domingo, 26 de junho de 2011

“SUA CASA É COMO VOCÊ”

É que ouvi essa (de novo....) esses dias, e fiquei com a pulga atrás da orelha...
Na hora acho que eu nem consegui atinar muito as coisas... Estava pensando e sentindo outras coisas, e acho que fiquei mesmo sem reação... Nem para perguntar por que, nem em pensar o que é que isso possa dizer...

Não é a primeira vez que me dizem isso.
E eu mesma muitas vezes me pego pensando (exatamente) a mesma coisa...

Quando às vezes vejo que arrumo a casa como quem se arruma. Quando me sinto feliz por estar aqui, da mesma forma que também me sinto feliz comigo mesma. Quando percebo que ‘visto’ coisas na casa que, literalmente, faço-o comigo também. E por aí vai...

Na verdade, não me preocupo com o que os outros vão pensar da minha casa.
Aliás, muito pelo contrário - Quero a companhia e presença de gente que goste de MIM, e não da minha casa. Simples assim.

Mas parei para pensar...
É que a casa tem andado bagunçada... Certo estado de caos.
Ando doida para mudar (muitas) coisas, ando acumulando e protelando, esperando a já chamada “reconstrução de tóquio”...

E alguém que vem aqui pela primeira vez e fala uma dessa, me deixou curiosa...

Bom... disse que eu estava “concentrada” pensando e sentindo outras coisas, e não tive reação sensata imediata... E olha que sou uma figura que penso rápido... vivo bem de e com improvisos, medito para ajudar a estar atenta e presente no ‘momento presente’, e tudo mais. Mas me distrai... (e olha que é difícil alguém conseguir me tirar a atenção dessa forma...). Me distraí... e nem pensei nisso, acho...

Agora acho que eu devia ter pedido “2 adjetivos”.
- Dê 2 adjetivos para minha casa, plíz....
- Dê 2 adjetivos que embasem essa relação que você fez aí agora, plíz....

Afinal, isso pode ser algo ruim ou bom, né...
Sabe lá...

- Caótica e bagunçada?
- Esquisita e nonsense?
- Confusa e extravagante?
- Desleixada e tumultudada?
- Pequena e discreta? (hummm... essa é a menos provável...)
- Gostosa e aconchegante?
- Simples e prática?
- Charmosa e suficiente?
- Agradável e cheia de conteúdo?
- Surpreendente e fantástica?
- Linda e interessantíssima?

Ai, ai... Cada vez que eu “me distraio” fico em crise comigo mesma...

Já ouvi coisas interessantes sobre minha casinha...
         - “É praticamente um portal... sinto-me transposto para um lugar que só existe na imaginação!”
          - “Parece um cenário!”
- “Parece um cenário de livro! Desses que só existem na cabeça da gente.”
- “Todas as cores do mundo moram aqui. Tenho a impressão de que se eu procurar vou encontrar todas as cores e tonalidades possíveis aqui na sua casinha
- “O lugar mais incrível em que eu já estive!” – e essa eu adorei! Primeiro, achei que fosse piada e brincadeira... A figura conhece o mundo todo, já o rodou o planeta de ponta a ponta, e vem falar que o lugar mais legal que já viu é aqui?!? Chamei na xinxa, fiquei brava mesmo achando que era sacanagem, pedi satisfação explícita, e depois realmente me convenci ;)

Bom... A casa é simples. Assim como eu.
E sincera. Honesta.
A vida como um livro aberto (com algumas páginas coladas, mas um livro aberto...). Tudo á vista, à mostra, sem ‘caô’, sem maquiagens e caudas de pavão.
Só o necessário (mas com mais sapatos do que pés... na maioria das vezes..), só o funcional, só o que importa – inclusive a presença daqueles que aqui freqüentam ;)
Simples. Honesta e suficiente.
Interessante. Simpática...
Bonitinha, talvez... Apesar de eu ter crises com ‘julgamentos estéticos’ e todas as suas subjetividades....

Também já ouvi críticas a respeito.... Sobre a casa, eu digo. Sobre mim também, mas essas eu consigo sempre conversar na hora, graças a deus e a alguns anos de terapia.

- “Você devia ter vergonha de trazer alguém na sua casa”.
- “Isso aqui não é para você morar. Você devia se mudar daqui e ter um apartamento destes só para alugar”.
- “Você é muito pobre por morar assim”.
- “Me sinto mal na sua casa, não vou mais, prefiro esperar lá embaixo”.

É mole?
Na boa...
Não dá para agradar “gregos e baianos”, né...
E como já dizia um grande amigo “a intimidade é uma merda”... Pois sinceridade é uma coisa, grosseria e indelicadeza é outra.
Minha casinha não precisa agradar e satisfazer aos outros e sim a mim.
E sou feliz assim (ainda que com as crises de ‘reconstrução em tóquio’....).
E na boa de novo - quem me conhece e me ama PELO QUE EU SOU, não julga, não taxa, não evita... Vem pela minha companhia, para partilhar comigo de momentos únicos em um lugar que, pelo menos para mim, é especial ;)
Minha casinha é meu castelo. Ou quase uma casa na árvore....
Com todos os sabores (e as cores...) de conquista, realização, plenitude, superação, satisfação, prazer.
Sinto por ela como sinto por mim. Amo minha casinha. Do jeito (simples e verdadeiro) que ela é... Como eu também sou.




