domingo, 20 de março de 2011

F.A.Q.

Pois é, gente boa...
Às vezes acho que eu sou tímida, contida, estabanada tentando ser discreta...
Descobri que meus amigos e chegados são muito mais!
Não se manifestam, não se expõem, vêm visitar esta casinha e não deixam um comentzinho sequer para alegrar a magrela aqui!

Mas depois aparecem e me pegam no susto, falam sobre coisas que viram por aqui e ficam esperando respostas imediatas e sensatas...

Hummmm..... Vou então responder aqui mesmo.


Nova seção da casa: F.A.Q.

Seu blog é bem legal, mas por que falar tanto de você mesma?
Zé das Couves, São Paulo, SP

R.: Porque eu quero. Porque fiz um blog da minha vidinha, das minhas coisinhas.
Falo muito de mim talvez.... Mas creio que falo também da minha forma de ver e viver no mundo, minhas impressões, minhas relações com este, minhas opiniões.
Se eu quisesse faria um blog para falar de assuntos outros quaisquer; cinema, música, arte contemporanea, filosofia de boteco, sei lá.... Mas este aqui “é meu”. Meu universo íntimo e pessoal mesmo.
Não falo dos outros, mas também não coloco ningúem em situação delicada ou constrangedora além de mim mesma, ok? Não faço um blog sobre outros assuntos porque não quero... se eu quisesse poderia até fazer um “leões da fabulosa forever”, ou “não sabe brincar não desce p/ o play”, mas não estou a fim, não... E se eu quiser falar sobre qualquer assunto, sob meu ponto de vista, o faço aqui mesmo também.
Seu blog se chama “in loca” e isso fortalece sua imagem de louca! Já pensou em contratar um especialista em marketing pessoal e aprender a se colocar no e para o mundo com uma imagem pessoal melhor e mais respeitável?
Darth Vader, Tatooine

R.: Não, não pensei. Não, não quero, obrigada.
O blog se chama inloca porque é um “trocadalho do carilho”, é o feminino de in loco, no meu vocabulário farto e fértil, no latim arcaico com tendências feministas.
Não estou aqui para “construir uma imagem pessoal mais respeitável”. Estou, de forma espontânea e sincera, falando o que eu quero, do jeito que eu acho, soltando palavras pelo ar como se estivesse pensando em voz alta, de forma livre e descompromissada mesmo.
A vida nem sempre é séria, mas deve ser sincera. Sou assim mesmo e ponto.
Quer falar sério? Liga e marca uma reunião.
Mas você é brasileira!!! Não gosta mesmo de samba???
Muchacha, Pedro Juan Cabalero, PY

R.: Cara... gosto e não gosto, entende? Até gosto de samba, mas é um samba que não toca muito por aí, não... Cartola, Pixinguinha, Ary Barroso, gosto de chorinho, gosto de “sambinha paulista”. Acho que gosto de “samba old school”...
Essa coisa aí que te empurram goela abaixo não é “samba” não... É um saco! Acho terrível, não gosto, não... Irrita e dá no saco!
Até mesmo em “samba enredo” tem coisas que eu acho realmente muito boas! Mas são poucas, são raras, são bem antigas... Então, no geral, já que chamam tudo de samba, caí nessa generalização também... E acabou ficando o estigma “de não gosto de samba”. Podemos fechar assim: não é o que eu mais gosto, não desgosto de todo, mas, já que se generalizou, digo então que não gosto.
Já que você gosta tanto assim do seu mixer, por que você não o faz de vibrador, pega e enfia *&¨%¨%#@*&¨# ?
(Tá.... para manter a linha, não vou dar nome aos bois.... Mas veio de alguém da finesse que é minha família)

R.: Por um momento cheguei a pensar nisso, mas desisti dessa idéia... Achei violento demais.

Os nomes dos leitores foram alterados para garantir a privacidade e o anonimato dos remetentes.

...nessa casa se ouve Thelonious Monk

terça-feira, 8 de março de 2011

Carnaval parte II * o desfile

Cumprindo a meta de, toda semana, “fazer algo que eu nunca tenha feito”, desta vez eu me superei!!! Bati recordes, extrapolei a cota. Missão cumprida ao extremo... Essa vale por 1 mês:

- Desfilei numa escola de samba!!!!
Sim, é isso mesmo que você ouviu.

- Desfilei numa escola de samba.
Convite meio de última hora, turma animada, experiência ainda inédita, resolvi ir...
Na verdade eu já havia dado o ar da minha graça pela passarela do samba. Mas a serviço, né. Então não vale.
Dessa vez fui à paisana. Fui de foliona.

Aquele esquema tipo “ala para gringo”, roupas de penas e penas e mais penas, vaccum forming na cabeça, sapatos ridículos, ombreiras de arame (com penas e penas e mais penas) daquelas que não deixam os braços levantarem e vão esbarrando e atropelando em tudo que há pelo caminho, cerveja escondidinha na concentração, enredo e nome de fantasia que deixaria qualquer roteirista de Lost boquiaberto de inveja com tanta criatividade e poder de abstração, essas coisas...
- Nossa, devia estar linda!
- É... Pode-se dizer que sim. Lindeza é algo tão relativo, né...
- Penas, plumas, vaccum forming na cabeça, sapatos ridículos, puro glamour embaixo de chuva á meia noite na Central do Brasil. Não estava linda, não, musa do verão?
- Pra maritaca eu estava linda, sim. Algo entre pavão-misterioso e arranjo-de-mesa-da-festa-anual-do-clube-dos-servidores-gays-de-qualquer-lugar. E agasalhada, porém molhada, muito molhada... E isso não é lá muito glamouroso, não... Mas como resolvi ser foliona uma vez na vida, vá lá... Lá fui eu. Meia noite na Central do Brasil, toda a chuva do mundo por duas horas ininterruptamente sobre minha cabecinha empenada, fantasia que parecia um pijaminha, com mil penas em cima, todo o suingue e a ginga da mulher brasileira, e “então tá então”.
Saí cedo de casa.

E como sou prevenida, gata escaldada, diria (e também não agüento mais não ter o que comer por aí, ou melhor, ter que contentar em comer amendoim por total falta de opção), levei um lanchinho vegano mínimo, numa sacolinha emergencial, para não passar perrengue...
Aquela voz-da-vó que assopra dentro da orelhinha, sabe como é?

– Leva um casaquinho.
- Guarda-chuva?
Pois bem, dessa vez ela falou algo assim:

- Em algum momento você vai ter fome. Vai ter que ficar horas no curralzinho na concentração. Aposto que só vai ter churrasquinho, calabresa na chapa, na melhor das hipóteses, em alguma barraquinha com melhor infra, só vai encontrar cachorro quente ou “caldinho de feijão com muito bacon”. Você não é boba, leva seu lanchinho!
Foi o que eu fiz.
Ok... Mas admito... Na minha fértil cabecinha, eu ainda tinha esperanças de um dia encontrar uma barraquinha no pé do balança-mas-não-cai, daquelas cobertas com lona azul, mas com uma confortável poltrona com banquinho para os pés e vista panorâmica para o terreirão do samba (???).

Neste pedaço do shangrilá da praça XI, haveria um risoto vegetariano, integral e quentinho, temperadinho com hortelã e um farto fio de bom azeite português, uma tortinha de palmito, saladinha bem lavada, cerveja guinness geladíssima...

Tudo tão simples, tão facinho de produzir, por que raios ficam lá fritando lingüiça e servindo itaipava quente?

