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sexta-feira, 30 de março de 2012

Novidade: estou em crise...


Eu achava que eu era um poço de contradição.
Mas a vida em si é toda contraditória, né?
Quer ver só?

1)    Quanto mais eu tento parar de comer queijos, mais gostosos eles ficam (!!!);

2)    Também tento (muuuuito) ser celibatária e levar uma vida abstêmia. Mas quanto mais eu me envolvo com os homens, mais gostosos eles ficam (!!!);

Pai-supremo, podemos fazer um acordo?

            Para que quanto mais eu viva a vida, mais gostosa ela fique?!?

(Mas se ela puder ser gostosa, mesmo sem queijos e sem homens, melhor... Mas se não der, acho que tudo bem também...)


... nessa casa se ouve Arctic Monkeys

domingo, 18 de março de 2012

Homens são PA e mulheres são PG


 Outro dia de papo com uma amiga ela pega e fala essa:

- É que homens são PA e mulheres são PG.

Eu já fiquei bolada aqui... Porque já ouvi uma definição de PA que fiquei horrorizada... Sim, eu sou feminista quase ao extremo. E justamente por isso, eu vejo e trato todos como iguais, independente da classificação de gênero... E achei horrorosa essa definição de PA... Por, automaticamente, imaginar o contrário - Eu não vou tratar um homem como um PA.... Porque também não quero ser tachada de BA (?). Existe isso?

Enfim, indignada, soltei na lata:

- Acho essa definição patética.

E ela se choca do lado de lá:

- Como assim? Acho óbvio! Faz todo o sentido do mundo.

- Você só está piorando as coisas. Me assustando e me decepcionando nos valores que tenho por sua pessoa.

- Você sabe o que é PA e PG?

- Olha... PA eu já ouvi falar. É pinto-amigo, não é? PG não sei, não...

Ela, chorando de rir, me explica:

- Claro que não! PA é Progressão Aritmética, PG é Progressão Geométrica, Lembra?

- Claro que não, mas como assim?

- PA é soma. PG é multiplicação... Em forma de equações é muito simples, muito óbvio, definição imediata: PA = + e PG = X. Em termos comportamentais é só parar para pensar e fazer suas associações aí. Veja se não é?

            Parei para pensar e vi que sim... Faz todo o sentido do mundo!
Ainda filosofamos um tanto mais a respeito... Os tais papos que reeeeendem.
            Até a hora em que ela suspira de lá:
- Você é sempre tão inocente e tão apaixonada...

Fiquei p da vida de novo... Duas palavras que não gosto. Não gosto nem de imaginar, não gosto nem de pensar, e, no fundo, no fundo, acho que não gosto por reconhecer que elas existem. Por saber que são reais, e isso por vezes me incomodar tanto....
Acho ainda que essa é “uma impressão”, aos olhos do mundo lá de fora... Pois aqui mesmo, aqui na real definição de mim mesma, não acho que há “ingenuidade”... há o copo vazio que ainda não foi cheio, há a liberdade de nada esperar, da expectativa zero, pronta para receber o que o outro pode me dar, com o que o outro pode encher esse copo. E acho que, naturalmente, como processo da vida, há de ser o bom, o melhor de si. Ingenuidade isso?
Também não acho que eu seja “apaixonada” conforme as definições da sociedade. Sou apaixonada sim, mas pela vida em si. Pelo outro, é consequência (ou seqüela)... É a paixão de ver e sentir e saber que estamos no mesmo mundo, no mesmo momento. Não é uma paixão romântica, não é uma paixão devaneadora, é uma paixão pelos seres humanos... Pelo querer o bem, pelo querer o bem do outro, ou algo assim. Faz sentido isso?

Fez algum sentido aqui...
Sou PG total!
Multiplico tudo aos seus extremos, ao holístico, ao globalizante, ao totalizante, a todas as abrangências da existência humana em si.
Mas acho também que transito entre a adição e a multiplicação... Devo ser então Função Exponencial (?). Regida por Leis Exponenciais no Plano Complexo?
Mas cadê o sentido nisso?!? Porque o termo constante da progressão geométrica é denominado “razão”... E eu, normalmente, não tenho um pingo desta no campo afetivo-comportamental, muito menos no dos relacionamentos... (e eu adooooro quando faço as minhas associações caóticas e literais aqui! :) pura poesia...)
Movida a paixão total (sem ser apaixonada, tá!)

Pelamordedeus!!!!!

Vamos fazer uma sessão de mesa branca aqui em casa?

Junta uma turma boa... Arquimedes, Pitágoras, Ptolomeu, Descartes, Euler, Einstein, Bháskara (e toda sua zen visão indiana), Fibonacci, Galileu, da Vinci, Newton?

Para não ficar muito maçante, ou cheio de papinhos paralelos, pode chamar também Aristóteles, Bacon, Bachelard, Deleuze, Guattari, Descartes, Foucault, Kant, Marx,  Platão, Sartre, Schopenhauer? E mais alguns?

A gente aproveita que são todos vegetarianos, eu faço um jantarzinho bacana, abrimos uns vinhos... Capra acho que ainda está vivo... Pode me ajudar com a louça?