... nessa casa se ouve Lee Morgan

domingo, 29 de maio de 2011

Parece que é domingo

Então sento para escrever.

Refúgio de uma alma de domingo.

Gosto de estar sozinha. Quer dizer, na verdade, sinto que não estou. Também estou (ainda) à doce companhia de Jonh Coltrane. Admiro-o cada vez mais... E mais ainda ao pensar que o máximo que eu consigo tocar ‘de sopro’ é um apito... Fumo um charuto em minha doce “casa na árvore”. Tenho vergonha de fumar em público. Gosto de ficar sozinha. Gosto de ficar comigo mesma. Também aproveito a também doce companhia de minha super cachaça. Também aproveito a doce companhia de mim mesma.

E escrevo. E danço. E canto. E me deleito comigo mesma.

Às vezes algumas dessas companhias também “assopram” em meus ouvidinhos. Sussurram coisas que parece que só eu entendo. Ouço por dentro. Olho para dentro. Falo para dentro. Mas, às vezes, também tento por para fora.

Escrever é mesmo uma das ‘válvulas de escape’.

Ontem desenhei. Rabisquei. Soltei. Depois esquematizei.

Desenhei 2 tatuagens.

Sei que vou fazê-las. Não sei quando.

Sei que vou morrer. Não sei o dia.

Sei que nada sei. E que vim para aprender. Mas ainda não sei bem o quê...

Ás vezes sinto-me como uma adolescente perdida, assistindo uma aula sem saber do que é. Perguntando para o colega ao lado quem é o professor.

Sinto que todos o são. Mestres de coisas que nem sempre eu sou capaz de perceber.

Tento pensar em todas as coisas que eu (acho que) aprendi. Tento lembrar coisas que eu (acho que) esqueci, tento esvaziar a cabeça e o coração de coisas que eu “acho que sei”, e deixar sobrar espaço para caber “as coisas que eu devo aprender”.

E então sussurro junto, grave e marcadamente, como o baixo que nos acompanha e que eu não faço a menor idéia de quem seja... Garret, Gary, Gilmore... Vocês me confundem! Procuro um encarte que eu não acho. Procuro uma palavra que não chega.

Ando aflita. Ontem fiquei muito nervosa. Passei a tarde chuvosa na Delegacia. Sinto que estou abalada até agora. Sinto dúvidas se a polícia é quem deve, ou consegue, nos ajudar “com as lições que a vida traz”. Sinto dúvidas em relação aos rumos e caminhos da humanidade...

Por vezes sinto descrença... Por vezes sinto compaixão, no real sentido de “me colocar no lugar do outro”. Parece pior... Tenho a sensação de que eu jamais agiria como o outro o fez, de que eu jamais faria isso com outro ser humano. Sinto pena. Sinto dó. Mas também sinto uma raiva que eu não deveria sentir... Tento me aprimorar. Tento me acalmar. Tento sublimar os sentimentos do “lado negro da força” em coisas e de formas que eu não sei quais são... Sigo tentando, pequena padawan... Como a adolescente-fora-de-época que não sabe o nome dos professores, que mal consegue controlar seus ímpetos e impulsos, que luta consigo mesma tentando domar as rédeas dos sentimentos.

Então acho que devo meditar mais. Que devo estudar mais. Que devo amar mais.

E então vejo que medito demais, que estudo demais, que amo demais. Deveria é beber menos, fumar menos, falar menos com discos na vitrola, com personagens de livros, com diretores de filmes que assisto... Deveria é sair mais, me divertir mais, compartilhar e socializar mais, sua Jedi-bicho-do-mato!

Aahhhh... A vida! Esse complexo paradoxo. Esse período de tempo tão arbitrário quanto desconexo. Esse turbilhão de relações humanas tão descabidas quanto incompreensíveis.

Quanto mais eu vejo motivos para comemorar, mais eu sou tomada por outros para lamentar...

Quando chega uma alegria de uma ordem, vem outra de outra me dilacerar e mostrar que a vida nem sempre é bela, que o mundo não é só flores e amores (e uma boa música e uma boa cachaça).

Fator “pé no chão”? Fator “realidade”?

Como seu uma voz irrompesse por cima do trompete e berrasse agudamente: “Estava aí achando a vida linda, o mundo belo, feliz da vida, apaixonada por tudo e por todos, resolvida, realizada, centrada, equilibrada, feliz e contente levando sua vidinha? Olha a merda bem á porta ao lado! Está vendo que todo o mal da humanidade também lhe diz respeito? Está vendo que os seres humanos podem ser maus e que sim, fazem coisas absurdas passando por cima até de sua vidinha lindinha, honesta e feliz? Está achando que a moléstia da humanidade também não é sua? Que as atitudes dos outros um dia não vão em choque às suas? Se fudeu! Agora senta, se aquieta, tira seu sorriso do caminho e engole o choro”.

Difícil não parar para pensar. Difícil esquecer e aquietar. Difícil não filosofar muuuuuuuito em cima disso tudo.

