domingo, 26 de setembro de 2010

GRANDES ASSUNTOS, PEQUENAS CONVERSAS

Inaugurando mais uma sessão nesta casa: “grandes assuntos, pequenas conversas”.

Breves diálogos...

Reais ou imaginários, falados ou ouvidos por mim (ou não...).

Enfim, papinhos da vida em geral.



Após algumas tentativas “de se falarem”...
Dentre recados, usuários sendo localizados, caixas de mensagens, chamadas recebidas, não atendidas, perdidas ou não encontradas...

- Alô! Nooossa, parece que estamos de gato e rato...

- Posso ser a gata? Posso ser a gata? Posso ser a gata?

- Já é.

- Posso comer o rato? Posso comer o rato? Posso comer o rato?
E o rato nunca mais ligou de volta...



O simpático rapaz elogiando a moça...

- Que bonito seu cabelo. Cortou?

- Não. Encolheu.
E ele com cara de tacho, achando ter ele tomado um corte com certo desdém e ironia....

- É que eu faço escova, e esses dias não fiz, então ele encolhe....


Papo de moças...

- Ai, ai, que merda... Acho que me apaixonei!

- Mas isso é ótimo! Qual o problema?

- É que ele é casado...

- Relaxa, boba. Casamento hoje em dia é algo que não dura muito tempo, não.

O simpático rapaz, com certa cara de estranheza...

- Nossa! Você hoje está maquiada?

- Não é que eu esteja maquiada... É que fico com olheiras, sabe? Então passo um corretivo. Aí fica aquele braaanco em volta dos olhos, parecendo um urso panda ao contrário. Então passo um pozinho. Aí os cílios é que ficam ficam brancos!!! Parecendo um fantasma! Então passo o rímel. Isso não é maquiagem, não.

E mais outra ainda...

- Meu médico falou para eu tomar mel com gengibre.

- Noooosa, que beleza!!! Delícia, hein? Mas é com vodka ou com cachaça?

NO HOTEL / 30 de abril de 2010

Primeira impressão sempre é uma boa... Cama suficientemente fofinha. Cortina que deixa tudo bem escurinho. O chuveiro que é praticamente uma massagem nas costas. Tem banheira! Tudo (parece...) limpinho, e não tem que arrumar a cama quando acorda. Aaaahhhh.... bem que às vezes eu penso que moraria muito bem em um hotel! Ou que poderia passar 1 ano dando a volta ao mundo, mudando de casas e cores e estaria feliz assim.

Dei logo meu jeitinho quando cheguei. Foco das luminárias apontadas para lugares estratégicos, descobrir quais luzes ficam acesas, quais ficam apagadas, tirei o microondas da tomada (pois tenho certo pânico em pensar em ele ficar produzindo micros e ondas por aí), o melhor lugar para a poltrona, a mesinha no lugar certinho para as pernas, que mesa merece mudar de lugar, copo de uísque serviu certinho para escova e creme dental, essas coisas que pessoas normais fazem normalmente, né?

Acordei cedo, desci para tomar café e ir trabalhar.

Aahhhh... café-da-manhã-de-hotel. Tuuuudo de bom!!!!

Não tem que fazer o café, não tem que ir á padaria para ter pão, não tem que descascar um monte de frutas para poder comer um monte de frutas, tem variedade de sucos, não precisa lavar a louça, tudo de bom!

Passada essa fase, começam “as questões”... Sim, questões... é jeito novo de chamar as crises!

Mas estava tudo indo bem, dormiu bem, acordou bem, tomou banho bem, tomou café da manhã bem, e saiu para trabalhar, meu bem!

Quando eu voltei... Aiiiii, quando eu voltei!

Acho que eu sou uma pessoa “pessoal” demais para viver com tantas impessoalidades....

Se eu ficasse mais uma semana em um hotel, acho que ficaria maluca....

Quando eu voltei... chego “em casa” e começaram as surpresas..... Na verdade, fui correndo fazer xixi com urgência (como sempre....), então entrei correndo, tirando os sapatos, já não acho o interruptor de primeira para acender a luz do banheiro... E???

- Hummm..... Tiraram meu tapetinho do chão! Tiraram meu tapetinho! Estava lá, estava lá. Tenho certeza que estava lá, estendido no chão para eu não pisar descalça no gelado....

- Botaram o tapetinho, dobrado que nem uma alcachofra atropelada, em cima da privada!

- Ai, meu caneco!!!! Que aconteceu por aqui enquanto eu estava fora?

- Cadê minha toalha secando no varal que eu fiz?

- Cadê o xampu de ontem?

Saio do banheiro já apavorada... Acho que não estava nem branca nem bege. Devia estar “verde favela”, sabe? Aquela coisa que parece tinta branca misturada com alface?

Vou dar um role já toda ressabiada, meio corcunda e olhando para os lados, girando os olhos arregalados em voltas completas e ininterruptas de 360 graus....

Começam os sustos!!!

Mudaram “minha” poltrona de lugar!

Voltaram a mesa para aquela posição inútil!

Cadê o mouse pad feito de cardápio?

Meu cinzeiro da latinha da cerveja de ontem?

Outra alcachofra achatada em cima da cama?

As cortinas nessa posição saia de missa?

Ai meu caneco de novo!!!!


Percebo o que aconteceu....

As coisas estão milimetricamente colocadas do jeito que eu não deixei!!!! Estão milimetricamente colocadas no exato lugar que estavam ontem quando cheguei.

- Meu Deus!!!! Será que o dia de ontem está se repetindo e só agora eu percebi?

- Não, Dani!!! Está maluca?

- Será que há um portal mágico que me transporta para um quarto exatamente igual ao do vizinho? Ao do lado? Ao de cima, ao de baixo? Ao de outra pessoa????

- Sim, Dani! O mundo é maluco!

Pronto!

Já começam a aparecer os defeitos. Já começo a achar problema em tudo quanto é lugar....

Aaaahhhhh.... a banheira lá de casa é muuuuito melhor. Cabem as perininhas esticadinhas! Ok, ok. É mais estreita.... mas é estreita e comprida. Que nem eu! Ergonomia pura e plena, sob medida! Muuuuito melhor.