Ai, ai... Melhor levar de casa mesmo.
Então lá fui eu, quatro sanduichinhos, umas azeitonas para “levantar a pressão” e acompanhar a cervejinha, 3 barras de granola, água pode deixar para comprar na hora que vem em embalagem lacrada com CNPJ do responsável.
Mas foi chuva na cabeça por duas horas de curralzinho de concentração e não consegui nem abrir a sacolinha. E não é que chegou a hora do desfile e lá estou eu com o maior contrabando de pãezinhos e azeitonas na mão! Ai, voz da vó...
Nessa hora a foliona faz o quê?
Faz igual à morena de Angola que leva o chocalho amarrado na canela.
Escondi tudo direitinho por dentro da calça, amarradinho na perna, e lá fui eu passarela do samba adentro... Cheia de glamour, de “catigoria”, jogando os cabelos ensopados para trás e os peitos encharcados para cima, com um farnelzinho cheio de azeitonas dentro da calça sambando por 1 hora!
- Nossa! Que discrição. Que elegância. Sagaz e perspicaz, hein.... A Harmonia nem percebeu?
- Querido-ô! A Harmonia nem percebeu que eu cantaria euforicamente qualquer samba que eu lembrasse na hora.
- Ué... Você não sabia o samba da escola?
- Veja bem... Eu já sabia o nome da escola e também sabia o nome da minha fantasia. Eu sabia o nome de quase todos dos amigos que estavam junto, e eu sabia até o meu nome! Ainda ia ter que saber cantar o samba???
- Lógico! É a evolução. É o tempero e a animação da Ala. É a obra prima dos compositores, o cerne do enredo.
- Samba enredo não tem disso, não, fofo! Em cinco minutos de concentração e você já consegue decorar o refrão. O resto da música aposto, mas aposto meeeeesmo, que é só conseguir ritmar “babaô, babaô, amooor, sou alegria e fantasia” e qualquer outra palavra que rime com estas, que você canta o samba da escola. De qualquer escola. De todas as escolas. Fechou?
- Fechou.
Fechadíssimo.

Foi exatamente isso!

E eu ainda cantei, cantei, e canteeeeei. Bati no peito na hora de cantar “amoooor”. Bracinhos para cima (ou quase... ou como deu... dentro da armadura de penas...) na hora do “é fantasia, é alegria”. Sambinha no pé na hora do “alô, calo-ôr, babaô, eu vô, eu tô, eu sô, animô, suingô, suingô”.
Impecável!
Simples assim. E fica a dica: “alô, calo-ôr, babaô, eu vô, eu tô, eu sô, animô, suingô, o ovo do vovô”  funciona para samba enredo, carnaval do Rio de Janeiro. Se for em Salvador é para rimar com “ê”, entendeu? Tipo... “badauê, lerê-lerê, olhaê, xerê, ximbalaê, quê o quê”
Não existem mais aquelas rimas consistentes e equilibradas de antigamente.... “pega ela aí pra passar batom cor de violeta na boca e na porta do céu” ou “tá ficando apertadinho, por favor, abre a rodinha, por favor”. Não existe.... É “alô, amoô-or, calo-ôr, babaô” e “badauê, auê, ximbalaê”. Sacou?

Enfim... Desfilei. Sobrevivi. Passo bem.
Cheguei bem em casa.
Bem molhada, bem despedaçada, mas bem.
A fantasia ficou pelo corredor do prédio... Já entrei em casa só vestindo um saquinho de pão com azeitonas... Banho quentinho, meinha de lã, chazinho de camomila.
Ufa!
Não acredita?
Olha aí, ó...

E para esclarecer desde já. Sim, sou eu mesma (pensou que fosse Angelina Jolie disfarçada, né...). Sim, eu me comportei direitinho. Repare... não estou com fones de ouvido, não levei um sonzinho escondidinho, não era rock. Era o tal do “babaô, babaô, amooor, sou alegria e fantasia” “babaô, babaô, amooor, sou alegria e fantasia”.
E sim, eu sobrevivi. Continuo rabugenta mas feliz e sorrindo.


... nessa casa se ouve REM

CARNAVAL * parte I

É que às vezes eu perco a paciência com o Carnaval.

Quer dizer, perco a paciência com muitas coisas, mas quando chega o Carnaval, todas as coisas são Carnaval, e então esse é o lado bom, pois acabo perdendo a paciência só com 1 coisa.

Não sei se é porque eu não entendo bem o que acontece... Não sei se é porque é tudo muito chato mesmo.

Acho as músicas maçantes, repetitivas, cansativas, não acho dançáveis.

Também acho as músicas racistas e preconceituosas, machistas, violentas... assusto-me em ver pessoas vibrando, rindo, cantando e dançando músicas e coisas tão bestas.

Ok, não vou generalizar... Não são todas as pessoas, não são todas as músicas. Mas diria que 90% me assustam... E muito!

E também tenho “restrições tarja preta” com samba.

E olha que sou muito boa sujeita... Talvez ruim da cabeça ou doente do pé. Mas muito boa sujeita.

Só que não gosto tanto de samba assim, não... Há restrições, há restrições.

E há também o fator overdose... É muito samba por aí, cara... Satura. Enjoa. Empapuça.

Por que é que não existe Roda de Rock?

Não é óbvio e fantástico? Alguém me explique, por favor... Por que é que não existe Roda de Rock?

Pô... Bateria à beça, um monte de gente empolgada reunida, por que é que não aparece um baixo, uma guitarra, e fazem Rodas de Rock?

Juro que eu não entendo...

Mas vou tentando me acostumar a viver nesse mundo.

E quando chega o Carnaval esse mundo parece mesmo muito doido.

Sempre imagino se um extraterrestre chegasse á Terra pela primeira vez, primeiro contato, primeira impressão, e viesse parar bem no Rio de Janeiro, no meio do Carnaval.

Carái.... Sentiu o drama?
E é como me sinto toda vez.

Não entendo nada... Acho tudo bizarrooooo!

De repente aparece uma turma de homens peludos e barrigudos usando fralda com uma chupeta no meio da fuça... As pessoas têm antenas chinesas horrorosas e que piscam. Você vai à padaria de manhã e dá de cara com a Minnie vomitando agarrada a um poste, um pirata e um smurf babando e dormindo na sarjeta, é surreal...

E todo mundo se lambe, se esfrega e se enrosca como se isso fosse natural e saudável. E todo mundo sai por aí gritando “ei você aí me dá um dinheiro aí”, “será que ele é, será que ele é”, “mas como a cor não pega, mulata”.

Ai... Juro que eu não entendo. Perco a paciência. Acho isso um saco.

Pô... Maior desperdício... Uma festa pagã era para ser muito mais nobre! Olha, creio que na minha época de celtas e druidas, as festas eram muito mais animadas, com rituais sob a lua, união dos povos, sem fome nem dor, com sexo de qualidade e suquinhos de maçã. Digo mais.... Acho que na minha época de Grécia antiga, Baco, as bacantes, os bacanais, as vinhas e os vinhos, eram todos muito mais sensatos e equilibrados que um bando de bobo suado com chupeta e antena falando “alalaô”.

Que aconteceu???

Foi a própria Igreja que contribui para essa total ruína da humanidade???

Ora... Veja você. O mundo é cheio de voltas, hein... E, tão insano quanto, da mesma forma ninguém mais associa a permissão e a permissividade dessa “festa de despedida carnal” ao período da quaresma, de, supostamente, introspecção, devoção, oração e jejuns... Aahhhh, feiticeiro... Veja só onde foi parar o feitiço.

Pois bem... Mas como na minha Igreja não há chantagens nem concessões, não há condicionamentos nem condições, e como, na minha Igreja, eu sou devota da Nossa Sra. do Bom Senso, da Nossa Sra. do Amor Próprio, do Nosso Sr. Ser Supremo e do real amor entre todos seus filhos, faço meu Carnaval do meu jeito, muito obrigada. Faço meus períodos de devoção do meu jeito, muito obrigada. Faço minhas festinhas, pagãs, sãs ou insanas do meu jeito, muito obrigada.

