer, mas não te julgar nem te tachar por isso... E nem pegar no seu pé depois! E também não te ignorar e fingir que nem te vi se um dia nos encontrarmos por aí... Você relaxa um pouquinho?



... nessa casa se ouve Billie Holiday


quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Arroz-da-Kaya


A cachorra era cega e se chamava Kaya.

Mamãe fazia uma comidinha especial para ajudá-la em sua deficiência, e o grande prato era um super arroz vitaminado com cenoura.

Eu o achava lindo. Eu adorava a forma como as cenourinhas eram picadas e, claro, eu comia a comida da cachorra eu comia a comida dos passarinhos, eu comia as comidas do papagaio, eu comia plantas no quintal, eu comia creme dental com groselha (?!?) por que é que eu não comeria a comida da cachorra, né?

Bom... batizei o prato por aqui!

Não é “arroz”, não é arroz nem “risoto” “de cenoura”. É “arroz-da-Kaya” mesmo!
Faço igualzinho... Ou melhor, aprimorado. Cenourinhas picadinhas em forma de mini pirâmides, refogadinho no azeite, sempre boto alguma coisa verde para satisfazer minhas questões estéticas tipo uma salsinha ou hortelã, grãos integrais de luxo, gotas sutis de água de rosas.

Coisa simples, mas coisa fina.

Quem come, adoooora!

Mas quando eu digo que a receita veio “da comida da cachorra”, as caras mudam...

Impressionante!

- Aêêê... mó preconceito com o lado lúdico e criativo da cozinheira!

- Mó descaso com a memória afetiva da criança aqui.

- Mó radicalismo barato... ou desdenha de meu pratinho simples, porém cheio de histórias e sabores, ou desdenha do menu da minha cachorra.


Aí eu me pergunto...

Como nascem os preconceitos?

Ou como é algo besta a gente querer mais sobre o que se come?

Não tinha aquela lenda... “cozinha do restaurante e passado do(a) namorado(a) são coisas que não se deve saber, se não não come...” ?!?

Perguntou?

Falei.

- Inspiradíssima na comida da cachorra! Recheada das memórias mais saborosas da minha infância! Com gosto de cenourinhas, de carinho e de cuidado. E claro, com um toque de criatividade, de frescor, de cor e de amor. A real “cozinha contemporânea” do bistrô da fofa aqui... A “cusine du marche” em todo o esplendor da sua exuberância-da-simplicidade.



... nessa casa se ouvem solos de John Bonham

domingo, 26 de setembro de 2010

pensando alto

Como acontece com freqüência, fico um tempão sem botar nada no blógue...

De repente, pego 1 dia e boto um monte de coisas de uma vez só...

Na verdade, acumulam-se assuntos por aqui.... Tem um monte de “rascunhos” ou textos começados que nunca terminei (ainda...), mais outro tanto de coisas que passam pela cabeça e, na maioria das vezes, mal dá tempo de parar e escrever e botar no blógue...

Falta rotina? Falta disciplina?

Hummm.... Mas, não quero por rotina nem mais disciplina na minha vida.

É slow blog mesmo, ta!

Curtido, sentido, tentando ser digerido...

Assim como essa que vos fala, inloca mesmo... Sendo feito na hora, conforme dá (ou não dá).

Bom... Fora que este bloguinho é algo “íntimo e pessoal” mesmo, quase uma senha do banco. É um blog de intimidades, das minhas pessoalidades, de um universo interno tão peculiar quanto restrito. Não é um blog “divulgável”, conhecido ou reconhecido.

É mundinho particular mesmo, nascido quase a fórceps, mas que se permite ser exposto anyway...

Começou quase “como para dar notícias à família e aos amigos” de as quantas anda o mundo por aqui, virou um laboratório de expressões subjetivas, reservadas e especiais.

A moral da história é que se você está agora aqui é porque é meu amigo.

Não! Não é porque o blog e os relatos de minha vidinha são tão chatos que você está aqui só para dar um apoio moral.... Mas porque é “um chegado”, é alguém próximo que foi avisado que isso aqui existe, que me conhece e, por algum motivo, acha válido e interessante saber o que passa por essa cabecinha aqui.

Claro que há suas exceções.

