segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Uma de mamãe


Mamãe é uma jovem senhora, cheia de novidades, atualidades e contemporaneidades.
Vez ou outra, ela fala umas gírias novas no pedaço. Vez em sempre, ela fala uns palavrões (tão cabeludos que até eu me choco!).
Mas o vocabulário novo de mamãe tem aumentado o repertório... Não só o vocabulário, mas a “vivência e experiência da vida em si”, né?
E esse nosso mundo atual anda tão corridinho, que as gerações mais “antigas” têm um gap grande aí para pularem e para se manterem na mesma freqüência...
Papai e mamãe são assim... Suam frio para conseguirem apertar o play de um vídeo cassete. Na verdade, se atropelam com a vitrola, que é mecânica... Brigam com o microondas, porque tem relógio digital (e que nunca marca a hora atual de nosso fuso horário). Brigam com o computador que eles, apesar de terem feito um curso rápido e introdutório, ainda não sabem bem para que serve, e por aí vai... Ao mesmo tempo também, são super ligados ou interessados em “coisas novas” que eles também não sabem bem para que servem, mas sabem que existem.
Papai certa vez, “segurou a linha” de uma ligação para mim no celular por quase 3 horas!!!!
Eu aqui ouvindo tudo que acontecia do lado de lá. Papai com uma chamada em andamento no bolso. Eu sem conseguir ligar para avisá-lo em desligar o celular. Ele sem nem saber que estava com um interurbano ativo no bolso há hooooras. Ai, ai...
Certa vez com mamãe aqui em casa, ela diz:
- Ihhh, meu celular apitando. Aahhhh... seu pai. Uma mensagem! – e fala toda bonitinha, didática e explicando o que acontecia - Ele descobriu como faz para mandar mensagens....
            - E aí, mãe? Que que manda? O que ele diz? Quer saber se a senhora chegou bem, se fez boa viagem?
            Ela bota os óculos, leva dez minutos para apertar 2 botõezinhos, e vai lendo devagarzinho:
            - Está escrito aqui... “Te amo para todo o sempre”.
- Hein?
E ela lê uma três vezes, para checar se tinha mesmo visto tudo:
 – Te-ê amo-ô pa-ra tôôô-do sem-pre. Te amo para todo sempre, acabou, foi isso que ele disse.
Não é muito fofo? Esses meus dois velhos não são o maior barato?
           
Bom, mas mamãe, em seu farto vocabulário contemporâneo, aprimorou e desenvolveu algumas coisas muito próprias...
- Ihhh... Preciso botar para energizar.
- É o que, mãe?
- Está fraquinho... Precisa energizar. – toda cuidadosa, com o celular na mão como se segurasse um passarinho baby que tivesse acabado de cair do ninho, sabe como é?
-Energizar, mãe?!?
Meu irmão interrompe:
- É. Acho que ela vai botar o celular embaixo de uma pirâmide de cristal, sacou?
- Aaaahhh... vai botar para carregar, é isso?
E mamãe:
- Isso! Vou energizar o celular. Precisa botar para energizar quando está fraquinho. Tem um fiozinho para ligar na tomada que é para energizar o celular, Daniela. Quando ele está fraquinho, acho que é porque está sem pilha, tem um fiozinho novo (que eu não faço a menor idéia de onde esteja) – e ela vai ficando empolgada e eufórica com “as atualidades” – então, tem um fiozinho novo que você liga na tomada para energizar e ele ressuscita.
(e então acho que deve ter vindo daí a inspiração para criarem um tamagochi...)
- ?