Tento trocar tanta indignação pelos meus sentimentos de leveza, amor, plenitude e alegria.

Difícil também... Parece um exercício constante, me puxando e me controlando. Tenho que estar alerta, procurando a minha verdade íntima, sem me deixar abalar nem temer.

Não sei se certa ou errada... Mas sincera, como sempre.
Não sei se ingênua ou otimista ao extremo... Mas honrada, pelo menos comigo mesma

- Prefiro acreditar que se eu fizer a minha parte, já colaboro para o bem maior da humanidade.

- Prefiro achar que se preenchermos o mundo com coisas boas e novas lições para nosso aperfeiçoamento, não vai haver espaço para tanta miséria e mesquinharia, no real sentido da palavra.

- Prefiro seguir feliz, iluminada e cheia de amor, a me deixar levar pelos problemas mundanos e cotidianos, criados por pessoas de má índole, má fé, mau caráter e total falta de amor a si mesmos e todos seus irmãos.

- Prefiro achar que áquele que ontem me roubou há de haver um mestre para lhe ensinar algo nessa vida também. E que a ele possa também ser proporcionado um momento de encontro consigo mesmo, de reflexão e de trabalho interno que lhe ajude a se tornar um ser humano melhor, e em melhores formas de convívio com seus semelhantes.




... nessa casa (ainda) se ouve John Coltrane

pensando alto...

(escrevi na parede do banheiro tempos atrás... passei a limpo e trouxe para cá)



- Mulheres param para pensar. Param para sentir. Questionam. Perguntam coisas para si mesmas. Buscam aprimorar, apurar. Buscam o equilíbrio. Buscam respostas, soluções. Trabalham questões internamente. Fazem terapia. Fazem yoga. Meditam. Oram. Buscam caminhos distintos a seguir. Buscam a transformação, promovem mudanças. Entram no mundo dos sentimentos. Também põem para fora. Extravasam. Escrevem. Anotam. Bordam, pintam, desenham. Conversam, se abrem com as amigas. Falam o que pensam. Falam o que sentem. Falam sobre a vida, as coisas e o mundo. Falam sobre si mesmas, lá de deeeentro... Falam consigo mesmas. Mulheres falam. E ouvem.

- Homens não fazem isso, não?

- Não. Homens ligam a TV no futebol e está tudo bem assim.





... nessa casa se ouve John Coltrane

sábado, 21 de maio de 2011

hora do almoço também é cultura

Hora do almoço, centro da cidade, você acaba dividindo a mesa com desconhecidos.

Ás vezes é algo um tanto rude, invasivo.

Às vezes você acha que pode render algum papo rápido mas interessante, construtivo, simpático...
Às vezes é engraçado...

- Ah, você também não come carne? – limpando o bigode e olhando para o meu prato.

- Não, não como não.

- Eu também não. – estufando o peito cheio de orgulho. – Só frango e peixe.

Eu quietinha ali... Continuo comendo e mastigando calmamente.

O sujeito prossegue...

- Você gosta de peixe também, né? Eu adoro peixe.

- Gosto. Vivo.

Ele dá uma engasgada, meio que bufa, termina de engolir e fala já sem aquele sorriso orgulhoso de comercial de creme dental...

- Aaahhhh.... Já sei. Então você é naturista, né?



O que você responde para a criatura numa hora dessas?!?

Me diz!!!! O que responder para o cidadão?!?

Eu juro, mas eu juro mesmo, que eu tento me controlar.

Eu juro que eu tento me comportar.

Juro que eu tento não ser agressiva frente as besteiras dos outros. Eu juro...

Mas não resisti...

- Isso. Naturista. Eu nado pelada com os peixes.

E continuo comendo calmamente.





... nessa casa se ouve New York Ska Jazz Ensemble

as viagens do alicatinho

Fui viajar semanas atrás, achei esses rabiscos nos papéis que escrevi por aí:


Viagens são momentos instigantes por natureza... Fora as novidades de cada lugar, a quebra da rotina ao sairmos de “nossas zonas de conforto” e afins, sempre acontecem coisas curiosas ou esdrúxulas para colaborar, não é mesmo?

Olha só:

- Ah sim. Tudo certo. O embarque da senhora está confirmado. A senhora tem na bolsa algum objeto de ponta ou perfurante?

- Sim. Tenho. É claro.

E a mocinha de gravatinha me olha com cara de pânico.

E continuo...

- Tenho grampos, tenho chaves, escova de dente... Tanta coisa, né?

E a mocinha de gravatinha e coque ensebadinho com cheiro de laquê me olha com cada vez mais cara de pânico.

- Escova de dente é altamente perfurante, não é não? - Digo já ameaçando abrir a bolsa e começar a tirar tudo que eu tenha ali “de ponta ou perfurante”.

A mocinha ensebadinha, com cara de tacho ao cubo, logo me interrompe:

- Não, não, minha senhora. Não precisa abrir nada, não. Não, não, minha senhora. Grampo de cabelo não é perfurante. – e, literalmente, logo me despacha dali.

Então eu me pergunto...

