segunda-feira, 14 de junho de 2010

como eu acho que sou o que sou

em 15 de abril de 2010.


Outro dia peguei-me pensando em como eu era e como eu achava que seria.... Quer dizer, como eu acho que eu era, como hoje eu me vejo em tempos passados, pensando e lembrando... o quê e como eu sentia, imaginava as coisas, o mundo e a mim mesma. Ficar se auto-analisando, observando, esses exercícios cotidianos? Sabe essas coisas?

Pois bem, nesse dia eu estava lembrando de uma Dani novinha imaginando como seria uma Dani grandinha.... Nooooossa! Mil coisas!

Num balanço geral acho que sou bem parecida com o que eu achava de mim mesma... Algumas coisas (vejo que) são hoje beeeem diferentes. Mas, no saldo geral, acho que era assim mesmo que eu ia ficar... uma magrela alta, espevitada, fazendo 1.000 coisas que eu gostaria de fazer....

A-hannn....

Sim, sim.

E é certo que existem milhares de fatores que vão moldando nossos caminhos, rumos, escolhas, nesse processozinho doido chamado “essa vida”. Coisas que imaginamos, coisas que sabemos que vão acontecer, outras que sequer podíamos imaginar, as que nos pegam pelo meio do caminho, e por aí vai...

Algumas “idealizações” (ou vontades) do imaginário ambicionado se perderam por aí em algum lugar...

Talvez não por falta de vontade, mas simplesmente porque a vida vai (sendo e) acontecendo e as coisas não caminharam nesse sentido.

Quer ver só?

Por exemplo, por vezes eu imaginava momentos em que eu estivesse em uma simpática casa no campo, colhendo morangos e fazendo geléias mexendo um tacho no fogão à lenha. Vendo filhos e cachorros, meia dúzia de cada, correndo pelo gramado. E quando a noite chegasse, a vida seria “acústica”, com costuras de mão, luzinhas coloridas de lampião, talvez um piano ou violão. Cheiro de pão quentinho vindo do forno de barro, roupas de retalhos e casaquinhos coloridos de tricô, gosto de vinho gelado à temperatura ambiente, pois apesar do céu azul e do sol brilhante, seria um lugar onde fizesse friozinho.

Noooossa!

Tá vendo?

E dentre tantas coisas tão distantes, nem o tricô eu aprendi a fazer... (Tá bom... Sei fazer a casa, o forno e fogão. Sei usar os três. Mas não sei fazer tricô até hoje... Ah, também sei beber o vinho!)

Simplesmente a vida segue, e as coisas não se encaminharam para isso. Creio hoje ser o “ideal idealizado” mais distante possível da vida vivida (não o aprender a fazer tricô... o contexto todo, eu digo). Acho que ainda me vejo assim, de alguma forma, em algum momento, mas não como “realidade possível”, e sim como tão distante que não mais se atinge.

E se eu parar pra pensar mais um tiquinho acho que consigo desenterrar 200 mil idéias, vontades ou projetos de vida que já passaram por aqui.

Quer ver outra estória engraçada?

Uma amiga certa vez me dizia “que sempre se imaginava uma mulher separada”, e que “não consegui se imaginar casada, mas que se imaginava separada” (???). E eu dizia algo do tipo “se você não se imaginar casada, não terá como ser separada”.... Mais esquisito ainda, não?

E então eu que me separei, e acho que ela está casada até hoje.


E ainda outra?

Certa vez, já um bom tempo atrás, uma figura que eu mal conhecia, mas uma companhia animada desses papos bons de boteco, falava e me perguntara: “Eu hoje sou igualzinho ao que eu achava que seria. Já pensou nisso? Você certamente deve ser assim também.... Sabe quando você era criança e imaginava como você seria? Pode reparar, você deve ser igualzinha ao que você achava que seria....”

Faz uns 12 anos e eu mal parei para pensar... O máximo que fiz na hora, e só por alguns segundos, foi pensar assim: “Será?”. Mas aí acho que seriam tantas coisas profundas para se analisar e avaliar com isso, que deixei para algum outro momento, para algum momento meu. Acho que guardei isso para agora...

Hoje acho que o tempo (aaahhhh, o tempo.... sempre ele) é que o determinante nessas escolhas e definições. Por quanto tempo uma idéia ou vontade permanece inquietando, permanece instigando?

Porque, pelo menos por aqui, tem 1 milhão de coisas que já passaram pela cabeça em algum momento. Mas só por 5 minutinhos....

Critério 2: Então qual é o grau de envolvimento com a vontade? São as idéias e vontades que passam pela cabeça X as que passam pelo coração. Hummm.... complexo, não?

Acho que listei mais umas duas ou três coisas de imediato por aqui que podem ser consideradas “outros fatores determinantes” nessa nossa árvore da vida com 1 milhão de galhos e ramificações, mas só 1 tronco que a sustenta.

Alguma outra sugestão?



É, é. Essa é do Klimt. E o nome?