Pois é, turma do funil... Depois eu é que bebo e vocês que “fica tonto”...

Bom.. Tenho tentado “me disfarçar” ou parecer um ser humano convencional, e também tenho tentado ser um pouco mais sociável e me sentir mais pertencente a este planeta, por isso resolvi que vou sair às ruas fantasiada também. Nem que seja um lencinho na cabeça e um bigodinho de portuguesa... Um chapeuzinho vermelho ou um narizinho de palhaço. Quem sabe assim eu não me sinto “normal” quando for à feira ou á padaria...

Aahhhh... E para constar, Sr. Extraterrestre: quer entender tudo?

Vi essa esses dias, achei fantástico.

Samba enredo com coerência, consistência, com visão lúcida, clara e compreensível dos fatos.
GRÊMIO RECREATIVO DA CASA DO CARALHO

Puta que pariu
Começou o carnaval no Brasil
Vai tomar no cu
É barulheira de norte a sul
Segue o link: http://www.youtube.com/watch?v=CxDLPl5fNaM


Aahhhh... E para constar de novo, Sr. Extraterrestre: quer entender mais ainda?

Aqui nesse mundo doido, Carnaval é uma bandalha, mas também tem as suas regras... Uma delas é que, nesse momento de extravasar e liberar suas reais vontades, os homens se vestem de mulher e as mulheres se vestem “de nada”. Pode reparar....

É esquisito, mas é isso mesmo...

E outra... E sabe-se lá de onde veio essa insanidade, esse auge da bandalha-mór, é o hábito das mulheres usarem coleiras com o nome de seus donos...

Afff...

Mas já que aderi às fantasias, aderi a este também...


Para deixar bem claro quem é que manda aqui.
Para deixar claro e explícito, principalmente para as pessoas que eu mais amo,
que o nariz (de palhaço ou não) é meu!
E que, por mais que alguém pertença e participe da minha vida,
a dona da coleira sou eu, ok?


... nessa casa se ouve Pink Floyd


terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Era para dormir?

Conheço muita gente que vê TV para dormir. Não é muito a minha onda, não... Na verdade, se resolvo fazê-lo, acabo mesmo é despertando; ficando ansiosa pelo final do filme, curiosa pelos encaminhamentos e descobertas dos cientistas na escavação de Cuzco, aflita em saber se 20 minutos foram mesmo suficientes pelo sucesso da receita.

Tempos atrás aprendi o truque com um amigo: “Danizilda, não é para ver Matrix, Ultimate Fighting ou Simpsons. O lance é assistir ao National Geographic... Aquela paisagem sépia, sem movimentos bruscos, a voz do além quase hipnótica falando calma e arrastadamente: vê-ê-êeeeja agôôooora côôôooomo se espreguíííiiiça a lêêêêsma australiãããna - Pronto. Aí sim; você dorme em 2 minutos”

Desde então aprendi. Questão resolvida.

Hummmm???

Resolvida por hora... Pois desde que você passa a conhecer um tanto mais esse mundo “animal”, você passa a pensar um tanto mais sobre esse “mundo humano”. Pronto. Fudeu. Pára para pensar. Pára para refletir e questionar. Pára para filosofar, levanta pega uma água, acende a luz, pega um lápis e um caderno, aproveita e faz xixi, volta com um cigarro, ajeita o travesseiro para um lado a coberta para o outro, melhor nem acender a luz... uma vela! Já sai à caça dos fósforos, e assim vai.

Já era. Soninho já era...

Quer ver só? Outro dia chega uma questão: Mellldellls, veja você! Um animal quando encontra outro, só tem 3 coisas para pensar: É para comer? É para fugir? Ou é acasalamento?

Pronto. Simples assim.

O ser humano por sua vez, que beleza, herdou três prêmios para compensar: o polegar opositor, o livre arbítrio e a capacidade de complicar as coisas.

Aaaahhhh, Danizinha... Já nem dormiu mais naquela noite, né!
Receita de sonífero fails...
Voz calmante do locutor fails...
Nat Geo fails....



... nessa casa se ouve as crianças berrando enquanto brincam de Jedi com sabres de luz que fazem barulho de motorzinho de aquário. Ufa!

o que se vê , o que se ouve e o que se faz

Uma coisa que eu adoooooro é assistir alguma coisa na TV e ouvir outra no rádio.
Sabe como é?
A TV fica no mute e a trilha é sempre boa!
A imagem é uma, o som é outro!
Então, é isso.
Adoro!

E é impressionante como sempre tudo combina certinho... Tem coisas que já viraram “clássicos”. Como futebol x rock progressivo. Rodam certinho. Impecável. Trabalho de mestre, de perícia. Cada passada, cada jogada, casa direitinho com cada acorde, uma cooooisa! Fantástico! Um primor!

Pois bem, faço dessas coisas com freqüência.
Tem coisas que merecem ser vistas. Fotografias bem feitas, iluminação de primeira, contextos instigantes, essas coisas. Mas o que se ouve por vezes não é tão bom, ou envolvente... Outras vezes ainda, é para não correr o risco de eu “me concentrar demais” no que estou vendo e dispersar do que eu estava fazendo... Então continuo ouvindo meu sonzinho e deixo ali um visual surpresa... Vez ou outra viro e olho, e há um enquadramento específico, uma imagem que prende a atenção por alguns segundos, algo que então entra e participa desta casa.

E a trilha sempre combina certinho!!! De alguma forma muito boa, nem que seja para ser uma grande e louca contradição.

- Opa! Mas o que vocês estão fazendo aí? Descendo o morro com a pistola na mão e cantando com Depeche Mode?
- Nooossa! Que beijo é esse? Lambendo para lá e cá ao som de Korn... Você hoje tá que tá, hein Tony Ramos....
Lembro que quando eu tinha carro, também adorava fazer isso... Ver as imagens do que acontecia no mundo lá fora e acompanhar com a trilha do que eu estivesse ouvindo, dirigindo do lado de dentro.
Muito bom!!!
Altos filmes passaram por esses olhinhos aqui!
Grandes momentos de leveza e poesia em grandes engarrafamentos. E eu me divertindo pacas... E pensar que tem gente que se stressa no trânsito... Tsc, tsc...

Já houve épocas em que eu pensava ter na minha casa uma parede inteira com uma projeção. Full time! Um projetor ali ligado, passando cenas de filmes que eu adoro e que, de tão boas, mereceriam ser projetadas na parede da minha casa, e coisas outras quaisquer... E quando eu passasse pela parede teria aquele momento de enleio e devaneio, de surrealismo fantástico, de puro prazer e deleite.
Por hora essa idéia passou... Pelo preço das lâmpadas de projetores e também porque não sobrou parede em branco por aqui...

Uma outra coisa super legal com acontece com isso também, é o “momento videoclipe”.
Aquele intervalinho da ‘função’, parando um pouquinho com o que eu estivesse fazendo, a pausa do “vou pegar uma água”, “vou ao banheiro”, “ahhh, cadê aquele livro?”, então eu interrompo o que fazia, vou dar uma andadinha e aproveito e dou uma 'andadinha' no que está rolando na TV.
Uma zapeada e....