Na minha casa não tem poltrona, mas é muito melhor para sentar. Porque todo lugar é lugar de sentar.

As minhas toalhas são muito mais bonitas e felizes, porque lugar de toalha é no banheiro e não precisam ficar em cima da cama, dobradas que nem origami de decoração no fim de festa.

- Dani!!!!! Relax, baby! Veja poesia em tudo, pois há de haver! Veja, amanhã você não precisa arrumar a cama. Vem alguém aqui arrumar para você.

- Hããã.... Vem alguém aqui??? Meudeus!!!! Vem alguém aqui, vem alguém aqui... e se ela vier e eu ainda estiver dormindo? E se ela vier e botar tudo no que ela acha que é o lugar? E se vier alguém e vir que eu pendurei a minha calcinha lavadinha no banheiro? Não quero mais morar em um hotel, não quero mais morar em um hotel...

Descubro que hotel é legal em alguns aspectos, tem suas funcionalidades, tem seus encantos, mas não é para mim, não....

Fiquei com saudades lá de casa...

E olha que o quarto do hotel era maior que a minha casa...

Mas... tão impessoal! Tão sem gracinha! Tão ilusório...

Deu saudades da minha caminha, da minha baguncinha, do meu banheirinho, da minha toalhinha deselegante embolada...

Aí então deu a maior alegria! De saber que eu ia voltar para casa! Ufa, ufa!

Pronto! Achei poesia, achei motivo de alegria, relaxei e fiquei tranqüila no momento presente. Fiquei tranqüila e feliz. Voltei para casa tranqüila e feliz.



... nessa casa se ouve Stone Temple Pilots

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

A escada e o mixer

Da série “as melhores coisas da vida”.

Não sou uma pessoa muito consumista, não... Acho que às vezes cometo alguns “abusos”, mas no geral sou bem contida, sim. Bem consciente até, eu diria.... Tenho sempre aquele rigor em ponderar “isso é algo que eu quero ou algo que eu preciso?”

Lembro sempre também de uma pesquisa que vi certa vez em algum lugar que tentava explicar a diferença entre homens e mulheres na hora das compras, na hora de gastar mesmo... Em linhas gerais, definia algo como “homens gastam mais do que vale um produto, comprando algo que eles realmente precisam”, enquanto “mulheres pagam baratinho por muitas coisinhas que elas não precisam”.

Então me pego pensando nas melhores coisas que já comprei na vida...

Eu achava que era a “escada de alumínio”. Há tempos.... Desde quando ainda estava casada e eu sempre dizia isso ao marido. Era meu sonho de consumo mor realizado. Algo que realmente mudou e fez a diferença em nossas vidas. E era um tal de eu com a escada de alumínio para cá, eu com a escada de alumínio para lá. E sobe, e desce, fecha a escada, anda um pouquinho, abre a escada. E ele era leve, era alta, era tudo de bom a minha escadinha de alumínio!

Quando me mudei cá para a casa-trailler, fui logo tratando de arrumar uma escada de alumínio. A casa não tinha nem pia ainda, mas tinha a tal escada!

Ocupava o trono de melhor coisa que eu já comprei na vida até que...

Chegou o mixer!

Sim!!!! Melhor que comercial do 1406 (ainda existe comercial de produtos do 1406?). Sinto-me a dona-de-casa plena, realizada, em todas as suas alegrias e satisfações, usufruindo das benesses e revoluções que um mixer faz em sua vida!

Uau, o mixer!!! Faz suco, faz sopinha, bate couve com limão, tomate com agrião, só alegria! À vezes me pego pensando aqui “o que que eu vou bater no mixer hoje?”

Ai, ai... estou amando!

Uma linda e louca história de amor com o mixer. E só com pontos positivos! Bate tudo, facinho de lavar e é pequenininho!!! Ocupa só um cantinho na cozinha da casinha!

Lindo, lindo. Tudo de bom 3 vezes!

Nossa! Como sou privilegiada. Tenho uma escada de alumínio E um mixer.

Taí... 2 coisas materiais que fazem a diferença na minha vidinha!


Imagino a capitã com casaco de veludo vermelho e chapéu com plumas, berrando junto ao lustroso timão do pequeno bucaneiro que dava a volta na Jamaica:

- Marujos, se o navio afundar, salvem a escada de alumínio e o mixer!!!!!


Ou a rainha fazendo uma declaração oficial no balcão do palácio:

- Eu declaro antes de tudo, que todo o reino é grato aos serviços prestados pela escada de alumínio e pelo mixer à nossa comunidade imperial.


Ou ainda o plantão do jornal de notícias:

- Boa noite! Escada de alumínio e mixer são declarados patrimônios da humanidade por sua excepcional importância cultural, natural e funcional nesta casa.


Ai, ai... É o amoooooor!

Amo tanto! Estou fazendo coraçãozinho com as mãos!

Vou fazer uma tatuagem com solzinho, duas gaivotas e um coração onde se leia “eu amo minha escada de alumínio e meu mixer”



... nessa casa se ouve Herbie Hancock

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

DR

Eu assino “DR”.

São as iniciais de meu nome, de nome e sobrenome.

Então assino “DR”. Simples assim.

Parece-me natural, parece-me óbvio.

Mas tempos atrás ouvi alguém falando “DR para cá, DR para lá” e descobri outra abreviação: Discutindo a Relação.

Aaahhh.... Achei engraçado, inusitado, mas deixei isso para lá, típica moda que não ia pegar... DR? Discutir a Relação? Onde é que já se viu? Quem é que ia ficar falando isso?

DR sou eu e acabou.

E não é que a moda pegou...

Vi até um convitinho de uma festa chamando o povo para discutir a relação ouvindo um som....



Guardei. Lindinho, né!

Escrito DR dentro de um coraçãozinho tosco.

E um dia ainda uma amiga confessou que cada vez que lia um email meu, achava que eu finalizava o mesmo sempre dizendo “discutindo a relação”, e ela achava isso muito esquisito....

Imagine...

Que mané discutir a relação o que.... Que relação?