Pois bem, a última de mamãe da última vez que estive por lá.
Família reunida, momentos especiais, muitas coisas no mundo, e tem sempre alguém com uma câmera fazendo alguma foto.
Já no fim de noite, papinhos na cozinha, meu irmão saca a máquina e bate umas fotos da gente com mamãe.
Ela, por sua vez, (quando vê que está sendo fotografada) já nem espera direito acabar o clique.
- Deixa eu ver! Deixa eu ver!
E vai virando e puxando a máquina, e espiando de ladinho, bota os óculos - Deixa eu ver. Deixa eu ver!!!
E pensar que esperávamos acabar o filme... 12, 24 ou 36 fotos. Economizadas, curtidas, por vezes vários “assuntos”, temáticas e locais diferentes no mesmo filme até este acabar. Até um dia (em que se lembrasse) de levar para revelar... Até outro dia (em que se lembrasse) de ir buscar as fotos. Até aquele dia (ontem aêê), que víamos as fotos uma a uma, arrumávamos num “albinho”, fotos nos saquinhos...
Mamãe em menos de 3 segundos pós o clique:
- Deixa eu ver! Deixa eu ver! – parece um moleque de 5 anos na vez da fila do doce em dia de Cosme e Damião... – Deixa eu ver! Deixa e-u-v-e-e-e-r (....) Iiiiihhhh, Otávio! Degenera, degenera!
E sai meio andando em círculos, e olha bravíssima para a gente, e vai falando sério:
- Degenera! De-ge-ne-ra!
Eu com meus botões pensando em que raio de gíria é essa e o que catso será que quer dizer, que nunca ouvi na vida... Degenera? Mas de onde mamãe tirou isso? Será gíria nova da molecada que ela aprendeu com as crianças? Será que ela está achando assim tão ruim, que a foto está corrompida ou avariada, e essa tal gíria nova quer dizer isso? Ou então será que é para a gente estragar algo?
- De-ge-ne-ra! – e vai puxando a máquina da mão do meu irmão, e vai engrossando a voz, e vai ficando realmente brava, começa a reclamar, se lamentar, se torna o ser mais incompreendido deste planeta, e pipipi-popopó...
Eu intervenho:
- Mas que foi, mãe???? Taí toda brava, fazendo mal criação, puta-da-vida (do nada) com a gente, xingando aos 4 ventos, com esse papo de “degenera, degenera”, qual que é?!?
- Que seu irmão só faz foto feia comigo, que quando eu acho que não estou bem na foto não quero que a foto exista por aí, que ele tira fotos feias minhas e depois vai mostrar pros outros, que eu quero fazer outra, que eu sei que dá para apagar esta, estou falando que é para degenerar. Que é para jogar na lixeirinha e tirar outra bem bonita. Vai, Otávio... degenera isso!
- Aaahhhhh. DELETA? É isso, mãe? DELETAR?
- Isso, deleta... Deleta, degenera, tudo a mesma merda. O que vale é apagar a foto.

E não é que faz todo sentido?

Bom... eu não sei quando é que “deletar” entrou nos dicionários da Língua Portuguesa. Mas sei que entrou... Neologismos da era digital, né? Sei quando entrou no meu vocabulário recente. Sei que no meu dicionário (e que é o mesmo desde sempre, comprei novinho, feliz da vida, edição de 1985..), não há “deletar”.
No meu vocabulário mais distante, instintivo e profundo há “deleitar” (muito melhor e mais interessante...). E sei também que no mundo-novo-de-mamãe é “tudo a mesma merda”, o importante é ser compreendido, independente da palavra “que vocês inventam agora aí para complicar”.
E não é?




... nessa casa se ouve Sam Trapchak's Put Together Funny

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Um beijo e um queijo


           Outro dia terminei um papinho com um amigo e me despedi com:
 - Um beijo. E um queijo.

Havíamos conversado, muito brevemente até, sobre comida (e o maravilhoso pecado da gula); suas feituras e gostosuras, especialidades e frugalidades e outras filosofadas rápidas e imediatas.
Pois bem:
- Um beijo. E um queijo.
E o doce rapaz pergunta:
- E qual a especialidade?
Eu juro que ia responder sincera e espontaneamente... Mas em 10 segundos ou menos “pensei rápido, fofa”, e respondi de acordo com as boas normas de conduta, com as morais e os bons costumes, e com o meu pingo de sobriedade, vergonha (na cara) e diplomacia (e também de acordo com outros papinhos que já havíamos citado):
- Especialidade? Fresquinho e gostoso.

Lembrando...
- Um beijo. E um queijo.
- E qual a especialidade?
- Fresquinho e gostoso.

Óbvio (!!!!!!) que eu falara do queijo!
Mas é óbvio que eu falara do queijo, não?
Está na cara que eu estava falando do queijo!!!

E o que é que o rapaz fala?!?
- Você é saidinha.

Então eu (berrei) com os meus botões: - Saidinha?!? Eu mereço?!?
Por partes:
1.     Se eu fosse saidinha, eu teria dito (e não apenas pensado): - Especialidade? Atrás da orelha.
2.       Se eu tivesse lhe respondido isso, aí sim eu estaria falando do beijo.
3.      Se eu fosse saidinha, eu já teria dito outras coisas... já teria falado outras coisas... talvez até feito outras coisas.

Acho que nada disso eu falei (...), mas devo ter dito algo do tipo:
- Não sou saidinha. EU, pelo menos, não acho. Acho que sou muito contida, sou tímida, sou discreta. Senão, você não faz nem idéia do que eu já teria lhe falado...