Ao som de Lee Perry passam: um cenário cheio de luzes com meia dúzia de gente estranha e deselegante, mas sorridentes; dois jogadores de times adversários escorregando em câmera lenta, um sobre o outro no gramado molhado; dois engravatados de cabelinho partido ao lado à frente de um cenário que, de tão feio, me faz zapear mais rápido; zap... nossa senhora aparecida rogai por nós, rogai por nosso Brasil, rogai por nós; um extenso gramado, dourado de tão seco, avermelhado... que aos pouco vai se fundindo em outra cena de fundo e se transformando em um cemitério, aparece um gordinho de costas... ele se vira e parecia melhor ter ficado de costas mesmo... o gordinho se agarra à grade e de repente....; zap... Brad Pitt batendo palmas com um pão enfiado na boca; zap... três pessoas dentro de um carro sendo conduzido por Kevin Costner numa noite escura, onde, na calçada, correm um encapuzado e Demi Moore armada; zap... um cachorro animado, de desenho animado, amarelo e falante, conversando com uma menininha de pijama cor de rosa; zap... Denzel Washington!!! Você por aqui? Numa cama de hospital! Que aconteceu? Que cara de bobo é essa?; zap... mãe e filha, iguaizinhas, mas de tamanhos diferentes, sentadas com cara de sono sobre um sofá com estampa de florzinhas padrão liberty; zap... uma coruja voando e na legenda se lê “isto é altamente desrespeitoso”; Mickey; uma pessoa acerta a cabeça de outra com um suporte de soro de hospital; velejadores num veleiro...

E por aí vai....

Uau!!!!
30 segundos depois e eu mesma já sou uma outra pessoa, sob uma outra visão de mundo!
Bebo a água e volto ao ponto que estava.

É o barato do “muda de canal, muda de imagem, e o som não muda”. Delícia!

Em compensação tem vezes que faço outra peripécia por aqui...
Às vezes quero variar, quero ser pega de surpresa, surpreendida mesmo, eu acho... surpreender a mim mesma. Quero variar quando sinto que estou repetitiva comigo mesma, quero um ‘fator novidade’ nesta casa....
Então aproveito quando vou dar uma saidinha - mercado, padaria, logo ali e volto logo - e deixo o rádio numa seleção aleatória e randômica... Ás vezes até escolho as músicas, “ctrl + qualquer coisa” sem nem olhar, e saio. Quando volto, a trilha da casa está tocando algo que eu nem poderia imaginar! Adooooro também!

E assim vamos... Feliz nas pequenas coisinhas, me divertindo comigo mesma!



... nessa casa se ouve Billie Holliday

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Falando e andando

Seguia pela rua, meu caminho habitual, aquele “olhar estrangeiro” que por vezes acompanha a cidadã aqui...

É... Porque normalmente são só 2 posturas e atitudes... Ou estou super concentrada em tudo que vejo e sinto, por tudo e todos por onde passo, num mapa urbano que rastreia, identifica e reconhece tudo que há. Do tipo... em questão de segundos estou sabendo quantas pessoas estão vestidas de vermelho na praça, quantas câmeras existem presas aos postes e o que elas estão vendo, quantas pipocas há em cada carrinho, há quanto tempo provavelmente foram feitas, porque tem latas pelo chão, quem está de passagem e quem está esperando alguém, quem é esse alguém que está chegando, quantas lâmpadas queimadas há no letreiro e porquê, quem e como pintou aquele letreiro, o que ele tentou dizer com isso e o que provavelmente ele consegue, porque há tantas tampinhas de caneta pelo chão, mais uma carta de baralho perdida pela cidade, para quem devem ser as flores na mão do menino, de onde vieram essas flores, se o ônibus passou faz tempo ou se acabou de sair, o que fez aquela senhora não combinar aquela calça enfiada no rabo com aquela blusinha horrorosa, e por aí vai...

Ou estou completamente obsedada, em outro estado de espírito mesmo, alheia ao mundo lá de fora total... Mal sabendo onde estou e para onde mesmo eu estava indo, olhando o mundo lá fora com meus “olhos de estrangeiro”, como se visse o mundo pela primeira vez, como se eu tivesse acabado de chegar de outro planeta, num reconhecimento de território nunca antes visto...

Eu estava neste estado.

Então, como acontece algumas vezes, alguém encosta na minha orelha, e cochicha de um jeito literalmente invasivo: “gostoooosa”.

Carái.... Eu mal vejo o que aconteceu. Só sinto o vulto se afastando e indo embora. Nem olho para trás para não correr o risco de parecer que eu estou dando corda para a figura. Aliás, nem olho para a figura. Podia ser o Johnny Depp pelado e dançando rumba que eu não estava nem vendo, ali no meu estágio abstração-total-de-ET-recém-chegado-nesse-mundo. Aperto o passo e saio logo dali. Um chacoalhão me trás de volta ao mundo e levo um tempo até entender “que pása, chico”...

Sim, por mais bizarro que isso possa parecer, acontece algumas vezes...

E eu juro que não entendo...

Minha primeira reação é pensar “como é que ele sabe?”. Há, há, há...

Sim de novo. Pois, 'por mais bizarro de novo' que isso possa parecer, eu realmente penso isso, e começo a rir sozinha... Uma risadinha sacana que acho que só eu conheço.

Depois entra um pingo de racional para pesar na balança... Eu estou bem vestida. Bem vestida não só no sentido elegante da palavra, mas eu estou “quantificadamente” vestida. Não estou ‘exposta’, estou cobertinha, elegante na minha simplicidade.

Não sou o tipo “gostoooosa”, de chamar atenção na rua, de bundão socado na calça da gang, um cafona sapato plataforma branco e megahair loiro e liso para fazer volume e ocupar espaço com meus piolhos de plástico. Sou discretinha... Do tipo que passa despercebida. Meio perua-light-com-layout-exclusivo, estilo “rock ´n roll meio nonsense”.

Mas chamei...

Vai entender...

Aí cai o pingo de racionalidade número 2...

O que passa na cabeça do cidadão para sair por aí cochichando no ouvido de alguém que ele nunca viu na viu na vida, para se dirigir a um desconhecido na rua para sussurrar “gostooosa” no ouvido dessa pessoa?

Faz algum sentido?

Isso acontece com você também?

Ou é só comigo mesmo? Sina de “pára-raio de maluco”?

- Aahh.... – então alguém levanta a mão ali no fundo, e balbucia buscando coerência – Vai ver se trata de uma pessoa expressiva, comunicativa, que quer falar o que pensa e sente, e o faz.

- Opa... Muitas vezes eu sou assim também. Nem por isso vou andando na rua, chegando no cangote das pessoas e falando: Gostoooso! Cafona! Desordenado! Burro! Lindooooo! Lerda!
Não faz sentido... É muita ‘expressividade’ para uma pessoa só.

- Aaahh... Vai ver ele não faz isso sempre ou em todas as circunstâncias, mas quis falar isso para você, para não perder esta oportunidade única.

- Mas ele nem sabe quem eu sou... Nem sabe que eu sou mesmo gostosa. Nem vai saber....

- E?

- E aí que ele podia se meter em encrenca com tanta “expressividade”... E se eu fosse mulher do delegado marrento, atacado e ciumento?

- Não, acho que não... Decididamente, você não tem cara de mulher-do-delegado-marrento-atacado-e-ciumento...

- E se eu fosse um travesti extremamente bem caracterizado, e o pegasse de surpresa... Na hora em que ele quisesse ver a pombinha encontraria o gavião?

- Hummm... Também não cola.

- E se eu estivesse de TPM e virasse com 3 palavrões e 2 tabefes atrás da orelha, rapá...

- Aaahh.... Agora você falou uma verdade, dona senhora complicada e perfeitinha. Mais provável, mais provável... Mas se vê que o cara é ousado, se dispôs a correr altos riscos só para ter ver com alguma cara desconcertada...

- Não é muito esquisito? Não é mesmo de se estranhar?

- Quer saber? Devia ser algum amigo seu tirando onda com a sua cara... E você nem olhou para trás para falar com ele. Antipática...

- É capaz... Ontem mesmo, na plataforma do metrô, passei por uma figura queridíssima. E se ela não tivesse me segurado pelo braço acho que eu nem a teria visto.... Putz, é por essas aí que eu vou ficando com fama de antipática... E na real é que sou meio de outro planeta mesmo...

