domingo, 27 de setembro de 2009

Tenho um coração que parece a bateria do Jonh Bonham

Tenho um coração que parece a bateria do Jonh Bonham. Pulsa, pula e bate ininterruptamente... na verdade ele não bate. Está apanhando. Parece que sacode a cada porrada que leva. E estas não param...
Surra em cachorro morto.
Sinto-o retraindo e inflando, retraindo e inflando. 200 vezes por segundo. Consigo vê-lo sob a carne. Consigo senti-lo no corpo todo.
Pulsa, pulsa, pulsa.
E dói.
Por dentro. Coração, cabeça, alma.
A bateria virtuosa que não para.
O coração pulando que não fala.

O exame parece mostrar todos os altos e baixos de 1 vida.
Oscila, levanta, cai, recupera, pega fôlego, recai.
Corre, escorre, flui e rui.
Movimento ondulante, vibratório, pulsante.
Coração errante.
Alado ou errado?

O médico acusa:

- Coração, você é muito ansioso. Ansiedade é seu problema...

- Eu sei, mas fico angustiado querendo resolver tudo agora...

- Você ama demais.

- O desequilíbrio não é esse. O problema não é amar demais. Isso é natural. É normal. O desequilíbrio está em ser amado de menos. Aí descompassa...

- O amor não é compensatório. Não se ama esperando nada em troca.

- É isso. Eu sei. É exatamente isso.
Amo por amar. E isso me faz bem. Mas acho que senti falta de ser querido também. Nunca senti esse inverso. Não peço nada em troca. Não amo esperando retorno. Mas senti falta deste... não para continuar amando, mas talvez para poder bater e vibrar equilibradamente.

- Coração... você leva uma vida promíscua... bebe, fuma... stress demais, cafeína demais, ansiedade demais. Grupo de risco total.

- Amo demais. Sou amado de menos.

(pausa)

(o coração continua...)


- Às vezes dói... me stresso demais e não tenho onde encontrar alento. Acumulo ansiedades, faço um café, acendo um cigarro. Vou oscilando entre a ação prática da vida vivida a cada dia e os mais fortes sentimentos sacolejando engasgados e enrustidos em uma carapuça da força simbólica e ilusória que eu mesmo criei para me esconder ou tentar me proteger.

- Coração, coração... pega leve... com você mesmo, se não você não agüenta.

- Queria saber como é me encostar em outro coração e batermos juntinhos... sintonizando as vibrações, intercalando altos e baixos, pulsando juntos. Revezar os batimentos, vivermos um leve movimento de vai-e-vem, profundo, penetrante, confortável e receptivo.

(pausa)

(e o coração ainda continua...)

- Queria sentir outro coraçãozinho batendo juntinho... Tão próximos, tão encostados, tão íntimos, que nos confundiríamos e fundiríamos entre nós mesmos. Sintonizaríamos os batimentos, o inflar e o retrair, o respirar, inspirar e expirar; o entrar, o preencher e o esvaziar, o tocar e o ser. Quando um se esvazia, ou outro se enche. Quando um recua, o outro avança. Quando uma respiração termina, a outra começa. Queria vibrar junto, recostado no outro e quando estivéssemos juntos, sincronizados, numa mesma pulsação, aceleraríamos o ritmo, aumentaríamos a velocidade, pulsaríamos mais fortes e mais rápidos, tocando e sentindo o outro, a si mesmos, aos 2 juntos. Sentindo a pele vibrar como ondas, como cordas, tocando-se e encontrando-se, até estarmos arrepiados, e leves. Até esquentarmos juntos, e o suor começar a escorrer, e os líquidos se misturarem, se confundirem, se fundirem.

- Coração, você não presta.
Quer algo que não é seu, que não lhe pertence, que não lhe cabe. Desde quando alguém vai querer se envolver com você? De onde tirou isso agora? Vive em ilusão... sonha com o inexistente, o improvável, o impossível. Caia na real, coração... Sai desse corpo que não te pertence!

- Ai, ai... eu acredito que haja um amor dentro de cada coração, mas que é difícil reconhecer a existência deste. Sou um coraçãozinho que se partiu, e esta brecha deve deixá-lo aberto, para deixar o amor sair. E talvez entrar...

- Já está olhando para fora novamente... algo para entrar é algo que existe fora de você. Que não é seu...

- Há uma transformação quando isso acontece... há uma transformação profunda e marcante. Há vida, força e poder que nascem quando há troca e compartilhamento. Se a caça e o caçador se tornam amigos eles passam a ser únicos, especiais, e a caçar coisas incríveis juntos. Há que se reconhecer a força pessoal de cada um nesse desconhecido mundo submerso dos sentimentos, e por para fora o que se tira de bom para dar ao outro.

- Você é um coração remendado, cheio de pontos e cicatrizes... como é que vai se abrir?

- Eu me rasguei... puxei os pontos e as pontas e rasguei com uma tira de tecido... Mas então vazou... Saiu muita coisa misturada, de uma vez só... explodindo, desentalando. Vomitei sentimentos e angústias, lamentos e acontecimentos.

- Você é uma besta! Ansiosinho, ansiosinho...

- Sinto um amor que é puro e pleno, sincero, honesto e nobre. Amor verdadeiro. Mas não fui nobre... não reconheci em mim minhas fraquezas no meio do processo. Cutuquei o outro com minhas queixas de uma situação em que eu mesmo me permiti estar.

- Mas você nem conhece o outro... ficou louca?
O outro vive escondido em uma armadura, sob uma carapuça. Sequer viu a sua cara, sequer sabe o que ele sente... Você é um fraco!

- Isso eu não sou, não. Sou bravo, forte e corajoso! Tive coragem para me conhecer, e reconhecer em mim o que estava acontecendo. Isso é bravura, coragem! Mas dói, estou sabendo... vou ter que remendar e costurar tudo de novo. Mas sou forte, sim. Fraco e covarde é ele. Não se permite ouvir a si mesmo, não se permite arriscar, não se permite conhecer um lugar que nunca tenha ido. Acha que tem tudo organizado e em seu devido lugar. E nem me disse se eu tinha vaga em um desses espaços. Quanto mais ele achar que tem uma vida controlada e sob controle, cada vez menos haverá vida a se controlar.

- Você é que está descontrolado...


Acho que é um conto... acho que é só o capítulo 1.
Acho que deve estar meio repetitivo, talvez um tanto inconsistente (verdade nua e crua, e dessa vez, sem direito á revisão...). Acho que tenho muito a aprender, principalmente em controlar minhas angústias (e palpitações...)... Acho que às vezes gostaria de aprender com alguém... Mas ‘alguém’ não liga (e não me liga). Acho que dá liga, e que sou sua amiga, mas ‘alguém’ levou para o tom de briga...

Também acho que sim! Deus mora na ordem randômica das músicas... o aleatório não existe simplesmente. Há mesmo, em algum lugar, uma seqüência da discotecagem divina. Mandando sons e sinais, meios e mensagens que falam diretamente conosco em determinados momentos.
Acaso? Coincidências? Sincronicidades? Delírio auto-referente, psicose? Será que estou ficando louca? Que nem corno quando ouve música sertaneja e acha que a mesma foi feita para ele?



... (pois) nessa casa se ouve Paralamas do Sucesso/ Será que vai chover?


Nessa casa esparramam-se textos, anotações e rabiscos por aí...



Nessa casa esparrama-se o eletrocardiograma rabiscado e ilustrado...



Guardando sentimentos e movimentos, reconhecidos como parte de um processo cíclico que devemos sim nos expor para podermos amar cada vez mais.




... nessa casa (já) se ouve Pixar Greatest

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Imagens da semana

Imagens da semana, com pequenos fragmentos da casinha e da vidinha...

Desenhei um tanto esses dias, mas diria que são “desenhos impublicáveis”...

Tem aí uns desenhos de cá, que cá ficam pendurados na parede. E também paredes que não têm desenhos, e coisinhas da casinha...









... nessa casa (ainda) se ouve Gotan Project

caquinhos

Fiz um quebra-quebra e um reconstroi-reconstroi por aqui... Seguem as fotos.

Então saí para almoçar e escrevi, escrevi, escrevi sobre “os cacos da vida”... mas só boto aqui mesmo outra hora.

beijim, DR





... nessa casa se ouve Gotan Project

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Quem sou eu? Quem sou eu...