Acho também que eu parei o papo por aí...
Enrubesci... (um pouco de nervoso, um pouco de vergonha).
Calei.
Acho sim que eu (podia estar) estava falando do queijo.


... nessa casa se ouve Popa Chubby

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

papo rápido e imediato

Acabei de passar por uma cena e um diálogo incrível...
Da série “coisas que só acontecem com a Dani”, ou da “tem coisas que só a Dani consegue fazer” (como diria meu, queridíssimo, amigo Renato)...
Do nada, mas do nada mesmo, o mendigo salta na nossa frente, chega pulando e gritando, com uma cara de maluco e uma mão para trás.
A minha amiga pula e grita junto. Se agarra ao telefone, fala algum palavrão pro cara.
Eu?
Eu, lógico, dei uma risadinha e olhei inconformada para aquela performance toda dos dois...
Ele se desculpa com ela (meio bravo até...), diz que não era para ela ter se assustado. Que só queria ‘uns real’ e coisa e tal.
Ela se queixa, diz que estava falando ao telefone, que ele nos abordando dessa forma assusta sim, que não tem dinheiro nenhum para dar, e vai quase empurrando o cara dali......
Ele olha para mim...
- Olha aí... você nem se assustou!
- Eu? Eu estou quieta aqui...
- Você não se assustou comigo? Você não tem medo de mim?
- Não. Claro que não. Por que teria? Deveria ter? – essas da série “filosofia pura, gratuita e automática de Dani”...

Aí o papo realmente engrenou...
Ele continua...
- Aliás, sua sobrancelha é linda! Está muito bem feita! – sim, ele disse isso mesmo (?). E eu que tinha acabado de pensar com meus botões que eu sou um pára-raio de maluco quase oficial... Em outro contexto e com outros motivos... Mas eu estava realmente pensando nisso, nessa capacidade nata de atrair ‘pessoas complexas’ com uma facilidade ímpar... Mas enfim... o rapaz segue:
- Mas você não se assustou comigo... Você nem teve medo de mim...
- Mermão, se você soubesse o que eu estava aqui quietinha pensando... Tem coisas que me assustam muito mais! Eu lá vou me assustar com você?!?
- Você não teve medo...
- Não, não tenho. Aliás, eu estou em processos árduos de tentar substituir tudo que seja “medo” pelo que seja “amor”, sacou?
- Eu não ia roubar vocês, eu só quero pedir 4 reais... - (?!?) -  Sua amiga se assustou, ficou com medo de mim... – e então ele veio com aquele papo de “não sou ladrão, não quero lhes roubar, está faltando 4 reais para inteirar sei lá o quê”, mas martelou nesta tecla – Você não tem medo de mim?
Eu, com as moedinhas contadas para o ônibus na mão, comecei a contá-las e separá-las. Então aviso:
- Querido, olha só... Tenho pouco, tá contadinho mesmo, mas posso dividir com você, tá. Vai fazer bom uso? – e sigo separando os trocos, e respondendo à cara de indignação e dúvida do rapaz – Não tenho medo de você. Eu lá sou mulher de ter medo de mendigo? (e aí quem ficou brava fui eu...). – ainda prossigo – É mais fácil eu ter medo de políticos, daquele povo de terno e gravata que está bem ali – apontando para a câmara de vereadores - de advogados e de banqueiros (ou até dos reptilianos...), do que de você.... Medo de você? Quer mesmo saber? No fundo, no fundo, somos todos irmãos! Não te vejo como uma afronta, te vejo como um irmão. Num contexto esquisito... desconexo nesse nosso Mundo Cão S. A., mas um irmão... Que veio falar comigo por algum motivo. Não, não tenho medo de você. Você não me assusta. Não quero ter medos em mais nada nessa vida!!! Não vou ter medo de você.
            Minha amiga voltou ao papo do celular. O mendigo já me olhando ternamente...
- Você não precisa ter medo de mim mesmo. Eu estava ali deitado com a turma. Está faltando “4 real” para a gente, mas você não teve medo de mim... Você olha para mim, você diz que é todo mundo irmão...
- E não é? O que me assusta é quem se esquece disso... Você veio me fazer algum mal? Veio “em missão de paz”? Que você quer? Bater papo ou só “4 real”? Para que “4 real”? Vai fazer o que com isso? Pode ser que eu lhe dê, pode ser que não. Quer o que de mim? Está aí brincando de dar susto nas mocinhas ou quer mesmo saber por que acho que somos mesmo todos irmãos ou por que os banqueiros e o FMI  me assustam mais do que você?
- Você é do bem, gata! Já vi isso... E tem a sobrancelha linda. E tem axé. - ??? -
- Você também é do bem. Não pode é se desvirtuar disso... Entendeu? Somos todos irmãos sim. Mas esse mundo doido e as nossas questões históricas, culturais e pessoais ás vezes favorecem a deixar que a gente se perca... Não perde isso não, cara! Seja do bem, faça o bem. Você não precisa ficar mendingando 4 real pelo resto da vida, assustando minha amiga ou me alugando... Tem mais é que achar o seu caminho e ser feliz. Estamos todos no mesmo barco... Cada um do seu jeito, dentro das suas possibilidades, procurando seus caminhos...
            E eu ali sem entender muito bem o papo, tentando encurtá-lo... Talvez tentando voltar aos meus pensamentos... quietinha... às minhas coisinhas que me dão, essas sim,  tanto, e real, medo... aos meus sentimentos e sensações, às “minhas coisinhas” e pequenas-grandes-filosofadas-de-dani, às coisas recentes que têm me inquietado, enfim...
            Peguei-me surpresa e surpreendida pelo mendigo...
          Fiquei pensando “nos porquês” da vida em colocar pessoas á nossa frente... Em trazer esses encontros, todos....
Lembrei também rapidamente que nas duas últimas vezes em que fui assaltada, os caras não só não levaram nada, como foram embora desejando “tudo de bom, dona”, (???) “fica com deus, aí” (???) e coisas do tipo... inclusive, em uma delas, eram dois caras maiores que eu, e armados, e lembro bem deles indo embora, cabecinha baixa, rabinho no meio das pernas e olhando para trás para ver se eu ainda estava ali os vigiando...
Isso tudo acho que rende “postagens á parte”, deixa para outra hora...
Por hoje, este fez questão de dar dois beijinhos para se despedir. Saiu sorrindo, dizendo que eu “sou do axé” (?!?)
Por hoje, a reflexão imediata é sobre essas conexões-desconexas com que a vida nos presenteia...
O que nos trazem? O que nos dizem? Por que será que acontecem?
E o grande desafio de tentar vê-las realmente como “presentes”... Como uma lição, um agrado, um aprendizado...
            Maratona para uma vida...