... nessa casa se ouve Isaac Hayes

sobre as leis da atração (ou porque eu acho o dourado uma graça)

em 04 de abril de 2010.


Sim, sim, esse mesmo aí do big brother.

Não, não assisto ao big brother, mas descobri que assisto ao Dourado.

Sempre achei o big brother um saco, uma porcaria, perda de tempo ao extremo, entretenimento fútil. Nunca havia assistido e sempre reclamara a respeito. Mesmo até com fortes campanhas de gente bacana e amiga que assistia e dizia ser divertido e fonte de profunda reflexão bio-psico-social. Não assistia e ponto.

Eis que um dia, aaanos atrás, zapeando e fugindo de leilão de tapete, dei de cara com a figura.

- Minha nossa!!!! Que é isso? – chamei até o marido para ver.

- Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça! Número do meu sapato, e dos 2 pés, e combinando com qualquer roupinha! – E então pensei com, os sempre presentes, meus botões... se Ali Kamel fosse mais esperto, botava o cara para apresentar o jornal nacional só para me falar ‘boa noite’ todos os dias às 20h em ponto.

Não precisei ver o que ele fazia, o que ele falava, nada disso importou, fez diferença ou peso na balança. Achei uma coooisa e ponto.

Passei a parar com o controle quando a peça estava lá.

Até o marido já tinha se acostumado à estranheza de eu estar vendo big brother. Era só para ver o cidadão e eu era feliz assim.

Até que um dia paro eu por ali, e o guapo rapaz estava lá lambendo uma loirinha muito da sem graça para lá e para cá, nem me consultou antes, não me avisou, fez eu perder meu tempo, uma coisa horrorosa... para piorar ela era a cara da minha prima (com a diferença que minha prima não é sem graça, não, tá!), mas me senti duplamente traída, chamei o cara de babaca umas 3 x, mudei de canal, nunca mais vi o que aconteceu.

E não é que a figura reapareceu?

Nem eu acreditei. Acho que ouviram minhas preces à Nossa Senhora do Voyeurismo.

Voltei a assisti-lo. Na maioria das vezes, sem volume mesmo. Só a TV lá ligada, só para ver a figura. Confesso que mal parei para ouvi-lo, mas soube que o rapaz era polêmico. Hummmm... Adoro uma polêmica quando é enriquecedora e construtiva, mas não sei mesmo se era o caso. A trilha de casa era outra e estava bom assim. E o dito cujo é uma cooooisa, só para olhar mesmo, e estava bom assim.

Parei para pensar um tantinho... Tentando descobrir ou identificar em mim mesma o que é que me agrada em uma pessoa. Retrocedendo um tanto a fita e parando para olhar para trás (para os lados e para a frente?) e ver o que me agrada, pelo menos, externamente, em alguém. Hummm, lá vem mais outra tese de doutorado...

Engraçado falar isso... é “papo calcinha” total, daqueles que mulheres falam somente entre elas. Pois, por mais esquisito que possa parecer, quando falam abertamente ainda são taxadas de nomes e títulos. Como se mulher (ainda) não pudesse admitir e declarar que tem desejos, atração, tesão, etc.

Mas como eu sou aparentemente bem resolvida (comigo, pelo menos, eu sou), dona das próprias opiniões e nem um pouco influenciável pelas impressões dos outros, falo mesmo o que acho, penso e sinto. Pois, por mais esquisito que pareça, atingem, cutucam e afetam a mim, em primeira (e mais importante) instância.

Enfim, faz parte também do grande (e quase eterno...) exercício - paro para pensar e sentir como as coisas agem em mim. Faço sempre isso com praticamente tudo na vida e no mundo... O quê e em quê me tocam, o que me despertam, me dizem, me influenciam, me agradam ou desagradam e por aí vaaaaai..... que a lista de “pequenas-grandes-perguntas-filosóficas-de-dani” é mesmo extensa....

Pois bem, no processo do controle remoto na mão, andando a fita de mim mesma para frente e para trás (Ui.... Devo estar ficando velha!!! É fita rebobinada, e não full HD!!!!), vou vendo, de um jeito ou de outro, consciente ou inconscientemente, quais as coisas que eu sempre busquei ou encontrei. Coisas que eu atraí (?) ou me atraíram de alguma forma, ainda que eu não tivesse percebido no momento.

Parei para tentar ver isso agora e perceber ou fazer essas associações.

Se eu pudesse hoje construir uma figura ideal (pelo menos por fora...) para desfrutar do bel prazer de me fazer companhia por algum momento (ainda que eu mudasse de idéia logo depois...), como será que seria??? Vamos lá... Faz de conta que o gênio da lâmpada (que não faz meu tipo mesmo... um bigodinho cafona, calça que parece uma fralda...) saísse da panela encardidinha enquanto eu a lavo...

- E aí Danizinha? Qual é a boa? Quer dizer, qual é o bom? Estou aqui com o poder de materializar um boneco inflável gatinho para você! Diga aí, como é que vai ser? Meia calabresa meia baiacu?