E também suas probabilidades de acontecer diferente.... Afinal, está na rede! Qualquer um pode vir, pode ver, é possível de entrar neste meu mundinho tão particular...

Até em meus seguidores (ai... acho esse nome tão esquisito, que às vezes penso em dizer “não me siga, também estou perdido”...), mas dentre eles estão lá 2 figuras queridas que eu nunca vi na vida!!!

E que, de alguma forma, caíram aqui nessa rede...

Sou feliz por estarem aqui (sabe-se-lá-por-que-motivos...). Bem-vindos à minha casinha! A Pat, que ainda vai me fotografar um dia (!) e Mônada Solitária, que acho que não vai me fotografar não, mas com um nome desses só pode ser alguém do bem!

Viu como esse blog é único? Tão particular que é quase exclusivo! Se eu tivesse 7.895 seguidores acho que eu não iria falar com um por um, não...

Ò.... para não ficar um papo chato, vou botar fotos a cada assunto, ta!

Sei que tem gente que reclama que tem muita coisa escrita e pouca foto, então vá lá...

Essa é em homenagem ao momento-reflexão que cá estamos, ta!
Quem quiser pode refletir sobre a timidez da fotografada que quase nunca mostra a cara,
Quem quiser reflete aí sobre a profundidade de um olhar brilhante e introspectivo,
Quem quiser reflete sobre o quanto uma pinça faz a diferença na vida de uma mulher.


 
Tem algumas outras descobertas recentes que acho legal falar também.

Uma é que esse nosso querido blógue fará 2 anos no ar agora em outubro!!!!

Uia!!!! Como o tempo passa....

Quem quiser dar um presente aqui para casa, ó...

Estamos aceitando doação de: 1) mais um copo de vinho (só tem 1, e quando vem visita está chato...); 2) uma luvinha térmica de pegar coisas quentes no forno (é que eu só lembro que não tenho quando já queimei o dedo, deixei cair as torradas e já falei 3 palavrões tão feios que eu nem sei o que quer dizer...); 3) rímel preto (porque acho que está em extinção... Todo lugar que vou só acho “sem cor”, “sem cor”, “sem cor”... E sem cor na boneca aqui, não dá.... Olha o olhinho ali em cima! Não vai ficar lindo de rímel preto?); 4) uma viagem de férias para a Inglaterra (porque eu acho que quando eu for ao Stonehenge eu vou ver discos voadores, e eles também vão me ver).

Tá... é chato e até meio deselegante ficar pedindo presente, eu sei... Mas desde as cartas para o papai Noel, eu nunca mais fiz isso!!! Acho que posso fazer mais uma vez na vida, né?

Nunca fiz “lista de presentes”... tipo lista de presente de casamento, chá-de-qualquer coisa ou algo assim... Com isso, óóó... Quando estive casada, levamos aaaanos até termos uma máquina de lavar roupa, de louça então não sei nem o que é... Agora então, piorou... Não existe “chá de solteiros”, então a casa é sempre toda montada de sobrinhas avulsas por aí.... Fogão? Já foi a quarta vez que eu comprei um fogão nessa vida!!! Dessa última pensei assim “não é possível que eu vim para esse planeta para comprar fogão... 4 fogões em uma só vida? E olha que essa mal começou.... não é possível, quarto fogão!”. Mas é....

Ah sim.... fotinhos para ilustrar:

Em homenagem ao momento-cozinha que se instaurou na wishlist...
É o paninho de prato, e logo atrás dele o fogão (o quarto fogão!!!!!)
Na verdade é o paninho de prato “mais de outro planeta” que eu já vi na vida (nem no sul da Inglaterra deve ter um disco voador que traga um destes...), e olha que era da minha ex-sogra...
Chama-se: “um gnomo de rubras bochechas cavalgando de charrete-de-coraçãozinho no lombo de um grilo, com joaninhas coloridas e psicodélicas saudando-o em um rancho de pequenos pés de café e cogumelos gigantes” (gigantes! Pois na escala do gnomo, este pode até ser pequenininho,
mas comparado ao grilo, que ainda é um forte grilo,
os cogumelos são algo do tipo do tamanho de um liquidificador).
Sim! É isso tudo mesmo que tem no paninho de prato.
E ainda tem um caracol amarelo vendo a paisagem no alto do cogumelo.
Ufa! Não é fantástico?