- Então se liga, fofa! A hora que um bonitão pelado dançando rumba passar do seu lado você não vai nem ver...


... nessa casa se ouve King Crimson

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

A primeira vez a gente nunca esquece

Fui à Nutricionista pela primeira vez na vida!!!!
Estava contando os dias para a consulta, estava numa alegria só, na maior excitação, feliz da vida mesmo por ir então a uma nutricionista. Acho que um tanto pela sensação de “estar cuidando de mim” de alguma forma, de fazer algo para meu bem, sabe? E mais um tanto pelo prazer da descoberta, pela oportunidade de esclarecer coisas, tirar dúvidas e ter respostas para algumas coisas que eu não tivesse descoberto sozinha. Pois bem, eu estava toda eufórica por ir à nutricionista...
O tamanho da minha decepção foi proporcional ao de tanta excitação...
Ai, ai...
Tá... Não serei indelicada nem malcriada, não vou dar nomes aos bois, e também vou tentar não julgar demais as pessoas... Mas que fiquei decepcionada fiquei, mas que saí de lá com cara de cu, descrente, descreeeente da potencialidade dos profissionais brasileiros, da humanidade e de tantas outras coisas, saí...
Alguém já foi ao nutricionista?
Encontrou respostas para algumas coisas que procurava?
Teve orientação direcionada e específica sobre coisas a fazer?
Sentiu-se seguro, confiante e acreditando que aquilo pudesse ser o melhor a ser feito?
Pois bem, cheguei logo me apresentando, das formas que pude e achei conveniente.

Levei minha batelada de exames recentes, sangue, glicose, uréia, creatinina, lipidograma, hormônios e mais uns 15 outros com nomes em siglas de sei-lá-mais-o-que-são... Dá para me conhecer por dentro, de uma forma química ou física, penso eu... Para me conhecer por dentro de outras formas, comecei a falar... A anamnese mesmo, né. E tentei fazer um rápido apanhado de informações relacionadas direta ou indiretamente à minha alimentação, e outros hábitos que fazem a diferença no meu corpicho, por dentro ou por fora.
O ‘x’ da questão é que tenho uma forma muito peculiar de lidar com tudo... isso. Digo que me “automedico”, mas como não é medicação, é alimentação, pode se dizer que institui formas próprias de direcionar ou guiar minha dieta... Mas também não acho de todo distante de ‘medicação’... O histórico familiar é de uma turma de malucos especial, que inventa ou cria formas próprias de ser, viver e estar neste mundo... Lembro de papai, por exemplo, que toda vida disse que “não precisávamos de remédios, precisávamos nos alimentar corretamente” e que, quando não nos alimentássemos direito... em caso de doença, “para tudo há um chá certo que resolva”. E assim vamos... eu cá, e ele lá já com seus 83 aninhos, firme e forte como um tourinho!

Contei que não como carne, mas gostaria de saber mais e melhor sobre outras fontes e compensações de proteínas. Contei que parei de tomar leite aos 21 anos (já faz tempo.... mas abafa o caso) porque achei que já havia atingido o auge da minha formação cálcia, mas que como queijo vez ou outra. Contei que como como uma draga, em grandes quantidades mesmo, e que acho que sou magrelinha porque “a forma do bolo era essa mesma, e saíram todos magrelinhos”. E também que, se fico muito tempo sem comer, emagreço... Os anéis caem dos dedos, a calça cai da cintura, metabolismo de criança.

Fui respondendo algumas perguntas...
- Menstruação?
- Normalíssima. Dia e hora para chegar, do mesmo jeito há mais de 20 anos.
- Evacuação?
- Normalíssima. Todo dia, do mesmo jeito, na mesma hora. E de preferência no mesmo lugar...
Ela começa a “querer achar doenças”...
- Olha, se você não come carne, deve ser anêmica...
- Trouxe meus exames, vamos conferir.
- É, tudo certo... Humm, então se você não come açúcar, certamente é hipoglicêmica. Por isso então deve ter tanta fome e fraqueza. – Fraqueza? Sim, ela disse isso.... Certamente? Sim, ela disse isso....
- Trouxe meus exames, vamos conferir.
- É, tudo certo também.
- Olha... Não vim aqui porque estou doente, nem sinto que tenho nenhum distúrbio. Queria mesmo é uma orientação profissional, quero saber se estou fazendo a coisa certa, se preciso de algum nutriente diferente em meus cardápios, essas coisas.
Bom... Já sou meio linguaruda por natureza... Eita, bigmouth strikes again...O que às vezes me deixa em algumas saias justas por aí. Quer dizer, deixo os outros em saias justas também... Também falo meio sem medir palavras, com freqüência, quase sempre,  muitas vezes dou umas patadas, e nem percebo que o fiz. Falo a verdade ou não falo nada. Meeeesmo. Aí fico quieta como um monge (monge mudo, eu digo), acho que chego até a cerrar os lábios e fico quietinha, mudinha-da-silva...

Percebo também que desde que comecei a meditar regularmente, passei a falar mais sobre meus sentimentos, impressões e opiniões. De forma honesta, sincera. Não quero perder a oportunidade de me expressar. Mas com isso, passei também a tentar me policiar muito mais... “É a melhor forma de eu dizer isso?”,Eu dizer agora o que eu acho ou penso a respeito, vai melhorar a situação?”, “Vai fazer diferença na vida dessa pessoa eu falar o que estou sentindo?”.

Então, com a licença no jogo de palavras, podo a mudinha aqui...

A nutricionista começou a prescrever a dieta recomendada...
- Primeira coisa, carne. Para você não ficar fraquinha.

Sim, mantive a linha...
Sim, segurei a língua...
Não, não falei nada constrangedor para ela.
Sim, percebi que não valia à pena argumentar... E que “fraquinha” era ela. Como profissional, que não leva em conta fatores subjetivos, mas que segue, repete e reproduz ‘padrões’ (?), praxes, normas (?) e tabelinhas.

Para ficar mais fácil entender o que aconteceu por aqui, vou reproduzir mais ou menos como foi o papo, seguindo alguma ordem do diálogo, e (colocando entre parênteses o que eu deixei de falar ou simplesmente pensei na hora, ok?)