- Uia! Taí. Gostei. Mas não sei nem por onde começar...

- Fácil, vamos lá... Só por fora. Pura atração física. Não estou aqui para fazer um homem que não reclame, que não se acomode, que não dê mais bola para o joelho do meia-esquerda do que para o que as mulheres tanto sentem e filosofam; nem que não dê mais dinheiro para um aparelho eletrônico do que para as contas atrasadas, que não ache que a vida é assim e acabou e não há nada a fazer para que a mudemos. É só por fora, falou? Facinho, facinho. Diga aí o que te agrada, não precisa parar para pensar muito não.

- Humm... Ó, acho que eu tenho alguns símbolos sexuais ou imagens que me agradam... Na categoria símbolos sexuais pode incluir o Supla (de boca fechada, por favor), o Angeli e o Salsicha, amigo do Scooby. Nas imagens que me agradam gosto do Johnny Deep quando está descabelado vestido de pirata. Mas acho que eu gosto de nerds... Então pode misturar tudo e todos, deixar descabelado e com a barba por fazer, transformar em um nerd e está bom.

- Vixe Maria! Isso não vai dar certo, não!!!! Sorry, wrong answer.

- Ahh... E pode ter a voz do Iggy Pop, assim... sussurrandinho, falando no meu ouvidinho... Pode ser?

- Eita, Dani!!! Está complicando.... Só por fora, só por fora. E veja se consegue combinar um pouco mais as coisas, tá!

- Só por fora? ....... Então diga para ele que aqui nesse planeta é proibido, terminantemente proibido, um crime, uma heresia, diga que é a Lei: Pro-i-bi-do usar cuecas vermelhas. E também não pode usar perfume de jeito nenhum, pelamordedeus! Fechou?

- Pô Dani, tá foda... É só por fora e você conseguiu complicar. De novo, de novo... Começa do zero. Esquece esse monte de referências desconexas e começa do zero. Vamos lá! Você é capaz!

- Ah, tá! Quer moleza? Vou pegar leve então, “prestenção” ! Pega uma figura linda, indiscutivelmente linda! Assim... tipo David de Michelangelo, ou... inventa aí uma versão feminina de Afrodite.

- Tá.

- Agora dá uma distorcida... Como se estivesse fazendo uma escultura, sabe? Puxa um pouquinho daqui, amassa um pouquinho dali. Vamos para os elementos desconexos. Algo de desproporcional... Talvez geométrico, certa desconstrução russa, certa abstração de Picasso.

- Hummm?

- E então!!!! É esse o quê de desconstrução! Saiu do padrão! Dá uma puxada aqui e outra ali e deixa algo de esquisito na figura... Um olho achatado ou esbugalhado, um nariz saliente, um queixo protuberante, uma orelha maior que a outra, sobrancelha falha, um braço comprido, perna fina ou torta, essas coisas, sacou?

- Hein?

- Tá..... Agora precisa ter vida! Vida vivida. Ter alguma história, alguma mácula, alguma cicatriz, sabe?

- Ó céus.... Cadê a panela?

- Uia... Tá quase! Falta pouco.... Dá para dar uma estonada? Assim... como se enfiasse para bater na máquina, com umas pedras, umas cores diferentes para dar uma manchada, deixar mais surradinho, sabe como é?

- Não, não sei não. Como assim?

- É... para dar uma detonada mesmo, calça jeans quando fica mais velhinha e é mais gostosa, deixar mais com cara de tubarão do que de golfinho.

- Aaahhhh....

- Pronto. Viu como fez todo o sentido do mundo?


Aí eu entendi comigo mesma o quê e porque me agrada no Dourado. E mais... também descobri que é mesmo só para olhar. É puro voyeurismo que não chega nem a platonismo. E até porque eu não devo ser mesmo mulher para o cara... Não tenho bundão, não sei fazer carão, não sei descer até o chão.

Nessas, descobri também que minhas amigas e amigos ficam todos horrorizados quando eu falo que acho o cara uma graça!

Impressionante isso!!!

Só uma compartilha de tamanho bom gosto comigo!

Ela é meio esquisita, mas é do bem. E, ao que parece, tem esse gosto refinado e apurado no quesito masculino assim como eu. E não! Isso não vai dar briga nunca, não. É mais fácil a gente dividir alguém do que brigar por causa disso.

E sim! Nós mulheres, mesmo as esquisitas, falamos o que achamos, ainda que nem todos saibam. A diferença é que tem gente que fala abertamente, autenticamente, sem medos e crises de ser tachada ou estigmatizada com isso.

Aliás, por que é mesmo que as mulheres pleitearam tanto por direitos de igualdade?

Para poderem falar o que pensam? Ou para virarem objetos que rebolam na boquinha da garrafa do big brother?