 
Volvemos...

Eu estava nas descobertas recentes...

Mas por pouco quase me perdi com o pano de prato... Mas é que este é mesmo enlouquecedor, não? Eu falo que “de normal neste mundo parece que só tem eu mesmo”...

Ainda bem que estou medicada, que está tudo sob controle.... Pois eu agora tomo 2 medicações, um xarope chamado “NIN JIOM PEI PA KOA” e um remedinho chamado “TIAN WAN BU XIN DAN”.

Ah tá. Então como eu não faço a menor idéia do que isso quer dizer, eu tomo amarradona, sinto-me bem, e acho que está tudo lindo, tudo ótimo!

Mas falava sobre o blógue, suas bodas de algodão, seus visitantes amigos, seu caráter íntimo e pessoal.

Pois bem, visitantes...

Apesar de eu saber que no fundo no fundo o blog é meio para mim, saber que o outro existe às vezes faz bem.

Apesar de eu ser tão bem resolvida (?) que, na maioria das vezes, acredito que não preciso de nada nem ninguém externo a minha pessoa, saber que o outro existe às vezes faz bem também.

Pois uma vez que eu “pus para fora” é porque alguém vai ver, certo? Ou vai poder ver, não é mesmo?

Se não eu tinha guardado na gaveta, né?

Se está no blog é porque eu acho que vai ser lido... E aí?

Alguém vê? Tem alguém aí? Ô de casa?

Visitantes, podem deixar comentários quando quiser.... Avisem que existem, passem para dar um oi, acenem na rua, buzinem, dêem um tchauzinho.

Não. Não estou carente, não!

Estou fazendo “pesquisa de campo”....

E tá.... Desculpa! Eu não devia ter pedido presente...

Eu sei que isso não importa... Foi só gracinha.

Mas é que como o blog é praticamente um microcosmo da minha casinha, e minha casinha é pedaço de minha vida, veja bem... Se você vier na minha casa, aqui, fisicamente... Se eu deixar você entrar na minha casa é sinal de que você pode entrar na minha vida.

Aqui nessa casinha virtual também há um quê de pessoalidade que me inquieta...

Se você entrar na minha casinha virtual, eu vou querer saber o que você achou... Mesmo até sem saber quem é você.

Então! Diga aí... a porta está aberta.





... nessa casa se ouve Red Hot Riot

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

A escada e o mixer

Da série “as melhores coisas da vida”.

Não sou uma pessoa muito consumista, não... Acho que às vezes cometo alguns “abusos”, mas no geral sou bem contida, sim. Bem consciente até, eu diria.... Tenho sempre aquele rigor em ponderar “isso é algo que eu quero ou algo que eu preciso?”

Lembro sempre também de uma pesquisa que vi certa vez em algum lugar que tentava explicar a diferença entre homens e mulheres na hora das compras, na hora de gastar mesmo... Em linhas gerais, definia algo como “homens gastam mais do que vale um produto, comprando algo que eles realmente precisam”, enquanto “mulheres pagam baratinho por muitas coisinhas que elas não precisam”.

Então me pego pensando nas melhores coisas que já comprei na vida...

Eu achava que era a “escada de alumínio”. Há tempos.... Desde quando ainda estava casada e eu sempre dizia isso ao marido. Era meu sonho de consumo mor realizado. Algo que realmente mudou e fez a diferença em nossas vidas. E era um tal de eu com a escada de alumínio para cá, eu com a escada de alumínio para lá. E sobe, e desce, fecha a escada, anda um pouquinho, abre a escada. E ele era leve, era alta, era tudo de bom a minha escadinha de alumínio!

Quando me mudei cá para a casa-trailler, fui logo tratando de arrumar uma escada de alumínio. A casa não tinha nem pia ainda, mas tinha a tal escada!

Ocupava o trono de melhor coisa que eu já comprei na vida até que...

Chegou o mixer!

Sim!!!! Melhor que comercial do 1406 (ainda existe comercial de produtos do 1406?). Sinto-me a dona-de-casa plena, realizada, em todas as suas alegrias e satisfações, usufruindo das benesses e revoluções que um mixer faz em sua vida!

Uau, o mixer!!! Faz suco, faz sopinha, bate couve com limão, tomate com agrião, só alegria! À vezes me pego pensando aqui “o que que eu vou bater no mixer hoje?”