A nutricionista começou a prescrever a dieta recomendada...
- Primeira coisa, carne. Para você não ficar fraquinha.
- Eu não como carne. Não quero passar a comer. (Fraquinha? Eu? Fraquinha é a senhora, sua limitada... Eu falei que não como carne, lembra?)
- Mas precisa. Para não ficar fraquinha.
- Não, não “precisa”. Também por isso vim a uma nutricionista, para me indicar como equilibrar melhor minhas fontes de proteína. Para me recomendar fontes alternativas, para me dizer se o que estou comendo é suficiente e está de bom tamanho. (tudo isso mesmo que falei, mas seguido de um “porra!” enfático no final)
- Uma vez por mês, carne. – E ela ia falando e anotando na folhinha da minha dieta... – Você não disse que come carne uma vez por mês? Então, é assim que vai ser. Carne uma vez por mês.
- Não, não é “assim que vai ser”. E não. Eu não disse que como carne uma vez por mês. Eu disse que, quando eu comia carne era em média uma vez por mês. Muitas vezes até por falta de opção, não por vontade. E eu parei novamente, não faz mais parte da minha dieta. (Você ouvia mesmo enquanto eu falava? Eu não suporto ter que falar a mesma coisa mais de uma vez... Ai, ai... eu expliquei tudo tão explicadinho, você nem me ouviu?)
- Mas pre-ci-sa. Para não ficar fraquinha.
- Não sou fraquinha.... Tenho, inclusive, o braço igual ao da Madonna. Sou bem disposta, sou saudável, sou fortinha até em não pegar gripes à toa por aí. (E ninguém “precisa de carne”. Na verdade, o organismo humano foi feito para ser vegetariano. Sabe como funciona o nosso intestino? Sabe que tamanho ele tem e por quê? A humanidade é que se desvirtuou pelo meio do caminho, em algum momento... E instituiu hábitos alimentares e culturais com essa depravação carnívora. Sabia? Nutricionistas não aprendem estas coisas?)
- Está anotado aqui. Carne uma vez por mês.
- Hu-hum... – Pronto. Fiquei muda. E acho que fiz aquela cara de “pode anotar aí, não quer dizer que eu vá seguir”... (e foda-se você). E acho que ela percebeu.
- Olha, se você não quer comer carne todo dia, vai ter que comer 1 vez por mês (Faz algum sentido o que essa mulher está dizendo? É isso mesmo? E é assim que se fala? Parece uma mãe ignorante fazendo chantagens... Meu Deus, coitados dos filhos dela. Devem ter crescido com ela dizendo que para serem "fortinhos" tinham que comer “bifinhos”, “carninha”... Tentando botar doçura e poesia, chamando o bicho no diminutivo... Fazendo essa cara de garota propaganda de família-margarina. Socorro!!!!) E nos outros dias vai comer então frango, leite, ovos, queijo.
- Não, peraí.... Eu não como carne, incluindo frango. E não tomo leite. Ovos? Não como ovos... Talvez vez ou outra, na rua, na massa de alguma coisa... pão, quiches, bolo, em alguma sobremesa. Mas não compro ovos, não fazem parte de meus pratos. (na verdade, tenho certo nojo de ovo... mas não vou falar disso com a senhora, não... Sabe o que é um ovo?)
- Tem que ter proteínas. E o leite é pelo cálcio, não devia ter parado de tomar, não. Já está muito tempo sem leite. abafa o caso, de novo...
- Olha... Na minha lógica, mamíferos tomam leite enquanto estão na fase lactente. Depois disso, todos param. Exceto os humanos??? Eu ainda prolonguei beeeem esta fase, fui até os 21 anos, por achar que talvez precisasse de cálcio na minha formação óssea. Cresci o que tinha que crescer, e parei. Não faz sentido ficar tomando leite. Já passei da idade. Ainda mais leite de vaca, de uma mãe que nem é minha... É hormônio da vaca, para alimentar o bezerrinho. Não é isso? Só me rendo aos queijos mesmo, por pura tentação... Mas é tão esporádico... Não é “elemento nutriente” da dieta do dia a dia, entendeu? É puro prazer, não é necessidade. Sei que nabo é rico em cálcio, mas não conheço muito mais outras coisas para compensar. Por isso vim aqui...
- Se você não tomar leite vai ter fraqueza óssea. Pode ter até uma osteoporose precoce logo, logo.
- Tem alternativa?
- Soja, você come soja?
- Sim. Muito. (Por isso talvez eu seja tão calma... Ó, ó... nem explodi com a sra. ainda... Como muito, dizem que é bom para TPM. As japonesas comem muita soja. Já viu japonesa de TPM? Como muita soja, sim. Mas é difícil achar as de origem não transgênica... tem que ser cauteloso com as sojas que há por aí... Mas, sim. Acho que como muita soja). E então continuei:
- Só isso? Nenhum legume, nenhuma verdura a mais? Ó... Como muito as coisas verdes, alface, agrião, couve. Isso é bom para quê? Preciso aumentar a dose? Equilibrar com o quê?
- Precisa comer de tudo um pouco. Não pode comer só isso.
- Eu não disse que como só isso. Eu disse “como muito”... Nem sei se é muito... Como umas 2 vezes por dia. E também que não sei para que é bom. Olha, podemos fazer um apanhado geral atualizado. Eu te conto o que normalmente como, é isso? Hummm, vamos ver... De manhã eu faço uns 2 sucos ou vitaminas diferentes, um mais “fresco” e um mais “doce”. O fresco eu bato verduras... agrião, couve, alface, com alguma coisa, tipo laranja, mexerica, limão. O outro é basicamente de frutas: banana, maçã, manga, morango, mamão, menos cara de suco, mais cara de vitamina mesmo. E boto levedo de cerveja sempre.
- Não pode comer só isso. De manhã tem que comer pão, manteiga, você come essas coisas? Levedo de cerveja para quê?
- Complemento vitamínico, não é bom? Só não sei se a dose é boa... Mas sempre como, se eu não bater no suco, boto na comida, na sopa, sacou? (olha, fofa... meu prezado ex marido, que era sábio, na primeira vez que me viu fazendo isso perguntou “que raio de pozinho de pirlimpimpim é esse que você bota em tudo quanto é lugar?”. – “levedo de cerveja”. – “ah tá, não sei o que é, não... mas se é de cerveja, deve ser coisa boa”). Levedo de cerveja é bom para quê? Qual a dose diária? É com isso mesmo que eu posso complementar em vitaminas? E não como pão com manteiga de manhã, não...
- Tudo errado. Tem que comer pão com manteiga. Queijo...
- Para quê? Carboidrato e proteína? Energéticos? Ó... Como “comida de esquilo”, umas nozes, castanhas... Quase sempre como bolo, bolinho integral, sabe? Sem leite, sem ovos, sem açúcar. Mas boto mel por cima, que nem calda. E muitas frutas, né? Frutas têm sacarose. Fonte de açúcar, não é?
- Mel? Mel, não...
- Não? Não é bom? Como eu não como açúcar, compenso com outras coisas. Não está certo?
- É que eu não gosto de mel.
(Aaaahhhh... então a sra. indica o que gosta e o que não gosta? Em função de escolhas pessoais, e não em função do perfil e necessidades do seu paciente, sua churrasqueira fdp? Faz diferença eu lhe contar sobre meus hábitos, minhas escolhas, minhas opções pessoais, ideológicas, filosóficas, religiosas? Faz diferença eu tentar dizer de novo que não sei se estou fazendo a coisa certa da melhor forma possível, por isso vim atrás de orientação. A sra. vai me orientar a comer o que você gosta???)

Bom... A consulta ainda levou um tempo... Até falei um pouquinho mais sobre minhas coisinhas, né... Mas acho que em vão. A dra. seguiu uma tabela de peso x altura x idade e disse que estou magra para o contexto. Ok, acho que já sabia... sou magra, mas sou gostosa!
Disse que é para eu comer carne e voltar em 1 mês.

Está na cara que eu não pretendo fazer nenhum dos dois...

Trouxe para casa um papel com “a dieta”, que nada mais me diz além de que 2 + 2 = 4. Algo do tipo, “legumes = batata, cenoura, abobrinha”, “grãos = arroz, lentilha, feijão”.
Putz... Ninguém merece.

Eu que queria saber coisas que não aprendi na escola, nem na faculdade, nem na vida... Como se meus suquinhos de alface com morango, de agrião com pêra, e tudo mais que meu super-mixer me proporciona, são mesmo bons ou se uma coisa anula as propriedades da outra...
Putz... Ninguém merece de novo.

Alguém me indica uma nutricionista!!!

Mas dessas que sabem o que estão fazendo, que têm argumentos para suas crenças ou posturas, que têm a mente e o coração abertos para ir além de uma tabela, e que sabem fazer uma tabela própria e por conta própria. Das que ouvem e assimilam o que seu paciente está dizendo. Das criativas, que vão fazer a alegria da cozinheira.


No aguardo. Atenciosamente, DR


... nessa casa se ouve Radiohead

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

plantão de notícias

Ninguém pediu minha opinião, estou sabendo... Mas vou dar mesmo assim.

Para não ouvir de novo que meu blog é “muito umbigo”, para não parecer que sou de todo alheia ao que acontece no mundo lá fora, para trazer à tona assuntos modernos, atuais e contemporâneos (assim como eu) sob uma única e exclusiva forma de vê-los, (a minha).

