sábado, 2 de julho de 2011

Como enlouquecer um homem (ou a si mesma)

também das escavações arqueológicas...
dos papeizinhos jogados pelo fundo do baú... 
achado nos rabiscos perdidos, data de jan.2011


           Já tentou comprar o mesmo absorvente igual ao do mês passado?
Enlouquecedoooor.... Impossível!!!
Não sei que raios os fabricantes ficam de sacanagem com a nossa cara... Total aventura! Uma das coisas mais caóticas e desafiantes pelas quais passam as mulheres. Não há praticidade, não há obviedade, simplicidade, facilidade, uma loucura! Grande desafio.
Ainda não chego ao extremo do absurdo de guardar a embalagem de algum que eu tenha gostado porque nunca lembro, para poder comprar igual. Mas lembro disso toda vez que me pego andando e xingando pela farmácia:
- Mas o que vem a ser flexiabas?!? Multiabas?!? Proteção total noturno básico sem abas?!? Qual a diferença entre diário regular e diário fresh?!? Fresh??? Foi isso mesmo que eu vi?!? O que é um básico suave?!? Compacto extra ultrafino? Termo control adapt?!? Cobertura sueca???? Sueca? É isso?!? Meldels!!!!! O que é um gel noturno??? Um toque suave discret??? Ai, ai, esse aqui promete mais do que faz... O que quer dizer ação ultra seca flexiabas, para que serve dry max normal e uma malha seca slinea??? Gel unique super confort e neutralize brise?!? Cobertura suave proteção total noturno com flexi abas ?!? Eu estou comprando um absorvente ou um jatinho MSJ?

Decididamente... não sei se estou ficando velha cada vez mais rabugenta ou se o mundo era mesmo mais fácil e mais legal quando era mais simples.... Mas, com toda sinceridade, eu preferia quando só existiam 2 opções para um momento crucial de escolha e decisão como esse: “absorvente interno” ou “convencional”. E pooonto!
Parou com esse caô de “Omo dupla ação com bleach de ação fresh”!!!!!
Fico maluca passando por tal aventura.
Por pouco não deixo a farmácia inteira maluca!

Então outro dia me peguei pensando se um homem tivesse que passar por isso...
Enlouqueceria! Com certeza!!!!!

Sabe como deixar um homem maluco?
Peça para ele comprar um absorvente igualzinho ao comprado no mês passado. Impossível!!!
Quá, quá, quá.... Eis o “cúmulo da sacanagem”!