Objeto por objeto prefiro eu admirar os meus...


gentilmente copiado e colado de KiraSaintClair



... nessa casa se ouve John Coltrane

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

carnaval em casa

Quase três dias que estou costurando... é carnaval lá fora e aqui parece estar beeeem melhor. Banheiro é limpinho, comidinha é boa, a bebida e o cigarro também... Só toca música boa, graças a Deus, e eu assim “catô”.

Dessa vez estou me superando... desandei a costurar tudo que vejo pela frente!!!

Penny Lane, fiel escudeira, amiga, comparsa e companheira (e agora tatuada), está segurando a onda bonito!

Por nós já passaram panos, trapos, papéis, plásticos, desenhos, textos, fitas, borrachas e tudo mais que eu vou achando pela frente...


Têm saído umas coisas meio diferentes, que eu ainda não sei bem o que fazer com elas...



Acho que ainda estão “em processo”...
que ainda vou meter a mão e fazer algo mais para e em cada qual.
Também fiz umas almofadinhas para os bancos novos.



Aproveitamento de espaço total em Tóquio!!! Os banquinhos são baús, para guardar coisinhas (pacas...) dentro. Queria almofadas que abrissem o sorriso do zíper por 3 lados, para poder guardar umas coisinhas (pacas...) dentro. Nunca tinha feito isso não, e sou meio mais ou menos em modelagem... Sofri de véspera que nem peru... morrendo de medo de fazer merda (...). E não é que deu certo!

Fico super feliz quando consigo fazer algo que eu nunca fiz na vida e dá tudo certo!!!! (Quem sabe um dia eu ainda não acerte a mão com o baixo...).


Aproveitei também para dar uma casa nova a uma peça de argila, cheia de sentimentos e significados afetivos, que andava “ocupando espaço” para lá e para cá...



Papo vai, papo vem, e a trilha do Carnaval tem sido toda temática... Um dia, só (boas) baterias. No outro, só músicas para cantar, e eis que... um dia só de sons do Reino Unido... Putz! Faltou dia...

É impressionante como tem coisa boa! E não acaba nunca...

Tem quantas pessoas por lá? Uns 50/ 60 milhões? Se juntar a turma toda, de todas as nações agregadas em torno do reino ,equivale a quê em extensão territorial? Um estado do Brasil?

E putz! É sonzeira que não acaba mais... E olha que o Brasil é riquíssimo musicalmente... E deve ter umas 3X mais gente.

Acho que eu nunca tinha parado para pensar nisso, ou ver o mundo sob esse ângulo... Acho que o máximo que eu havia teorizado que se aproxima de tal, é o fato de que eu acho que eu fui punk em Londres nos anos 70. Porém, devo então ter morrido e reencarnado quase imediatamente, e meu processo de adaptação atual tem sido meio confuso... Passei 30 anos ouvindo The Clash e chorando compulsivamente, sem nunca ter entendido bem porque... Superada essa fase há alguns anos, eu agora não consigo ficar muito tempo sem ouvi-los. Já não choro mais por isso (o que é um alívio, pois beirava mesmo o ridículo...).

Tenho também uma outra teoria um tanto quanto mais próxima (e essa dá uma tese de doutorado!) que é a seguinte: eu realmente acho que a grande questão da humanidade, o grande dilema filosófico que nos assola, nos instiga e nos e acompanha desde toda existência humana, permeando todas as análises, investigações, reflexões e questionamentos sobre o homem, sobre o mundo e sobre o ser; questionando e examinado idéias, conceitos e juízos sobre as relações sobre nossas próprias realidades e sobre todas as relações humanas, sobre todos os fenômenos naturais e os fatores humanos, se resume a uma única questão: “should I stay or should I go”.

Já parou para pensar nisso?

Grande parte da Filosofia se resume a essa maravilha da simplicidade!

Não tenho grandes conclusões a respeito (ainda.... e ainda bem), mas já misturei de Kant a Aristóteles nessa jam session metafísica, já transformei o “não ser” ao “não ir”, já examinei crenças e deveres, já argumentei causas e essências, e me motivo cada vez mais a buscar entender e compreender a realidade em toda sua inteireza através dessa simples questão. Simples assim....

Vou encurtar o papo por aqui, deixar para falar mais outra hora porque sei que reeeende....

Beijo, me liga!




... nessa casa se ouve a trilha sonora de Ray

pó de café e um disco do pixies

Então o vejo ali sentado – ao mesmo tempo concentrado, ao mesmo tempo tão disperso. Aquele olhar que ia longe... meio olhando para o teto, meio olhando para a paisagem . Um olhar que parecia voar, mas também parecia ser fixo, focado. Ele se vira para pegar um cigarro, vê que eu estou ali quietinha o fitando.

- Oi. Você está aí?

- Vim falar com você... estava tão quietinho. Nem interrompi. Fiquei só olhando mesmo. Está aí quietinho, pensando o quê?

- Dani, olha só... se você só pudesse ouvir um único som qual seria?

- Hein? Sei lá.... um único som? Se eu não pudesse ouvir mais nada, só um único som?