Vivo a vida como se cada dia fosse único.
Acho que os são, e sigo vivendo um a um...
Sou uma pessoa complexa.
Já fui complexada.
Sou uma pessoa tensa, que tenta ser apenas intensa.
Ando cada vez mais exigente, rabugenta ou criteriosa.
Acho que estou envelhecendo.
Sou uma pessoa que ama. As coisas, a vida e as pessoas.
E uma pessoa simples, de hábitos simples, mas de gostos apurados.
Gosto de pão francês com azeitona preta. Gosto de azeitona verde, mas não com pão francês.
Gosto do café bem amargo. Gosto do cheiro do café. Gosto do cheiro do incenso da caixinha vermelha com as varetas amarelas, e que eu nunca lembro o nome.
Quando fiz 30 anos resolvi comprar um anti-rugas. Faz 2 anos que eu não uso.
Recentemente me olhei no espelho e pela primeira vez não achei que eu sou feia! (achei que apenas está faltando photoshop...).
Não sou uma pessoa bonita, mas sou uma pessoa interessante.
Sou meio “esquentadinha”... Não sou uma pessoa “de pavio curto”. Eu simplesmente nasci sem pavio.
E ainda assim sou muito zen e tranqüila (até que queiram descobrir se o pavio é mesmo curto...).
8 ou 8.000.
Um poço de contradições.
Sou capaz de ficar quieta, sem emitir um som ou palavra por horas a fio.
Outras horas falo por todos os poros.
Gosto de doces, gosto de doces bem doces, à vezes bem doces, moles e geladinhos.
Mas não como açúcar.
Não gosto de balas mastigáveis, pois sempre acho que vai arrancar alguma obturação... Gosto de balas duras, para mastigar. E, se for o caso, quebrar o dente junto com a bala.
Quando fico sem falar fico rouca.
Quando estou sozinha canto compulsivamente.
Quando estou sozinha, eu danço.
Quando saio para dançar, prefiro ficar sentada.
Tenho preguiça de ir dormir. Mas depois que durmo tenho preguiça de acordar.
Acordar, levantar e funcionar não são processos que acontecem simultaneamente comigo.
Gosto de dormir de meias. E também de dormir pelada.
Gosto de dormir com edredom porque é fofinho.
Acho fofinho uma palavra ridícula, mas nunca consegui achar outra qualidade para o edredom.
Falo a verdade ou não falo nada.
Falo a verdade, muitas vezes sem medir as palavras.
Algumas coisas eu acho que sei.
Milhares de outras eu tenho certeza de que não sei...
Às vezes entendo algumas coisas.
Eterna busca em aprender, entender, tentar compreender.
Tem coisas que eu não consigo entender de jeito nenhum!
Faço relações entre as coisas.
Invento coisas.
Crio, recrio, reinvento.
Faço intervenções sobre e em tudo.
Filosofo demais. Ás vezes faço de menos.
Às vezes sinto que reclamo demais.
Às vezes sinto que falo de menos.
Sinto demais.
Passional.
Eternamente apaixonada. Por algo, por alguém ou por nada.
Não gosto de lâmpada fluorescente. Gosto das lâmpadas de filamento.
Não gosto que me interpretem mal.
Não gosto que duvidem de mim.
Não gosto de bife de fígado. Não gosto nem do cheiro de bife de fígado. Acho que eu nunca comi bife de fígado.
Não gosto de cama mole. Nem de travesseiro alto.
Gosto de historias em quadrinho.
Não gosto de horóscopos. Mas às vezes leio... Se disser algo bom e positivo, acho que acredito.
Faço histórias com letras de músicas. Imagino imagens para músicas. Imagino histórias para músicas. Faço “trilhas sonoras ao contrário”. Acho que faço “trilhas visuais”...
Vivo sem TV, mas não vivo sem um radinho...
Toco mal pra cacete. Acho que por isso ouço (e valorizo...) tanto.
Acredito em Deus.
Não acredito nas Religiões.
Rezo.
E agradeço.
Rezo para santos que eu mesma invento.
Gosto de chocolate. Gosto muuuito de chocolate.
Adooooro sapatos. Mas a primeira coisa que faço em casa é ficar descalça.
Uso sapatos velhos. E também tenho sapatos que nunca usei.
Penduro coisas pela casa.
Penduro coisas por aí.
Escrevo bilhetes para mim mesma.
Às vezes mando cartas para mim mesma. Ás vezes mando e-mails para mim mesma. As cartas têm conteúdo, os e-mails só recados.
Tenho senso de humor. Tenho bom humor.
Tenho senso crítico em constante desenvolvimento. Gostaria que assim o fosse para sempre.
Não acredito em “para sempre”.
Não consigo falar ao telefone e andar ao mesmo tempo... às vezes até consigo, mas não entendo nada do que estou ouvindo nem do que estou andando.
Gosto de rabiscar enquanto falo ao telefone.
Gosto mais de falar ao vivo.
Gosto de falar aos vivos. Mas às vezes converso com os mortos.
Tenhos pingos de tinta em todas minhas as roupas...
Tenho roupas amassadas. Amasso-as propositalmente.
Não gosto de passar roupa.
Não gosto de passar batido.
Não gosto de passar mal.
Tomo whisky sem gelo. Tomo sucos sem açúcar. Tomo sopa quase todo dia.
Não tomo remédios. Às vezes nem mesmo quando precisa.
Gosto de costurar.
E também gosto de cortar.
Queria desenhar mais.
Queria escrever mais.
Viajar mais. Ganhar mais. Amar mais.
Lamentar menos. Sofrer menos. Querer menos.
Quero mesmo é dizer o que sinto.
Quero mesmo é fazer o que penso.


Achei este texto rascunhado e guardado por aqui. Data de abril de 09. Dei uns arremates nele entre ontem e hoje. Li e reli em voz alta. Fiquei convencida de que essa sou eu mesma... (pelo menos hoje, ou até que eu mude de idéia...).
Acho que era um desses textos “para preencher o meu perfil”... Mas devo ter excedido aos “números permitidos de caracteres” (...)
Para constar... Não gosto da vida dentre limites...de números permitidos e proibidos, de perfis e simulações dissimuladas. Gosto da vida vivida e vívida!
Também acho que não caibo em 2 ou 3 páginas de letrinhas. E que vou passar o resto da vida buscando, criando e escrevendo a mim mesma.



... nessa casa se ouve Living Color ....

domingo, 10 de maio de 2009

Cotidianices...

Encontrei por aqui alguns textos já escritos, passíveis e possíveis de viram para o blógue... Dei uma lida e decidi não botar nenhum destes...
Lembrei de uma frase que ouvi em um filme esses dias, que dizia algo mais ou menos assim “um texto só ganha vida quando é lido” (...).
Bom... eu, pelo menos, os li. Será que vale?

Um texto recente do amigo esquisito fez pensar hoje novamente na pauta “para é mesmo que serve um blógue?”.

Por aqui, fora as cotidianices, os desabafos, os relatos simples do dia a dia simples, um ou outro poeminha vez ou outra, acho que serve também para os ‘de longe’ poderem estar pertinho da gente de alguma forma.

Um diário (ou semanário, ou mesário, ou esporadicário...) público. A gente desabafa e quem quiser lê. Vem quem quer, lê quem quer. Não é maneiro isso?
Não me importo se minha vida é interessante para alguém. É para mim, e isto já é (muito) bom.

Sem pretensões... meu blógue não é temático, não é dramático, não é jornalístico, não é corporativo. Não é "mudérno", não é formador de opinião (existe mesmo isso?), não é sucesso de público ou bilheteria... (mas é de um público de sucesso e eu nem cobro ingresso para lê-lo, ok?)
That´s all folks ...
It´s just entertainmet...

Não é nem mesmo sobre um assunto de grande interesse ou que desperte muita curiosidade... é sobre minha vidinha, minhas formas de ver e viver o mundo em um determinado momento ou contexto. Tudo tão simples e tão complexo... (assim como eu...).

Acho que também é para isso que servem os blógues... Registram e publicam as opiniões ou impressões de alguém em alguma circunstância.

Simples fatos e relatos sobre o quê e como tem acontecido por aqui...

Seguindo a pauta... Ô esquisito!!! Dê uma chance para o blog e para você mesmo! Sem compromissos, sem autocobranças, sem autocríticas (Olha o sujo falando do mal lavado...).

Seguindo a pauta parte II... para tentar “ser diferente” desta vez, vou falar sobre alguma notícia interessante do dia e que tenha chamado minha atenção. Digo, “notícia do mundo lá fora”.

Prólogo...
É que eu tenho manias com notícias e publicações...
Ao terminar de ler o jornal sempre paro um minutinho e me pergunto “qual a notícia que mais me chamou a atenção e por quê?”.
As respostas são sempre as mais diversas possíveis... Às vezes é até por ter um erro de Português e eu ter ficado absurdamente indignada com isso. Jornal perde a credibilidade (os que ainda, ou melhor, os que em algum parco momento têm alguma comigo...), jornalista perde a credibilidade, redator perde a credibilidade.
Às vezes é pela abordagem dada ao fato, que é o que eu acho mais interessante. Gosto de ver a mesma notícia sob diferentes pontos de vista, ou sob diferentes formas de divulgá-las. Quando eu tinha TV, chamava esse momento de “maratona telejornal”. Você senta para ver os mesmos por volta das 18h e só para com o boa noite do Willian Wack. Vai mudando de um canal para outro, acaba um está começando outro em outro canal, na hora da novela tem os canais ‘news’ e as notícias do mundo nos canais internacionais, e assim vai... As notícias são as mesmas, mas (tudo) muda completamente de figura... Muito bom! Deu até saudades...
Hoje me contento em ler 4 sites de notícias distintos pela manhã e 1 ou 2 jornais aos domingos.
E, todo dia ao acordar, me pego pensando “Nossa! O que será que acontecia no mundo lá fora enquanto eu dormia?”

Voltando à pauta (diacho de mulher prolixa...)... fiquei bem em dúvida sobre qual “notícia escolhida do dia” falar...
Dois assuntos recentes me chamavam em especial... A primeira seria o berimbolo climático atual, que renderia uma boa manchete como “agora chove demais no Nordeste e de menos no Sul”, com número de mortes que já passou o das provocadas pela gripe suína no mundo inteiro! Já aflige mais de 1 milhão de pessoas, dentre desalojados, desabrigados, inundados, alagados e afogados. Boa parte perdeu tudo que tinha, inclusive esperanças na vida. Muitos morrerão de doenças decorrentes destas, como ainda é comum acontecer no Brasil.
Segunda notícia a inquietar foi sobre as proibições da marcha da maconha por aí... Proibir? Que merda é essa? Concorde ou não com as finalidades da manifestação, ou ainda, com as formas como estas acontecem, “proibir” é algo que me choca nessas horas...