Ai, ai... estou amando!

Uma linda e louca história de amor com o mixer. E só com pontos positivos! Bate tudo, facinho de lavar e é pequenininho!!! Ocupa só um cantinho na cozinha da casinha!

Lindo, lindo. Tudo de bom 3 vezes!

Nossa! Como sou privilegiada. Tenho uma escada de alumínio E um mixer.

Taí... 2 coisas materiais que fazem a diferença na minha vidinha!


Imagino a capitã com casaco de veludo vermelho e chapéu com plumas, berrando junto ao lustroso timão do pequeno bucaneiro que dava a volta na Jamaica:

- Marujos, se o navio afundar, salvem a escada de alumínio e o mixer!!!!!


Ou a rainha fazendo uma declaração oficial no balcão do palácio:

- Eu declaro antes de tudo, que todo o reino é grato aos serviços prestados pela escada de alumínio e pelo mixer à nossa comunidade imperial.


Ou ainda o plantão do jornal de notícias:

- Boa noite! Escada de alumínio e mixer são declarados patrimônios da humanidade por sua excepcional importância cultural, natural e funcional nesta casa.


Ai, ai... É o amoooooor!

Amo tanto! Estou fazendo coraçãozinho com as mãos!

Vou fazer uma tatuagem com solzinho, duas gaivotas e um coração onde se leia “eu amo minha escada de alumínio e meu mixer”



... nessa casa se ouve Herbie Hancock

terça-feira, 7 de setembro de 2010

NA COZINHA / em 09 de maio de 2010

Tenho passado bons momentos na cozinha da casinha.

Quando sobra uma brechinha de tempo, normalmente aos domingos, o ritual da cozinha é mesmo só alegria!

A música é boa, e sim! Eu cozinho cantando e dançando.

A comidinha é muito boa, e sim! Sou eu mesma que faço.

Tem sempre uma bebidinha para animar a festa, e não! Não sou uma cozinheira bêbada e babona.

E assim me divirto. Fazendo dos pequenos momentos, grandes eventos!

Botando leveza, prazer e sabor nas pequenas coisas da vida, nos breves tempinhos que consigo.

O ritual começa pelo aperitivo, sempre muito caprichadinho.

Na verdade, caprichadíssimo!

Fico hooooooras no aperitivo..... comendo, beliscando, bebericando, discotecando, cantarolando, picando, cortando, assobiando, cantando, mexendo a panela, enchendo a taça, fervendo água, corta salsinha, pica cebolinha, esvazia a taça, uma azeitona aqui, um pãozinho ali, corta cebola, lava o arroz, dança, enche a taça de novo, esvazia mais uma vez, lava verdura, dança e conta até três, e assim vaaaaai que é uma beleza, só alegria!

Minha irmã já o chama de “aperitite”, que é o “aperitivo que tira o apetite”.

Mas não é não. É a maior diversão. Tem dia que tem queijo, tem dia que tem pão.

 
Tem sempre uma bebidinha por perto...
 
 
O ambiente é agradável, a luz é linda, a cozinha da casinha é toda enfeitadinha.
 
 
Aliás, a luz desta cozinha combina com a xícara!!!!
 
 
Sim, essa é a luz da minha cozinha!
Não é o bicho? Não dá gosto mesmo ficar aqui cozinhando alegremente?


A geladeira é bonita por dentro e por fora.


Quanto ao almoço....


Aaahhhh, o almoço...

Que bálsamo, que beleza, que alegria quando fica pronto!

Sempre uma delícia!

Talvez pela embriaguez e pelo estado de êxtase deixado pelo aperitivo, talvez pelo capricho, amor e esmero da cozinheira, talvez por estas e mais outras, mas é sempre uma delícia!


 
E então alguém talvez pergunte....
 
- Nossa! Por que sua comidinha é tão gostosa?

- Aahhhh.... ora, veja bem, sei lá.... Amor? Capricho? Tesão, envolvimento e dedicação? Ingredientes de primeira, cozinheira de segunda (ou melhor, de domingo...)?

- Não colou...