... nessa casa se ouve Pink Floyd

sexta-feira, 8 de julho de 2011

muito esquisto...

Fiz as contas aqui...
Considerando que estamos em um ciclo de vida neste planeta que dura e se renova a cada 26.000 anos. Com uma expectativa de vida beeeem média de 50 anos, dentre eras distantes e outras mais recentes com taxas mais altas, dariam 520 encarnações.
Levemos em conta que elas não sejam seqüenciais, seguidinhas.... Não é uma depois da outra, né? Tipo: morreu aqui, encarna ali. Vou arredondar bem: diminuo pela metade = 260. Já seria algo como “uma vida aqui na terra”, “uma outra temporada em alguma outra dimensão” (seja lá para que...).
Ainda estou achando muito....
Pela metade de novo: 130.
Arredondando para menos = 100.
Ponto.
100 vidas neste planeta. 100 encarnações distintas.

Como é que eu não me lembro de nenhuma????????????????????????



... nessa casa se ouve Stone Temple Pilots

segunda-feira, 4 de julho de 2011


Andei revirando arquivos por aqui, tentando organizar as coisas para fazer backup.
Nessas... um monte de textos soltos pelo computador, coisas que eu nunca havia publicado, mal lembrava que tivesse escrito.
Uma coisa puxa a outra... fui vasculhar papeizinhos soltos, bilhetes para mim mesma, blocos, cadernos e gavetas.
Achei mais outro tanto.
Joguei tudo aqui.
Lidinha rápida, sem grandes revisões ou filtros.
Algumas coisas parecem atuais. Outras nem tanto, mas em algum momento escrevi assim.

Divirtam-se!