Nenhuma das duas falou mais alto do que os pensamentos em que recaio sobre as formas e os meios de comunicação... sobre as formas como estas são conduzidas e feitas, sobre outras notícias (ou “escândalos” como queiram) recentes, como o(s) caso(s) e os vaivens do sr. Dantas, do sr. Mendes, sobre algumas das outras tantas questões que envolvem “crimes, investigações, comunicações, divulgações e direcionamentos” (isso dá um bom nome de filme, hein?).

Lembrei de um filme que vira tempos atrás, que fez um link qualquer aqui em meu processador core 2 duo cerebral, e eu achei que seria interessante ver de novo.

Eis que para minha surpresa, o dito cujo está na rede!!! Aaahhh... eu amo a internet!

“além do cidadão Kane”, documentário, segue o link:
http://video.google.com/videoplay?docid=-570340003958234038

1hora e meia, lhe preparo desde já... Não assisti de novo ainda, mas acho que vai ser bom faze-lo.


Cansei de escrever. Vou ler um pouquinho, deixar esse papo para outra hora.

Beijo. Fui.


DR, 10 de maio de 09.
... e nessa casa se ouve ACDC ....

quarta-feira, 22 de abril de 2009

21 de abril de 09, hoje, aqui. E aí?

Peguei me dentre tantos questionamentos e dúvidas... Algumas crises, algumas angústias, algumas inquietações. Às vezes sem motivos ou razões, às vezes com os todos os pretextos e causas que nos fazem ou determinam ser quem somos.
Isso não é ruim. E não, eu não sou masoquista. Não gosto de “me sentir mal”, é fato. Mas a estória é que não “me sinto mal” por estar inquieta ou em crise, dependendo aos olhos de quem assim o veja. Sinto-me viva, e mesmo em meio a tantas ansiedades e imprecisões, sinto como se estivesse apurando, aprimorando...
Cresci achando que “crises são amadurecimento”. Sinônimos e processos correlatos. Ainda estou crescendo, não mais em tamanho, talvez na alma...
Por mais difícil e duro que seja “confrontar-se consigo mesma”, é inquietação que não é aflição, não é sofrimento.
Por mais difícil e duro que seja “confrontar-se com a vida em si”, é processo natural, é procedimento do viver.

E dentre tantas perguntas sem respostas, faço o contrário também.... preencho-me de respostas sem perguntas.

Algumas suficientes, algumas eficientes. Respostas vagas, outras precisas e certeiras. Respostas temporárias ou passageiras, respostas efêmeras.

Também cresci achando que o que realmente importava era a pergunta.

Adoro as perguntas! Adoro as perguntas que faço para mim mesma. Adoro o momento do sentir e descobrir que as respostas já estão contidas nelas... Adoro chegar na elaboração da pergunta. Adoro questionar, filosofar, instigar descobertas e aprendizagens,
Mas hoje me pego buscando tanto por porquês, por justificativas, por melhores entendimentos das coisas...

Inverto processos....

Adianto retrocessos.

Dislexo procurando nexo.


E a imagem da semana é...

A cicatriz...

A cicatriz é o nosso primeiro contato e referência com o e do mundo.

Carrego um umbigo costuradinho bem no meio de mim para me lembrar disso...

Quando fiz a tatuagem escrevi páginas e páginas sobre o que penso e sinto a respeito das cicatrizes. Qualquer hora esses papéis aparecem e acho que é para cá que vêm....
A foto foi na mesma noite em que a fiz, recém parida mesmo... Por “encrença que parível” ela é hoje quase uma marca d´água... apagadinha, apagadinha... mais para tons de cinza que para preto no branco...
Meu corpinho a foi incorporando de alguma forma... foi cicatrizando, talvez...


... nessa casa se ouve Jane´s Adiction ....

segunda-feira, 30 de março de 2009

aos domingos: sessão do desapego do reino de dani

Tanto tempo sem escrever por aqui...

Será que perdi o jeito?
Será que alguém percebeu?
Será que estou sem assunto?

Estou mesmo sem escrever há um bom tempo... Tenho desenhado muito, estou fazendo o “álbum mais lindo que a Bianca poderia imaginar” com fotos, guardados e afins. Quando dá um tempinho a mais tenho costurado.

Tem gente que “costura para fora”, né!
Eu descobri que eu “costuro para dentro”... Em todos os sentidos... Uma, porque é quase uma “costura de subsistência”, costuro coisas para mim, faço coisas para mim, (ainda...) não sei fazer e por para fora de alguma forma. E outra, porque é mesmo dos processos mais pessoais e introspectivos que experimento. Quando costuro sinto-me mais perto de mim, mais perto de Deus. É quase uma meditação... ponto a ponto, linha a linha, arremates, descobertas e invenções.

Mudando de assunto, mas não muito... Hoje aconteceu algo curioso nesse processo. Fiz uma “arrumacinha” por aqui, em busca de uma bolsa preta que andava meio sumida... Achei. E achei várias outras que eu já nem sabia que existiam. Hummm... sessão do desapego! (ou quase...).
Uma destas era uma mochila colegial, meio hippie, meio esquisita. Olhei bem para a cara dela e deu a sensação de que não a usaria nunca mais (como o tenho feito há aaaaanos, em que está guardada e esquecida).

- Mas... o tecido é tão bonito.
- Não, Dani! Isso é apego gratuito. O tecido é bonito, mas é tachado... tem cara de hippie peruano!
- Mas tem história, tem valor sentimental.
- Sem essa, não faz parte do seu show...
- Lembro que eu comprei junto com a Angélica. Mochilas iguais, cada uma de uma cor.
- Pomba! Faz quase 2 décadas!
- É resistente pacas, carregava vários livros, mó peso!
- Não e não, e ponto. Ocupa espaço, você não vai usar meeesmo. A casa é pequena, abra caminho para uma bolsa nova. Ainda por cima está rasgadinha aqui, ó...
- Ai, um rasguinho à toa. Se eu cortar aqui, tirar o furo para lá, vira uma capinha de almofada. Quero mesmo trocar essa de paetê que arranha e marca a bunda por uma mais fofinha, preservo a bela estampa e uma linda história.

Então... eis a surpresa!

Rasgo daqui, corto dali e descubro que a mochila tinha um forro!!!
Não, não era um forro falso cheio de dólares... Mas era o maior barato! Um algodão cru, de saco de farinha... com umas carimbadas escrito assim “harina especial de trigo”, “contenido aprox. 45 kg”, “hecho em Bolívia” e uns desenhos de uns trigos lindões!!!
Que agradável surpresa! Fiz uma bolsa com o tal forro!!!
Até esqueci da capa da almofada...

Fiquei feliz por (às vezes...) ser teimosa comigo mesma.
Fiquei feliz de pegar algo que eu nem curtia mais e conseguir transformar em algo novo e bacana.
Fiquei feliz porque sim... porque o que eu quero mesmo é ser feliz! Em cada pequena coisinha, a cada pequeno momento, de apego ou de desapego, mas que eu saiba fazer dele um “pequeno bom momento” desses que tanto enriquecem a gente (mais que um forro cheio de dólares).


Por falar em “pequenos momentos, grandes alegrias”, tenho curtido muitos desses por aqui.
A casa agora tem fogão E geladeira. Primeiro mundo total!!!!
Sinto-me saída da idade média adentrando o iluminismo, descobrindo um mundo novo...
Sim, agora é possível desfrutar das comodidades de se armazenar comida em casa! Sim, o pão voltou a ter manteiga, porque a manteiga agora tem onde morar. Sim, a cerveja é geladinha. A azeitona preta não fica mais branca, e o pão preto não fica mais branco. Uau!!!!!!
Ahhh... o mundo das comodidades!

E também tem fogão!!! Ainda meio subutilizado... pois tenho medo de usar o forno e esquentar demais a geladeira, e ainda não consegui botar uma pedra entre eles, mas está uma beleza!!!!
Sinto-me uma macaca das cavernas, da Guerra do Fogo de Annaud, dotada da sofisticada capacidade de dominar as tecnologias de produzir um foguinho próprio em casa...

Ai, que alegria!
Um luxo! Fogão e geladeira em casa!
Melhor que isso só piscina tony na varanda, mas não cabe... então tomo minha cervejinha na banheira mesmo.

Vai uma das primeiras fotos do primeiro mundo aqui..


Da próxima escreverei uma da série “pequenos momentos, grandes acontecimentos” em função dessas revolucionárias mudanças na cozinha.



... nessa casa se ouve Mile Davis

sábado, 14 de março de 2009

to be continued...

Pois é, Marconi querido...

Eis a história que continua...

As filosofadas que passaram pelos escritos sobre solidão e individualidade foram looonge... Renderam caderninhos e mais caderninhos sobre a tal primeira das conclusões...

Segue um dos trechos recortado dos mesmos...

“(...) e que já sinto, percebi ou descobri há tempos, que (ainda...) carrego certo peso e medo de ”ficar sozinha” neste mundo... Contraditório, não?
É que sou a (muuuito...) caçula, e que, se a vida “seguir a ordem a natural e temporal
dos fatores”, vai chegar um dia que eu vou “estar sozinha”, sem a presença mais
amada da família mais próxima.
Ás vezes sinto certo medo disso. Às vezes dói quando paro para pensar (...)”.
E o papo comigo mesma rendera pacas... E a contradição é mesmo grande....