- Onde é que escova de dente não é objeto perfurante??? Como é que não pode ser considerada uma arma pesada e de alto impacto?!? Essa senhora de gravatinha, com cada fio de cabelinho em seu lugar, nunca teve TPM, não?!? Olha, fofa... Na minha terra, mulheres-de-TPM são capazes de enfrentar o exército persa com muito menos espartanos... Só com uma escovinha de dentes, está sabendo? Grampos? A senhora-perfume-de-laquê não conhece o Macgiver?!? O cara era capaz de explodir uma avião com uma bomba feita de 2 grampinhos e meio chiclete mastigado. E sem estar de TPM, hein... A única diferença entre a mulher-de-TPM e um terrorista é que com o segundo tem negociação. Quais serão então os critérios dessa revista? E que porra são “objetos de corte ou perfurantes”?!?

Peguei essa birra desde que confiscaram meu alicatinho de unhas.

Ora... Lugar de alicatinho de unha é na bolsa da perua. Alicatinho de unha é objeto super inofensivo. Seu único crime é arrancar 1 ou outra pelinha de vez em quando.

Mas certa vez me barraram com aquela cara acusatória de “a senhora é uma criminosa”, “terá seus pertences confiscados”... Levaram-me para um lado, meu alicatinho para outro... E por onde eu passava a sensação era de que todos me olhavam, me evitavam, com cara de “lá vai a maníaca... aquela terrorista que tentou embarcar armada”...

Ninguém mais acha que um dos melhores lugares para se fazer a unha é no avião? Ninguém mais nunca pensou que é uma ótima forma de ocupar o tempinho da viagem, de matar (sem direito a atentados terroristas...) dois coelhos com uma “caixa d´água” só, e ainda chegar ao destino com a mãozinha arrumadinha?

Desde então peguei a maior birra mesmo. Não gosto que confisquem minhas coisinhas. Não gosto de critérios duvidosos. Não gosto dessa herança americano-paranóica.

Desde então a perua aqui faz questão de ter as coisas devidamente explicadinhas... Com um pingo de coerência e juízo crítico bem definido a respeito de regras e normas instituídas e vigentes.

Faço cara de é-óbvio-que-eu-estou-falando-uma-verdade, e vou abrindo a bolsa e sacando toda ordem de coisas perfurantes que saem dessa mente criativa aqui.

Das mil, uma... Ou quem faz o crime é o criminoso. Ou tudo pode ser uma arma, dependendo do sentimento e da ação do sujeito.

Óbvio que não vou defender o porte de arma. Armas foram feitas com o objetivo do ataque, do ferir o outro. Descartadas desde já, qualquer que seja o uso. Por mim, descartadas até de exércitos e das “forças armadas”, por mais contraditório que isso possa parecer.

Sou da paz. Totalmente. Exceto as TPMs... Mas sou capaz de transformar em arma qualquer coisa se assim o quisesse (ou dependendo do calo que pisem...).

Criatividade é um carma...
Mas, por outro lado, sejamos coerentes – o que é que vão fazer? Barrar o uso e transporte de todos os objetos?



Pois bem... Isso foi há umas duas semanas.

Semana passada fui viajar de novo.

Fiz minha malinha super compacta, praticamente uma caixa de sapatos grande. Pesava menos que minhas bolsas... Tentei despachá-la (com o alicatinho dentro!!! E não na bagagem de mão) mas tínhamos tanta tralha tanto material para embarcar que a própria mocinha do check in falou para carregarmos a malinha (já que era tão pequena...) conosco.
Ok.

Dessa vez o papo no raio X foi meio assim:

- Como é que nesta mala na etiqueta está escrito “Evandro”, quem está carregando é “Fernando” e esse diz que a mala é da “Daniela”, e ela é que sabe dizer o que tem dentro?!? Abre tudo.

E me buscaram lá no outro raio X, literalmente com as calças na mão (com o cinto do ex marido apitando e eu sem saber porque), tirando santinho com alfinetes do sutiã, fivelas na boca, e o povo me chamando na outra máquina, onde eu olho e vejo que MINHA MALINHA ESTAVA TODA ABERTA!!!

Ai, meu caneco...

Foi um tal de fecha alfinete com santinho, passa cinto pelos passantes, enfia papel, grampo e documento pelos bolsos, atravessa a fila do raio X e corro até minha malinha arreganhada.

- Cáspita! – e eu acho até que xinguei em voz alta...

- Fernando, como é que você deixa isso acontecer? Você não estava carregando minha malinha?

-

E os meninos com aquela cara de “mandaram abrir a gente abre”.

- Minha baguncinha, minhas roupinhas, minhas calcinhas, tudo ali... Numa esteira de raio X... Que mundo é esse? Quem foi que fez isso, catso?!?

A Dona da Polícia Federal aparece.

- Fui eu, minha senhora. Eu que mandei abrir.

- Ah, perdeu a noção, hein... Minhas coisinhas todas esparramadas nessa esteira? Que que está pegando? Quer o que com minhas roupinhas? Estava tudo dobradinho para caber certinho. Já arrumei uma vez, vou ter que arrumar de novo? Qualé?

- Nesse cantinho aqui, ó... Dentro desta bolsinha. A senhora está embarcando com um alicatinho de unha?