Dos fundamentalistas muçulmanos e o 11 de setembro vindouro? Dos futuros aposentados da França com o sistema previdenciário nacional? Do rock brasileiro e as bandas contemporâneas? Ou do Fred e o ataque do Fluminense? Ou ainda entre Obina e seu joelho? Relação entre as eleições presidenciais e a filha do Serra? Relação entre espaço, tempo e além?

Se for assim vá lá.... Acho que eu topo discutir a relação, me chama que eu vou!

Mas se for para discutir a relação que há entre nós, aí não dá, não....

Isso não vai dar certo. Isso provavelmente não vai terminar bem...

As parcas vezes que eu passei por isso, a relação acabou.

Não houve o discutir e o dia seguinte parecer que nada aconteceu.

Parou para discutir a relação, um abraço... Simplesmente a relação acaba.

A gente discute (discute num bom sentido, né... não precisa ser um bate boca), mas se a gente pára para discutir a relação, a gente acaba sempre percebendo ou descobrindo que não devia estar ali fazendo isso, e a relação simplesmente acaba. Com você é assim também?

Esquisito, né?



... nessa casa se ouve Rotterdam Ska Jazz Foundation

Fiz um filme!!!!!

U-huuuu!

É, mas é simples.... (mas não é simplista, tá!).

E se estiver meio mais ou menos mais para menos, digo que é 'videoarte'.

Mas é isso... Resolvi fazer um filme!!!!

Começou meio sem querer, quando eu vi a situação em que eu estava achei que merecia gravar!

Puro extravasar de sentimentos e vontades...


Peguei-me mesmo em uma situação tão inusitada e ao mesmo tempo tão tocante que resolvi gravar.

Que beleza!!! Dei saltinhos de alegria, do tipo estou-dançando-rebolation-em-um-pula-pula, liguei a câmera e gravei.

Depois calcei os sapatos, passei batom e fui para um show.

Bom... Parcos recursos, a câmera era fajuuuuta, o computador é meio mais ou menos, só o que salvou mesmo foi a empolgada aqui!!!

Tem conteúdo.... Mas peca na forma, eu acho...

Sei o que é bom, mas não necessariamente sei fazer tudo do jeito que eu ache bom....

Hummmm.... Pois bem, depois de gravar, ainda resolvi editar...

- Ai, ai.... surtou de vez! – diz a voz da consciência ali ao fundo.

- Mas é 'videoarte'. Então pode. Então faz parte. – diz a voz da consciência aqui de dentro.

Editei. Editei, editei, eu confesso (ainda que possa não parecer...). Critérios mínimos... Uma boa trilha, alguns efeitos sonoros, uma equilibrada visual de bom gosto.

O único programa que tinha aqui instalado para mexer no filme era uma coisa horrorosa... Simples demais. Pobrinho ao extremo. Parecia um programa de fazer powerpoints...

Fucei um tanto até pegar o jeito. Deu conta do recado num primeiro instante. Depois quebrou a firma... Tudo o que pensei e quis fazer já não consegui mais.....

Mas fiz.

Fiz como deu. E quis fazer logo!

Bom.... Está aí!

Acho que “na pureza” dos sentimentos. E “na simplicidade” dos meios de execução.

 
Depois me empolguei, peguei gosto, de tesão passou para paixão, virou vício...
E foi virando trilogia... Comecei 2 outros filmes que, apesar da idéia linda, apesar do roteiro e da fotografia tão poéticos, não consegui terminar até agora....

Procurei por outros programas, consultei alguns amigos, pesquisei coisas para o computadorzinho "plug and pRay"...

Mas, já viu.... Aumentei o grau de exigência, aumentei o grau de complexidade, não terminei ainda...



... nessa casa se ouve Amy Winehouse

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Tudo no mundo é um porta-incenso

Sempre achei isso.

Vez ou outra me lembro de fotografar algum porta-incenso recém parido por aqui...




Não são uma beleza?



... nessa casa se ouve Mahavishnu Orchestra

NA COZINHA / em 09 de maio de 2010

Tenho passado bons momentos na cozinha da casinha.

Quando sobra uma brechinha de tempo, normalmente aos domingos, o ritual da cozinha é mesmo só alegria!

A música é boa, e sim! Eu cozinho cantando e dançando.

A comidinha é muito boa, e sim! Sou eu mesma que faço.

Tem sempre uma bebidinha para animar a festa, e não! Não sou uma cozinheira bêbada e babona.

E assim me divirto. Fazendo dos pequenos momentos, grandes eventos!

Botando leveza, prazer e sabor nas pequenas coisas da vida, nos breves tempinhos que consigo.

O ritual começa pelo aperitivo, sempre muito caprichadinho.

Na verdade, caprichadíssimo!

Fico hooooooras no aperitivo..... comendo, beliscando, bebericando, discotecando, cantarolando, picando, cortando, assobiando, cantando, mexendo a panela, enchendo a taça, fervendo água, corta salsinha, pica cebolinha, esvazia a taça, uma azeitona aqui, um pãozinho ali, corta cebola, lava o arroz, dança, enche a taça de novo, esvazia mais uma vez, lava verdura, dança e conta até três, e assim vaaaaai que é uma beleza, só alegria!

Minha irmã já o chama de “aperitite”, que é o “aperitivo que tira o apetite”.

Mas não é não. É a maior diversão. Tem dia que tem queijo, tem dia que tem pão.

 
Tem sempre uma bebidinha por perto...
 
 
O ambiente é agradável, a luz é linda, a cozinha da casinha é toda enfeitadinha.
 
 
Aliás, a luz desta cozinha combina com a xícara!!!!
 
 
Sim, essa é a luz da minha cozinha!
Não é o bicho? Não dá gosto mesmo ficar aqui cozinhando alegremente?


A geladeira é bonita por dentro e por fora.


Quanto ao almoço....


Aaahhhh, o almoço...

Que bálsamo, que beleza, que alegria quando fica pronto!

Sempre uma delícia!

Talvez pela embriaguez e pelo estado de êxtase deixado pelo aperitivo, talvez pelo capricho, amor e esmero da cozinheira, talvez por estas e mais outras, mas é sempre uma delícia!