Pois acho que eu criei uma “armadura de defesa de meus próprios medos” tão grande e tão cedo que, apesar de amar tanto minha família e querer tanto estar junto, eu me ‘afastei’ de alguma forma.
E a tal “ordem natural e temporal” dos fatores também é tão contraditória quanto, pois eu mesma fui tão cedo até a porta-de-sabe-se-lá-onde e para cá voltei, creio que com missões e aprendizagens ainda a completar.
E a vida... sempre tão cheia de surpresas, nos mostra e ensina que “ordens naturais dos fatores” são parte das ‘grandes ilusões’ do mundo que nós mesmos criamos e nele vivemos.

Uma das conclusões saída daí era inspirada pela “continuidade da vida”, pela magia da vida que se renova quando uns morrem, outros nascem, e a vida e a família meio que se renovam também.

Pensei em passar mais tempo com a família. Pensei em mil coisas para fazer e viver com minha afilhadinha.

E então ela que se foi.

Aos 16 aninhos, de uma hora para outra. Fechou os olhinhos para abrir novamente só lá do outro lado.

O amor maior que eu já senti!

Não sei se eu consigo explicar tudo que sinto e senti, tudo que pensei e passei. Não sei onde e como as coisas ‘se explicam’. Talvez algumas não “se expliquem”, apenas “se sintam”. Mais papos para outra hora.

Sei que nossa passagem por aqui é mesmo uma grande escola. E um de meus confortos veio de uma frase que ouvi de meu irmão... “Bianca passou de ano, a gente aqui é repetente”.

Quando a gente pensa que sabe alguma coisa, a vida vem e nos dá uma sacudida... creio que para nos lembrar que estamos aqui mesmo para aprender e aprimorar.

Bianca foi (e é) para mim uma escola, uma mestra mesmo. Uma presença de puro amor e sabedoria. Que me toca e me ensina mais e mais sobre a vida, e cada vez mais.
Só amor, só sorrisos, uma paz tão ingênua e ao mesmo tempo tão sábia. Um anjinho que nos presenteou com sua companhia nesse breve tempo.

Sei que estou tranqüila, aprendendo com tudo e todos.
Renovando sentimentos, me enchendo de amor, buscando ser consciente, coerente e consistente.

Passei os últimos dias trancadinha por aqui, carnaval no “bloco-dos-que-não-saem-de-casa”.
Acho que arrumo a casa e de alguma forma arrumo a mim mesma.
Processos saudáveis e enriquecedores. Revendo e revivendo a vida, o mundo e a mim mesma.

Já fez 1 mês dessa reviravolta toda de vida...
Creio agora que a morte é quem mais nos ensina sobre a vida.
Creio que mudei, que estou mudada, que estou mudando...
Tive dificuldades de escrever esses tempos... pensei demais, senti demais, mas consegui escrever muito pouco... mesmo esse “textículo” que vos fala é fruto de praticamente uma palavra por dia... Mas passei a desenhar mais! A cada brechinha de tempo, e tenho feitos rabiscos cada vez mais coloridos.

Enfim, cá sigo.
Eu consigo.
E eu comigo.


Singela homenagem...


As últimas fotos que tirei da Bi, no fim de ano em SP.




Apesar de eu não ser muito “de mostrar a cara”, abro uma saudável exceção... Causa nobre e querida.
A última foto em que estamos juntas.
Fotografia Otávio Rodrigues.




... nessa casa se ouve Bad Brains

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

A “autópsia da cigarra gigante” (*) é aqui...

Eu estava quietinha, em meu cantinho, fazendo minhas coisinhas.
Eis que entra um Bicho Voador Não Identificado (também chamado de “bívini”)... alucinado, estridente e graaande!.
Verdadeiro invasor da minha toquinha...

- Que é isso? Quem ou o que é você? Veio em missão de paz?
- Quer parar de voar para lá e para cá, de ficar quicando e berrando pela casa?
- Quer parar de me assustar?

É grande... pode ser um passarinho! Não, não... passarinhos do bem não entram na casa dos outros essa hora da noite. A menos que realmente haja algo errado no mundo lá fora... Mini morceguinho? Não.... mini morceguinhos devem ser mais zens, menos elétricos que essa coisa saltitante aí...

Quando o bicho pousa, eu paro de tremer e berrar, (meio que...) consigo ver do que se trata... Grande, formato de kibe, peludo e com asas transparentes. Aaahhhh.... é um inseto nojento, grande, formato de kibe, peludo e com asas transparentes

Putz. Não sei o que é isso não... Só sei que não deveria estar aqui... muito campestre, quase jurássico, deve ser habitante da floresta...

Tento alguma comunicação.
- Fofo (?), presta atenção! Aqui não é o seu lugar, isso aqui é um (pequeno) apartamento inserido no meio urbano. Não tem alimento, não tem lugar de repouso, não tem nada de interessante para você. Sou uma pessoa que se assusta, que não convive bem com animais em lugares que não têm grama. Melhor ir embora, vai procurar sua turma. Beijo, me liga!

Abro as cortinas, abro portas e janelas, mostro o caminho para o cara.
Nada...

Pousou sobre a caixa mais alta, na prateleira mais alta da casa.
Filho da pulga...

Eu insisto...
- Aí não é seu lugar, saia antes que eu pegue uma vassoura. Ó... está tudo aberto para você sair. Fica lá fora, fica.

Nada...

- Bom, vou voltar para o meu cantinho... então fica quieto aí, e não se mexa, falou? Quando resolver ir embora, vá de uma vez só, sentido porta da varanda.

Viro as costas e o bicho começa a saculejar novamente. Grita, apita, voa (e rápido!!!) pela casa toda, bate de um lado para o outro. Chego a me abaixar (berrando...) a cada rasante que ele dá em minha direção.
Merda!

Acho que eu só não sai correndo e gritando pelo prédio porque tive um minuto de lucidez... vi que eu estava de calcinha e sutiã e ia ser um escândalo.

- Cara!!! Que que você tomou? Qual que é a sua? Para que isso agora?

Pego armas químicas e 1 vassoura. Detefon em punho e saio borrifando essa nheca pela casa toda, tentando mirar em um bicho que não para quieto.
Cada vez que eu tento matar um inseto eu quase morro junto por intoxicação...

- Vai, canalha! Fica enjoado você também e sai para respirar ar fresco lá fora...

Pousou. No fio da luminária.

Hummm... Movimento calculado.
Está na linha da janela aberta.
Sou boa de mira e de cálculos de física. Sei a força e a direção da vassourada e o bicho vai em parábola direto para a árvore lá de fora.

Não tenho coragem.
Não consigo.

Dou vassouradas por perto para ver se ele se assusta com o ventinho na orelha e resolve sair por conta própria. Acerto luminária, fio, coisas em cima da mesma e o nojento nem se mexe.

Perdi as esperanças. Já perdi a confiança. Não acredito mais que ele vai ficar quieto até se dar conta que aqui não é seu lugar e ir embora... Daqui a pouco ele começa a se sacudir de novo, deve estar meio bêbado de inseticida, vai se esconder e sair para puxar meu pé no meio da noite...

Pego a latinha de veneno novamente. Tiro tudo que está por baixo do cara, miro bem, viro o rostinho para nem olhar e... tchhhhhhhh.....

Aí, aí, ai... Eu tremo, saculejo e grito mais que ele....

Cai no chão. Respiro fundo e vou pegar a pá do lixo.
Deve estar morto. Barriga para cima... Chego perto e o cara treme e apita novamente!
Começa a girar, mesmo nessa posição ridícula, e a uns 40 km/ h... parecia uma enceradeira em pane, um carrinho a pilha quando bate na parede.

Eu começo a pular.

Pego um pano molhado, fica pesado, jogo em cima do cara. Pronto. Você tem uma morte digna, respira, desintoxica, fica fresquinho e não me enche mais o saco.
Encharquei a casa toda...
Botei a pá do lixo em cima, viradinha que nem uma concha. Ok. Quando eu vier limpar aqui, as ferramentas já estão à mão, vai para o lixo com pano e tudo.

- Otávio? Está no telefone? Estou com problemas... Que faço?

Mal consigo ouvir sobre os procedimentos... Fico enojada só de pensar... Acalmei, parei, sentei.
Tentei por uma meia hora dar cabo daquilo. Refleti, matutei, filosofei, rezei.
Até que me enchi de coragem e fui à cena do crime... Tiro a pá, e a besta tinha saído de debaixo do pano!!! Agonizava ainda ali...

Aaaaiiiii.... Começo a gritar e espernear de novo!

- Otáááávio.... não vou dar conta! E agora?
- Chama o síndico! Desce comer uma empada, pede para o dono do bar fazer essa gentileza para uma cliente. Sei lá... Ou então vai lá... Olha o bicho no olho, aprende a enfrentar seus medos, pô!

Tento novamente... por mais quase meia hora...
Resolvo pedir ajuda ao vizinho. Ouço barulho de TV, deve ter alguma boa alma acordada por aí, me visto e saio...