... nessa casa se ouve U2

CUPIDOS SÃO SERES VESGOS

            Vesgos E míopes.
Além de bem limitados em todas suas faculdades mentais. Também são caóticos... São impulsivos, sabe? Agem sem nem pensar muito bem no que estão fazendo...
DDAs? Trabalham sob pressão, talvez?
Acho que ficam enrolando um tempão, quando vêem que já está quase na hora de fechar o expediente, saem atirando flechas por aí, cumprindo metas de merda e nem vêem o que estão fazendo...
Acho que é isso.
Só pode ser isso.
Comigo é assim... Grande vítima dessas inconseqüências, padecendo de tanta impulsividade, de tanta imprudência, diria...
Saem atirando flechas! A torto e a direito... Louca e ensandecidamente... Não olham para trás, não olham para os lados, não levam em conta os contextos relacionados, não pensam no outro!!!!! Que, no caso, sou eu....
Impressionante!
Têm o dom de fazer merda... Atirar sem nem olhar para quem, normalmente o fazem mal ...
Sentiu o drama?
Imagina a(s) cena(s)... Você está ali, livre, leve e solta, quase um comercial de absorvente, feliz e contente, quase um comercial da sprite, levando sua vida numa boa, quase um comercial de calça jeans.
 Então de repente, do nada aparece o FDP do cupido (espevitado, sacana, irônico e mordaz):
- Pá! – joga suas flechas (desconexas, discrepantes e absurdas! Diga-se de passagem...)
Looooouco!
Aí faz o quê?
Faz merda... Óbvio.

Por que é que sempre atira para o lado que não deve?
Por que é que sempre acerta a figura errada?
Por que é que só me arruma ‘sarna para me coçar’?

Pago o carma da Psiquê... E com juros altos, dividido em anos de prestações no carnê. Vou te falar uma verdade...

Na verdade, acho mesmo que o meu cupido não atira flechas... Ele deve estar no bar há um tempão, se atrapalhou, esqueceu o que tinha ido fazer, bebeu demais, estava desolado... seu time perdeu, tá meio puto meio querendo ir embora, não sabe bem o caminho... não sabe bem onde está, o que fazer, de repente levanta e pimba! Ele tropeça! Tropeça sozinho. Tropeça em si mesmo.
E a flecha escapa.... Desgovernada. Cambaleante. Irresoluta...
Meio oscilante, meio vacilante. Completamente instável.

E ele deve pensar assim: “se acertar, acertou”...
Puto!!!!!!
Irresponsável do C%$*#%&%*¨!!!!!

Acertou.
Acertou errado. Óbviooooo....

E quem é que carrega a pemba nas costas?

Euzinha aqui....

Sr. Cupido, prestenção:

- Eu sou uma pessoa que “precisa ser conquistada”... Que precisa ser conquistada todos os dias... Quase um reset do computador, quase o acordar do feitiço do tempo. Eu preciso (!!!!) me apaixonar todos os dias sim... Precisa lembrar, precisa avivar, inovar, senão não dá... Isso é fato. Diariamente, freqüentemente, constantemente. Se achar que está entrando em campo com o jogo ganho, já era... “perdeu, prayboy”! Além disso, sou uma figura moderna e contemporânea, com uma mentalidade avançada em nosso tempo... Convenhamos - Nem toda a humanidade tem acompanhado isso...  O homem contemporâneo continua com esse “instinto” (?) tradicionalista barato de achar que é o conquistador... E que se levar, levou. Cumpriu com suas predisposições inatas para a realização de determinadas sequências de ações e comportamentos, essa prosaica, estereotipada, padronizada e pré-definida capacidade singular de achar que “me ganhou porque ficou comigo”. Não ganhou!!! Meeeesmo! Sequer conquistou!

- Vamos lá... Por partes, parte I: Admito... A arte da conquista continua a mesma.... Mas mudou um tanto... Mas a única coisa que mudou é que tem uma noite de sexo antes... O cara não me conquista de prima. Estou com ele porque eu quero (para não usar um verbo um tanto chulo, ok?). Mas ele só me conquista mesmo nos dias seguintes... Mas ele não sabe disso ainda!!!!!! A mentalidade masculina contemporânea ainda não se acostumou com esse processo evolucionista. Ainda não percebe isso com clareza e coerência....

- Por partes, parte II: além de eu ser “uma pessoa que precisa ser conquistada”, eu sou também uma pessoa que custo muuuuito a me interessar por alguém, me apaixonar então.... Um processo! Mas quando bate.... Bate que vai de uma vez só, sabe? Apaixono. Apaixono sim. Apaixono intensamente. Em menos de 5 minutos entro para o fã clube oficial da figura...
E aí acontece o quê?
Acontece o que mesmo?

E aí que dá sempre a sempre a sensação “de que me apaixonei pela pessoa errada”.....
A constar: não, ele nunca sabe! Se depender de mim, vai continuar sem saber. Processo meu é processo meu. Sentimento meu é sentimento meu. O que “eu sinto e penso” é uma coisa, o que “pode ser que ele sinta e ache” é outra, não cabe a mim. É dele. Processo dele, não é coisa minha. Não falo mesmo!!!

Mas voltando... Quando apaixono, apaixono mesmo... “flechada do cupido”. E é encrenca na certa...
Então parei para pensar onde é que está a complicação dos fatos... Só pode ser culpa do cupido vesgo!!! Total dolo, infração e responsabilidade do sr.!!! senhor, o c#%$@¨&*¨%, seu moleque!

Peguei o cupido para cristo, sim...
Jogo o encargo todo para o cupido sim.