... nessa casa se ouve Duke Peacock Blues

domingo, 3 de julho de 2011

O trânsito do Rio de Janeiro

 também em papeizinhos perdidos espalhados por aí...
março de 2011


O trânsito no Rio de Janeiro é simples:

Quem vai à esquerda, é claro, vai virar à direita.
Quem vai à direita, óbvio, vai entrar á esquerda.
Bicicletas sempre na contramão, atazanando a vida dos pedestres.
Todo mundo buzina ao mesmo tempo.
Mas carros buzinam e xingam.
Ônibus buzina e acelera.
Táxi buzina e se joga em cima dos outros.
Van buzina e berra com metade do corpo para fora da janela.
Semáforo, sinal, sinaleira, farol, não importa o nome que se dê são apenas "luzinhas decorativas penduradas por aí". Não têm função específica, ninguém sabe para que serve mesmo.
Calçada é um lugar para estacionar os carros.
Meio da rua e faixa de pedestres também.
Se você perguntar para qualquer motorista "o senhor sabe o que é cruzamento?", ele deve responder ser o nome de algum funk... "Não fechar o cruzamento" deve ser o refrão...
Ninguém se entende e todos são grosseiros.
Mas é assim que funciona...
Como eu sou pedestre, ando sempre com um apito. Quando o bicho pega, boto ordem na casa.
Simples assim.



... nessa casa se ouve Dave Brubeck

E-MAIL DA NOSSA SENHORA

também do túnel do tempo...
março de 2011


Vez ou outra recebo uns emails muito doidos!!!
Coisas tipo: “correntes que não podem ser quebradas” (...), repasse para X pessoas, mande em X horas e veja o que acontece....
Sabe como é?
Já viu um desses? Você também recebe isso?

Então me pego pensando no coitado do santo envolvido em tal aventura...
Será que sua atribuição divina e celestial é ficar conferindo emails e correntes enviados por aí?
Será que ele sabe disso?

Na boa... Acho que Nossa Senhora ou qualquer outro envolvido nessas estórias, tem mais o que fazer...

Consegue imaginar? Nossa Senhora conferindo... Sentadinha em seu trono, olhando as estatísticas por cima das lentes dos óculos, e fazendo a distribuição de milagres cercada de querubins (peladinhos e tocando harpa):
- Veja... Fulana repassou o email para as 30 pessoas, conforme descrito, mas não foi em 30 minutos.
E os anjinhos (nerds...) apresentando argumentos e contextos possíveis:
- Fim do horário de verão, diferença de fuso horário, minha mãe. Dê um crédito...

Ou então as anjinhas ajudando:
- Nossa Senhora, Nossa Senhora! Estamos fazendo o download dos dados aqui e descobrimos uma fraude. O sistema cruzou dados e acusou uma irregularidade. Descobrimos que os endereços fulana de tal@qualquer coisa e beltrana de tal@ qualquer coisa pertencem a mesma pessoa!!! Ou seja, refazendo os cálculos e as contas, Fulana de tal não mandou a mensagem para 20 pessoas, e sim para 19. Ela mesma era uma das destinatárias. E ela é reincidente, já fez isso em 2 situações.
- Ok. Anotado. Fulana tentou fraudar a corrente, não será abençoada com a graça tal.

Sentiu o drama?
Você acha mesmo que tem santo fazendo isso?

            Acho mais provável o capeta ser “dono da internet” do que santo ficar distribuindo bênçãos em função de email enviados...
Acho mais provável que Deus não seja um ser sentado em seu trono no paraíso, julgando e penalizando a humanidade nem pelos maus atos praticados por nós! Quanto mais pelo fato de que eu tenha ou não mandado um email, com uma ilustraçãozinha cafona, para 20 pessoas ‘que eu amo’, em menos de 20 minutos.

Na boa de novo...

Pessoas que eu amo: - Por eu amar tanto a todos é que não faço disso não, ta!

Seres divinos e entidades de luz e amor supremo: - Por eu acreditar que meus bens praticados são bem mais sutis e mais nobres que ficar repassando correntes, reivindico minhas benções, milagres e outras graças, melhoramentos, perdões e remissões de outra forma!!! Sem ter que ser repassando mensagens, ok?

            Vamos manter a linha e o respeito?
Pelos santos e entidades divinas e também pela minha caixa de email.
 

... nessa casa se ouve U2

PROCURA-SE UM AMIGO COLORIDO

Andaram também por aqui até alguns textos tentando explicar
para os que perguntam tanto por que raios eu estou sozinha...
(às vezes explico até para mim mesma),
Não é nenhum destes que vem para cá no momento, mas em compensação...

 em 05.nov.11


Cheguei a uma conclusão recente....
Após ouvir tanto este dialogo aí...

- Por que você não procura um companheiro?
- Porque não quero procurar. Se eu encontrar, muito que bem. Mas procurar não é comigo, não... Ou seja, não procuro ou não estou procurando, mas se encontrar, pode ser!
Simples assim.