 
E então alguém talvez pergunte....
 
- Nossa! Por que sua comidinha é tão gostosa?

- Aahhhh.... ora, veja bem, sei lá.... Amor? Capricho? Tesão, envolvimento e dedicação? Ingredientes de primeira, cozinheira de segunda (ou melhor, de domingo...)?

- Não colou...

- Hummmm..... acho que é porque eu sou só faço coisas frescas e vivas, que nem eu. É que nessa casa não entra carne e sangue, tortura e assassinato. É que sou capaz de costurar a própria pele, sou capaz de tatuar o próprio corpo, mas não sou capaz de fatiar um bife.... Não armazeno carne morta na minha geladeirinha linda, não fatio carnes, músculos, veias e vias, não derramo nem faço escorrer sangue naquilo que preparo e que como. Só amor. Só frescor e frescura. Só vida e alegria!

- Hummm?

- Ok. Ok. As vezes temos cá um “subprodutos”, os “derivados”..... queijo, manteiga, ovos, essas coisas. Mas também há critérios.... Vou no ovo caipira, da galinha caipira (que é aquela que fala cocoricor). Não como ovo de “galinha paranóica”, como diz minha mãe.... Vou no da galinha que botou o ovo porque quis. Não foi ludibriada, não foi forçada, botou o ovo porque quis, por puro instinto e / ou frustração natural de seu organismo. Agora com o queijo, eu me rendo meeesmo... Acho que ovo eu como 1 vez a cada 6 meses. Queijo, se eu puder, eu como 6 vezes ao dia... Acho que é vício mesmo, em queijo branco, brie com pão quentinho e em gorgonzola com azeite.... Mas, para compensar, não tomo leite, não. Já passei da idade!

- Então sua comidinha é boa porque é fresquinha? Que nem você?

- Talvez... Mas acho também que é porque eu boto bons sentimento. Boto prazer e amor naquilo que faço. Busco fazer com alegria e leveza... Aí não vira obrigação, sabe? Nem peso, nem tarefa nem função... Vira a maior alegria mesmo. Quase uma devoção. Ah, e tem que ter bom humor também, né! A vida sem bom humor não vale a pena, não....


E por falar em bom humor da mulher TPM.... Ainda há de haver uma alma caridosa para me ajudar a botar caixinhas de som nos cantos da cozinha, lá no alto...

Aí sim! Não há domingo que resista!

Ainda bem que a casa é pequena e dá para ouvir em o “double surround” lá de dentro mas o dia em que eu botar o som na cozinha acho que não saio mais de lá.



... nessa casa se ouve The Smiths

O elevador

O elevador do meu prédio chama-se “Fé em Deus”.

Quer dizer, na verdade eu o chamo assim.

É que é assim: você chama o elevador e... nada acontece!

Você aperta o botãozinho do elevador, e n-a-d-a acontece. Isso mesmo, nada muda, nada acende, nenhuma luzinha aparece, nem setinha, nem ponteiro, nem barulho, nem muda de cor, nem correntes arrastando, NAAADA...

Mas é assim mesmo, já estou sabendo.

Não. Ele não está quebrado ou parado. Não. Ele não está te ignorando.

Basta esperar, e é só ter fé. Acreditar que ele vem.

Então você respira fundo, e é tomado por uma voz interior, como se lhe dissesse: “espera e ele virá”...

Por isso o batizei de “Fé em Deus”.

Acho que é a mesma coisa... Você chama por Deus, fala com ele, faz o contato inicial e nada acontece.

Nenhuma luz acende, nenhum raio divino, nenhuma voz apocalíptica.

Ou melhor, nada parece acontecer.

Resta ter fé.

Precisa acreditar que ele recebeu a mensagem, que ele lhe ouviu.

E ele há de vir, há de se fazer presente em breve, lhe dar retorno, algum feedback...

Assim com Deus, assim como com o elevador.

É tudo uma questão de fé meeeeeesmo.


- Bora, Fé em Deus. Já é dia lá fora. Vamos para o térreo para podermos sair à rua.

- .

- Ok, ok. Sei que você me ouviu, ouviu meu chamado, vai aparecer e resolver esta questão comigo.

- .



- Ufa, enfim em casa. Bora, Fé em Deus, estou louca pra fazer xixi....

- .

- Ok, ok. Sei que você me ouviu, ouviu meu chamado, vai aparecer e resolver esta questão comigo.

- .



E então, do nada, ele aparece.

Quando ele chega eu já logo penso com meus botões “sabia que ele estava aí, sabia que ele estava vindo, sabia que ele ouvira meu chamado”.

Falo com o elevador como se falasse com Deus.

Acho que as gracinhas de Deus são as mesmas... "Eu finjo que eu não existo, finjo que nem lhe ouvi, não emito um sinal nítido de minha presença e existência e vamos ver se e quanto ela acredita e agüenta".....

Não faz todo o sentido do mundo?

Deus se manifesta para mim agora através do elevador.

Para me fazer lembrar de sua presença constante e ativa, para me fazer lembrar que ele me ouve e sabe quando estou ali chamando-o. Para me fazer consciente do momento presente! E das minhas limitações, dificuldades possíveis ou desafios sem sua presença.

É o verdadeiro momento de ascensão, de se elevar, de transpor um lugar, um estado ou um andar.

Chamo o elevador. Assim como chamo Deus.
E chamo esse elevador nonsense do meu prédio de “Fé em Deus”





... nessa casa se ouve a trilha do Lock Stock

É sabe-se-lá-onde, mas parece aqui

Essa ilustração é mesmo linda! Ou mesmo especial, ou ainda, é mesmo familiar.


Não sei de quem é, não... Mais uma vez displicente com os créditos... so sorry...


Mas gostei tanto porque parece tanto com isso aqui...

A casinha e a cozinha apertadinha, bagunçadinha... Mas tão simpática, tão recheada de informações e funcionalidades.

A cara de lugar real, de casa com vida, sendo vivida, usada.

A baguncinha tão completa e tão variada... de garrafa de vinho e panela no chão, a paninhos espalhados e roupas pelo chão.