Porque acho que a culpa das flechadas erradas é dele mesmo.
Porque acho que ele é um cupido econômico demais, que joga só uma flecha, para um lado só. Bêbado e trôpego, joga uma e joga errado! Aposta as fichas que não tem na mesa do cassino. Começa a contar a uma piada que não lembra o fim. Abre a boca para falar o que ele não sabe.

Cupido-canalha....

Na verdade, já imagino que deve ter havido algum processo compensatório... Algum desfalque de um lado para contrapesar com outro... E então, para compensar a eficiência dos anjos da guarda (anjos mesmo! No plural! Ou como diz minha mãe que eu tenho um “batalhão de anjos da guarda”) o cupido é um fiasco...
Não dá para ter a tropa de elite em todos os departamentos, né?
É isso?
Me diz se é isso?
Mas, por favor, me dê uma resposta convincente e equilibrada.

E olhe.... Isso não é muito de meu feitio, não.... Mas se o sr. continuar assim (aliás, senhor é o C¨%#@&*¨%, seu moleque irresponsável), eu vou esperar até a próxima TPM (ato premeditado sim!!!), vou a seu encontro, pego essas suas flechinhas de merda e lhe mostro bem o que faço com elas. Sou capaz de amarrá-lo para assistir a cena, pego uma por uma e quebro bem picadinhas como se fosse espaguete para caber na panela pequenina, sacou?   

Aguardo retorno.

Grata (mas não muito...), DR




... nessa casa se ouve Mano Chao


sexta-feira, 8 de julho de 2011

muito esquisto...

Fiz as contas aqui...
Considerando que estamos em um ciclo de vida neste planeta que dura e se renova a cada 26.000 anos. Com uma expectativa de vida beeeem média de 50 anos, dentre eras distantes e outras mais recentes com taxas mais altas, dariam 520 encarnações.
Levemos em conta que elas não sejam seqüenciais, seguidinhas.... Não é uma depois da outra, né? Tipo: morreu aqui, encarna ali. Vou arredondar bem: diminuo pela metade = 260. Já seria algo como “uma vida aqui na terra”, “uma outra temporada em alguma outra dimensão” (seja lá para que...).
Ainda estou achando muito....
Pela metade de novo: 130.
Arredondando para menos = 100.
Ponto.
100 vidas neste planeta. 100 encarnações distintas.

Como é que eu não me lembro de nenhuma????????????????????????



... nessa casa se ouve Stone Temple Pilots

domingo, 29 de maio de 2011

Parece que é domingo

Então sento para escrever.

Refúgio de uma alma de domingo.

Gosto de estar sozinha. Quer dizer, na verdade, sinto que não estou. Também estou (ainda) à doce companhia de Jonh Coltrane. Admiro-o cada vez mais... E mais ainda ao pensar que o máximo que eu consigo tocar ‘de sopro’ é um apito... Fumo um charuto em minha doce “casa na árvore”. Tenho vergonha de fumar em público. Gosto de ficar sozinha. Gosto de ficar comigo mesma. Também aproveito a também doce companhia de minha super cachaça. Também aproveito a doce companhia de mim mesma.

E escrevo. E danço. E canto. E me deleito comigo mesma.

Às vezes algumas dessas companhias também “assopram” em meus ouvidinhos. Sussurram coisas que parece que só eu entendo. Ouço por dentro. Olho para dentro. Falo para dentro. Mas, às vezes, também tento por para fora.

Escrever é mesmo uma das ‘válvulas de escape’.

Ontem desenhei. Rabisquei. Soltei. Depois esquematizei.

Desenhei 2 tatuagens.

Sei que vou fazê-las. Não sei quando.

Sei que vou morrer. Não sei o dia.

Sei que nada sei. E que vim para aprender. Mas ainda não sei bem o quê...

Ás vezes sinto-me como uma adolescente perdida, assistindo uma aula sem saber do que é. Perguntando para o colega ao lado quem é o professor.

Sinto que todos o são. Mestres de coisas que nem sempre eu sou capaz de perceber.

Tento pensar em todas as coisas que eu (acho que) aprendi. Tento lembrar coisas que eu (acho que) esqueci, tento esvaziar a cabeça e o coração de coisas que eu “acho que sei”, e deixar sobrar espaço para caber “as coisas que eu devo aprender”.

E então sussurro junto, grave e marcadamente, como o baixo que nos acompanha e que eu não faço a menor idéia de quem seja... Garret, Gary, Gilmore... Vocês me confundem! Procuro um encarte que eu não acho. Procuro uma palavra que não chega.

Ando aflita. Ontem fiquei muito nervosa. Passei a tarde chuvosa na Delegacia. Sinto que estou abalada até agora. Sinto dúvidas se a polícia é quem deve, ou consegue, nos ajudar “com as lições que a vida traz”. Sinto dúvidas em relação aos rumos e caminhos da humanidade...

Por vezes sinto descrença... Por vezes sinto compaixão, no real sentido de “me colocar no lugar do outro”. Parece pior... Tenho a sensação de que eu jamais agiria como o outro o fez, de que eu jamais faria isso com outro ser humano. Sinto pena. Sinto dó. Mas também sinto uma raiva que eu não deveria sentir... Tento me aprimorar. Tento me acalmar. Tento sublimar os sentimentos do “lado negro da força” em coisas e de formas que eu não sei quais são... Sigo tentando, pequena padawan... Como a adolescente-fora-de-época que não sabe o nome dos professores, que mal consegue controlar seus ímpetos e impulsos, que luta consigo mesma tentando domar as rédeas dos sentimentos.