Pasmem!!!!!!!!!!!!!

E então abriram minha bolsinha.... revirando tudo no cantinho da mala.
Ela diz:

- Vou ter que olhar tudo que tem dentro.

- Hein?!? É maquiagem, toilette, coisinhas de banheiro... Coisa mais invasiva, pô!

- Hummmm.... alicatinho de unha...

- Aaahhh.... de novo, não! Já confiscaram meu alicatinho uma vez, eu botei na mala para não ter que passar por isso de novo. Eu tentei despachar essa mala mas como já tínhamos 76 kg de excesso de peso, não deu, não.... Olha aí, tem alicatinho e um esmalte vermelho. Estou levando para fazer a unha lá, olha só o estado das minhas unhas. Não vou chegar lá sem meu alicatinho, não. Prestenção, a mala estava lacrada, vocês que abriram.

Ela pega o alicatinho e eu começo a suar frio...

- Pára com isso, Dona Polícia Federal. Não tem nada mais interessante para vocês confiscarem, não? Não tem bandidos de gravata em um aeroporto internacional? Vai encrencar (de novo!) com o meu alicatinho? Minha senhora... se eu fosse terrorista ou se eu estivesse de TPM e se eu quisesse mesmo, eu atacava um avião com as próprias unhas, estando elas feitas e pintadinhas de vermelho ou não... Faça-me o favor! Neguinho faz bandalha por aí como quer e eu vou ficar sem minhas coisinhas. Fecha minha mala, por favor.

- Olha moça, a senhora leva o alicatinho, mas vou ter que ficar com isso aqui.

- A espátula?!? Essa é para eu empurrar a cutícula, assim ó.... – e vou gesticulando para ver se eles entendem melhor. - Como é que vou fazer a unha sem empurrar a pelinha? Vou levar o alicatinho e a espátula não? Você não faz a unha, moça? Precisa do kit completo. Não dá para empurrar com tampinha de caneta bic. Que onda....

- Pronto. Vou ficar.

- Não acredito... Está comigo há mais de 20 anos. Minha irmã que me deu. É uma espátula cheia de valor afetivo, além de ser útil e funcional, faça-me o favor...

- Ô moça... Não posso, não. A senhora está levando o alicatinho... A espátula tem que ficar.

- Guarda para mim? Na volta eu pego. Em uma semana eu volto, desembarco nesse mesmo aeroporto, passo por aqui e pego com você.



Não deu...

Não “podem ficar com nada que seja dos passageiros”.

Para guardar, com carinho, atenção e bom senso, né.
Para jogar fora, podem...
E então acho que minha espátula querida foi para o lixo... Ou talvez incinerada com toneladas de sei lá o quê que apreendam por aí...

Ai, ai... Mundo besta, sô!




... nessa casa se ouve Bob Marley

sábado, 2 de abril de 2011

Papo de mulherzinha

Depois de 5 anos, quase 6... um tempinho assim:

Ou assim:

Resolvi ficar assim:



... nessa casa se ouve Sonic Youth

domingo, 20 de março de 2011

F.A.Q.

Pois é, gente boa...
Às vezes acho que eu sou tímida, contida, estabanada tentando ser discreta...
Descobri que meus amigos e chegados são muito mais!
Não se manifestam, não se expõem, vêm visitar esta casinha e não deixam um comentzinho sequer para alegrar a magrela aqui!

Mas depois aparecem e me pegam no susto, falam sobre coisas que viram por aqui e ficam esperando respostas imediatas e sensatas...

Hummmm..... Vou então responder aqui mesmo.


Nova seção da casa: F.A.Q.

Seu blog é bem legal, mas por que falar tanto de você mesma?
Zé das Couves, São Paulo, SP

R.: Porque eu quero. Porque fiz um blog da minha vidinha, das minhas coisinhas.
Falo muito de mim talvez.... Mas creio que falo também da minha forma de ver e viver no mundo, minhas impressões, minhas relações com este, minhas opiniões.
Se eu quisesse faria um blog para falar de assuntos outros quaisquer; cinema, música, arte contemporanea, filosofia de boteco, sei lá.... Mas este aqui “é meu”. Meu universo íntimo e pessoal mesmo.
Não falo dos outros, mas também não coloco ningúem em situação delicada ou constrangedora além de mim mesma, ok? Não faço um blog sobre outros assuntos porque não quero... se eu quisesse poderia até fazer um “leões da fabulosa forever”, ou “não sabe brincar não desce p/ o play”, mas não estou a fim, não... E se eu quiser falar sobre qualquer assunto, sob meu ponto de vista, o faço aqui mesmo também.
Seu blog se chama “in loca” e isso fortalece sua imagem de louca! Já pensou em contratar um especialista em marketing pessoal e aprender a se colocar no e para o mundo com uma imagem pessoal melhor e mais respeitável?
Darth Vader, Tatooine