Um quê de poesia com simplicidade - apesar da casa pequena e apertada, o capricho, a inspiração e o alento de um quadrinho e uns postais na parede.

Foquinhos pontuais de luz.

Certa ordem no caos... algo como uma ordem caótica, um caos ordenado.

Um misto de bagunça de moleque com coisinhas de menina... cesto de lixo em cima de mesa, mesinha com toalha. Louça suja esparramada, mas latas e vidros em cestinhas.

Minha nossa! Tem potinhos em prateleiras e azeitonas em cima da pia!

É mesmo fantástica!

E a mocinha branquela e descabelada ali no chão...

Meio lânguida, ingenuamente lasciva.

Descalça, sobre um tapetinho simples, mas limpinho, para não gelar a bundinha no chão... sempre semi nua, à vontade, confortável.

Contemplativa.

Olhando para o nada, mas vendo e sentindo tudo!

Parece que foi feita com uma câmera escondida aqui no cantinho, presa ao teto.

Quase uma foto, uma releitura simpática, interpretativa talvez...

Lindo! Amei esse desenho...

Em uma identificação quase assustadora...


 

... nessa casa se ouve New York Jazz Ensemble

uma vez eu fui ao motel

Fui ao motel uma única vez. Primeira e única. Já faz um tempinho, mas é que hoje vi a escovinha de dentes que uma amiga me deu, com o nome de um motel, e lembrei disso.

Fui uma vez, por pura força das circunstâncias, ou vontade momentânea. Primeira e única vez.
E achei legal (na hora, no momento, no contexto).

Acho que eu não tinha ido antes porque nunca quis...

Na verdade acho que nunca tinha imaginado ir a um motel... “mais na verdade ainda”, não consigo nem bem imaginar o que faz as pessoas irem a um motel...

- Nossa, está super legal a gente aqui, agora vamos parar tudo, levantar, sair daqui e ir para um motel.

Não faz o menor sentido...

Ou então:

- Nossa, agora está muuuuito legal a gente aqui. Mas veja bem, vamos parar com tudo isso, calçar o sapato, botar uma camisa, pegar o carro, pegar engarrafamento, pegar chuva e ir ao motel?

Juro que eu acho que para mim não faz o menor sentido...

Mas um dia eu fui.

Conhecia pouco o rapaz, não iria levá-lo para minha casa. Achava que ele era “praticamente um adolescente”, com uns 22 aninhos, e era melhor ser impessoal como um motel. Se fôssemos para sua casa, talvez sua mãe ficasse brava. Se viéssemos para a minha, certamente eu ficaria brava. E assim fomos. (tempos depois descobri que sim, ele era “realmente um adolescente”, mas de uns 43 anos)

Bom, eu tinha medo de ir ao motel.

Medo mesmo... Desses que não deixam a gente relaxar. O que por si já é um motivo para não querer ir.

Mas eu tinha medo por alguns milhões de outros motivos.

Acho que o primeiro é que eu não gosto de coisas impessoais, sabe?

Algo que não “é para mim”, não é meu ou não é único, exclusivo ou particular. Nem meu nem do outro. Achava (e ainda acho...) que um motel é um lugar que ao mesmo tempo é de todo mundo e ao mesmo tempo não é de ninguém. Não gosto disso, não...

Também não me agrada imaginar que todo mundo é esse... Aliás, falo sobre isso agora, porque se eu tivesse parado para pensar nas pessoas que por lá já estiveram, e o que lá já fizeram, aí é que eu não tinha ido nunca mesmo.

Mas parei para pensar só na pessoa que estava comigo e fui uma vez aí...

Gostei!

- Mas você disse que tinha ‘medo’?

- Sim... Muitos. Tinha medo de ser um lugar esquisito, com lâmpada fluorescente. Tinha medo que fosse um lugar onde só tocasse Kenny G. Tinha medo de ligar a TV e só ter filme com loiras peitudas e marombadinhos falando ah, ah, ahhhh. Tinha medo que a cama tivesse cara de cama encerada em 12 de $ 89,90 sem juros nas casas Bahia. Tinha medo ter quadros pendurados ‘em escadinha’ na parede. Tinha medo de o circuito elétrico ser subdimensionado em relação aos fios, cabo de alimentação e disjuntores e corrermos o risco de um curto-circuito e momento de pânico. Tinha medo de encontrar ‘vizinhos’ - outros visitantes ou freqüentadores. Tinha medo por o travesseirinho não ser o meu e o lençol não ser o dele. Tinha medo de o banheiro ser preto, com granito. Tinha medo de ter coisas em forma de coraçõezinhos. Tinha medo de não ter janela e alguma paisagem. Tinha medo de ter cortinas com babados. Tinha medo de ter babados. Tinha medo de ter babas.

- E aí?

- E aí que a cama era verde, de luzes. Na verdade, acho que a cama era de criptonita!!!! E passava cartoon na TV!!!! O nome do lugar era muito poético. E por alguns momentos, esqueci que eu tinha tantos medos e mal vi onde eu estava.
Tá... é esquisito, mas gostei!

Cumpri a cota, matei a curiosidade e a vontade (sem direito a trocadilhos, tá!).

Acho que não quero ir de novo, não.

Mas valeu.

Acho que perdi o medo. Acho que quero muito perder todos os medos. Acho que estamos aqui neste planeta para aprendermos a não ter medos, expectativas e apegos. E também para ir ao motel pelo menos 1 vez na vida.



... nessa casa se ouve Titãs quando eram bons

segunda-feira, 14 de junho de 2010

como eu acho que sou o que sou

em 15 de abril de 2010.


Outro dia peguei-me pensando em como eu era e como eu achava que seria.... Quer dizer, como eu acho que eu era, como hoje eu me vejo em tempos passados, pensando e lembrando... o quê e como eu sentia, imaginava as coisas, o mundo e a mim mesma. Ficar se auto-analisando, observando, esses exercícios cotidianos? Sabe essas coisas?

Pois bem, nesse dia eu estava lembrando de uma Dani novinha imaginando como seria uma Dani grandinha.... Nooooossa! Mil coisas!