Então acho que devo meditar mais. Que devo estudar mais. Que devo amar mais.

E então vejo que medito demais, que estudo demais, que amo demais. Deveria é beber menos, fumar menos, falar menos com discos na vitrola, com personagens de livros, com diretores de filmes que assisto... Deveria é sair mais, me divertir mais, compartilhar e socializar mais, sua Jedi-bicho-do-mato!

Aahhhh... A vida! Esse complexo paradoxo. Esse período de tempo tão arbitrário quanto desconexo. Esse turbilhão de relações humanas tão descabidas quanto incompreensíveis.

Quanto mais eu vejo motivos para comemorar, mais eu sou tomada por outros para lamentar...

Quando chega uma alegria de uma ordem, vem outra de outra me dilacerar e mostrar que a vida nem sempre é bela, que o mundo não é só flores e amores (e uma boa música e uma boa cachaça).

Fator “pé no chão”? Fator “realidade”?

Como seu uma voz irrompesse por cima do trompete e berrasse agudamente: “Estava aí achando a vida linda, o mundo belo, feliz da vida, apaixonada por tudo e por todos, resolvida, realizada, centrada, equilibrada, feliz e contente levando sua vidinha? Olha a merda bem á porta ao lado! Está vendo que todo o mal da humanidade também lhe diz respeito? Está vendo que os seres humanos podem ser maus e que sim, fazem coisas absurdas passando por cima até de sua vidinha lindinha, honesta e feliz? Está achando que a moléstia da humanidade também não é sua? Que as atitudes dos outros um dia não vão em choque às suas? Se fudeu! Agora senta, se aquieta, tira seu sorriso do caminho e engole o choro”.

Difícil não parar para pensar. Difícil esquecer e aquietar. Difícil não filosofar muuuuuuuito em cima disso tudo.

Tento trocar tanta indignação pelos meus sentimentos de leveza, amor, plenitude e alegria.

Difícil também... Parece um exercício constante, me puxando e me controlando. Tenho que estar alerta, procurando a minha verdade íntima, sem me deixar abalar nem temer.

Não sei se certa ou errada... Mas sincera, como sempre.
Não sei se ingênua ou otimista ao extremo... Mas honrada, pelo menos comigo mesma

- Prefiro acreditar que se eu fizer a minha parte, já colaboro para o bem maior da humanidade.

- Prefiro achar que se preenchermos o mundo com coisas boas e novas lições para nosso aperfeiçoamento, não vai haver espaço para tanta miséria e mesquinharia, no real sentido da palavra.

- Prefiro seguir feliz, iluminada e cheia de amor, a me deixar levar pelos problemas mundanos e cotidianos, criados por pessoas de má índole, má fé, mau caráter e total falta de amor a si mesmos e todos seus irmãos.

- Prefiro achar que áquele que ontem me roubou há de haver um mestre para lhe ensinar algo nessa vida também. E que a ele possa também ser proporcionado um momento de encontro consigo mesmo, de reflexão e de trabalho interno que lhe ajude a se tornar um ser humano melhor, e em melhores formas de convívio com seus semelhantes.




... nessa casa (ainda) se ouve John Coltrane

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

A primeira vez a gente nunca esquece

Fui à Nutricionista pela primeira vez na vida!!!!
Estava contando os dias para a consulta, estava numa alegria só, na maior excitação, feliz da vida mesmo por ir então a uma nutricionista. Acho que um tanto pela sensação de “estar cuidando de mim” de alguma forma, de fazer algo para meu bem, sabe? E mais um tanto pelo prazer da descoberta, pela oportunidade de esclarecer coisas, tirar dúvidas e ter respostas para algumas coisas que eu não tivesse descoberto sozinha. Pois bem, eu estava toda eufórica por ir à nutricionista...
O tamanho da minha decepção foi proporcional ao de tanta excitação...
Ai, ai...
Tá... Não serei indelicada nem malcriada, não vou dar nomes aos bois, e também vou tentar não julgar demais as pessoas... Mas que fiquei decepcionada fiquei, mas que saí de lá com cara de cu, descrente, descreeeente da potencialidade dos profissionais brasileiros, da humanidade e de tantas outras coisas, saí...
Alguém já foi ao nutricionista?
Encontrou respostas para algumas coisas que procurava?
Teve orientação direcionada e específica sobre coisas a fazer?
Sentiu-se seguro, confiante e acreditando que aquilo pudesse ser o melhor a ser feito?
Pois bem, cheguei logo me apresentando, das formas que pude e achei conveniente.

Levei minha batelada de exames recentes, sangue, glicose, uréia, creatinina, lipidograma, hormônios e mais uns 15 outros com nomes em siglas de sei-lá-mais-o-que-são... Dá para me conhecer por dentro, de uma forma química ou física, penso eu... Para me conhecer por dentro de outras formas, comecei a falar... A anamnese mesmo, né. E tentei fazer um rápido apanhado de informações relacionadas direta ou indiretamente à minha alimentação, e outros hábitos que fazem a diferença no meu corpicho, por dentro ou por fora.
O ‘x’ da questão é que tenho uma forma muito peculiar de lidar com tudo... isso. Digo que me “automedico”, mas como não é medicação, é alimentação, pode se dizer que institui formas próprias de direcionar ou guiar minha dieta... Mas também não acho de todo distante de ‘medicação’... O histórico familiar é de uma turma de malucos especial, que inventa ou cria formas próprias de ser, viver e estar neste mundo... Lembro de papai, por exemplo, que toda vida disse que “não precisávamos de remédios, precisávamos nos alimentar corretamente” e que, quando não nos alimentássemos direito... em caso de doença, “para tudo há um chá certo que resolva”. E assim vamos... eu cá, e ele lá já com seus 83 aninhos, firme e forte como um tourinho!