R.: Não, não pensei. Não, não quero, obrigada.
O blog se chama inloca porque é um “trocadalho do carilho”, é o feminino de in loco, no meu vocabulário farto e fértil, no latim arcaico com tendências feministas.
Não estou aqui para “construir uma imagem pessoal mais respeitável”. Estou, de forma espontânea e sincera, falando o que eu quero, do jeito que eu acho, soltando palavras pelo ar como se estivesse pensando em voz alta, de forma livre e descompromissada mesmo.
A vida nem sempre é séria, mas deve ser sincera. Sou assim mesmo e ponto.
Quer falar sério? Liga e marca uma reunião.
Mas você é brasileira!!! Não gosta mesmo de samba???
Muchacha, Pedro Juan Cabalero, PY

R.: Cara... gosto e não gosto, entende? Até gosto de samba, mas é um samba que não toca muito por aí, não... Cartola, Pixinguinha, Ary Barroso, gosto de chorinho, gosto de “sambinha paulista”. Acho que gosto de “samba old school”...
Essa coisa aí que te empurram goela abaixo não é “samba” não... É um saco! Acho terrível, não gosto, não... Irrita e dá no saco!
Até mesmo em “samba enredo” tem coisas que eu acho realmente muito boas! Mas são poucas, são raras, são bem antigas... Então, no geral, já que chamam tudo de samba, caí nessa generalização também... E acabou ficando o estigma “de não gosto de samba”. Podemos fechar assim: não é o que eu mais gosto, não desgosto de todo, mas, já que se generalizou, digo então que não gosto.
Já que você gosta tanto assim do seu mixer, por que você não o faz de vibrador, pega e enfia *&¨%¨%#@*&¨# ?
(Tá.... para manter a linha, não vou dar nome aos bois.... Mas veio de alguém da finesse que é minha família)

R.: Por um momento cheguei a pensar nisso, mas desisti dessa idéia... Achei violento demais.

Os nomes dos leitores foram alterados para garantir a privacidade e o anonimato dos remetentes.

...nessa casa se ouve Thelonious Monk

terça-feira, 8 de março de 2011

Carnaval parte II * o desfile

Cumprindo a meta de, toda semana, “fazer algo que eu nunca tenha feito”, desta vez eu me superei!!! Bati recordes, extrapolei a cota. Missão cumprida ao extremo... Essa vale por 1 mês:

- Desfilei numa escola de samba!!!!
Sim, é isso mesmo que você ouviu.

- Desfilei numa escola de samba.
Convite meio de última hora, turma animada, experiência ainda inédita, resolvi ir...
Na verdade eu já havia dado o ar da minha graça pela passarela do samba. Mas a serviço, né. Então não vale.
Dessa vez fui à paisana. Fui de foliona.

Aquele esquema tipo “ala para gringo”, roupas de penas e penas e mais penas, vaccum forming na cabeça, sapatos ridículos, ombreiras de arame (com penas e penas e mais penas) daquelas que não deixam os braços levantarem e vão esbarrando e atropelando em tudo que há pelo caminho, cerveja escondidinha na concentração, enredo e nome de fantasia que deixaria qualquer roteirista de Lost boquiaberto de inveja com tanta criatividade e poder de abstração, essas coisas...
- Nossa, devia estar linda!
- É... Pode-se dizer que sim. Lindeza é algo tão relativo, né...
- Penas, plumas, vaccum forming na cabeça, sapatos ridículos, puro glamour embaixo de chuva á meia noite na Central do Brasil. Não estava linda, não, musa do verão?
- Pra maritaca eu estava linda, sim. Algo entre pavão-misterioso e arranjo-de-mesa-da-festa-anual-do-clube-dos-servidores-gays-de-qualquer-lugar. E agasalhada, porém molhada, muito molhada... E isso não é lá muito glamouroso, não... Mas como resolvi ser foliona uma vez na vida, vá lá... Lá fui eu. Meia noite na Central do Brasil, toda a chuva do mundo por duas horas ininterruptamente sobre minha cabecinha empenada, fantasia que parecia um pijaminha, com mil penas em cima, todo o suingue e a ginga da mulher brasileira, e “então tá então”.
Saí cedo de casa.

E como sou prevenida, gata escaldada, diria (e também não agüento mais não ter o que comer por aí, ou melhor, ter que contentar em comer amendoim por total falta de opção), levei um lanchinho vegano mínimo, numa sacolinha emergencial, para não passar perrengue...
Aquela voz-da-vó que assopra dentro da orelhinha, sabe como é?

– Leva um casaquinho.
- Guarda-chuva?
Pois bem, dessa vez ela falou algo assim:

- Em algum momento você vai ter fome. Vai ter que ficar horas no curralzinho na concentração. Aposto que só vai ter churrasquinho, calabresa na chapa, na melhor das hipóteses, em alguma barraquinha com melhor infra, só vai encontrar cachorro quente ou “caldinho de feijão com muito bacon”. Você não é boba, leva seu lanchinho!
Foi o que eu fiz.
Ok... Mas admito... Na minha fértil cabecinha, eu ainda tinha esperanças de um dia encontrar uma barraquinha no pé do balança-mas-não-cai, daquelas cobertas com lona azul, mas com uma confortável poltrona com banquinho para os pés e vista panorâmica para o terreirão do samba (???).

Neste pedaço do shangrilá da praça XI, haveria um risoto vegetariano, integral e quentinho, temperadinho com hortelã e um farto fio de bom azeite português, uma tortinha de palmito, saladinha bem lavada, cerveja guinness geladíssima...