Num balanço geral acho que sou bem parecida com o que eu achava de mim mesma... Algumas coisas (vejo que) são hoje beeeem diferentes. Mas, no saldo geral, acho que era assim mesmo que eu ia ficar... uma magrela alta, espevitada, fazendo 1.000 coisas que eu gostaria de fazer....

A-hannn....

Sim, sim.

E é certo que existem milhares de fatores que vão moldando nossos caminhos, rumos, escolhas, nesse processozinho doido chamado “essa vida”. Coisas que imaginamos, coisas que sabemos que vão acontecer, outras que sequer podíamos imaginar, as que nos pegam pelo meio do caminho, e por aí vai...

Algumas “idealizações” (ou vontades) do imaginário ambicionado se perderam por aí em algum lugar...

Talvez não por falta de vontade, mas simplesmente porque a vida vai (sendo e) acontecendo e as coisas não caminharam nesse sentido.

Quer ver só?

Por exemplo, por vezes eu imaginava momentos em que eu estivesse em uma simpática casa no campo, colhendo morangos e fazendo geléias mexendo um tacho no fogão à lenha. Vendo filhos e cachorros, meia dúzia de cada, correndo pelo gramado. E quando a noite chegasse, a vida seria “acústica”, com costuras de mão, luzinhas coloridas de lampião, talvez um piano ou violão. Cheiro de pão quentinho vindo do forno de barro, roupas de retalhos e casaquinhos coloridos de tricô, gosto de vinho gelado à temperatura ambiente, pois apesar do céu azul e do sol brilhante, seria um lugar onde fizesse friozinho.

Noooossa!

Tá vendo?

E dentre tantas coisas tão distantes, nem o tricô eu aprendi a fazer... (Tá bom... Sei fazer a casa, o forno e fogão. Sei usar os três. Mas não sei fazer tricô até hoje... Ah, também sei beber o vinho!)

Simplesmente a vida segue, e as coisas não se encaminharam para isso. Creio hoje ser o “ideal idealizado” mais distante possível da vida vivida (não o aprender a fazer tricô... o contexto todo, eu digo). Acho que ainda me vejo assim, de alguma forma, em algum momento, mas não como “realidade possível”, e sim como tão distante que não mais se atinge.

E se eu parar pra pensar mais um tiquinho acho que consigo desenterrar 200 mil idéias, vontades ou projetos de vida que já passaram por aqui.

Quer ver outra estória engraçada?

Uma amiga certa vez me dizia “que sempre se imaginava uma mulher separada”, e que “não consegui se imaginar casada, mas que se imaginava separada” (???). E eu dizia algo do tipo “se você não se imaginar casada, não terá como ser separada”.... Mais esquisito ainda, não?

E então eu que me separei, e acho que ela está casada até hoje.


E ainda outra?

Certa vez, já um bom tempo atrás, uma figura que eu mal conhecia, mas uma companhia animada desses papos bons de boteco, falava e me perguntara: “Eu hoje sou igualzinho ao que eu achava que seria. Já pensou nisso? Você certamente deve ser assim também.... Sabe quando você era criança e imaginava como você seria? Pode reparar, você deve ser igualzinha ao que você achava que seria....”

Faz uns 12 anos e eu mal parei para pensar... O máximo que fiz na hora, e só por alguns segundos, foi pensar assim: “Será?”. Mas aí acho que seriam tantas coisas profundas para se analisar e avaliar com isso, que deixei para algum outro momento, para algum momento meu. Acho que guardei isso para agora...

Hoje acho que o tempo (aaahhhh, o tempo.... sempre ele) é que o determinante nessas escolhas e definições. Por quanto tempo uma idéia ou vontade permanece inquietando, permanece instigando?

Porque, pelo menos por aqui, tem 1 milhão de coisas que já passaram pela cabeça em algum momento. Mas só por 5 minutinhos....

Critério 2: Então qual é o grau de envolvimento com a vontade? São as idéias e vontades que passam pela cabeça X as que passam pelo coração. Hummm.... complexo, não?

Acho que listei mais umas duas ou três coisas de imediato por aqui que podem ser consideradas “outros fatores determinantes” nessa nossa árvore da vida com 1 milhão de galhos e ramificações, mas só 1 tronco que a sustenta.

Alguma outra sugestão?



É, é. Essa é do Klimt. E o nome?



... nessa casa se ouve Isaac Hayes

sobre as leis da atração (ou porque eu acho o dourado uma graça)

em 04 de abril de 2010.


Sim, sim, esse mesmo aí do big brother.

Não, não assisto ao big brother, mas descobri que assisto ao Dourado.

Sempre achei o big brother um saco, uma porcaria, perda de tempo ao extremo, entretenimento fútil. Nunca havia assistido e sempre reclamara a respeito. Mesmo até com fortes campanhas de gente bacana e amiga que assistia e dizia ser divertido e fonte de profunda reflexão bio-psico-social. Não assistia e ponto.

Eis que um dia, aaanos atrás, zapeando e fugindo de leilão de tapete, dei de cara com a figura.

- Minha nossa!!!! Que é isso? – chamei até o marido para ver.

- Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça! Número do meu sapato, e dos 2 pés, e combinando com qualquer roupinha! – E então pensei com, os sempre presentes, meus botões... se Ali Kamel fosse mais esperto, botava o cara para apresentar o jornal nacional só para me falar ‘boa noite’ todos os dias às 20h em ponto.

Não precisei ver o que ele fazia, o que ele falava, nada disso importou, fez diferença ou peso na balança. Achei uma coooisa e ponto.

Passei a parar com o controle quando a peça estava lá.

Até o marido já tinha se acostumado à estranheza de eu estar vendo big brother. Era só para ver o cidadão e eu era feliz assim.

Até que um dia paro eu por ali, e o guapo rapaz estava lá lambendo uma loirinha muito da sem graça para lá e para cá, nem me consultou antes, não me avisou, fez eu perder meu tempo, uma coisa horrorosa... para piorar ela era a cara da minha prima (com a diferença que minha prima não é sem graça, não, tá!), mas me senti duplamente traída, chamei o cara de babaca umas 3 x, mudei de canal, nunca mais vi o que aconteceu.