Jogo rápido... poucas palavras, opinião imediata.


Sobre a greve na França

Estou achando o bicho!!!! Estou passando até a acreditar na humanidade novamente. É isso mesmo, queridos! Estou com vocês, têm meu apoio!!!

Tomara mesmo que dê frutos, tomara mesmo que haja coerência e respeito por parte dos governantes ao ouvir a população. Tomara que todo cidadão seja consciente de suas opiniões a respeito de algo, e que saiba reivindicar por elas. Tomara que toda sociedade, todo povo, e que todo ser humano, saiba de sua capacidade transformadora em agir em conjunto para suas pleitear seus interesses.

Tomara que a população brasileira, quando se sentir preterida nos encaminhamentos dados pelos nossos governantes, saiba protestar, agir e pressionar!

Coisas que eu ainda não entendi: Por que a mídia dá tanta ênfase às “manifestações violentas” e “atos de vandalismo” em detrimento à impecável demonstração democrática de uma voz? Por que será que tantos jovens, que provavelmente nem ‘começaram a trabalhar’ na vida, defendem os interesses populares da aposentadoria desde já?

Se liga, Sarkozy!!!! O “arruaceiro” aqui é o senhor...




Sobre os mineiros do Chile

Primeiro, eu acho que eles não tinham n-a-d-a o que fazer lá embaixo da terra, 700 metros enfiados buraco adentro... Não sei do que era a mina, não... Cobre, talvez? Mas, independente do que seja, acho mesmo que não há mais recurso natural não renovável que precise ser explorado dessa forma neste planeta! Que não há mesmo a menor necessidade de ainda existirem jazidas, minas e outras fontes de exploração desordenadas e desumanas atuando sobre o planeta!

Não tinham nada que estar lá embaixo... E ponto!

Bom... Mas, uma vez lá embaixo... Que o processo de ‘soterramento’ parece-me ter sido caótico e equivocado, parece... Que os responsáveis pela mineradora parecem-me terem sido omissos, parece.... Que o Sr. Piñera parece-me ter sido um grande oportunista com o “big brother dos mineiros”, parece... Que os rapazes foram mesmo guerreiros, verdadeiros heróis da sobrevivência, isso são.

Coisas que eu ainda não entendi: Por que, depois de quase 70 dias enfiados toca abaixo, sem infra, numa vida paralela quase inimaginável, todos os mineiros vão saindo com uma bandeira do Chile e uma camiseta de time de futebol???

- Ora, Dani... Os familiares enviaram coisas lá para baixo.
- Aaaahhhh..... Algo do tipo: Minhanossa! Meu marido está enfiado num buraco que chega quase na China. Não sei se ele vai sair de lá, se vou vê-lo novamente, se ele está bem, se ele está precisando de alguma coisa.... Mas puxa! Que bom! Tenho a oportunidade de lhe enviar algo.... Já sei! Vou mandar uma bandeira do Brasil para ele!

Juro que não entendo...

Conversei com uma amiga outro dia sobre isso... E ela comentou também que ficou surpresa em ver como eles “sairam bem”, com caras boas, saudáveis. Ela achou que eles fossem parecer fracos, debilitados, combalidos....

E de repente começam a pescar mineiros e eles vão aparecendo... Cheios de graça, cheios de onda, bem nutridos, corados (?), sorridentes, fizeram a barba, passaram água velva, camisa do “framengo”, aquela cara de calçadão de copacabana, óculos new age, com pinta de “vou pegar minha mulher pela cintura, entrar no Escort XR3 conversível e vamos a la playa,oh, oh, oh, oh, oh

Fantástico!


Sobre as eleições

Putz... Acho que tenho coisa pacas a falar. Mas ficou tardão, vou deixar para outra hora....


Sobre o clima

E aí, friozinho, né?





... nessa casa se ouve a trilha do Kill Bill

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Óculos? Eu?

A garrafa da cachaça é igual à de azeite...
Já ameacei botar cachaça na sopa, já botei azeite no copo...
Ai, ai... Então descobri que, por serem tão parecidas, não podem ficar uma perto da outra... Curioso, isso...
Será o design de embalagens que continua me instigando, ou sinais divinos que eu preciso de uma companhia calma, paciente, centrada e zen?


Então me lembrei de um papo com uma amiga outro dia...

- Pois é... Acho sim que tenho visto discos voadores. Mas é direto, constante mesmo. Quase todo dia vejo uma luz deles por aí.
- Nooooossa Dani.
- É... É que tenho parado pouco para olhar para o céu. Mas quando olho, sempre vejo.
E então paramos um tanto a caminhada. Atravessávamos a Marina da Glória a pé, à noite, numa calmaria que só... Olhamos juntas para o céu, e... Eu logo comecei a gritar:

- Olha lá. Olha lá!!! Não falei? Está vendo? Está vendo? Você está vendo também?
- Porra, Dani!!!!! Aquilo é um avião!!!!! Você está precisando meeeeeesmo usar óculos.


... nessa casa se ouve Mano Negra

domingo, 17 de outubro de 2010

Departamento de Gestão de Expectativas e Conferindo Contrapartida

Outro dia saí com uma amiga.

Ela iria "conferir contrapartida"... E eu fui junto. Pela companhia e pelo prazer do passeio.

Mas era um programa com algo a mais.... "Conferir contrapartida”... Eu achei esse nome ótimo!!!

Muito interessante... é o outro lado da moeda do que faço muitas vezes.

Mas o mais curioso era mesmo esse nome... É excelente, fantástico! Já ampliei a área de atuação e abrangência e acho que vai entrar em meu vocabulário...

Depois que institui por aqui o "Departamento de Gestão de Expectativas" minha vida mudou... Este entrou para o (rico e farto) glossário-de-danizinha, e pimba! Satisfação garantia ou seu dinheiro de volta!

- Ah sim, claro! Só um momento, "estou encaminhando" (porque as atendentes, mesmo sendo de um departamento tão rico culturalmente e deveras interessante, "continuam insistindo" em falar no gerúndio) - estou encaminhando este caso para o Departamento de Gestão de Expectativas e lhe dou retorno em breve com o melhor encaminhamento para o mesmo, ok?
Ou então...

- Olá! Não desligue! Sua ligação é muito importante para nós. Estamos encaminhando (olha ele aí de novo...) sua solicitação para o Departamento de Gestão de Expectativas, e tomaremos as medidas cabíveis para a solução deste caso.

Incrível, não?

E a equipe do Departamento de Gestão de Expectativas é das que mais rala por aqui... Além de ser uma equipe altamente qualificada, experiente, atenta e sagaz, é das que mais rala, sem sombra de dúvida!

Agora... As coisas não são assim tão fáceis, nem tão simples como parecem...

Na maioria das vezes vêm acompanhadas de contextos que não são dos mais confortáveis nem agradáveis...

- Ah sim, claro! Só um momento... Corri pacas o dia inteiro para conseguir uma brechinha para jantar com você. Estou prontíssima, de batonzinho e depilada, inclusive. Morreeeeendo de fome, te esperando há mais de 3 horas e agora você liga para dizer que não vem??????
"Estou encaminhando" este caso para o Departamento de Gestão de Expectativas, e sua renomada equipe “vai estar cuidando” dos melhores procedimentos para a resolução do ocorrido. Entraremos em contato em breve, dando retorno sobre o melhor encaminhamento para o mesmo, ok?

Pronto... Não desceu do salto nem borrou o batonzinho, não soltou nenhum palavrão, não ofendeu ninguém.

Quer ver outra?