E uma vez eu acho que enlouqueci um quase assim...
Estávamos nos arrumando para ir a um casamento. Ele ficou pronto primeiro.
Não porque sou mulher e, portanto, demoro em me arrumar.
Mas sim porque sou mulher e, portanto, depois de ter já feito mil coisas, ainda fiz a janta, arrumei a mesa, servi tudo, jantei e arrumei a cozinha, tomamos um café, deixei as coisas do dia seguinte todas ok, fiz uns 2 telefonemas importantes, dei uma geral na casa, ajudei ele a escolher a camisa, deixei o nó da gravata pronto e então fui me arrumar. Nisso ele ficou pronto rapidinho. E, claro, ficou me afobando.
Bom, e também por ser mulher, está aí o fato e a dura realidade de que não é só enfiar um terno preto e o único sapato de festa. É cabelo, maquiagem, unha, escolher a roupa, sapato, bolsa, brinco...
E olha... Sou mesmo uma mulher tão especial, que consigo fazer isso tudo sozinha, sem ir ao salão nem precisar de camareiras. Levo cerca de 20 minutos e ainda fico a mais linda da festa, tá!
Mas eu estava aí nesse corre... Ele já pronto, me esperando e tomando umas cervejas.
Escolhi o vestido e então resolvi pedir ajuda para ir mais rápido...
            - Já que você que já está pronto, pode me ajudar um minutinho?
            - Claro, diga aí.
            - Pode ir à farmácia e comprar um lib para mim.
            - Como é que é????
          - Já escolhi o vestido, mas é que este só dá para usar sem sutiã. E o que não dá é para eu ir á festa sem sutiã, então acho que vou me render e usar um lib. Mas não tenho... Pode ir à farmácia e comprar um para mim? Enquanto isso já vou me maquiando, sacou?
            - Comprar o quê???
            - Lib... Não é lib que chama?
            - What a fuck is that, man? – que era um jeito carinhoso de nos expressarmos, como personagens de Tarantino, mas com certo sotaque mezzo jamaicano, quando não estávamos entendendo n-a-d-a...
            - Lib... – E eu, que nunca tinha usado um destes, falava como se fosse a coisa mais óbvia do mundo – É um adesivinho que você cola no peito, como se fosse um sutiã, quando vai vestir alguma coisa sem sutiã.
            Ele continuou com cara de quem estava ouvindo eu falar em mandarim com sotaque javanês. Aliás, ele fez até certa cara de espanto, como se fosse o momento da revelação, o susto em estar me conhecendo apenas naquele momento após anos de convivência. Consegue imaginar? Cara de “não-estou-entendendo-nada” misturada com “isso-aqui-é-um-momento-de-espanto”... Com um olhar gélido de quem estava visualizando o que seria um “adesivinho para colar no peito”, e ficando em certo pânico com isso. Eu tentava explicar sutil e rapidamente:
            - Lib. Você não conhece?
            - Não meeeeesmo. Adesivinho? Como se fosse um sutiã? Para usar sem sutiã? Não estou entendendo meeeeeesmo. Serve para quê?
            - Para ir a casamentos. Para se arrumar rápido e não ter que ficar escolhendo roupa. Para usar com roupas em que não dá para usar sutiã, e ficar elegante e se sentindo bem. Sei lá para que serve... Nunca usei. Mas acho que estou precisando de um deste agora... Pode ir à farmácia e comprar para mim?
- Farmácia? Isso vende na farmácia?
- Farmácia. Já vi. Todas têm. Farmácias vendem coisas piores até... Na farmácia tem sim. Vá na fé. Pode ir que é certo.
- Mas é assim tipo um rolo? De fita adesiva?
- Não. É um pacotinho achatado assim que nem de meia calça. Provavelmente vai ter a foto de um peito, ou de uma moça livre, leve e solta, com cara de moça da embalagem de azeite, mas com os peitos de fora.
- Meldels... – e a cara dele, por incrível que pareça, estava ficando cada vez pior. Eu olhava no relógio e ia ficando apavorada em atrasar, e tentava apressar o processo.
- Vai lá, vai lá. Você já está pronto, eu vou me adiantando por aqui, plíz.
Ele foi.
Continuei me arrumando e correndo... Não queria chegar ao casamento depois da noiva, né. E ainda era longe pra chuchu, num lugar de nome horroroso, e que para chegar precisava até de mapa. Resolvi que ia me arrumar rapidinho e partiu. Ligo o rádio, e em 3 músicas estou pronta.
Toca o interfone.
- Interfone? – situação de risco... Momento de ter alguém batendo á sua porta numa hora crítica de se arrumar rapidinho para não se atrasar. Nem atendi...
O interfone é insistente.
Péééééé, pééééé, pééééé.
Lá vou eu, um olho pintado, outro não, embrulhada na toalha, meia calça sem nada em cima, pé com chinelo, outro não, e vou espiar pela janela quem era.
Era ele.
Suando e com cara de pânico.
- Putz, que merda. – eu pensava enquanto tentava abrir a janela sem derrubar a toalha – Foi assaltado. Saiu á rua de terno, acharam que era algum deputado barrigudinho. - Não Dani, relaxa... – E segura a toalha com uma mão, uma bandeira da janela com o joelho, com a outra mão abre a janela de cá. - Não Dani, calma... - Ele deve ter esquecido a carteira, está tudo bem. Mas essa cara de espanto do rapaz está assustadora. Ele está suando, já tirou a gravata e está abrindo a camisa, enxuga a testa e a franze, não pára quieto com as pernas... Abriu.
- Oi. Que foi?
E ele fala rápido e nervoso:
- É P, M ou G? É P, M ou G?
- Pooooorra, amor. Sei lá... Nunca usei, lembra?
O cara suava e agora ia ficando vermelho.... Não... Roxo. Vermelho.... Vermelho-meio-roxo, roxo- avermelhado... As pernas inquietas batiam no chão, como se dançasse algum forró quase psicodélico.
Eu continuo:
- Qual é o referencial? P é um limão ou P é uma maçã?
Ele continua nervoso e apressado:
- Não sei. Não sei. As embalagens são fechadas!!!!
- Ai, meu caneco... Ó... meus sutiãs são 46. Isso é P, M ou G?
Percebo a vizinha abrindo a janela e enfiando a cabeça para fora... Já me preparava para dizer para ela não se meter na vida alheia, voltar para sua novela e “me deixa, que eu estou atrasada!”
Ele, aflito:
- Eu não sei, eu não sei. – parecendo um preso pela inquisição. - Eu não sei, eu não sei. Os peitos são seus...
- Aaaahhhhh, mas você também conhece. Abre a mão aí. Veja se o que cabe dentro é P, M ou G!
O bichinho suava cada vez mais... Já estava quase sem camisa, terno pendurado no portão. Mais um pouco e acho que ele trocaria os sapatos por chinelos, dobraria a barra da calça, pediria para eu jogar uma cerveja pela janela...
- Dani, não sei... Sei que é assim, quer dizer, meio assim.... – e ia gesticulando, mexendo as mãos, abrindo e fechando os dedos, como se estivesse segurando um pudim desenformado sem ser sobre o prato - Cabe na mão aberta, né! E é 46, já é um começo.
- Isso. Isso. Aí. Aí, é aí. Pára quieto com a mão. Volta lá e pergunta para a mocinha da farmácia se assim desse jeito que está agora , é P, M ou G.
- Daaaani, eu não vou falar sobre isso com aquela mocinha. Eu não vou à farmácia com a mão assim aberta, não vou!
- Ah é. É verdade. Acho prudente da sua parte. Deixa a mocinha fora dessa. Seguinte: traz um M e um G, eu provo aqui e escolho, ou então vou com um de cada porque toda simetria é chata.
Ele continua nervoso, tenso e suado.
Eu fecho a janela, entro, volto a me arrumar.
Dou um passo atrás, para ver se ele tinha ido mesmo ou se estava pedindo ajuda ao guardinha da rua. Ninguém ali... Só um terno pendurado no portão.
Ok. Agora é só mais 1 música e já é para estar pronta, flor!
Ele chega, me entrega os pacotinhos, vai tomar uma cerveja para relaxar depois de  tanto nervoso e momentos de tensão enquanto eu me tranco no banheiro para tentar descobrir o que fazer com aquilo...
Ufff..... Vou falar a verdade, foi difícil! Coisinha esquista, não gostei muito não. Botei, mas fiquei morrendo de medo da hora de tirar.... Resolvi arriscar. Afinal, não sou ‘perua’, para ficar sofrendo de véspera. Imaginei que o pior que pudesse acontecer seria ser como uma depilação, mas em meus lindos e suaves peitinhos. E eu juro que já fiz depilação em lugares piores....
O rapaz?
Sobreviveu.
Mas acho que contribuí para seu processo de enlouquecimento.
Entramos no carro num silêncio quase fúnebre. Como se ele tivesse acabado de descobrir que era casado com uma sadomasoquista e não sabia. Eu, aflita por estar sem sutiã, como se estivesse com 2 adesivos colados por baixo do vestido de renda prateado. E estava. E estava incomodada e aflita com isso, e quase enlouqueci.
Mas então percebi que sim, as mulheres têm o potencial e o poder de também enlouquecer os homens.