E não é que a figura reapareceu?

Nem eu acreditei. Acho que ouviram minhas preces à Nossa Senhora do Voyeurismo.

Voltei a assisti-lo. Na maioria das vezes, sem volume mesmo. Só a TV lá ligada, só para ver a figura. Confesso que mal parei para ouvi-lo, mas soube que o rapaz era polêmico. Hummmm... Adoro uma polêmica quando é enriquecedora e construtiva, mas não sei mesmo se era o caso. A trilha de casa era outra e estava bom assim. E o dito cujo é uma cooooisa, só para olhar mesmo, e estava bom assim.

Parei para pensar um tantinho... Tentando descobrir ou identificar em mim mesma o que é que me agrada em uma pessoa. Retrocedendo um tanto a fita e parando para olhar para trás (para os lados e para a frente?) e ver o que me agrada, pelo menos, externamente, em alguém. Hummm, lá vem mais outra tese de doutorado...

Engraçado falar isso... é “papo calcinha” total, daqueles que mulheres falam somente entre elas. Pois, por mais esquisito que possa parecer, quando falam abertamente ainda são taxadas de nomes e títulos. Como se mulher (ainda) não pudesse admitir e declarar que tem desejos, atração, tesão, etc.

Mas como eu sou aparentemente bem resolvida (comigo, pelo menos, eu sou), dona das próprias opiniões e nem um pouco influenciável pelas impressões dos outros, falo mesmo o que acho, penso e sinto. Pois, por mais esquisito que pareça, atingem, cutucam e afetam a mim, em primeira (e mais importante) instância.

Enfim, faz parte também do grande (e quase eterno...) exercício - paro para pensar e sentir como as coisas agem em mim. Faço sempre isso com praticamente tudo na vida e no mundo... O quê e em quê me tocam, o que me despertam, me dizem, me influenciam, me agradam ou desagradam e por aí vaaaaai..... que a lista de “pequenas-grandes-perguntas-filosóficas-de-dani” é mesmo extensa....

Pois bem, no processo do controle remoto na mão, andando a fita de mim mesma para frente e para trás (Ui.... Devo estar ficando velha!!! É fita rebobinada, e não full HD!!!!), vou vendo, de um jeito ou de outro, consciente ou inconscientemente, quais as coisas que eu sempre busquei ou encontrei. Coisas que eu atraí (?) ou me atraíram de alguma forma, ainda que eu não tivesse percebido no momento.

Parei para tentar ver isso agora e perceber ou fazer essas associações.

Se eu pudesse hoje construir uma figura ideal (pelo menos por fora...) para desfrutar do bel prazer de me fazer companhia por algum momento (ainda que eu mudasse de idéia logo depois...), como será que seria??? Vamos lá... Faz de conta que o gênio da lâmpada (que não faz meu tipo mesmo... um bigodinho cafona, calça que parece uma fralda...) saísse da panela encardidinha enquanto eu a lavo...

- E aí Danizinha? Qual é a boa? Quer dizer, qual é o bom? Estou aqui com o poder de materializar um boneco inflável gatinho para você! Diga aí, como é que vai ser? Meia calabresa meia baiacu?

- Uia! Taí. Gostei. Mas não sei nem por onde começar...

- Fácil, vamos lá... Só por fora. Pura atração física. Não estou aqui para fazer um homem que não reclame, que não se acomode, que não dê mais bola para o joelho do meia-esquerda do que para o que as mulheres tanto sentem e filosofam; nem que não dê mais dinheiro para um aparelho eletrônico do que para as contas atrasadas, que não ache que a vida é assim e acabou e não há nada a fazer para que a mudemos. É só por fora, falou? Facinho, facinho. Diga aí o que te agrada, não precisa parar para pensar muito não.

- Humm... Ó, acho que eu tenho alguns símbolos sexuais ou imagens que me agradam... Na categoria símbolos sexuais pode incluir o Supla (de boca fechada, por favor), o Angeli e o Salsicha, amigo do Scooby. Nas imagens que me agradam gosto do Johnny Deep quando está descabelado vestido de pirata. Mas acho que eu gosto de nerds... Então pode misturar tudo e todos, deixar descabelado e com a barba por fazer, transformar em um nerd e está bom.

- Vixe Maria! Isso não vai dar certo, não!!!! Sorry, wrong answer.

- Ahh... E pode ter a voz do Iggy Pop, assim... sussurrandinho, falando no meu ouvidinho... Pode ser?

- Eita, Dani!!! Está complicando.... Só por fora, só por fora. E veja se consegue combinar um pouco mais as coisas, tá!

- Só por fora? ....... Então diga para ele que aqui nesse planeta é proibido, terminantemente proibido, um crime, uma heresia, diga que é a Lei: Pro-i-bi-do usar cuecas vermelhas. E também não pode usar perfume de jeito nenhum, pelamordedeus! Fechou?

- Pô Dani, tá foda... É só por fora e você conseguiu complicar. De novo, de novo... Começa do zero. Esquece esse monte de referências desconexas e começa do zero. Vamos lá! Você é capaz!

- Ah, tá! Quer moleza? Vou pegar leve então, “prestenção” ! Pega uma figura linda, indiscutivelmente linda! Assim... tipo David de Michelangelo, ou... inventa aí uma versão feminina de Afrodite.

- Tá.

- Agora dá uma distorcida... Como se estivesse fazendo uma escultura, sabe? Puxa um pouquinho daqui, amassa um pouquinho dali. Vamos para os elementos desconexos. Algo de desproporcional... Talvez geométrico, certa desconstrução russa, certa abstração de Picasso.

- Hummm?

- E então!!!! É esse o quê de desconstrução! Saiu do padrão! Dá uma puxada aqui e outra ali e deixa algo de esquisito na figura... Um olho achatado ou esbugalhado, um nariz saliente, um queixo protuberante, uma orelha maior que a outra, sobrancelha falha, um braço comprido, perna fina ou torta, essas coisas, sacou?

- Hein?

- Tá..... Agora precisa ter vida! Vida vivida. Ter alguma história, alguma mácula, alguma cicatriz, sabe?