Contei que não como carne, mas gostaria de saber mais e melhor sobre outras fontes e compensações de proteínas. Contei que parei de tomar leite aos 21 anos (já faz tempo.... mas abafa o caso) porque achei que já havia atingido o auge da minha formação cálcia, mas que como queijo vez ou outra. Contei que como como uma draga, em grandes quantidades mesmo, e que acho que sou magrelinha porque “a forma do bolo era essa mesma, e saíram todos magrelinhos”. E também que, se fico muito tempo sem comer, emagreço... Os anéis caem dos dedos, a calça cai da cintura, metabolismo de criança.

Fui respondendo algumas perguntas...
- Menstruação?
- Normalíssima. Dia e hora para chegar, do mesmo jeito há mais de 20 anos.
- Evacuação?
- Normalíssima. Todo dia, do mesmo jeito, na mesma hora. E de preferência no mesmo lugar...
Ela começa a “querer achar doenças”...
- Olha, se você não come carne, deve ser anêmica...
- Trouxe meus exames, vamos conferir.
- É, tudo certo... Humm, então se você não come açúcar, certamente é hipoglicêmica. Por isso então deve ter tanta fome e fraqueza. – Fraqueza? Sim, ela disse isso.... Certamente? Sim, ela disse isso....
- Trouxe meus exames, vamos conferir.
- É, tudo certo também.
- Olha... Não vim aqui porque estou doente, nem sinto que tenho nenhum distúrbio. Queria mesmo é uma orientação profissional, quero saber se estou fazendo a coisa certa, se preciso de algum nutriente diferente em meus cardápios, essas coisas.
Bom... Já sou meio linguaruda por natureza... Eita, bigmouth strikes again...O que às vezes me deixa em algumas saias justas por aí. Quer dizer, deixo os outros em saias justas também... Também falo meio sem medir palavras, com freqüência, quase sempre,  muitas vezes dou umas patadas, e nem percebo que o fiz. Falo a verdade ou não falo nada. Meeeesmo. Aí fico quieta como um monge (monge mudo, eu digo), acho que chego até a cerrar os lábios e fico quietinha, mudinha-da-silva...

Percebo também que desde que comecei a meditar regularmente, passei a falar mais sobre meus sentimentos, impressões e opiniões. De forma honesta, sincera. Não quero perder a oportunidade de me expressar. Mas com isso, passei também a tentar me policiar muito mais... “É a melhor forma de eu dizer isso?”,Eu dizer agora o que eu acho ou penso a respeito, vai melhorar a situação?”, “Vai fazer diferença na vida dessa pessoa eu falar o que estou sentindo?”.

Então, com a licença no jogo de palavras, podo a mudinha aqui...

A nutricionista começou a prescrever a dieta recomendada...
- Primeira coisa, carne. Para você não ficar fraquinha.

Sim, mantive a linha...
Sim, segurei a língua...
Não, não falei nada constrangedor para ela.
Sim, percebi que não valia à pena argumentar... E que “fraquinha” era ela. Como profissional, que não leva em conta fatores subjetivos, mas que segue, repete e reproduz ‘padrões’ (?), praxes, normas (?) e tabelinhas.

Para ficar mais fácil entender o que aconteceu por aqui, vou reproduzir mais ou menos como foi o papo, seguindo alguma ordem do diálogo, e (colocando entre parênteses o que eu deixei de falar ou simplesmente pensei na hora, ok?)