- É, é. -- ele, eufórico, diz rápido.

- O som da minha respiração, eu acho... Espero. – respondo rápido, e então paro para pensar melhor na questão.

- Não. Não... algo como se você fosse para uma ilha deserta e isolada e só pudesse levar um disco para ouvir para o resto da vida. Qual seria?

- Nossa!!! Como assim?

- É, é... ou um disco, ou um artista, uma banda... mas algo que seja o único som que você vai ouvir para sempre.

- Nossa de novo!!! Não sei, não sei.... Pode ser ao vivo? Posso levar uma banda comigo?

- Não! Presta atenção! – ele, empolgado, vai falando rápido e instigado. Perguntando com euforia, envolvido com essa questão filosófica profunda. Ele estava ali refletindo e meditando por toda aquela manhã, e então partilhava parte do processo comigo num misto de inquietação e excitação, meio que dividindo a crise, eu acho... E continua:

- Diz aí. A primeira coisa que lhe vem à cabeça.

Eu já estava ali meio acuada com esse processo inquisitório... Tentando pensar rápido e baixo, tentando não falar algo que me fizesse mudar de idéia em poucos segundos...

- Hummm.... talvez algo mais instrumental. Algum som não muito definido. Livre. Abstrato, surrealista e psicodélico. Algum disco de dub... um baixo e bateria bem marcados... Ou uma big band, com uma boa cozinha e uns sopros. Ai, ai... Não sei... Sei não... E se eu mudar de idéia? E se eu enjoar?

- E aí? Diz aí...

- Não sei, cara... Deixa eu pensar um pouco. Você está aí a manhã inteira pensando nisso, já chegou a uma conclusão?

- Mais ou menos... Ainda não sei...

- Então me deixa pensar 2 minutinhos... Quando é que eu vou para lá? Não dá tempo para escolher um pouquinho? Como é que ouve isso lá? Tem vitrola, toca-discos ou CD player? Faz frio ou faz calor? Chove? Que mais eu posso levar? Você também vai? O que você está levando para ouvir?

- Pomba, Dani... Não, não é sério. Não é fato. Quer dizer, não sei, acho que não. Hoje não. Mas você nunca pensou nisso quando você está ouvindo alguma coisa?

- Bom... tem sons que eu acho que eu vou ouvir sempre, tem discos que são todos bons, que eu ouço o disco inteiro e gosto dele todo. Tem outros que ouvi muuuuito, talvez pudessem ser as melhores opções. Não sei...

- Hummm.... E?

- E você?

- Pois é... Estava aqui pensando nisso... Tenho uma idéia. Acho que é a minha opção. Mas também me pego em dúvida, em crise com isso. Também já aventei essas questões todas, também acho que posso querer mudar a escolha, mas estou mesmo propenso a ter uma opinião a respeito já e agora, The Smiths.

- Nossa! Rock depressivo?

- É muito bom. Não enjôo nunca...

Paro para pensar um pouquinho... como em um pout porri mental de 27 segundos (ou menos) com todas as músicas dos Smiths que eu lembrasse na hora.

- Será? Tem certeza? Aquela “melancolia alegrinha” do Morrissey para sempre? Será que você agüenta?

- Pois é... não sei. Mas não consigo chegar em outra opção, com valores equivalentes... Boto tudo e todos na balança e acabo voltando para os Smiths...

- É, é bom. Gosto do Meat is Murder, gosto do outro disco, da rainha ... Gosto do Johnny Marr, ele é o cara... Mas estou aqui já pensando outra coisas...

- Diga lá.

- Além de um som para ouvir pelo resto da vida acho que eu gostaria de levar mais coisas...

- Sei, sei... – e ele franze um tanto os lábios, e também esboça um leve sorriso – Sapatos?

- Não, não. Coisinhas... uma caixinha de costura, papéis e lápis coloridos, uns cigarros, pó de café, um disco do Pixies...

- Olha aí! Olha aí. Respondeu! – ele fala rápido e alto -- Um disco do Pixies.

- Não, não é minha resposta não – interrompo de imediato --- Está no kit “algumas coisas a mais para levar”.

- Aaahhh mulheres...

- É pela associação com o pó de café....

- Hã?

- É... veja bem. Que ilha é essa? É minha? Estou lá sozinha por opção, cheguei de helicóptero, com um lenço de bolinhas esvoaçando por baixo de chapéu panamá, tomo um drink com guarda-chuvinha na beira da piscina com araras andando em volta, e fico lá o resto da vida ouvindo o mesmo disco? Porque sou exótica, excêntrica e, notadamente, anti-social.

- .......

- Ou se eu estiver sozinha em uma ilha deserta e isolada é porque talvez as coisas não estejam muito boas? ...

- Hein?

- Como é que eu fui parar lá? Naufrágio? Acidente de avião? O sertão já virou mar? Vai virar um acampamento, não é isso?

- Ai, ai... mulheres...