- Olá! Não desligue! Sua ligação é muito importante para nós.
Casar? Casar de casamento? Ahhh, com a outra... Ah sim, claro! O senhor pode "estar ficando tranqüilo", a equipe do Departamento de Gestão de Expectativas é altamente qualificada, trabalha 24 horas por dia, 7 dias por semana, e tem todo o gabarito para solucionar com tranqüilidade e sabedoria este caso.

Simples, não?

Fica mais leve... Fico mais leve.

DGE, já carinhosamente apelidado, é alívio garantido!

Sim, a gente sobrevive, a gente sobrevive...
Manda despachar no Departamento de Gestão de Expectativas, relaxa e não goza, ok?
Depois que percebi que não sou avulsa, nem disponível, muito menos encalhada, ando tão feliz.... Sou criteriosa, sim, é verdade. Sou gata e escaldada, sim, também é verdade. E então, talvez até por isso, não quero mais qualquer porcaria, não.
Tão bem resolvida e vai continuar insistindo em sair com outro zé-arruela?
Tão bem resolvida que tem até um próprio Departamento de Gestão de Expectativas!

Melhor que isso só se “conferir contrapartida”...

Uau... “conferir contrapartida” era mesmo o que faltava!!!

Como não pensei nisso antes?

É nóis... As diretorias mais eficazes desta que vos fala: “Departamento de Gestão de Expectativas” e a determinada e apurada “Equipe de Conferir Contrapartida”.
- Mão na parede, mão-na-pa-re-de! Encosta aí!!!! Cruza a mão atrás da nuca, encosta aí, encoooosta aí! Já viu tudo e todas que lhe dei? Já viu tanta areia, andou? Já olhou que está chovendo na roseira, que só dá rosa mas não cheira? Já olhou que chuva boa prazenteira? Que o amor que tu me tinhas que era pouco e se acabou? Mão na parede, porra! Encosta aí, já falei! Não acabei de falar. E não é “sim”, é “sim, senhora”. E Dadinho é o caralho, meu nome é Zé Pequeno! Fica quieto aí que o negócio agora é “conferir contrapartida”. Mão na parede!
Conferir contrapartida! Adoreeei!
- Ó... prestenção! Negócio é o seguinte, dou casa, comida e roupa lavada. Mas... Em contrapartida... Preciso aferir se você pode me levar para passear pelo menos 1 vez na vida! Uma, ao menos uma, pode ser ou ta difícil?
- Ó... prestenção! Negócio é o seguinte, fui bem tratada uma vez na vida. Não quero menos do que isso. Ganhei carinho, atenção, banhinho de banheira e um sorriso vibrante, pleno e sincero, cheio de alegria ao me ver. Não quero menos do que isso. Estou aqui só para conferir contrapartida, veja meu crachá de fiscal da SUNAB, sou atenta aos direitos da consumidora. Vim conferir contrapartida e saber se você realmente está feliz em me ver.
Noooosa! Nova mulher!

E olha que eu sou toda sentimento, hein...
Passional ao extremo, até mesmo quando não se deve...
Amo por amar. Tudo e todos. E é incondicional mesmo. Nunca pedi nem esperei nada em troca. Nem de sentimento, nem de nada. Mas acho que um belo dia resolvi mudar... Pelo menos, por hora. Pelo menos, por enquanto.



... nessa casa se ouve Charlie Parker & Chet Baker

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

no banco

200 coisas para fazer no banco... Contas para pagar, ver se tinha dinheiro, quanto, como e onde, pagar o que desse, sacar um tanto para o bolso, essas coisas.

Bancos em greve. Melhor fazer tudo num pacote só. Pegar superfila uma vez só, não deixar vencer nada que ficasse para depois.

Então a porcaria da maquininha encrenca comigo e fica me pedindo uns tais números do cartão-chave (???). Cartão-chave? Para que isso agora? Não funciona tudo certo com a minha senha? Para que mudar de idéia no meio do caminho? Para que me pedir esses tais números que eu nem sei do que se trata?

Chuto a primeira vez. Chuto a segunda. Então lembrei...

- Aaahhhh... Cartão-chave, podes crer! Aquele cartãozinho porqueira, cheio de números, parece um calendariozinho de brinde da papelaria, e que eu nunca soube para que servia... Putz! Será que ele ainda existe? Por onde será que ele anda?
A máquina trava. Não aceita mais meus palpites... Aliás, nem me deixou tentar!!! Porque uma combinação de 2 números é finita... Chata, mas finita! Irritante, mas finita! E é relativamente simples de fazer... Um simples aplicar de alguns princípios da contagem, fatorial e arranjos simples. Tudo é uma questão de análise combinatória, de possibilidades. Algo besta, chato e irritante, mas possível. Se eu levar 2 segundos a cada tentativa – piiiii, piiiii – somados ao tempo de retorno da máquina a cada vez, quanto tempo será que eu preciso ficar aqui tentando? O que eu tenho para fazer depois? Será que dá para eu ficar aqui mais um pouquinho? Sou pé quente pacas, acho que acerto nas primeiras essa porcaria-de-senha-do-cartão-chave.

Não tive essa chance...

O muuundo foi bloqueado por normas de segurança antes que eu pudesse tentar. E saí do banco com cara de tacho... Um monte de contas sem pagar, nenhum puto no bolso, sem saber se eu tinha algum no banco... Aahhh, e aflita em imaginar se o tal do cartão cheio de numerozinhos ainda existia e, caso contrário, a quem reclamar estando todo mundo em greve...

Um pingo de calma e bom senso escorre gélida e suavemente por minha testa...

- Bom, se eu não conseguir pagar minhas contas antes que vençam, pago tudo em juízo, depois da greve vou cobrar a diferença do banco.

- Bom, se meu cartãozinho não funcionar mais sem a porcaria do outro cartãozinho dos numerozinhos e eu ficar sem um puto no bolso ou tiver que lavar pratos no restaurante, pego emprestado, depois da greve vou cobrar os prejuízos do banco.
O grilo falante começa a apitar...

- Dani, querida. Veja bem... Também é uma questão de probabilidade a complexa questão da fraude em bancos. Estratégias cada vez mais bem elaboradas, pessoas envolvidas cada vez com menos escrúpulos. Quando não é o banqueiro te roubando, é o seu cartão que é clonado. Isso é para te proteger, aumenta suas chances de segurança naquilo que deveria ser teu por direito.

- É, é... Eu sei. Mas já não basta eu ter que saber de cor a senha, eu ainda vou ter que carregar mais um cartão comigo? Porque decorar aquele monte de numerozinhos combinados e arranjados que nem um calendário de brinde da papelaria eu não decoro meeeesmo!

- É uma forma de evitar a fraude... De garantir que só você terá acesso a sua conta via caixa eletrônico.

- Não podia ser leitura de digitais?

- E se um ladrão corta e rouba seu dedo e acessa o caixa com seu cartão e seu dedo pendurado que nem um chaveiro?

- Ah é... Hummmm. Identificação da íris?

- Pior ainda! Dedo pelo menos você tem vinte... Já pensou um ladrão que rouba seu cartão e seu globo ocular, e vai ao caixa eletrônico carregando aquela bolinha aninhada entre as mãos?

- Leitura de voz! Leitura de voz! Leitura de voz! E sem direito a playback, sem direito à gravação! Só vale voz ao vivo! A-hammm..... Matei a pau agora! Nooosa, eu sou uma boa especialista em segurança de acesso ao caixa eletrônico de bancos em greve, hein! Falar ao vivo: “Sou eu aqui, porra! Eu sou eu, só eu posso usar meu cartão! Eu sou eu, pagar essa conta já. Super gêmeos, ativar”.
De repente, o grilo falante ficou mudo.
 
De repente, e eu já tinha chegado ao escritório.

De repente... E então eu percebi que ia ter que revirar a casa atrás do calendariozinho...




... nessa casa se ouve Programa Biotônico