A nutricionista começou a prescrever a dieta recomendada...
- Primeira coisa, carne. Para você não ficar fraquinha.
- Eu não como carne. Não quero passar a comer. (Fraquinha? Eu? Fraquinha é a senhora, sua limitada... Eu falei que não como carne, lembra?)
- Mas precisa. Para não ficar fraquinha.
- Não, não “precisa”. Também por isso vim a uma nutricionista, para me indicar como equilibrar melhor minhas fontes de proteína. Para me recomendar fontes alternativas, para me dizer se o que estou comendo é suficiente e está de bom tamanho. (tudo isso mesmo que falei, mas seguido de um “porra!” enfático no final)
- Uma vez por mês, carne. – E ela ia falando e anotando na folhinha da minha dieta... – Você não disse que come carne uma vez por mês? Então, é assim que vai ser. Carne uma vez por mês.
- Não, não é “assim que vai ser”. E não. Eu não disse que como carne uma vez por mês. Eu disse que, quando eu comia carne era em média uma vez por mês. Muitas vezes até por falta de opção, não por vontade. E eu parei novamente, não faz mais parte da minha dieta. (Você ouvia mesmo enquanto eu falava? Eu não suporto ter que falar a mesma coisa mais de uma vez... Ai, ai... eu expliquei tudo tão explicadinho, você nem me ouviu?)
- Mas pre-ci-sa. Para não ficar fraquinha.
- Não sou fraquinha.... Tenho, inclusive, o braço igual ao da Madonna. Sou bem disposta, sou saudável, sou fortinha até em não pegar gripes à toa por aí. (E ninguém “precisa de carne”. Na verdade, o organismo humano foi feito para ser vegetariano. Sabe como funciona o nosso intestino? Sabe que tamanho ele tem e por quê? A humanidade é que se desvirtuou pelo meio do caminho, em algum momento... E instituiu hábitos alimentares e culturais com essa depravação carnívora. Sabia? Nutricionistas não aprendem estas coisas?)
- Está anotado aqui. Carne uma vez por mês.
- Hu-hum... – Pronto. Fiquei muda. E acho que fiz aquela cara de “pode anotar aí, não quer dizer que eu vá seguir”... (e foda-se você). E acho que ela percebeu.
- Olha, se você não quer comer carne todo dia, vai ter que comer 1 vez por mês (Faz algum sentido o que essa mulher está dizendo? É isso mesmo? E é assim que se fala? Parece uma mãe ignorante fazendo chantagens... Meu Deus, coitados dos filhos dela. Devem ter crescido com ela dizendo que para serem "fortinhos" tinham que comer “bifinhos”, “carninha”... Tentando botar doçura e poesia, chamando o bicho no diminutivo... Fazendo essa cara de garota propaganda de família-margarina. Socorro!!!!) E nos outros dias vai comer então frango, leite, ovos, queijo.
- Não, peraí.... Eu não como carne, incluindo frango. E não tomo leite. Ovos? Não como ovos... Talvez vez ou outra, na rua, na massa de alguma coisa... pão, quiches, bolo, em alguma sobremesa. Mas não compro ovos, não fazem parte de meus pratos. (na verdade, tenho certo nojo de ovo... mas não vou falar disso com a senhora, não... Sabe o que é um ovo?)
- Tem que ter proteínas. E o leite é pelo cálcio, não devia ter parado de tomar, não. Já está muito tempo sem leite. abafa o caso, de novo...
- Olha... Na minha lógica, mamíferos tomam leite enquanto estão na fase lactente. Depois disso, todos param. Exceto os humanos??? Eu ainda prolonguei beeeem esta fase, fui até os 21 anos, por achar que talvez precisasse de cálcio na minha formação óssea. Cresci o que tinha que crescer, e parei. Não faz sentido ficar tomando leite. Já passei da idade. Ainda mais leite de vaca, de uma mãe que nem é minha... É hormônio da vaca, para alimentar o bezerrinho. Não é isso? Só me rendo aos queijos mesmo, por pura tentação... Mas é tão esporádico... Não é “elemento nutriente” da dieta do dia a dia, entendeu? É puro prazer, não é necessidade. Sei que nabo é rico em cálcio, mas não conheço muito mais outras coisas para compensar. Por isso vim aqui...
- Se você não tomar leite vai ter fraqueza óssea. Pode ter até uma osteoporose precoce logo, logo.
- Tem alternativa?
- Soja, você come soja?
- Sim. Muito. (Por isso talvez eu seja tão calma... Ó, ó... nem explodi com a sra. ainda... Como muito, dizem que é bom para TPM. As japonesas comem muita soja. Já viu japonesa de TPM? Como muita soja, sim. Mas é difícil achar as de origem não transgênica... tem que ser cauteloso com as sojas que há por aí... Mas, sim. Acho que como muita soja). E então continuei:
- Só isso? Nenhum legume, nenhuma verdura a mais? Ó... Como muito as coisas verdes, alface, agrião, couve. Isso é bom para quê? Preciso aumentar a dose? Equilibrar com o quê?
- Precisa comer de tudo um pouco. Não pode comer só isso.
- Eu não disse que como só isso. Eu disse “como muito”... Nem sei se é muito... Como umas 2 vezes por dia. E também que não sei para que é bom. Olha, podemos fazer um apanhado geral atualizado. Eu te conto o que normalmente como, é isso? Hummm, vamos ver... De manhã eu faço uns 2 sucos ou vitaminas diferentes, um mais “fresco” e um mais “doce”. O fresco eu bato verduras... agrião, couve, alface, com alguma coisa, tipo laranja, mexerica, limão. O outro é basicamente de frutas: banana, maçã, manga, morango, mamão, menos cara de suco, mais cara de vitamina mesmo. E boto levedo de cerveja sempre.
- Não pode comer só isso. De manhã tem que comer pão, manteiga, você come essas coisas? Levedo de cerveja para quê?
- Complemento vitamínico, não é bom? Só não sei se a dose é boa... Mas sempre como, se eu não bater no suco, boto na comida, na sopa, sacou? (olha, fofa... meu prezado ex marido, que era sábio, na primeira vez que me viu fazendo isso perguntou “que raio de pozinho de pirlimpimpim é esse que você bota em tudo quanto é lugar?”. – “levedo de cerveja”. – “ah tá, não sei o que é, não... mas se é de cerveja, deve ser coisa boa”). Levedo de cerveja é bom para quê? Qual a dose diária? É com isso mesmo que eu posso complementar em vitaminas? E não como pão com manteiga de manhã, não...
- Tudo errado. Tem que comer pão com manteiga. Queijo...
- Para quê? Carboidrato e proteína? Energéticos? Ó... Como “comida de esquilo”, umas nozes, castanhas... Quase sempre como bolo, bolinho integral, sabe? Sem leite, sem ovos, sem açúcar. Mas boto mel por cima, que nem calda. E muitas frutas, né? Frutas têm sacarose. Fonte de açúcar, não é?
- Mel? Mel, não...
- Não? Não é bom? Como eu não como açúcar, compenso com outras coisas. Não está certo?
- É que eu não gosto de mel.
(Aaaahhhh... então a sra. indica o que gosta e o que não gosta? Em função de escolhas pessoais, e não em função do perfil e necessidades do seu paciente, sua churrasqueira fdp? Faz diferença eu lhe contar sobre meus hábitos, minhas escolhas, minhas opções pessoais, ideológicas, filosóficas, religiosas? Faz diferença eu tentar dizer de novo que não sei se estou fazendo a coisa certa da melhor forma possível, por isso vim atrás de orientação. A sra. vai me orientar a comer o que você gosta???)