- Porque se for a segunda opção, acampamento é uó... é sinal de que tudo dá errado. Tem que aprimorar a técnica de entrar na barraca só para pegar os fósforos com o pé cheio de lama sem deixar que esse interfira na estrutura do lugar, porque é lá que se tem que dormir. Olha aí... para tomar nota: também levo uma rede. E mosquiteiro. Não durmo em barraca nem a pau.... Tem que se acostumar que o banheiro não é ali pertinho do quarto, para ir rapidinho, meio de olhos fechados, no meio da noite. Tem que descobrir onde a água para beber não esquente, e se acostumar que a do banho será sempre fria. Essas coisas, entendeu?

- E?

- E aí que acampamento é uó. Ilha reclusa e isolada é uó. Fazer comida no acampamento é uó... passar o resto da vida sozinha, ouvindo o mesmo disco, com o sol na cara, areia na bacuinha, é tudo uó... Vai acabar com meu bom humor matinal rapidinho, rapidinho... Mas se eu fizer um cafezinho e sentar tomá-lo olhando a paisagem e ouvindo um disco do Pixies melhora pacas. É sinal de que tudo vai ficar bem, sinal de que tudo vai dar certo.

- Leva então um disco do Pixies?

- Não! É isso que eu estou explicando. Não quero ouvir Pixies para o resto da vida. Só enquanto eu estiver tomando um cafezinho na ilha, tá. Se houver este momento é sinal de que está tudo bem. Situação sob controle.

- Então se você tiver café e um disco do Pixies está tudo bem?

- É sinal de que estaremos salvos.

- Bom saber para a próxima TPM...

- Não, para TPM as indicações são outras – respiro fundo para começar a explicar e ele se antecipa:

- Ta. Ta bom, deixa para lá. Eu também não estou plenamente convicto de minha escolha ainda. Diga lá... você veio me falar o quê?

- Chamar para almoçar. Está tudo pronto. Bora? Pode escolher a trilha do almoço.

- Já escolhi a da sobremesa... para acompanhar o café, tá.

 


Foi um papo real. Mais ou menos assim. Anos atrás...
com uma das figuras mais especiais e queridas que conheço,
em algum dos momentos que compartilhamos,
recheados de reflexão e filosofias da vida comum.






... nessa casa se ouve Quincy Jones

Tenho um coração mais perdido que a Vanusa cantando o hino nacional...

(capítulo 2, talvez...)

 
A casa era um tanto bagunçada, ainda assim parecia vazia. Esparramavam-se alguns amontoados de certa desordem irreconhecível, mas o que se via naquela hora inebriante era apenas uma pequena linha amarelada entrando pela janela, desenhando um traço suave sobre o chão de azulejos mal pintados de branco. O rasgo de sol tímido beirava a grelha enferrujada do ralo. A solidão do lugar parecia fazer barulho... um gemido frio e intimidante.

Não era sala, não era corredor. O lugar inóspito mal tinha paredes, ainda assim parecia um labirinto. Portas e portas enfileiradas, portas que revelavam outras portas, portas emoldurando portas. Portas encostadas lado a lado; difícil imaginar que não fossem de um mesmo lugar...

Monocromático sujo. Sentimento marujo.
O coração respira fundo e começa...
- Tenho medo do que sinto.

- Sei, sei...

- Por isso mesmo desta vez resolvi investigar... Tenho medo desse caminho... desconhecido, sombrio, assustador. Por isso sempre evito adentrar em suas profundezas.

Mas não gosto disso. Parece que estou fugindo, parece que estou acuado. Não quero viver com medo, evitando-o e fingindo que não o vejo. Não dá mais para ir vivendo e simplesmente passar por 1 porta sem saber o que tem lá dentro, só porque ela me assusta.

Como ir vivendo e fugindo? E me escondendo? Como passar em frente à porta sempre bem quietinha, realmente apavorada, sem saber o que ali se guarda?

Acho sempre que algo pode sair abruptamente e me puxar de 1 vez para lá...

Ou então que se, despercebidamente, uma vez eu entrar, a porta irá bater e não consiga mais sair. Passo na ponta dos pés. Cubro o olho mágico para ninguém ver que estou ali. Fico muda, em um silêncio que cerca a alma, até chegar às portas e caminhos que eu conheço.

- Fingindo que a tal porta do desconhecido não existe?

- Exatamente. Só pelo medo do desconhecido. Mas não agüento... Não estou mais agüentando. Não dá mais para viver assim... Acuada. Assustada. Uma hora eu teria que abri-la, certo?

- Portas existem para serem abertas. Nada pode viver trancado para sempre. Você sabe o que tem dentro? Sabe quem o trancou ali?

- Não sei bem, não. Quando eu percebi que a porta existia, ela já estava ali fechada. E me assustando. Quando passo por ela sinto um bafo frio me assoprando, barulhos esquisitos e atemorizantes, arrepio-me até os pentelhos. Ouço gritos, socos nas mesas e paredes, discussões alteradas, mulheres em crise, homens frustrados, crianças indesejadas... Sinto uma nuvem de hipocrisia abafando o lugar, sinto sentimentos e desejos acorrentados. Parece que o lugar está lotado. Ao mesmo tempo parece que está em total solidão.