- Hummmm..... acho que é porque eu sou só faço coisas frescas e vivas, que nem eu. É que nessa casa não entra carne e sangue, tortura e assassinato. É que sou capaz de costurar a própria pele, sou capaz de tatuar o próprio corpo, mas não sou capaz de fatiar um bife.... Não armazeno carne morta na minha geladeirinha linda, não fatio carnes, músculos, veias e vias, não derramo nem faço escorrer sangue naquilo que preparo e que como. Só amor. Só frescor e frescura. Só vida e alegria!

- Hummm?

- Ok. Ok. As vezes temos cá um “subprodutos”, os “derivados”..... queijo, manteiga, ovos, essas coisas. Mas também há critérios.... Vou no ovo caipira, da galinha caipira (que é aquela que fala cocoricor). Não como ovo de “galinha paranóica”, como diz minha mãe.... Vou no da galinha que botou o ovo porque quis. Não foi ludibriada, não foi forçada, botou o ovo porque quis, por puro instinto e / ou frustração natural de seu organismo. Agora com o queijo, eu me rendo meeesmo... Acho que ovo eu como 1 vez a cada 6 meses. Queijo, se eu puder, eu como 6 vezes ao dia... Acho que é vício mesmo, em queijo branco, brie com pão quentinho e em gorgonzola com azeite.... Mas, para compensar, não tomo leite, não. Já passei da idade!

- Então sua comidinha é boa porque é fresquinha? Que nem você?

- Talvez... Mas acho também que é porque eu boto bons sentimento. Boto prazer e amor naquilo que faço. Busco fazer com alegria e leveza... Aí não vira obrigação, sabe? Nem peso, nem tarefa nem função... Vira a maior alegria mesmo. Quase uma devoção. Ah, e tem que ter bom humor também, né! A vida sem bom humor não vale a pena, não....


E por falar em bom humor da mulher TPM.... Ainda há de haver uma alma caridosa para me ajudar a botar caixinhas de som nos cantos da cozinha, lá no alto...

Aí sim! Não há domingo que resista!

Ainda bem que a casa é pequena e dá para ouvir em o “double surround” lá de dentro mas o dia em que eu botar o som na cozinha acho que não saio mais de lá.



... nessa casa se ouve The Smiths

domingo, 22 de novembro de 2009

A difícil arte de descongelar a geladeira


O barulho vinha incomodando há tempos... Era mesmo hora de descongelar a geladeira.

Ai, ai...

Sempre falei comprar geladeira que descongela sozinha. Não deu. Não coube, nem no bolso nem na casa. Já dizia Buda “não tem tu, vai tu mesmo”. E cá estou com uma geladeira que vira o próprio kilimanjaro, tendo que descongelá-la de tempos em tempos.

Uso água fervendo, secador de cabelo e a faquinha...

Técnicas primorosas de mulher impaciente, e funcionam!

Só uma vez esqueci a faquinha lá dentro... Virou quase um fóssil, mas foi uma agradável surpresa quando a encontrei.

Prático, rápido e eficiente. Vai jogando água quente com cuidado, a faquinha ajuda a alavancar as pedras de gelo e a quebrá-las. Cuidado com a tal da mangueirinha do gás... Caem pedaços de gelo gigantes, outros derretem rapidinho.

Alguns problemas no meio do caminho...

Pura questão científica... As pedras se acumulam na gaveta, mais a água fervente que você jogou, e enchem logo a gaveta, em dois estados físicos da água...

A gaveta precisa ser prontamente esvaziada, ou seja, despejar tudo na pia...

Pura questão prática... Aí você se dá conta que a gaveta não abre!!!! Pomba! Tem uma porcaria de uma mega power pedra de gelo colada lá no fundo interrompendo a livre abertura da gaveta...

- Aahhhh, pequena esquimó... tudo na vida é planejamento!!! Devia ter degelado primeiro as geleiras do norte....

- Caceta, agora fudeu...

- Que que eu preciso agora? Faquinha? Chaleira? Secador?

- Paciência, Dani... precisa de paciência...

Eis o precioso trabalho de perícia. Dá a impressão que só os mais astutos equilibristas conseguem fazer. É a maratona de atravessar a cozinha com a gaveta cheia na mão até chegar na pia... ainda bem que a cozinha é pequenininha e a pia fica pertinho, ainda assim é um dos momentos mais tensos do dia.