Então me peguei pensando nos “e ses” da vida...
E se eu tivesse uma companhia, como ela poderia ser.
E se eu encontrasse alguém que coubesse à situação, como é que seria.
E se eu resolvesse procurar (...), como é que se faz...

Caminho mais prático, vou fazer um anúncio:

PROCURA-SE AMIGO COLORIDO
Favor entrar em contato...............
Agendar entrevista................
Para atuar na área de..............
Marcar entrevista após meio dia no telefone............
Horário de trabalho: a combinar

Não sei se é para publicar no Catho, se é para colar em orelhão, se é para espalhar pelos outdoors da cidade, ou para cartões postais nas paredes dos barzinhos.

Na dúvida, variei nas versões...

Por favor, leiam com calma, atenção e carinho.
(e em voz alta, que fica mais divertido)
           

ANÚNCIO BÁSICO:
(estagiários, trainees, profissionais iniciantes e medianos)
Recrutamos pessoas para fazer parte do quadro de colaboradores. Os interessados deverão entrar em contato por telefone ou email ou enviar curriculum com dados completos.
Mesmo sem experiência. Damos curso de formação e treinamento. Contratação imediata. Não precisa comprovação em carteira.
Experiência em manutenção geral, que saiba lidar com público (mas não muito...), saiba ler e escrever, desejável experiência em fino trato com as mulheres e boas noções em rotinas femininas!!!!! Contrato por temporada, podendo ser renovado. Disponibilidade para viagens, que possa dormir no local (mas só de vez em quando...), que possa fazer serviços eventuais de manutenção da casa e/ ou ir ao mercado.


ANÚNCIO INTERMEDIÁRIO:
(para os mais experientes, atenciosos, cuidadosos... “amigo colorido junior ou pleno”, ok?)

Regime de contratação: a combinar - CLT / Efetivo, Prestador de serviços (PF ou PJ) ou Autônomo;
Horário: Comercial (flexível), com intervalo para repouso e alimentação.
Informações adicionais: Disponibilidade para início imediato. Oferecemos: registro em carteira, comissões e premiações, e um ótimo e colorido ambiente de trabalho. Vaga para trabalhar no Rio de Janeiro.
Benefícios: assistência médica e / ou massagem relaxante de vez em quando, celular fornecido pela casa, combustível, estacionamento, participação nos lucros, tíquete-alimentação para os “almoços de domingo” e jantares ocasionais no meio da semana.
Nível hierárquico: Gerência
Competências e habilidades: ótima comunicação, utilização de ferramentas da qualidade e de gestão doméstica, afetiva e sexual. Raciocínio lógico e matemático, bom português e capacidade de se expressar corretamente por escrito. Habilidade para falar em público e conduzir reuniões entre o casal. Clareza de raciocínio. Liderança bem desenvolvida e capacidade de relacionamento. Pró-ativo e motivado. Habilidade para manter foco na solução, quando diante de problemas. Ser dinâmico, hands on, bom negociador, capacidade de liderança (mas não muita... facilita apenas para o ‘fator surpresa’ e criatividade na hora de sugerir programação para a casa, ok?), comprometimento e adaptação ao trabalho com poucos recursos e pouca infraestrutura.
Descrição da vaga: Recepcionar a patroa, organizar o ambiente da recepção, atender e direcionar ligações telefônicas, fornecendo e obtendo informações, quando solicitado! Dar suporte à gerência nas atividades de apoio administrativo e no desenvolvimento e acompanhamento de metas e indicadores. Controlar e melhorar os resultados da casa. Responsável por gerar novos negócios, novos passeios, viagens e programações a dois. Atuar com a liderança de equipes e controle de suas atividades. Conhecimento em técnicas de atendimento, receptivo e contraceptivo.
Atuar com budget e forecast anual, emissão de relatórios diários e avaliação dos resultados, responsável pela produtividade da equipe, entre outros. Não precisa fazer reporting internacional em 3 idiomas para a matriz, não precisa atuar com todas as rotinas administrativas nem planejamento estratégico, basta garantir o controle da qualidade nas atividades da patroa. Zelar pelo patrimônio e bom funcionamento da casa.
Irá atender a patroa presencialmente, preencher ordem de serviço, talvez encaminhar produtos à assistência técnica e sempre ajudar com componentes eletrônicos ou coisas que tenham mais que 2 botões.... Cuidar da resolução de dúvidas, encaminhamento de reclamações, etc. Ser responsável pelo controle de qualidade de toda produção local, fazendo visitas periódicas e inspecionando a produção.