- Quem é?
- A vizinha aqui do lado.
- Ah ta. Só um minutinho.
- Oi. Boa noite. Tudo bem? Seguinte... estou com problemas, realmente preciso de ajuda. Vizinho é para isso, né.... se ajuda, coopera, colabora pela paz na comunidade. Estou até com um pouco de vergonha, mas é fato, é real. Quer dizer, é fatalidade. Entrou um bicho, eu estou nervosa, eu estava trabalhando, já atrasei tudo, estou há mais de 1 hora cuidando dessas questões, não estou dando conta sozinha. Ele voava de um lado para o outro. Eu sei que devia enfrentar meus medos, estou tentando, mas não consigo... quer dizer, consegui em partes, já foi um avanço. Matei. Matei com armas químicas, joguei o pano em cima. E o bicho apitava. Mas acho que eu devia ser da máfia... eu consegui matar mas não consigo me livrar dos corpos. Sabe como é... estou ainda nervosa, tremendo, já chorei, já berrei, mas consegui. Foi uma questão de invasão de domicílio. Eu tentei diálogo, abri a janela, falei para ele sair. A gente acha que é auto-suficiente, que consegue dar conta de tudo, que não precisa de homem para nada. Balela. Primeiro inseto nojento que aparece e a auto-suficiência e independência, ó... vão pras picas. Quem é que vai me ajudar com o bicho? Já pensou se fosse barata? Ia ser bem pior, eu era capaz de sair correndo e nunca mais voltar. Veja você, que bom ver um rosto amigo pela frente.

O vizinho foi ficando meio corcunda e com os olhos fechadinhos.
Achei melhor parar de falar, ele talvez pudesse achar que eu fosse uma maluca.

Ele vira e diz:
- Não estou entendendo nada do que você está falando... peraí que eu vou botar os óculos.
- ???

Ufa! Não sou maluca.
- Explica aí o que está acontecendo... como assim?

Eu explico tudo de novo. Ele bota o chinelo e vem aqui me ajudar com o serviço sujo.

- Ora... Veja você. É uma cigarra. Tem muitas aí na árvore. Ela entra se esconder quando vai morrer. Canta, canta, canta até morrer. Ela canta até explodir.
- ???
- Que nojo! Que horror! Explodir???? Entrou na minha casa para morrer? Que onda... Canta até explodir??? Amy Winehouse?

Ele joga o bicho num saquinho, me acompanha até a lixeira do prédio.
- Obrigada, meu herói!
- Boa noite. Fique tranqüila.
- Boa noite. Se precisar de alguma coisa, sei lá... acabar o açúcar, botão na camisa, diga aí.

A culpa, o remorso, a dor pareceram aliviar... Canta até explodir? Veio aqui para se matar? Por que aqui? Como assim explodir?
Quem mata um bicho suicida alivia sua pena? É ‘eutanásia do reino animal’?
Será que ela preferia cantar e explodir? Eu interrompi esse processo doloroso e profundo?
Eu serei menos má por matar um inseto com instintos suicidas?
Por que veio se matar aqui? Eu ia ver você explodir?
Não acreditoooo. Essas coisas só acontecem mesmo comigo. Você entra na minha casa para eu presenciar essa cena bizarra? Mas para que isso agora?
Que aconteceu? Briga em casa, marido safado, dívidas, desilusões? Por que não seguiu a vida? Cadê as outras cigarras? Alguém sabia dessas suas intenções? Deixou uma carta?
E veio morrer aqui???

Sempre gosto das “coisas bem pensadas”... pelo homem ou pela natureza.
Mas... Cantar até explodir? Que idéia? Que natureza essa a sua, hein?
Equilíbrio? Onde, se já desequilibramos tantas coisas? Você não percebeu? O mundo mudou, o homem alterou muitas coisas, talvez você não precise levar a cabo todos seus instintos... a natureza já se torna outra também. Seus reflexos, impulsos e tendências naturais serão transformados.
Será que ir se matar dentro da casa dos outros, até explodir, é reflexo de desequilíbrios ambientais?

Isso foi ontem. E eu estou mexida até agora... ainda não entendi bem a história, ainda não aliviei os pesos todos.


(*) nome de um dos espetáculos mais fantásticos que eu já vi.

E eu espero nunca mais levar ao pé da letra os nomes dos espetáculos fantásticos que eu vejo...
E como agora eu estou com essa onda de ‘blog ilustradinho’, boto uma foto da dita cuja... Não, não é a que entrou aqui em casa. É alguma parenta desgarrada que não deve nem saber ainda dos percalços da vida dessa que cá esteve... mas é tão esquisita quanto, e está agora me ajudando a enfrentar meus medos e olhar para elas de frente.







... nessa casa se ouve Easy Star All Stars

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

em sp

Sempre acho que existem anjos por aí que "tocam harpa" nos fios e cabos da cidade...
As fotos foram feitas na breve ida à sp no fim do ano, no caminho para o sítio.
E a variedade de "instrumentos" é grande... tem anjo que toca em pontes modernosas e tem anjos que tocam na periferia.










Essa última é a única que não foi tirada na ocasião. Já é mais antiguinha, e é em SP também.
Era a vista do quarto do hotel. E a laje do prédio é uma loucura... Tem fio, cabo, antena, mas parece que está tudo meio "ajeitadinho".
Nessa, acho que os anjos tocam "reco-reco"...
E tem lá um "homenzinho" sentadinho em baixo, de braços cruzados, que eu nunca soube quem ou o que é...

... nessa casa se ouve o barulho do teclado

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

solidão x individualidade

Mamãe esteve aqui há pouco tempo... madrugada adentro bebendo vinho e falando da vida...
Ela (talvez como toda mãe...) meio inquieta, talvez até aflita, se diz preocupada comigo.

Ok.
Processo normal, atitude natural, preocupação de mãe é uma das constantes invariáveis do mundo.

Mas... então ela diz estar preocupada “com minha solidão” (?).

Fez-se o silêncio por alguns instantes...

Ora, mãe!!!
Pense comigo... Vejo que há um limite delicado, até meio frágil, um limite mesmo tênue, por vezes difícil de identificar, mas que define o que é solidão e o que é individualidade.

Esse limitezinho diz o que é um e o que é outro! Às vezes estes podem mesmo se confundir, se atrapalharem no meio dos processos da vida... mas creio que há sim uma linha que os diferencia, e que nós muitas vezes não os reconhecemos, não os identificamos, não sabemos separar, distinguir ou dissociar as coisas...

E eu continuo...

Mamãe... você tem muito mais estrada de vida do que eu. Já conviveu com família, com pessoas próximas. Casada há mais de meio século, penca de filhos, penca de netos, casa cheia e movimentada...
Em algum momento você já se ouviu e em algum momento pensou “ai... como eu preferia estar sozinha agora” (...)

Fez se novamente o silêncio...

O silêncio que tanto fala. Mamãe suspira e se cala...

E me responde com seus profundos sentimentos... (papo esse que vou preservar e parar por aqui, mas a conversa se estende até 4 e picas da manhã...).

Conto apenas algumas coisas que são minhas...

Não me sinto sozinha.
Sinto-me em companhia de mim mesma.
Prefiro assim. Estou assim porque quero, porque gosto.
Talvez nesse momento, nessa fase, não sei bem... não sei sobre “comos” e “quandos”... sei de meus porquês.

Algumas vezes sim, sinto falta de uma companhia.
Mas muitas vezes também, sinto vontade ou prefiro “estar só”.

Gosto disso. Gosto do meu cantinho, gosto do meu jeitinho, sou feliz comigo mesma.

Por que tantos estranham?

Mãe... a vida já é tanto burburinho que quando estou sozinha na minha casinha é tudo tão bom...

Sim, faltam-me algumas coisas na vida... mas não sei se são pessoas...
Tenho amigos, tenho família, tenho pessoas queridas por perto. Tenho pessoas que amo e estimo, perto ou longe, mas me que fazem “me sentir pertencente a este mundo”.
Tenho saúde, paz de espírito, prazer pela vida. Por que não posso querer estar sozinha?

Acho que estou sozinha por opção. Não por falta de opção...

Não estou sozinha.
Estou separada, descasada ou solteira, como queira definir ou interpretar.
Moro sozinha.
Tão esquisito assim?

Tem gente que “casa e constitui família”... mas se pudessem matariam uns aos outros. Outros o fazem realmente, de alguma forma...
Tem gente que vive cercado de gente, mas se sente sozinho.
Tem gente que se isola. Vive sozinho sem contato com o mundo lá de fora, e tem gente que vive sozinho sem ser por sua escolha ou decisão.
Por que lhe parece tão estranho eu querer viver comigo mesma?

Ai... meus filhos todos separados...

Pô, mãe!!! Não está bom assim?
Seus filhos todos separados mas com bons sentimentos e relações com aqueles com quem dividiram a vida em algum momento.
Seus filhos todos separados porque assim optaram, porque assim decidiram suas vidas.

Estou tão mal assim?
Tão mal assim ser “separada”? Ainda existe “mal” nisso aos olhos de alguém? É por isso? Diferenças culturais ou de geração? Ou aos seus olhos ainda possa lhe parecer ruim “estar sozinho”?

Seus filhos são todos meio esquisitos mesmo... Mas são felizes, cada qual do seu modo, com suas esquisitices. Uns bichinhos do mato... que ficam felizes quando estão ou podem estar sós.

Esquisitices ou particularidades à parte, estou comigo mesma.

E o limitezinho... que diferencia sim solidão e individualidade, acho que nasce aí.
E quando estas “se confundem”, é muita coisa que se perde e se confunde também...


Algum tempo depois voltei (sozinha...) a pensar e refletir sobre o assunto e os papos...
Cheguei a duas conclusões iniciais.