- Medo de entrar?

- Parece que é um lugar que se conhece, parece ser tão vivido que, de alguma forma, se torna familiar. Ainda assim é desconhecido, é traiçoeiro. Tem cheiro de armadilha, é forca disfarçada de gargantilha.

- Abriste a porta? Espiastes o que tem dentro?

- Abri, entrei, estou passeando aqui dentro. Sentindo cada pedacinho do que existe, experimentando cada sabor desconhecido, sentindo todos os cheiros, vendo e vivendo tudo o que eu posso e consigo.

- Sei, sei... Perdeu o medo então?

- Tento não parar para pensar no que me assusta. Quero apenas experimentar e vivenciar, saber do que se trata para poder viver e conviver com isso. Superar o medo, talvez...

- Que tanto medo, medo, medo... Mal te reconheço! Sempre tão corajoso, ousado, intrépido. Agora só fala de medo, medo, medo...

- Gato escaldaaaado...

- Mas e aí? Como se sente aí dentro?

- Perdendo os medos, desvendando segredos, inventando enredos... Sinto que não posso mais fugir, e também sinto que posso fazer algo diferente, pode ter leveza. Mas ainda não sei como.... Ainda assim acho que já é um passo dado. Estou tranqüila aqui dentro. Não há que se repetir os mesmos erros, meus ou dos outros. Há que se conhecer, atrás da porta e a si mesma.

- Hunnnn.... apaixonada?

- Da resposta ainda fujo...


(pausa)


(o coração continua...)





... nessa casa se ouve Nina Simone



Estava escrito aqui já faz algum tempo... data de 09 de 09.
O Capítulo 3 também já andou se apontando por aí...

E tinha uma obs. acompanhando... não vou nem reler nem censurar.
Verdade nua e crua...em determinado momento, sob determinado contexto.
Afinal... “penso, logo, mudo de idéia”


 
Ai, ai.... Por que será que isso tanto me incomoda? Por que será que me sinto tão aflita, tão angustiada? Às vezes parece que eu nunca mais vou conseguir me relacionar com alguém novamente. Ás vezes parece que sempre há algo errado a acontecer... Mas o que será que é errado? O que é certo e o que é errado nessas horas? Existe mesmo?

Sei que me sinto bem comigo mesma. Mas é uma relação esquisita... às vezes parece que estando bem comigo mesma não é possível estar bem com mais ninguém...

Às vezes parece que não há de existir alguém que queira estar comigo. Nem bem, nem mal, nem de jeito nenhum.... às vezes lamento, às vezes tormento, às vezes invento...

Mas sigo assim. Sigo em frente. Sinto-me tranqüila.

Também sei o que quero e o que não quero. Sei dos riscos que corremos, sei dos medos que tenho, mas sei também que sou corajosa! E sou verdadeira!

E tem 1 milhão de outras coisas que eu não sei...

Queria alguém que também fosse assim... Que chegasse e falasse “ó... não sei onde isso vai levar, não... não sei nem se leva a algum lugar. Mas topo correr esse risco com você”. Pronto.
Simples assim? Ou complexo assim?

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Penny Lane agora tem uma tatuagem

Na verdade, três...

"Mais na verdade ainda", ela queria decalque de florzinhas coloridas... cobrindo o corpo todo. Mas como ela só me conta isso de madrugada, não dá para providenciar na hora, nunca lembro depois...

Então ficou com essas de fita isolante mesmo.




... nessa casa se ouve Lou Reed

domingo, 22 de novembro de 2009

Tudo ao mesmo tempo agora

Um tempão sem botar nada no blógue, um monte de coisas já escritas espalhadas por aí...



Resolvi publicar de uma vez só! (e ainda guardei mais um tanto por aqui...).



E por hoje é só!




beijo, DR

3D

Essa semana vi imagens 3D.

Enjoei e fiquei tonta...

Aaaahhh.... Estava tudo tão lindo! E eu virei do avesso....





...nessa casa (ainda) se ouve Deep Purple

de olho...


Não parecem olhinhos a me vigiar?





... nessa casa se ouve Deep Purple

A difícil arte de descongelar a geladeira


O barulho vinha incomodando há tempos... Era mesmo hora de descongelar a geladeira.

Ai, ai...

Sempre falei comprar geladeira que descongela sozinha. Não deu. Não coube, nem no bolso nem na casa. Já dizia Buda “não tem tu, vai tu mesmo”. E cá estou com uma geladeira que vira o próprio kilimanjaro, tendo que descongelá-la de tempos em tempos.

Uso água fervendo, secador de cabelo e a faquinha...

Técnicas primorosas de mulher impaciente, e funcionam!