Bom... A consulta ainda levou um tempo... Até falei um pouquinho mais sobre minhas coisinhas, né... Mas acho que em vão. A dra. seguiu uma tabela de peso x altura x idade e disse que estou magra para o contexto. Ok, acho que já sabia... sou magra, mas sou gostosa!
Disse que é para eu comer carne e voltar em 1 mês.

Está na cara que eu não pretendo fazer nenhum dos dois...

Trouxe para casa um papel com “a dieta”, que nada mais me diz além de que 2 + 2 = 4. Algo do tipo, “legumes = batata, cenoura, abobrinha”, “grãos = arroz, lentilha, feijão”.
Putz... Ninguém merece.

Eu que queria saber coisas que não aprendi na escola, nem na faculdade, nem na vida... Como se meus suquinhos de alface com morango, de agrião com pêra, e tudo mais que meu super-mixer me proporciona, são mesmo bons ou se uma coisa anula as propriedades da outra...
Putz... Ninguém merece de novo.

Alguém me indica uma nutricionista!!!

Mas dessas que sabem o que estão fazendo, que têm argumentos para suas crenças ou posturas, que têm a mente e o coração abertos para ir além de uma tabela, e que sabem fazer uma tabela própria e por conta própria. Das que ouvem e assimilam o que seu paciente está dizendo. Das criativas, que vão fazer a alegria da cozinheira.


No aguardo. Atenciosamente, DR


... nessa casa se ouve Radiohead

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Tenho um coração mais perdido que a Vanusa cantando o hino nacional...

(capítulo 2, talvez...)

 
A casa era um tanto bagunçada, ainda assim parecia vazia. Esparramavam-se alguns amontoados de certa desordem irreconhecível, mas o que se via naquela hora inebriante era apenas uma pequena linha amarelada entrando pela janela, desenhando um traço suave sobre o chão de azulejos mal pintados de branco. O rasgo de sol tímido beirava a grelha enferrujada do ralo. A solidão do lugar parecia fazer barulho... um gemido frio e intimidante.

Não era sala, não era corredor. O lugar inóspito mal tinha paredes, ainda assim parecia um labirinto. Portas e portas enfileiradas, portas que revelavam outras portas, portas emoldurando portas. Portas encostadas lado a lado; difícil imaginar que não fossem de um mesmo lugar...

Monocromático sujo. Sentimento marujo.
O coração respira fundo e começa...
- Tenho medo do que sinto.

- Sei, sei...

- Por isso mesmo desta vez resolvi investigar... Tenho medo desse caminho... desconhecido, sombrio, assustador. Por isso sempre evito adentrar em suas profundezas.

Mas não gosto disso. Parece que estou fugindo, parece que estou acuado. Não quero viver com medo, evitando-o e fingindo que não o vejo. Não dá mais para ir vivendo e simplesmente passar por 1 porta sem saber o que tem lá dentro, só porque ela me assusta.

Como ir vivendo e fugindo? E me escondendo? Como passar em frente à porta sempre bem quietinha, realmente apavorada, sem saber o que ali se guarda?

Acho sempre que algo pode sair abruptamente e me puxar de 1 vez para lá...

Ou então que se, despercebidamente, uma vez eu entrar, a porta irá bater e não consiga mais sair. Passo na ponta dos pés. Cubro o olho mágico para ninguém ver que estou ali. Fico muda, em um silêncio que cerca a alma, até chegar às portas e caminhos que eu conheço.

- Fingindo que a tal porta do desconhecido não existe?

- Exatamente. Só pelo medo do desconhecido. Mas não agüento... Não estou mais agüentando. Não dá mais para viver assim... Acuada. Assustada. Uma hora eu teria que abri-la, certo?

- Portas existem para serem abertas. Nada pode viver trancado para sempre. Você sabe o que tem dentro? Sabe quem o trancou ali?

- Não sei bem, não. Quando eu percebi que a porta existia, ela já estava ali fechada. E me assustando. Quando passo por ela sinto um bafo frio me assoprando, barulhos esquisitos e atemorizantes, arrepio-me até os pentelhos. Ouço gritos, socos nas mesas e paredes, discussões alteradas, mulheres em crise, homens frustrados, crianças indesejadas... Sinto uma nuvem de hipocrisia abafando o lugar, sinto sentimentos e desejos acorrentados. Parece que o lugar está lotado. Ao mesmo tempo parece que está em total solidão.

- Medo de entrar?

- Parece que é um lugar que se conhece, parece ser tão vivido que, de alguma forma, se torna familiar. Ainda assim é desconhecido, é traiçoeiro. Tem cheiro de armadilha, é forca disfarçada de gargantilha.