A cena se repete algumas vezes, o grau de dificuldade vai diminuindo, a paciência também. Mas tudo bem! Faz parte do processo organizacional da boa cozinha, faz parte da manutenção desta casa, e assim vamos... de tempos em tempos desbravando estas árduas e alvas geleiras e promovendo a grande expedição ao congelador , instaurando o ápice do momento de superaquecimento global em prol de mais espaço para uma cervejinha.







Rio, 30 de agosto de 09.



... nessa casa se ouve Max Romeo

terça-feira, 18 de agosto de 2009

caquinhos

Fiz um quebra-quebra e um reconstroi-reconstroi por aqui... Seguem as fotos.

Então saí para almoçar e escrevi, escrevi, escrevi sobre “os cacos da vida”... mas só boto aqui mesmo outra hora.

beijim, DR





... nessa casa se ouve Gotan Project

segunda-feira, 30 de março de 2009

aos domingos: sessão do desapego do reino de dani

Tanto tempo sem escrever por aqui...

Será que perdi o jeito?
Será que alguém percebeu?
Será que estou sem assunto?

Estou mesmo sem escrever há um bom tempo... Tenho desenhado muito, estou fazendo o “álbum mais lindo que a Bianca poderia imaginar” com fotos, guardados e afins. Quando dá um tempinho a mais tenho costurado.

Tem gente que “costura para fora”, né!
Eu descobri que eu “costuro para dentro”... Em todos os sentidos... Uma, porque é quase uma “costura de subsistência”, costuro coisas para mim, faço coisas para mim, (ainda...) não sei fazer e por para fora de alguma forma. E outra, porque é mesmo dos processos mais pessoais e introspectivos que experimento. Quando costuro sinto-me mais perto de mim, mais perto de Deus. É quase uma meditação... ponto a ponto, linha a linha, arremates, descobertas e invenções.

Mudando de assunto, mas não muito... Hoje aconteceu algo curioso nesse processo. Fiz uma “arrumacinha” por aqui, em busca de uma bolsa preta que andava meio sumida... Achei. E achei várias outras que eu já nem sabia que existiam. Hummm... sessão do desapego! (ou quase...).
Uma destas era uma mochila colegial, meio hippie, meio esquisita. Olhei bem para a cara dela e deu a sensação de que não a usaria nunca mais (como o tenho feito há aaaaanos, em que está guardada e esquecida).

- Mas... o tecido é tão bonito.
- Não, Dani! Isso é apego gratuito. O tecido é bonito, mas é tachado... tem cara de hippie peruano!
- Mas tem história, tem valor sentimental.
- Sem essa, não faz parte do seu show...
- Lembro que eu comprei junto com a Angélica. Mochilas iguais, cada uma de uma cor.
- Pomba! Faz quase 2 décadas!
- É resistente pacas, carregava vários livros, mó peso!
- Não e não, e ponto. Ocupa espaço, você não vai usar meeesmo. A casa é pequena, abra caminho para uma bolsa nova. Ainda por cima está rasgadinha aqui, ó...
- Ai, um rasguinho à toa. Se eu cortar aqui, tirar o furo para lá, vira uma capinha de almofada. Quero mesmo trocar essa de paetê que arranha e marca a bunda por uma mais fofinha, preservo a bela estampa e uma linda história.

Então... eis a surpresa!

Rasgo daqui, corto dali e descubro que a mochila tinha um forro!!!
Não, não era um forro falso cheio de dólares... Mas era o maior barato! Um algodão cru, de saco de farinha... com umas carimbadas escrito assim “harina especial de trigo”, “contenido aprox. 45 kg”, “hecho em Bolívia” e uns desenhos de uns trigos lindões!!!
Que agradável surpresa! Fiz uma bolsa com o tal forro!!!
Até esqueci da capa da almofada...

Fiquei feliz por (às vezes...) ser teimosa comigo mesma.
Fiquei feliz de pegar algo que eu nem curtia mais e conseguir transformar em algo novo e bacana.
Fiquei feliz porque sim... porque o que eu quero mesmo é ser feliz! Em cada pequena coisinha, a cada pequeno momento, de apego ou de desapego, mas que eu saiba fazer dele um “pequeno bom momento” desses que tanto enriquecem a gente (mais que um forro cheio de dólares).