ANÚNCIO COMPLETO:
(é o top de linha... “amigo colorido sênior”)

Importante: Atender aos requisitos dos anúncios anteriores!!!

Benefícios: todos os anteriores, e mais direito a banho de banheira, cafuné, e a tomar sol e whisky na varanda.
Nível hierárquico: Diretoria
Competências e habilidades: Experiência com todas as já atividades citadas. Necessário domínio de planejamento estratégico, especial e apurada capacidade de elaborar ‘programas surpresa’, fartos conhecimentos em coisas interessantes para se fazer, e estar de acordo com as tendências do mercado local. Noções de arte, música, cinema, linguagens contemporâneas, lugares novos e diferentes, e área correlatas. Ter trabalhado com a geração de novos negócios. Conhecimento de todas as rotinas de Danizinha, principalmente tendo amor e paciência na compreensão de seus horários de trabalho por vezes caóticos, total entendimento sobre o turbilhão de seus humores mensalmente, saber, conhecer, entender e acatar que “por que você não me ligou?” são palavras expressamente proibidas e vetadas para o bom desempenho de todas as atividades da queridinha aqui.
Boa desenvoltura e garra para vencer desafios, completam o perfil deste profissional. Exigimos: dinamismo e vontade de ser feliz!!! Motivados por desafios e focados em resultados comuns, facilidade de comunicação e fácil relacionamento, que tenham elevada capacidade de negociação e desejável habilidade de persuasão. Imprescindível ter bons argumentos e amplo conhecimento de assuntos diversos para conversar. Ter iniciativa, boa vontade e bom relacionamento em dupla. Tocar ao menos 1 instrumento (e que não seja violada do tipo ‘chá com pão, chá com pão’).
Conhecimentos avançados (mas não muito....) sobre o universo feminino, suas agruras e ternuras, suas manias e alegrias.

Descrição da vaga: Atuar com coordenação do desenvolvimento de empreendimentos pessoais ou conjuntos, desde os estudos de viabilidade até seus respectivos lançamentos. Interface com os demais segmentos da casa: viabilidade, projetos legal e executivo, orçamento, suprimentos, marketing, relacionamento com obras, invenções, criações e novidades, saber gerenciar e administrar, em nível pessoal e coletivo, as vontades, os anseios e expectativas, sentimentos e sensações, disponibilidades e disposições. Atuar em todo o ciclo da incorporação; elaboração de todas as análises de viabilidade econômico-financeira para novos investimentos, realizando as revisões e correções necessárias. Selecionar novas unidades de atuação com foco no negócio. Prospectar novas oportunidades, passeios e programas divertidos para fazer.
Realizar visitas periódicas à patroa a fim de sanar eventuais problemas. Participar no desenvolvimento de novos projetos, elaborar relatório periódico sobre os índices de qualidade atingidos por cada setor problemas de campo detectados, manter a patroa informada sobre os fatos ocorridos e previsíveis relacionados às áreas sob sua responsabilidade e atuar como representante da direção, quando solicitado para tal.
Atuar com desenvolvimento, criação e finalização de projetos e de momentos especiais seguindo linha sofisticada ou ‘simples e de bom gosto’. Produzir relatórios de análise para dar suporte ao departamento de novos negócios. Identificar entraves que venham a prejudicar a aprovação de projetos junto aos órgãos administrativos desta casa. Atuar com trâmites relacionados a crises, variações de humor, cansaço, stress e/ ou TPM. Consultar processos em andamento para acompanhamento da situação da aprovação. Administrar, supervisionar, coordenar, controlar e instruir procedimento administrativos, técnicos e operacionais junto ao departamento de garantia da qualidade. Conduzir rentabilidade de serviços. Fomentar pesquisa e desenvolvimento de tendências de mercado consumidor. Prospectar tendências tecnológicas e de serviços. Instituir metodologia de trabalho.
Fazer cumprir a política comercial, funcional, espacial e sexual da casa.
Definir metas.
Gerir todo o pós-venda, inclusive com avaliadores de qualidade. Avaliar nível de satisfação da equipe. Primar pelos melhores resultados sempre! Gerir a qualidade dos serviços. Definir e acompanhar planos de ação. Avaliar resultados, a partir de levantamento de dados para qualidade, preenchimento das planilhas dos indicadores, organizar e promover reuniões e festinhas, com pleno acompanhamento dos procedimentos, quando necessário. Planejar e organizar as operações da casa, a fim de atingir os melhores objetivos comuns. Experiência no segmento do ramo e boa capacidade na eventual administração de recursos escassos (ONGs, associações de classe, ou encarar um filme com pipoca e cerveja simplezinho em casa no fim do mês, caso as contas possam estar apertadas...).
Deverá estar preparado para trabalhar sob pressão, ter comprometimento com prazos, horários, entregas e resultados, ter uma postura crítica e construtiva, e principalmente saber trabalhar em dupla!