Tudo tão simples, tão facinho de produzir, por que raios ficam lá fritando lingüiça e servindo itaipava quente?

Ai, ai... Melhor levar de casa mesmo.
Então lá fui eu, quatro sanduichinhos, umas azeitonas para “levantar a pressão” e acompanhar a cervejinha, 3 barras de granola, água pode deixar para comprar na hora que vem em embalagem lacrada com CNPJ do responsável.
Mas foi chuva na cabeça por duas horas de curralzinho de concentração e não consegui nem abrir a sacolinha. E não é que chegou a hora do desfile e lá estou eu com o maior contrabando de pãezinhos e azeitonas na mão! Ai, voz da vó...
Nessa hora a foliona faz o quê?
Faz igual à morena de Angola que leva o chocalho amarrado na canela.
Escondi tudo direitinho por dentro da calça, amarradinho na perna, e lá fui eu passarela do samba adentro... Cheia de glamour, de “catigoria”, jogando os cabelos ensopados para trás e os peitos encharcados para cima, com um farnelzinho cheio de azeitonas dentro da calça sambando por 1 hora!
- Nossa! Que discrição. Que elegância. Sagaz e perspicaz, hein.... A Harmonia nem percebeu?
- Querido-ô! A Harmonia nem percebeu que eu cantaria euforicamente qualquer samba que eu lembrasse na hora.
- Ué... Você não sabia o samba da escola?
- Veja bem... Eu já sabia o nome da escola e também sabia o nome da minha fantasia. Eu sabia o nome de quase todos dos amigos que estavam junto, e eu sabia até o meu nome! Ainda ia ter que saber cantar o samba???
- Lógico! É a evolução. É o tempero e a animação da Ala. É a obra prima dos compositores, o cerne do enredo.
- Samba enredo não tem disso, não, fofo! Em cinco minutos de concentração e você já consegue decorar o refrão. O resto da música aposto, mas aposto meeeeesmo, que é só conseguir ritmar “babaô, babaô, amooor, sou alegria e fantasia” e qualquer outra palavra que rime com estas, que você canta o samba da escola. De qualquer escola. De todas as escolas. Fechou?
- Fechou.
Fechadíssimo.

Foi exatamente isso!

E eu ainda cantei, cantei, e canteeeeei. Bati no peito na hora de cantar “amoooor”. Bracinhos para cima (ou quase... ou como deu... dentro da armadura de penas...) na hora do “é fantasia, é alegria”. Sambinha no pé na hora do “alô, calo-ôr, babaô, eu vô, eu tô, eu sô, animô, suingô, suingô”.
Impecável!
Simples assim. E fica a dica: “alô, calo-ôr, babaô, eu vô, eu tô, eu sô, animô, suingô, o ovo do vovô”  funciona para samba enredo, carnaval do Rio de Janeiro. Se for em Salvador é para rimar com “ê”, entendeu? Tipo... “badauê, lerê-lerê, olhaê, xerê, ximbalaê, quê o quê”
Não existem mais aquelas rimas consistentes e equilibradas de antigamente.... “pega ela aí pra passar batom cor de violeta na boca e na porta do céu” ou “tá ficando apertadinho, por favor, abre a rodinha, por favor”. Não existe.... É “alô, amoô-or, calo-ôr, babaô” e “badauê, auê, ximbalaê”. Sacou?

Enfim... Desfilei. Sobrevivi. Passo bem.
Cheguei bem em casa.
Bem molhada, bem despedaçada, mas bem.
A fantasia ficou pelo corredor do prédio... Já entrei em casa só vestindo um saquinho de pão com azeitonas... Banho quentinho, meinha de lã, chazinho de camomila.
Ufa!
Não acredita?
Olha aí, ó...

E para esclarecer desde já. Sim, sou eu mesma (pensou que fosse Angelina Jolie disfarçada, né...). Sim, eu me comportei direitinho. Repare... não estou com fones de ouvido, não levei um sonzinho escondidinho, não era rock. Era o tal do “babaô, babaô, amooor, sou alegria e fantasia” “babaô, babaô, amooor, sou alegria e fantasia”.
E sim, eu sobrevivi. Continuo rabugenta mas feliz e sorrindo.


... nessa casa se ouve REM

CARNAVAL * parte I

É que às vezes eu perco a paciência com o Carnaval.

Quer dizer, perco a paciência com muitas coisas, mas quando chega o Carnaval, todas as coisas são Carnaval, e então esse é o lado bom, pois acabo perdendo a paciência só com 1 coisa.

Não sei se é porque eu não entendo bem o que acontece... Não sei se é porque é tudo muito chato mesmo.

Acho as músicas maçantes, repetitivas, cansativas, não acho dançáveis.

Também acho as músicas racistas e preconceituosas, machistas, violentas... assusto-me em ver pessoas vibrando, rindo, cantando e dançando músicas e coisas tão bestas.

Ok, não vou generalizar... Não são todas as pessoas, não são todas as músicas. Mas diria que 90% me assustam... E muito!

E também tenho “restrições tarja preta” com samba.