- Ó céus.... Cadê a panela?

- Uia... Tá quase! Falta pouco.... Dá para dar uma estonada? Assim... como se enfiasse para bater na máquina, com umas pedras, umas cores diferentes para dar uma manchada, deixar mais surradinho, sabe como é?

- Não, não sei não. Como assim?

- É... para dar uma detonada mesmo, calça jeans quando fica mais velhinha e é mais gostosa, deixar mais com cara de tubarão do que de golfinho.

- Aaahhhh....

- Pronto. Viu como fez todo o sentido do mundo?


Aí eu entendi comigo mesma o quê e porque me agrada no Dourado. E mais... também descobri que é mesmo só para olhar. É puro voyeurismo que não chega nem a platonismo. E até porque eu não devo ser mesmo mulher para o cara... Não tenho bundão, não sei fazer carão, não sei descer até o chão.

Nessas, descobri também que minhas amigas e amigos ficam todos horrorizados quando eu falo que acho o cara uma graça!

Impressionante isso!!!

Só uma compartilha de tamanho bom gosto comigo!

Ela é meio esquisita, mas é do bem. E, ao que parece, tem esse gosto refinado e apurado no quesito masculino assim como eu. E não! Isso não vai dar briga nunca, não. É mais fácil a gente dividir alguém do que brigar por causa disso.

E sim! Nós mulheres, mesmo as esquisitas, falamos o que achamos, ainda que nem todos saibam. A diferença é que tem gente que fala abertamente, autenticamente, sem medos e crises de ser tachada ou estigmatizada com isso.

Aliás, por que é mesmo que as mulheres pleitearam tanto por direitos de igualdade?

Para poderem falar o que pensam? Ou para virarem objetos que rebolam na boquinha da garrafa do big brother?

Objeto por objeto prefiro eu admirar os meus...


gentilmente copiado e colado de KiraSaintClair



... nessa casa se ouve John Coltrane

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

carnaval em casa

Quase três dias que estou costurando... é carnaval lá fora e aqui parece estar beeeem melhor. Banheiro é limpinho, comidinha é boa, a bebida e o cigarro também... Só toca música boa, graças a Deus, e eu assim “catô”.

Dessa vez estou me superando... desandei a costurar tudo que vejo pela frente!!!

Penny Lane, fiel escudeira, amiga, comparsa e companheira (e agora tatuada), está segurando a onda bonito!

Por nós já passaram panos, trapos, papéis, plásticos, desenhos, textos, fitas, borrachas e tudo mais que eu vou achando pela frente...


Têm saído umas coisas meio diferentes, que eu ainda não sei bem o que fazer com elas...



Acho que ainda estão “em processo”...
que ainda vou meter a mão e fazer algo mais para e em cada qual.
Também fiz umas almofadinhas para os bancos novos.



Aproveitamento de espaço total em Tóquio!!! Os banquinhos são baús, para guardar coisinhas (pacas...) dentro. Queria almofadas que abrissem o sorriso do zíper por 3 lados, para poder guardar umas coisinhas (pacas...) dentro. Nunca tinha feito isso não, e sou meio mais ou menos em modelagem... Sofri de véspera que nem peru... morrendo de medo de fazer merda (...). E não é que deu certo!

Fico super feliz quando consigo fazer algo que eu nunca fiz na vida e dá tudo certo!!!! (Quem sabe um dia eu ainda não acerte a mão com o baixo...).


Aproveitei também para dar uma casa nova a uma peça de argila, cheia de sentimentos e significados afetivos, que andava “ocupando espaço” para lá e para cá...



Papo vai, papo vem, e a trilha do Carnaval tem sido toda temática... Um dia, só (boas) baterias. No outro, só músicas para cantar, e eis que... um dia só de sons do Reino Unido... Putz! Faltou dia...

É impressionante como tem coisa boa! E não acaba nunca...

Tem quantas pessoas por lá? Uns 50/ 60 milhões? Se juntar a turma toda, de todas as nações agregadas em torno do reino ,equivale a quê em extensão territorial? Um estado do Brasil?

E putz! É sonzeira que não acaba mais... E olha que o Brasil é riquíssimo musicalmente... E deve ter umas 3X mais gente.

Acho que eu nunca tinha parado para pensar nisso, ou ver o mundo sob esse ângulo... Acho que o máximo que eu havia teorizado que se aproxima de tal, é o fato de que eu acho que eu fui punk em Londres nos anos 70. Porém, devo então ter morrido e reencarnado quase imediatamente, e meu processo de adaptação atual tem sido meio confuso... Passei 30 anos ouvindo The Clash e chorando compulsivamente, sem nunca ter entendido bem porque... Superada essa fase há alguns anos, eu agora não consigo ficar muito tempo sem ouvi-los. Já não choro mais por isso (o que é um alívio, pois beirava mesmo o ridículo...).

Tenho também uma outra teoria um tanto quanto mais próxima (e essa dá uma tese de doutorado!) que é a seguinte: eu realmente acho que a grande questão da humanidade, o grande dilema filosófico que nos assola, nos instiga e nos e acompanha desde toda existência humana, permeando todas as análises, investigações, reflexões e questionamentos sobre o homem, sobre o mundo e sobre o ser; questionando e examinado idéias, conceitos e juízos sobre as relações sobre nossas próprias realidades e sobre todas as relações humanas, sobre todos os fenômenos naturais e os fatores humanos, se resume a uma única questão: “should I stay or should I go”.

Já parou para pensar nisso?

Grande parte da Filosofia se resume a essa maravilha da simplicidade!

Não tenho grandes conclusões a respeito (ainda.... e ainda bem), mas já misturei de Kant a Aristóteles nessa jam session metafísica, já transformei o “não ser” ao “não ir”, já examinei crenças e deveres, já argumentei causas e essências, e me motivo cada vez mais a buscar entender e compreender a realidade em toda sua inteireza através dessa simples questão. Simples assim....

Vou encurtar o papo por aqui, deixar para falar mais outra hora porque sei que reeeende....

Beijo, me liga!




... nessa casa se ouve a trilha sonora de Ray