Ufa!

OBSERVAÇÕES GERAIS
(valem para todas os requisitos e vagas disponíveis)

Aceitamos fumantes, pode beber no ambiente de trabalho, ser vegetariano será considerado um diferencial, mas não é pré requisito.

Necessária boa aparência (ainda que, para mim, essa seja controversa, por vezes duvidosa ou incompreensível).

            Sem compromisso emocional nem financeiro.

Que respeite, conheça e honre a boa Língua Portuguesa, no sentido ortográfico e gramatical. Mas que também respeite, conheça e honre a boa língua da portuguesa. ;)

Faixa etária: entre 20 a 60 anos, preferencialmente. Mas se estiver bem no meio do caminho, melhor.

Que entenda bem as mulheres (mas não muito...). Mas que esteja disposto a fazê-lo, ainda que não muito... Que se disponha a aprender já está de bom tamanho.

Que seja maduro e equilibrado o suficiente para entender que “hoje não vai dar”, “vou sair com uma amiga” e “quero ficar sozinha”, decidida e definitivamente, não significamnão gosto de você” ou “não quero nunca mais te ver”.

Que saiba que “amigo” é “amigo”. E ponto. E que envolvimento sexual é outra coisa... E que entenda contextos relacionados, e não me encha o saco quando eu disser “vou sair com um amigo”. E ponto. Que não crie problemas com isso.
E que não crie problemas onde estes não existem.

Que tenha auto estima devidamente estruturada e senso de compreensão apurado para entender que realmente eu tendo a priorizar meu trabalho automática e instintivamente. Que meus horários de trabalho são incertos e / ou insanos. Mas que é preciso mesmo alguém que suporte isso.

Que tenha bom humor!!! Que saiba encarar a vida com leveza e bom humor!

Que tenha paciência, bom humor e senso de humor, sem ser patético.

Que seja cordial, atencioso, amoroso e carinhoso, sem ser chato, grudento ou piegas.

Não precisa ser religioso, mas deve ser espiritualizado.

E que, por favor (!!!), se arrumar uma namorada, se tiver outra “amiga colorida” ou resolver casar com a outra, me avise, me informe, seja digno! Tenha hombridade suficiente para saber conversar sobre isso.

Que goste de conversar (mas não sempre...). e que goste de conversar sobre assuntos variados, e também diferenciados... que não só trabalho e futebol, mas que, vez ou outra, possamos conversar também sobre filosofia, arte contemporânea, sobre utilidades e futilidades, ficção científica, teorias conspiratórias, sobre política e administração pública, sobre a diferença que o baixo faz em uma música, desenho animado e história em quadrinhos, e outros assuntos quaisquer.

          Que seja uma boa alma, um bom ser humano, um bom coração.

Que seja uma pessoa boa e decente.

Pode fazer xixi sentado, e que saiba que isso não fere a masculinidade de ninguém!!!

Que seja um homem-feminino, mas “macho-pra-caralho”.

Que não “me julgue”. Não “me taxe”, não tire conclusões precipitadas com base em sua ‘referência de mercado’ porque, com total e absoluta certeza, eu sou diferente... Não me enquadro aos padrões convencionais dessa sociedade esquisita...

Que não “me critique” gratuitamente... E que, quando fizer alguma crítica, por favor, traga junto uma proposta de melhora...

Que não tenha medo de baratas, aliás... que seja bom pacas em pegá-las. Ou melhor, que seja um verdadeiro exterminador de baratas. Enfim... que não tenha medo de baratas...

Que não tenha medo da vida e do mundo, que não tenha medo de mim! ;)

Que admita que “não sabemos da vida”, e que estamos aqui para aprender. Que tenha humildade para reconhecer isto e não achar que a vida, o mundo e as pessoas são objetos manipuláveis.
Que ao admitir “não saber da vida”, e nem o que é que dela pode acontecer, se disponha a tentar descobrir!!! Através de seus processos pessoais, ás vezes facilitados em um processo conjunto, belê?


... nessa casa se ouve Sonny Clark