Por falar em “pequenos momentos, grandes alegrias”, tenho curtido muitos desses por aqui.
A casa agora tem fogão E geladeira. Primeiro mundo total!!!!
Sinto-me saída da idade média adentrando o iluminismo, descobrindo um mundo novo...
Sim, agora é possível desfrutar das comodidades de se armazenar comida em casa! Sim, o pão voltou a ter manteiga, porque a manteiga agora tem onde morar. Sim, a cerveja é geladinha. A azeitona preta não fica mais branca, e o pão preto não fica mais branco. Uau!!!!!!
Ahhh... o mundo das comodidades!

E também tem fogão!!! Ainda meio subutilizado... pois tenho medo de usar o forno e esquentar demais a geladeira, e ainda não consegui botar uma pedra entre eles, mas está uma beleza!!!!
Sinto-me uma macaca das cavernas, da Guerra do Fogo de Annaud, dotada da sofisticada capacidade de dominar as tecnologias de produzir um foguinho próprio em casa...

Ai, que alegria!
Um luxo! Fogão e geladeira em casa!
Melhor que isso só piscina tony na varanda, mas não cabe... então tomo minha cervejinha na banheira mesmo.

Vai uma das primeiras fotos do primeiro mundo aqui..


Da próxima escreverei uma da série “pequenos momentos, grandes acontecimentos” em função dessas revolucionárias mudanças na cozinha.



... nessa casa se ouve Mile Davis

domingo, 26 de outubro de 2008

a mulher moderna...

Tenho um quadrinho que me acompanha há várias cozinhas...
Adoro ele! Pendurei-o hoje.
É um pequeno pôster, um anúncio de revista, de mil-novecentos-e-coca-cola-com-rolha (creio que por volta dos anos 20, já não me lembro mais...), publicado em uma “Revista do Teatro” que comprei em algum sebo por aí...
Os anúncios antigos são muito divertidos. Além de eu gostar muito das linguagens ‘retro’ e do histórico visual das coisas, tem também a expressão de uma geração, filosofias e modos de vida da época vigente.

Este é mesmo um caso em especial.
“A MULHER MODERNA”... (lá pelos idos de 1920...) o texto a descreve como alguém que “já não usa um tão incômodo fogareiro, mas um outro que evita carvão e lenha”...
E a imagem é mesmo fantástica!!!! A tal “moça do anúncio” simplesmente tem um martelo (?) na mão e está arrebentando o antigo fogareiro na porrada!
Sua carinha é um misto de “cara de choro” com “certo sorrisinho amarelo de satisfação”. Olho para ela e imagino uma daquelas TPMs brabíssimas, com martelo na mão arrebentando o mundo em mil caquinhos... (já vi mesmo esse filme...).

Nossa! Será que sabiam o que era a TPM naquela época?
Será que Freud simplesmente conjugara a ‘histeria’, colocando-a como uma ‘patologia feminina’ possível e passaram a caracterizar algumas mulheres assim?
Será que achavam simplesmente que “as mulheres enlouqueciam por completo” de tempos em tempos, mas ninguém sabia bem por quê?
Será que uma TPM (zinha...) justifica mesmo alguns desses momentos? Como o de pegar uma marreta na mão e sair estraçalhando o velho fogareiro já que agora se tem um “fogão da vacuum, movido a petróleo sunflower”?
Ou o(s) modo(s) de vida eram assim? Comprou-se um eletrodoméstico novo e se sai arrebentando o velho ás bordoadas?
Tanta raiva pelo fogareiro, né... Mas...
Quantas vezes não fazemos isso? (...) Com a porta que emperrou, e a TPM, ainda despercebida dando leves sinais de vida, nos faz chutar, esmurrar, dar bundadas e cotoveladas na p-o-r-r-a d-a p-o-r-t-a q-u-e n-ã-o a-a-a-ab-r-e..., ou nos faz descontar toda a ira da humanidade no motorista do ônibus que demorou tanto a chegar, e por aí afora...

Mas voltando ao (fantástico) anúncio que “mora” nas minhas cozinhas... o “jantar completo levava menos de duas horas” a se cozinhar (e, ainda, “gastando apenas meio litro de petróleo”).....


Ahhhh, o tempo sempre tão relativo...