E olha que sou muito boa sujeita... Talvez ruim da cabeça ou doente do pé. Mas muito boa sujeita.

Só que não gosto tanto de samba assim, não... Há restrições, há restrições.

E há também o fator overdose... É muito samba por aí, cara... Satura. Enjoa. Empapuça.

Por que é que não existe Roda de Rock?

Não é óbvio e fantástico? Alguém me explique, por favor... Por que é que não existe Roda de Rock?

Pô... Bateria à beça, um monte de gente empolgada reunida, por que é que não aparece um baixo, uma guitarra, e fazem Rodas de Rock?

Juro que eu não entendo...

Mas vou tentando me acostumar a viver nesse mundo.

E quando chega o Carnaval esse mundo parece mesmo muito doido.

Sempre imagino se um extraterrestre chegasse á Terra pela primeira vez, primeiro contato, primeira impressão, e viesse parar bem no Rio de Janeiro, no meio do Carnaval.

Carái.... Sentiu o drama?
E é como me sinto toda vez.

Não entendo nada... Acho tudo bizarrooooo!

De repente aparece uma turma de homens peludos e barrigudos usando fralda com uma chupeta no meio da fuça... As pessoas têm antenas chinesas horrorosas e que piscam. Você vai à padaria de manhã e dá de cara com a Minnie vomitando agarrada a um poste, um pirata e um smurf babando e dormindo na sarjeta, é surreal...

E todo mundo se lambe, se esfrega e se enrosca como se isso fosse natural e saudável. E todo mundo sai por aí gritando “ei você aí me dá um dinheiro aí”, “será que ele é, será que ele é”, “mas como a cor não pega, mulata”.

Ai... Juro que eu não entendo. Perco a paciência. Acho isso um saco.

Pô... Maior desperdício... Uma festa pagã era para ser muito mais nobre! Olha, creio que na minha época de celtas e druidas, as festas eram muito mais animadas, com rituais sob a lua, união dos povos, sem fome nem dor, com sexo de qualidade e suquinhos de maçã. Digo mais.... Acho que na minha época de Grécia antiga, Baco, as bacantes, os bacanais, as vinhas e os vinhos, eram todos muito mais sensatos e equilibrados que um bando de bobo suado com chupeta e antena falando “alalaô”.

Que aconteceu???

Foi a própria Igreja que contribui para essa total ruína da humanidade???

Ora... Veja você. O mundo é cheio de voltas, hein... E, tão insano quanto, da mesma forma ninguém mais associa a permissão e a permissividade dessa “festa de despedida carnal” ao período da quaresma, de, supostamente, introspecção, devoção, oração e jejuns... Aahhhh, feiticeiro... Veja só onde foi parar o feitiço.

Pois bem... Mas como na minha Igreja não há chantagens nem concessões, não há condicionamentos nem condições, e como, na minha Igreja, eu sou devota da Nossa Sra. do Bom Senso, da Nossa Sra. do Amor Próprio, do Nosso Sr. Ser Supremo e do real amor entre todos seus filhos, faço meu Carnaval do meu jeito, muito obrigada. Faço meus períodos de devoção do meu jeito, muito obrigada. Faço minhas festinhas, pagãs, sãs ou insanas do meu jeito, muito obrigada.

Pois é, turma do funil... Depois eu é que bebo e vocês que “fica tonto”...

Bom.. Tenho tentado “me disfarçar” ou parecer um ser humano convencional, e também tenho tentado ser um pouco mais sociável e me sentir mais pertencente a este planeta, por isso resolvi que vou sair às ruas fantasiada também. Nem que seja um lencinho na cabeça e um bigodinho de portuguesa... Um chapeuzinho vermelho ou um narizinho de palhaço. Quem sabe assim eu não me sinto “normal” quando for à feira ou á padaria...

Aahhhh... E para constar, Sr. Extraterrestre: quer entender tudo?

Vi essa esses dias, achei fantástico.

Samba enredo com coerência, consistência, com visão lúcida, clara e compreensível dos fatos.
GRÊMIO RECREATIVO DA CASA DO CARALHO

Puta que pariu
Começou o carnaval no Brasil
Vai tomar no cu
É barulheira de norte a sul
Segue o link: http://www.youtube.com/watch?v=CxDLPl5fNaM


Aahhhh... E para constar de novo, Sr. Extraterrestre: quer entender mais ainda?

Aqui nesse mundo doido, Carnaval é uma bandalha, mas também tem as suas regras... Uma delas é que, nesse momento de extravasar e liberar suas reais vontades, os homens se vestem de mulher e as mulheres se vestem “de nada”. Pode reparar....

É esquisito, mas é isso mesmo...

E outra... E sabe-se lá de onde veio essa insanidade, esse auge da bandalha-mór, é o hábito das mulheres usarem coleiras com o nome de seus donos...

Afff...

Mas já que aderi às fantasias, aderi a este também...


Para deixar bem claro quem é que manda aqui.
Para deixar claro e explícito, principalmente para as pessoas que eu mais amo,
que o nariz (de palhaço ou não) é meu!
E que, por mais que alguém pertença e participe da minha vida,
a dona da coleira sou eu, ok?


... nessa casa se ouve Pink Floyd