A primeira é uma loooonga história, papo para longas e outras horas e páginas...

A segunda é que “Sim, mãe. Talvez um dia eu até case de novo, mas vou preferir e continuar morando sozinha”.



... nessa casa se ouve Miles Davis

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

imagem da semana com imagens que não são da semana

mas que são "boas fotos de dani" e mereceram estar aqui...















... nessa casa se ouve Misfits

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

parece que padece

RJ, 04 de janeiro de 2009.

Estou cansada. Mas cansada e esquisita... (desta vez um pouco mais que o normal).

Parece que senti falta de ‘um abraço’... Mas não exatamente um abraço físico, um abraço humano...
Deu a sensação de sentir falta de ‘aconchego’, de repouso pleno. De descanso. Sossego ou alívio...

Parece que o que eu queria mesmo era uma “televisão”. O “abraço de uma televisão”...
O deitar e não fazer nada, ver o mundo passando em frente aos olhos, sem maiores assimilações, puro entretenimento.
Passar o tempo, sem me mexer... nem por dentro nem por fora...

Putz.

Fiquei péssima, me senti um trapo, um ser humano da pior espécie... deplorável, lamentável, vergonhoso...

Os pássaros cantando lá fora e você aí nessa ambição mundana...

Querendo o abraço de um aparelho de tv?
Senti-me carente... Mas... carente de uma televisão?
Desejando por esse conforto, por essa distração, como ambição e planos do dia...

Culpei-me.
Por que não sentindo vontade de ficar deitadinha lendo um livro?
Não quero pensar. Não quero digerir nada.

Cobrei-me.
Que merda! Começa assim... daqui há pouco está falando de personagem de novela como se fossem seus vizinhos.

Lamentei.
Carrego a “dor de corno” de pagar tv a cabo e não ter aparelho de tv para enfiar na tomada...


Pensei em ir ao shopping comprar uma TV. Deu preguiça e raiva. Mudei de idéia, desisti.

A vontade de ver TV passou só de imaginar o desafio!!!! Ruas com pedestres errantes, fazendo fila para tomar sorvete do mc donalds, vendedores de sorrisos tingidos me chamando de Dani (?) e dizendo “o que é melhor para a minha vida”, loiras-de-xoxota-preta me olhando torto como se eu fosse a anomalia, crianças cujo argumento é o berro, outras de salto alto (...) se equilibrando como em patins com mães de salto alto se equilibrando como em patins, barrigas suadas e desabotoadas com caras de churrasco-aos-domingos e olhos de lobo mau querendo comer a chapeuzinho...

Socorro!!!! Eu fatalmente iria recair em pensamentos obscuros... “Por que não se desintegram? Por que não se desintegram? Por que não se desintegram?”
Não tenho forças para sobreviver a tanto...

Vou ficar deitadinha, fazer cafuné no cotovelo até pegar no sono um pouquinho... Quando acordar devo apresentar “sinais de vida inteligente neste planeta”.
imagem da semana

Uma “sombra de mim” assistindo telas em branco.



... nessa casa se ouve Alice in Chains

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

fim de ano e o que mesmo?

Aqui mesmo, 23 de dezembro de 08.


Tanta coisa acontecendo nesse fim de ano corrido. Tempo ‘curto’ mas que, ao mesmo tempo (...), parece tão longo, tão distante...
Olho o calendário.... 2 semanas atrás... E parece que se passaram anos...

Impressionante!

Impressionante como as relações de tempo são ilógicas! Parecem estar se transformando...
Muita coisa acontecendo? Muita informação simultânea? Ou estamos mesmo mudando nossas concepções e percepções temporais?

E, praticamente na mesma medida, o contrário também se aplica... Parece “que foi ontem” mas, na verdade, quando a gente vê, lá se foi 1, 2, 3 meses....

Tão contraditório quanto instigante....

Contraditório como eu...

Que, ao mesmo tempo, que me atrapalho (tanto...) com “alguns tempos”, com horários, com datas, com lembranças temporais definidas e determinadas, sou extremamente afoita e interessada com e em “filosofias do tempo”, com a “física do tempo”, com esse mundo misterioso e fascinante...

Tempo.... que rima com alento. E com vento... efêmero e passageiro. Nada ‘venta’ o tempo todo... Nada ‘tempo’ o tempo todo.
Ai, ai... Lá vou eu com meus poeminhas sem pé nem cabeça... um sem tempo, outro ao vento...

Papo sobre o tempo rende uma vida...


Volto para o fim de ano corrido e apressadinho...

De repente inventaram que era Natal... Que é natal, fim de ano, reveillon e que tudo e todos passam a ser diferentes por causa disso!
Loucura! As pessoas parecem não estar no “aqui e agora”, todas preocupadas e afoitas com o “fim de ano” que vem pela frente...
Opa!
É fim de ano ou é fim do mundo?
Tudo 8 ou 8.000!!!! Mais do que eu... Ou tudo está lotado, abarrotado, cuspindo gente pelos ares, com lojas e comércio lotados e abafados, engarrafando até as calçadas. Ou é um vazio mórbido... um vazio que faz eco, que dá a impressão de se ouvir o vento assoprando em tons de cinza...
Só por que é Natal?

Olho para as pessoas que esvaziam as ruas e abarrotam as lojas americanas até engarrafar a calçada e me pergunto... Alguém aí se lembra do aniversariante?
Todos querem comprar presentes para as pessoas queridas, mas... toda hora não é hora para se presentear quem se quer bem?
Precisa de um pretexto? Precisa fazer do Natal um pretexto?
Datas comemorativas hipócritas... Mundo capitalista de merda.

Só o que eu vejo de bacana nessas tais ‘datas’ é a oportunidade de reunir a família. Pelo menos para mim, que já não passo mais os “domingos no sítio”...
Não precisa de presente. Precisa de presença...

Mas em todo lugar que se vá alguém deseja “feliz natal” com um sorriso pálido e vazio e ao mesmo tempo com uma alegria que nem ela sabe de onde vem... parece que é só alegria por ‘ser um feriado’, uma alegria pela rabanada que se enfiará goela baixo. Que sentimento o cidadão que eu nunca vi na vida tem ao me desejar “feliz natal, feliz ano novo”?
Ou então, se ele me quer bem e me deseja algo de bom, por que no “praxe” do Natal?
Por que não um “feliz sempre”, “feliz todo dia”, “feliz ano todo”?

Às vezes acho que de normal nesse mundo só tem eu mesmo... Que estou cá em grande crise existencial por que não sei dizer qual é a melhor música do Clash... estou há tempos me mastigando com isso... london calling ou the guns of brixton? london calling ou the guns of brixton? london calling ou the guns of brixton?
Fico aflita comigo mesma por que não consigo ter uma opinião plenamente coerente e definida a respeito. Faço listas para tudo e essa eu não consigo ‘fechar’...

Lembro do não-sei-lá-quem Gordon (...), do personagem do John Cusack em High Fidelity...

Sinto-me como um personagem...

Pareço cada vez mais um misto de “não-sei-lá-quem Gordon” com “Amelie Poulain”... Dentre crises pessoais, existenciais e filosóficas tão profundas e tão íntimas, porém ao mesmo tempo tão constantes e determinantes na vida corriqueira... Dentre paixões esquisitas e vagas, vivendo muitas vezes em um mundo tão particular e tão pessoal...

Tocando a vida... e sentindo lá dentro coisas grandes que parecem ínfimas, e outras pequenas que parecem gigantes... ao mesmo tempo tão frustrantes quanto determinantes ao comum e ordinário que se é.

E o fim de ano?

Meio que não estou sentindo o tal “espírito”...
Sinto um corre-corre que parece que não é comigo.
Sinto 200 outros corre-corres que parece que só eu estou sentindo...

Não consigo parar para pensar em Natal e Reveillon... Faço tantos planos com outros compromissos que não sei ter planos de “fim de ano convencionais”...
Vou ceiar com a família, e volto no mesmo dia.
Reveillon? Sei lá... está tão longe, tão distante... Tem tanta coisa pela frente daqui até lá...
Vou deixar para pensar na hora. Vou pular 7 ondas na banheira.

Comemorando pelo aniversariante do dia todos os dias.
Fazendo de cada dia um motivo de celebração.
Vivendo constantemente o “espírito” de coisas boas e sentimentos bons.
Começando e recomeçando um ano novo diariamente.



... nessa casa se ouve Bauhaus

sábado, 20 de dezembro de 2008

por aqui... e por aí...


foto Otávio Rodrigues




... nessa casa se ouve David Bowie.

domingo, 14 de dezembro de 2008

juízo final

Ainda na série “aceito boas sugestões”, inaugura-se agora novo tema... “o mundo segundo DR”...

Mundo particular. Mundo peculiar. Mundo único, sob uma visão mais característica ainda...

Porque para tudo no mundo (pelo menos no meu...) há sempre uma teoria embasando e fundamentando os processos envolvidos. Porque em e para cada mundo há (sempre...) um porquê para tudo (ainda que a gente não saiba ou não perceba...).

Primeira questão:

...é que eu tenho uma convicção...

Talvez alguém se pergunte... “uma?”

Talvez alguém pergunte “só uma?”, ou então...
“convicção?”, talvez ainda a indagação crucial... “tem?”...

Mas o fato é, que dentre tantas (talvez não convicções, mas fundamentações... certamente abalizadas nesse mundo-único), a primeira teoria a se apresentar é quase uma revelação...