Menos de duas horas?
Caracoles!
É um banquete? É o refeitório de Bangu 1? Ou vem a torcida do Flamengo para jantar?
É o abate do frango no quintal, para depois depenar, fatiar, desfiar e fazer a canja?
Não havia anúncio de miojo? “Fica pronto em três minutos”...

Em duas horas (com tempo e com dinheiro) dá para eu ir para São Paulo, comer um pastel na feira com a família, e voltar!
E com o “fogão da vacuum, movido a petróleo sunflower” já dava para fazer um “jantar em duas horas”...

Ahhhh... o relativo sempre tão efêmero...

É raro acontecer, principalmente pelo fato de eu não ter fogão (...), mas hoje acho uma delícia poder levar duas horas para fazer o jantar... Esporadicamente, é claro. Não por necessidade ou obrigação ou ainda na rotina, mas é um privilégio e um prazer poder curtir fazer a comida. Com calma, com tempo, com magia. Ligar o rádio, assobiar e batucar junto com os talheres, tomar um aperitivo, ir comendo umas azeitonas e uns queijinhos enquanto a comida vai sendo preparada, beliscar uns pãezinhos no molho em preparo...
Adoro!!! E já não faço isso há anos...

Essa fase sem fogão é mesmo esquisita... Mas estou tranqüila, estou feliz. Meio que “acostumada”, meio que “esperando conscientemente”, e com outros valores de vida, o dia em que “as fases” se transformam, se renovam, acontecem.
Aqui é mesmo “uma casa muito engraçada”... (já tem “teto” e tem “tudo”), mas é mesmo esquisita. Não tem fogão. E sim, ainda assim, é uma casa. E cheia de vida!
Porém, uma casa diferente...
Não tem fogão, não tem geladeira, não tem “máquinas”... não tem televisão (mas tem youtube...). Tem música! Tem “trilha sonora” (e sempre toca música boa, graças a Deus).
Que mais eu posso querer?
Vamos indo, cada coisa em sua hora ou momento de acontecer. Grandes descobertas, invenções e aprendizagens no meio do caminho.
Já tem chuveiro (e quentinho!). Tem até banheira, com incensos, cigarros e bons livros nos dias mais tranqüilos.
Já tem pia! Duas! E são lindas! (teve época que não tinha nenhuma... e, decididamente, escovar os dentes na privada, com a mesma canequinha para água fria que era a do banho, é algo horrorooooso...)
A fé na vida e em si mesmo são um bálsamo. É mesmo o que move o mundo!

Já tem luz!!! (e esse também é um capítulo à parte...). Teve épocas também que não tinha.... E nem ao menos um lampião da “vacuum/ sunflower” para colaborar (e escovar os dentes na privada e no escuro consegue ser ainda pior... nem um pingo de glamour...).
Tem “lugar para dormir”, “lugar para trabalhar”, tem “hortinha” na varanda, livros na estante, roupas no cabide, computador funcionando.
Está tudo lindo!
Bagunçado, admito. Apertado, é fato. Mas tudo funcionando.
Coisas funcionando, casa funcionando, eu funcionando. Isso é mesmo tudo lindo!

E já tem até quadrinhos na parede, como o da “mulher moderna” na cozinha!

Falando em cozinha... vão também novas fotos dos acontecimentos neste território... Em suas fases...


Fase da “cozinha-caos-total”...




Fase do “ai, ai... bom, pelo menos eu vou saber onde posso furar depois”...




Fase do “só alegria, cafeteira na cozinha”


Fase do “U-hhuuuu! Armarinhos! Teto roxo-berinjela, uma iluminação dramática!”


Fase do “Uauuu! O que era bom está cada vez melhor...” cortina no armário, luminárias de bancada, Frank Zappa na parede.


Fase do “simplesmente um luxo!” escorredor de louça, já tem copos e xícaras, e até talheres!




Ufa!
Imagine... obra e reforma já são difíceis, complexas, caóticas e enlouquecedoras.

Morar na obra é tudo isso e um pouco mais, à milésima potência...

Morar na obra quando a casa inteira é tão pequenina que é um cômodo só, é um dos maiores desafios da existência humana...

“Fogão da vacuum” e “Petróleo Sunflower” é o caralho... Mulher moderna sou eu mesma!




...nessa casa se ouve Nina Simone.