- Abriste a porta? Espiastes o que tem dentro?

- Abri, entrei, estou passeando aqui dentro. Sentindo cada pedacinho do que existe, experimentando cada sabor desconhecido, sentindo todos os cheiros, vendo e vivendo tudo o que eu posso e consigo.

- Sei, sei... Perdeu o medo então?

- Tento não parar para pensar no que me assusta. Quero apenas experimentar e vivenciar, saber do que se trata para poder viver e conviver com isso. Superar o medo, talvez...

- Que tanto medo, medo, medo... Mal te reconheço! Sempre tão corajoso, ousado, intrépido. Agora só fala de medo, medo, medo...

- Gato escaldaaaado...

- Mas e aí? Como se sente aí dentro?

- Perdendo os medos, desvendando segredos, inventando enredos... Sinto que não posso mais fugir, e também sinto que posso fazer algo diferente, pode ter leveza. Mas ainda não sei como.... Ainda assim acho que já é um passo dado. Estou tranqüila aqui dentro. Não há que se repetir os mesmos erros, meus ou dos outros. Há que se conhecer, atrás da porta e a si mesma.

- Hunnnn.... apaixonada?

- Da resposta ainda fujo...


(pausa)


(o coração continua...)





... nessa casa se ouve Nina Simone



Estava escrito aqui já faz algum tempo... data de 09 de 09.
O Capítulo 3 também já andou se apontando por aí...

E tinha uma obs. acompanhando... não vou nem reler nem censurar.
Verdade nua e crua...em determinado momento, sob determinado contexto.
Afinal... “penso, logo, mudo de idéia”


 
Ai, ai.... Por que será que isso tanto me incomoda? Por que será que me sinto tão aflita, tão angustiada? Às vezes parece que eu nunca mais vou conseguir me relacionar com alguém novamente. Ás vezes parece que sempre há algo errado a acontecer... Mas o que será que é errado? O que é certo e o que é errado nessas horas? Existe mesmo?

Sei que me sinto bem comigo mesma. Mas é uma relação esquisita... às vezes parece que estando bem comigo mesma não é possível estar bem com mais ninguém...

Às vezes parece que não há de existir alguém que queira estar comigo. Nem bem, nem mal, nem de jeito nenhum.... às vezes lamento, às vezes tormento, às vezes invento...

Mas sigo assim. Sigo em frente. Sinto-me tranqüila.

Também sei o que quero e o que não quero. Sei dos riscos que corremos, sei dos medos que tenho, mas sei também que sou corajosa! E sou verdadeira!

E tem 1 milhão de outras coisas que eu não sei...

Queria alguém que também fosse assim... Que chegasse e falasse “ó... não sei onde isso vai levar, não... não sei nem se leva a algum lugar. Mas topo correr esse risco com você”. Pronto.
Simples assim? Ou complexo assim?

domingo, 22 de novembro de 2009

domingo, 9 de agosto de 09

Com quantos cacos se faz uma vida?



Ontem quebrei azulejos para depois recompô-los na parede.


Fiz como quando corto o cabelo... a cada tesourada penso em tudo que quero cortar da minha vida; para depois pensar em tudo que quero que cresça, forte e vivo como os cabelos de Sansão.


Com os azulejos a mesma coisa... a cada marretada, tudo que quero quebrar na minha vida. A cada recomposição, tudo o que quero pra ela criar.


E as pecinhas vão se encaixando, se montando, se ajeitando, se completando, como cada pedacinho de mim mesma.


Fiz um mosaico pobrinho... feliz nas suas limitações...


Eram azulejos “sobra da obra”, cores xoxas, peças velhas e sujas, mas cheias de história...


Não era para ser nem bonito, nem feio. Só para ser o que é.


Não era para ter um desenho representando nada. Só para formar o que dali saísse....


Faz pensar tanta coisa...


Horas a fio, colando, montando, descobrindo, encaixando.


A vida é feita de caquinhos.


Um dos grandes desafios é saber pegar (o que parece ser...) o entulho e transformar em algo novo.



Às vezes acho que faço isso o tempo todo e com tudo... coisas que não têm serventia, coisas que ninguém mais quer, coisas que “são lixo” aos olhos de alguém, e as transformo em coisas novas, crio coisas novas a partir destas.


Digo que estou lhes “dando dignidade” e então elas passam a ser coisas lindas e exclusivas, aceitas pelo mundo que as rodeia.


Com tudo... é impressionante...


Aí tento buscar paralelos comigo mesma...

Tudo tem um uso possível, uma serventia, pode se tornar algo interessante.


Tentar juntar os cacos de mim mesma e me transformar em alguém que possa ser aceita...


Pegar essa tralha toda amontoada, chamada DR, aparentemente sem muito valor, e transforma-la em algo que as pessoas gostem.


Vejo valor, oportunidade e possibilidade em tudo quanto é tralha. Acho mesmo que é possível de se transformar em algo novo e interessante; como é que mim mesma não consigo achar???


Parece que finalmente deu algum ‘start’ nesse ponto...


Algo de bom eu devo ter... não é possível... não vou ser o entulho amontoado no canto para o resto da vida; em algum momento alguém mais há de reconhecer e agregar valor a essa que vos fala...


Talvez uma conjunção de fatores estejam colaborando para isso nesse momento. Estou mais tranqüila e feliz comigo mesma.










... nessa casa se ouve Célia Cruz