No dia do juízo final (sim... ainda acho que ele virá...), ao sermos todos barrados por São Pedro na grande porta de sabe-se-lá-aonde, prestaremos contas sim!

Seremos confrontados e intimados ao grande julgamento. Está nos grandes escritos de DR, que não é lá um evangelho... Está nas escrituras e nas profecias, nas partituras e nas poesias...

Eis (que em verdade vos digo) que...

No dia do juízo final, prestaremos contas ao Google!

Rapaaaaaz! Pode acreditar. Vai por mim. É isso mesmo que você ouviu... “no dia do juízo final, prestaremos contas ao Google!”
Não tenho dúvidas a respeito. E mil razões para ter se tornado uma convicção... Pare para pensar a respeito um minutinho... veja se não tem mesmo fundamento....

Os ímpios se colocarão frente ao grande julgamento, no tribunal celestial-virtual.

Toda sua vida será revista em versão beta, apresentada aos seus olhos em 1 – 10 de aproximadamente tudo que você fez nesse site...

Que essa é uma verdade, isso é.

Só não sei para onde vamos dali para frente... talvez hajam pesquisas relacionadas, talvez a página seguinte não possa ser exibida, talvez ainda alguns tenham que voltar para tentar outros links...


... nessa casa se ouve Placebo.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

embalagens

Foi meu aniversário. Mamãe veio para cá. Trouxe amor, carinho, um bolo dentro da mala e um presente de papai.

Volume conhecido... aquele formato que é quase impossível fazer uma surpresa...

Garrafa! Não tem erro, já sei o que é.

Papai que mandou? Já sei. É vinho.

O momento de curiosidade e surpresa é só o de imaginar... “Uau! Qual vinho será?” e “Será que tem cartão? O que será que está escrito?”

Eis que... abro a embalagem e lá dentro da sacolinha estão 1 singela e mágica peneirinha de plástico e 1 memorável abridor de vinhos, que existe desde antes de eu nascer, com cara e gosto de memória afetiva pura!

Isso é que é surpresa!!! O resto é conversa...

Independente do volume previsível da embalagem o conteúdo foi mesmo surpreendente e emocionante.
Tinha também um (lindo) cartão, com “truques e trecos” de papai, e também um “envelopinho” (famosos envelopinhos dessa família...) que papai disse ser “magro”.

Pai! Ora essa... Envelopes são magros por natureza. Se fossem gordos seriam caixas.

Esse pacotinho recheado de coisinhas foi a maior riqueza que o senhor poderia ter me dado. A maior honra e maior alegria do mundo estavam ali comigo.


Imagem da semana * embalagens



Que raios esse tucano está fazendo aí?
Que raios esse tucano?

Será que é “strong” por que o tucano quebra a semente de guaraná com o bico? Mas aí... quem é o “strong” dessa história? O guaraná ou o tucano?
Será que esse guaraná é produzido ou fabricado em algum lugar que tem muitos tucanos?
De onde saiu esse passarinho horroroso?

Que loucura! Quanto mais eu olho para o rótulo mais assustada vou ficando...

Acho embalagens sempre coisas fascinantes... muitas vezes curiosas, muitas vezes formosas, muitas vezes horrorosas...

Tenho aqui quase uma coleção.


Uma das recentes...

Comprei por causa da embalagem... comprei logo duas. Nunca tinha visto nada igual. Tem até um arco-íris...
E o fundo rosa então? O “sonho em cor-de-rosa” do guaraná Jesus não esperava por essa...

Guaragay é fantástico. Quase um ícone...
Ficou me surpreendendo durante meses... depois perdeu um pouco a graça... vi para vender em 2 ou 3 lugares e fiquei com a impressão de que “o mundo conhecia guaragay” e só eu estava pasma em ver aquilo...

Não tomei o guaraná ainda... ainda nem abri... não deu muita coragem e, além disso, está fora da geladeira há mais de um ano... se não for ruim já deve estar péssimo.... (na verdade também não tomei o strong ainda...)


Uma das preferidas...
Indiscutivelmente uma das melhores que eu já vi na vida...

Encontrei-o meio sem querer, com sede de matte leão foi a alternativa possível oferecida.

Fantástico! Mate tigrão!

Veja bem... ele não é “leão”... é “tigrão”.
O fundo laranja, a fonte rechonchuda, o close da cara do bicho... O que que é esse tigre??? Parece que saiu da embalagem de sucrilhos, puto, com os olhos em fogo...
Mate tigrão é tão bom que fiz questão de ficar com ele na ‘partilha dos bens’... Já morou na cozinha, já foi porta-escova de dentes e hoje é um lindo porta-lápis.
Mais uma...

Essa eu ganhei de presente.

Susana... disse que me deu por causa da embalagem, sabia que ia adorar.

Puxa... adorei realmente! Mas que é esquisita, é... quase inimaginável.

É um misto de Tarzan-literalmente-selvagem com flyer-de-telefone-público... Uma loucura!
A dona-loira-meio-sheena literalmente derretida nos braços do cara, meio-rambo-meio-mogli, com um cabelinho anos-80 que é incrível imaginar que isso possa ajudar a vender alguma coisa... Mas o produto parece mesmo ser ótimo, um combinado de catuaba com guaraná e marapuana, seja lá o que isso for... E no verso está escrito “beba antes de agitar”...


E como aqui o que se fala é tudo verdade, vai de lambuja uma da peneirinha...


... nessa casa se ouve Billie Holiday.

A imagem da semana dessa vez poderia muito bem ser o coadorzinho que mamãe trouxe, papai mandou, mas é que eu vi algo muito “curioso” (ou melhor, muito esquisito...) que me lembrou outras coisas mais curiosas e mais esquisitas ainda, que resolvi fazer uma “imagem da semana” temática...

Sabe como é... vida nova, novos hábitos... a gente vai aprendendo a se adaptar às fases da vida, né. Pois bem... tenho comprado coisas “que não precisam de geladeira”... e aprendido um monte com isso, além de ter feito experiências e descobertas incríveis.

Dia desses deu vontade de bebida (não, não é whisky caubói, nem vinho guardado no cantinho). Deu vontade de beber coisas doces.
Groselha eu já não encontro mais... Refrigerante sem gelo consegue ser ainda pior, sucos já perderam a graça...

Já sei! Guaraná concentrado! Vai ser bom para mim, é doce, fresquinho e ralo. Fica bom com água-quase-temperatura-ambiente que sai do filtro, fácil, rápido, não estraga, não tem que espremer...

Perfeito! Vou comprar um desses guaranás. Vou até o “mercadinho natural” porque lá deve ter boas opções nesse quesito.

Bom... eram três opções... escolhi o mais caro (nessa hora deu “alguma” maior credibilidade nesse sentido...).

Guaraná “strong”....... Uau!!!! Será que eu fico “strong” too? Vale por um espinafre do Popeye?

Chego em casa e vou ver o que fiz de meu mais recente investimento.
Ai, ai... a embalagem é terrível... não faz o menor sentido. Não estou entendendo nada...

sábado, 29 de novembro de 2008

imagens

Inaugura-se já a primeira edição da “imagem da semana” (...). hunnnmm, será que vai funcionar?
Acho que sim, talvez não “toda semana”... Enfim, resolvi mesmo ilustrar visualmente o blógue.

Recebi a doce sugestão do tema de mr. Hermida-de-Cooperfield, também já ouvira a doce Ticianne falando “bota essas imagens no blog” em algum outro contexto ou momento, e ontem ainda ouvi algo do tipo “muito texto, faltam imagens”...

É mesmo... logo eu, que sou “tão visual”, fico aqui só de letras e palavras...

Há algum tempo tenho críticas estéticas a essa casinha... acho o layout do blógue meio chinfrim..., mas não sei fazer melhor agora, nem me disponho a tomar algum tempo para aprender de imediato. Sinto falta também do “visual”, mas sei que sou mesmo contida em “expor o que é meu”.

Já pensei em botar boas imagens do (farto) “acervo DR”, que é mesmo um banco de boas coisas por aí... Mas... sempre tão displicente... tenho centenas de boas imagens quase sempre sem um pingo de ‘cuidado autoral’, não sei mais de onde salvei, não tem créditos de onde vêm, links ou menções precisas.

Elas simplesmente moram em “meus arquivos”, sob denominações ou critérios que eu organizo (pelo menos isso eu sei...), em diretórios com nomes esdrúxulos do tipo “para tatuagem”, “paredes”, “coisas interessantes”... Esse banquinho é mesmo rico visualmente, atualizado, com mil referências e fontes de inspiração, e tem mesmo “minha cara”, e nem é o único; divide espaço com os acervos temáticos de boas coisas que se vê por aí... “móveis”, “espaços”, “costuras”, e por aí vai... Fora esses ainda tem a quantidade absurda de papéis que brota diariamente nessa casa... desenhos, rabiscos, fotos. Recentemente até a “mulher-prancheta”, famosa personagem de histórias em quadrinhos que só eu conheço, ressuscitou. E tem ilustrado as paredes e pastas desta casa em novas aventuras e peripécias. Tenho andado com a câmera em punho, feito novas fotos a cada dia, enfim é mesmo um mundo de imagens...

Sempre penso na máxima “a vida é feita de sons e fúria”, mas... minha vida é mesmo feita de sons, alguma fúria e muuuuitas imagens...