Só uma vez esqueci a faquinha lá dentro... Virou quase um fóssil, mas foi uma agradável surpresa quando a encontrei.

Prático, rápido e eficiente. Vai jogando água quente com cuidado, a faquinha ajuda a alavancar as pedras de gelo e a quebrá-las. Cuidado com a tal da mangueirinha do gás... Caem pedaços de gelo gigantes, outros derretem rapidinho.

Alguns problemas no meio do caminho...

Pura questão científica... As pedras se acumulam na gaveta, mais a água fervente que você jogou, e enchem logo a gaveta, em dois estados físicos da água...

A gaveta precisa ser prontamente esvaziada, ou seja, despejar tudo na pia...

Pura questão prática... Aí você se dá conta que a gaveta não abre!!!! Pomba! Tem uma porcaria de uma mega power pedra de gelo colada lá no fundo interrompendo a livre abertura da gaveta...

- Aahhhh, pequena esquimó... tudo na vida é planejamento!!! Devia ter degelado primeiro as geleiras do norte....

- Caceta, agora fudeu...

- Que que eu preciso agora? Faquinha? Chaleira? Secador?

- Paciência, Dani... precisa de paciência...

Eis o precioso trabalho de perícia. Dá a impressão que só os mais astutos equilibristas conseguem fazer. É a maratona de atravessar a cozinha com a gaveta cheia na mão até chegar na pia... ainda bem que a cozinha é pequenininha e a pia fica pertinho, ainda assim é um dos momentos mais tensos do dia.

A cena se repete algumas vezes, o grau de dificuldade vai diminuindo, a paciência também. Mas tudo bem! Faz parte do processo organizacional da boa cozinha, faz parte da manutenção desta casa, e assim vamos... de tempos em tempos desbravando estas árduas e alvas geleiras e promovendo a grande expedição ao congelador , instaurando o ápice do momento de superaquecimento global em prol de mais espaço para uma cervejinha.







Rio, 30 de agosto de 09.



... nessa casa se ouve Max Romeo

"musiquinhas" ou "o mundo é nonsense"

Estava sentada no banquinho, pintando umas coisas que precisavam de novas cores nessa vida, me pego pensando e perguntando por coisas esdrúxulas....



Coisas que parecem realmente sem nexo, inimagináveis, ou o que realmente é nonsense...


Coisas do tipo “por que colocam musiquinhas em powerpoints? Para que essas merdas de musiquinhas? Quem é o fdp que bota essas musiquinhas?”.


Às vezes chegam uns e-mails por aí que, num primeiro momento, até parecem interessantes... Por vezes vem com algum comentário do amigo que enviou...


“Interessantíssimo”. “Sensacional”. “As fotos são mesmo incríveis”. “Veja isso” e coisas do tipo.


A gente até fica curiosa, né... Por vezes se deixa convencer.


Pronto. Deixou-se seduzir e lascou-se... é só abrir a porcaria do arquivo anexo e é imediato... a musiquinha xexelenta toma conta da sala, toca por cima de qualquer outra coisa que você esteja ouvindo, irrompe o ambiente com aquele sonzinho do órgão da igreja arrepiando até pelinho do pescoço.


Acabou o bom humor. Acabou a paciência. Por pouco não acaba o dia ali mesmo...


Seu mundo passa a ser achar onde desliga esta merda!!!


Já não quero nem saber se as fotos são mesmo incríveis, se o conteúdo era mesmo excepcional, se eu realmente não podia deixar de ver aquilo até o final. Chego a derrubar os copos sobre a mesa caçando botõezinhos...


- Abaixa o volume. Abaixa o volume. Abaixa o volume.


- Desliga a caixinha de som. Desliga a caixinha de som. Desliga a caixinha de som.


- Esc. Esc. Esc.


Quando algo funciona, certa sensação de alívio, mas parece que o mundo ainda vai demorar a voltar ao normal.


Mesma coisa com site que canta.... Você está interessado em ver aquela página, conhecer o conteúdo, digitou o endereço na barra de ferramentas e pow! Aquela merda começa a cantar.


- Aiiiii. Socorro!!!!


Pronto. Perdeu a chance de mostrar ao mundo a que veio.... Clica. Fecha. Sai dali. Nem para anotar um endereço, nem para saber o nome do responsável. Começou com musiquinha, acabou com a minha paciência. Não rola. Meeeesmo.


Sim, sim. Sei que tem em algum lugar da página o iconezinho “calar a boca do alto falante”, mas até acha-lo, a paciência já era...


Sim, sim, sei que muitas vezes até eu estou ali para ouvir alguma coisa, mas quero ter opção e poder de decisão, e até lá, paciência já era...


Sim, sim. Acho mesmo que a vida precisa de uma trilha sonora, mas site que canta e musiquinha de powerpoint são o inferno... Passa longe de alegre trilha para o seu dia. Passa perto das penitências que se cumpre na frente de um computador.


 

Rio, 18 de agosto de 09.




... nessa casa se ouve Jane´s Addiction