Aqui em casa tenho um varal, por onde passam e revezam-se as “imagens da semana”... hoje olho para ele e estão lá: 2 postais com xícaras de café, um com uma mancha de tinta que ficou linda, um bilhete de meu pai (que veio junto a uma garrafa de vinho), um galho de louro de cabeça para baixo, um flyer do multiplicidade, Keith Richards todo enrugadinho ao lado de um Pablo Picasso noviiinho, com um olhar 43 que parece estar me vigiando, algumas estrelinhas de arame e uns pregadores ainda sem nada pendurado... bem ao lado tem um encarte do museu vitra, que eu vou folheando e mudando as páginas expostas a cada vez. Isso tudo só no mesmo canto... fora o que está colado por aí...

É... a casa de cá é bem ilustradinha...

E essa casa virtual não a reflete assim tão bem...
Então...

Imagem da semana (número 1)...

Ai, ai... os padrões... Já quebrei.... A “imagem da semana” da vez na verdade serão duas.
Como hoje é meu aniversário, e apesar de eu não dar muito crédito ou mesmo acreditar em calendários, marca alguns anos de minha presença neste planeta.
Busco comemorar isso todos os dias, mas a foto é da primeira vez que eu o fiz “oficialmente” – aniversário de 1 ano.
 Imagem da semana (número 2)...
É meu “descanso de tela” já há algum tempo... é tão boa, tão boa, que tenho dificuldades em trocá-la... acho que sou capaz de listar 237 motivos e razões para ter curtido tanto. Essa é mesmo da série “é a minha cara”...Para tentar me redimir das “citações sem autoria”, essa pelo menos eu sei dar os devidos créditos.. é de Vincent Dixon, autor de boas campanhas e anúncios que tem por aí, pai de 4 filhos, mora em Nova Iorque. Arrasou, hein cara!... nessa casa se ouve Nirvana.




PS. Sobre a foto do primeiro aniversário...

Eu me perguntava (há anos....) "quem será que bateu essa foto?"

"que olhar concentrado, meio curioso... quase falando... será que eu olhava para a câmera ou para o fotógrafo?"

"mas o que será que eu estava pensando que acontecia ali?"

Descobri hoje quem fez a foto!!!!

Dando os créditos ao fotógrafo: fotografia Otávio Rodrigues.

Que disse ainda ter feito umas 10 fotos da prezada senhorita na ocasião. Que era o único a registrar tamanha emoção das festividades. Algumas fotos eu andava no carrinho (não no belo fusquinha ali de fundo, mas sentadinha no carrinho de transportar bebês), outras eu estava no chão, por aí... como essa que se apresenta.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

greenaway

Semana passada vi a apresentação do Peter Greenaway e me emocionei para chuchu...
Talvez eu esteja sensível demais esses dias... Talvez eu filosofe demais e determinadas coisas no mundo me emocionam... Talvez nem nada disso, mas sei que eu até chorei...
Acho que fui uma das poucas pessoas que realmente gostou do que viu....

Enfim, essa mentezinha inquieta aqui, como é de costume, fez 1 milhão 902 associações diferentes e pensou outro tanto milhão de coisas e ficou toda eufórica com aquele senhorzinho ali...

É que eu ando (...), ou melhor... acho que eu sou, mas ando cada vez mais curiosa e instigada com o tempo... aahhhh, o tempo....

Será que é porque a gente vai vendo e vivendo o tempo passar e passa a se questionar mais e mais sobre ele?

Mas o tempo... essa unidade arbitrária que eu realmente não sou capaz de definir, muito menos de entender... mas que tanto cutuca, inquieta, instiga.

Pois bem, mr. Greenaway me deu uma pequena lição sobre o tema. Em mil variações, aplicações e naturezas distintas.

Uma das coisas que mais me fascina no cinema é a capacidade “de romper com limites do tempo”... a maestria das linguagens e narrativas de seqüências temporais quebradas, invertidas, subentendidas... (e tudo isso então, quando (bem) amarrado a um bom e cativante enredo, a um visual realmente artístico e caprichado, uma boa trilha sonora entre algumas outras qualidades, dá um programão! Desses de dar gosto de assistir, de querer projetar na parede de casa de forma ininterrupta...). Bom, eu realmente gosto de filmes, apesar de ter assistido muito pouco recentemente. Estou sem TV desde março (e sim! a gente sobrevive!), então já faz um tempo que não me “deslumbro assistindo uma tela eletrônica”...

Mas voltando ao “quesito rupturas temporais” que o cinema magicamente me comove... E ao bom velhinho que me fez chorar... a apresentação do tiozinho também foi um programão!

O visual, artístico e caprichado? As imagens eram mesmos fantásticas! Fotografia impecável, lindo, lindo! Algumas tão bonitas que dava vontade de ‘congelar’ e olhar por dias, com a certeza de que a cada momento sairiam novas informações e interpretações dali...
A trilha sonora? Apesar do DJ de plantão, confesso que achei bem mais ou menos, mais para menos.

Agora, o enredo...

Uhhhhh (e eu achava que eu era louca...)... O senhor de cabelos brancos brinca com o tempo como bolinhas de malabares flutuantes de mão à mão.

Seqüência? Coerência? Prudência?
Para quê?

Ele vai além, vai sobre. Faz jogos de ordenamentos, justaposições, montagens inquietas e tão vibrantes como o tempo breve de quem ali assiste...

Bom, alguns não acharam assim ‘tão breve’... ouvi queixas sobre a demora, a redundância, sobre ter sido uma apresentação ‘cansativa’...

Mas... Será que isso foi o que mais ‘tocou’ os que ali estavam? O tempo que permaneceram sentadinhos no teatro?

Será que todos os tempos que o jovem senhor nos mostrou não foram muito mais além, não falaram de forma mais simbólica sobre mil relações do mundo, inclusive as do tempo? Tempo este que nos deixou ali sentadinhos por “tanto” tempo?
Brincar com uma seqüência repetitiva de determinada coisa...
Como fazemos isso cotidianamente? Como fazemos isso contemporaneamente?

Fazer cenas e seqüências tão inconstantes como a própria percepção (que temos) do tempo...
Maestro. De tempos e imagens.
Que tempo?
Seqüência causal? Ordenamento? Começo, meio e fim?
Para quem e de quem? Só o ‘por quem’ estava ali de alguma forma...

Tempo onde? No relógio? Em que fuso-horário? Estamos em um ‘tempo’ em que tudo acontece ao mesmo tempo em todos os lugares... barreiras já foram transpostas nesse sentido.

E as imagens... tão cambaleantes quanto saltitantes. Uma profusão de informações tão confusa quanto estimulante. Delícia!

Alguém esperava pelo fim da história?
Que história? Se a cada informação que recebemos atribuímos nossas próprias interpretações pessoais, tão subjetivas e individuais? Ahhh, história mastigada, tempos e espaços pré-definidos. Precisa? Ou somos cada qual capazes naturalmente de “dar nosso sentido” àquilo que vemos e recebemos?

Seqüências alteradas são mesmo mágicas nesse sentido... a mente projeta!!! Cada um “vê” e/ ou “entende” independente de ter sido ou não “mostrado”.
Não é fantástico? Delicioso e emocionante?

Mr. Greenaway, críticas quaisquer á parte, fez mesmo um show!
Mas... fez um filme que não é inteligível...
Não? Ou cada um, cansado ou não pelo tempo ali sentado, não compreendeu alguma coisa de alguma forma?

E fez ao vivo!!! (mais um ponto que me emociona realmente... )

Ok. Ele não inventou roda nenhuma... diz a lenda que (há “algum tempo” atrás...) os montadores de Eisenstein já haviam descoberto a assombrosa propriedade de combinar pedaços de filmes distintos em “outras” seqüências transformando a história em outro conceito ou enredo. Isso do (muito) pouco que sei, fora outras inúmeras criações, invenções e devaneios que devem ter havido por aí...
Mas... ele fez para a gente ver, na hora, aparentemente sem cortes prévios e maiores precedentes ensaiados, sujeito a qualquer tipo de fator inesperado ou imprevisto.

E mais... emoção número 3... a cabecinha alva e iluminada (que já deve estar beirando seus 70 anos... ou até seus 70 filmes...), clareava a todos falando do “cinema do futuro”... Aos 70 falando do futuro? Fazendo o futuro?

Ahhh, o tempo.... que tanto açoita quanto emociona...

Eu, que às vezes me sinto velha, aprendendo mais uma.

Eu, que às vezes me sinto desatualizada, tecnologicamente desinformada, aprendendo mais duas.

Eu, que naquela noite fui dormir emocionada, sonhei com Tulse Luper!!!! (que, para mim, na verdade era aquela mocinha de vestido branco....). E uma voz grave e ríspida falando como se me sacudisse, como se tentasse me despertar para um óbvio que só eu não via... “Tulse Luper estava em três lugares ao mesmo tempo. Tulse Luper estava em três lugares ao mesmo tempo. Tulse Luper estava em três lugares ao mesmo tempo”...
Acordei. Levantei. Zanzei pela casa três vezes, às três da manhã...

Eu, que às vezes durmo como se o mundo pudesse derreter e eu continuaria dormindo, acordei aflita com a “revelação”...

Mr. Greenaway, foi você assoprando e assombrando meu ouvidinho? Anyway, obrigada por encher meu mundo e minha alma com tantas emoções. A você e a todos que de alguma forma contribuiram com essa experiência única e transformadora, colaborando nas minhas formas de representar o mundo...

Eu, aprendendo mais 1000.

... nessa casa se ouve Pixies