... nessa casa se ouve Johnny Otis feat. Jimmy Rushing

domingo, 26 de junho de 2011

DA GRANDE ARTE DE SER MULHER – parte I

Era um texto só... ficou loooongo. É que sou mulher, e talvez por isso seja prolixa... ;)
Parti em 2, para tentar ser menos maçante...
Acho que é para ler os dois. Para ter (algum) sentido e coerência
Se estiver chato, diga aí! Se ‘for bom para você’, diga aí...

  
Pois por muitas vezes, faço graça, faço piada, faço brincadeiras.
Com muito gosto. Com orgulho.
Afinal, a vida com bom humor é muito melhor.
Já tem peso e problemas demais por aí para a gente gerenciar, e se soubermos encarar todos estes DE FRENTE, assumirmo-los e enfrentá-los, e o fazer com leveza, com graça e com bom humor, a vida fica mais bela! Fica mais leve, melhor de ser vivida, né?
Saber rir de si mesmo é uma dádiva.
Saber rir da vida, com todas suas crises e seus problemas, é uma benção!

Mas desta vez o assunto é sério.

Acho que eu saberia falar com ‘graça’, com piada à beça e ‘causos’ divertidos pra chuchu.
Mas desta vez peguei-me filosofando com seriedade. Com crítica apurada. Com “racionalismos” vindos diretamente do coração, mesmo isto me parecendo tão estranho...

Andei lendo escritos guardados e achados, andei folheando alguns livros, andei pensando e sentindo um tantinho...
Pensando sobre o “ser mulher”.
Mulher é um bicho esquisito para chuchu...
Custei muuuuuito a me entender com elas.
Sempre me identifiquei e me entendi com os meninos. Fiz amigas que têm altas taxas de testosterona assim como eu.
Olha a minha volta hoje e tenho grandes momentos e sentimentos de estranheza, repulsa e vergonha.
Ao mesmo tempo também, hoje olho à minha volta e vejo quantas e quão incríveis mulheres eu também conheci, e tenho a sorte de tê-las por perto – figuras tão especiais e queridas que me fazem ver o real e verdadeiro valor do feminino nessa sociedade louca e de visões e valores tão distorcidos.

Mas, se por um lado vejo tanta coisa banal e desvirtuada, por causa de mulheres, vejo também O caminho – pleno, real e vivo, que é ‘parte que nos cabe’, ladies and ladies...

Sei que sou uma mulher ‘diferente’.
De uma geração nova, fruto contemporâneo, absurdamente inédita à nossa história esquisita, e por vezes suja e indigna.

Ás vezes, confesso (...) nesse desabafo mais honesto possível, que isso me causa algumas crises comportamentais e sociais... Pego-me pensando se eu estou agindo errado, se eu por acaso estou pensando algo completamente desconexo ao mundo lá de fora, se eu é que sou a “diferente” e talvez por isso devesse “me adaptar” a padrões que eu julgo estranhos ou que não consigo entender direito...

E então “não caibo”... Não me encaixo, não consigo.

E penso... “Mas eu sempre fui assim...”
Questionadora, inquieta, “diferente”... Criadora e criatura das próprias regras, dos próprios padrões, precursora de coisas que no fundo, no fundo, eram a minha própria expressão pessoal mesmo.
Enfim, admito... já tentei me enquadrar em padrões sociais, já tentei me adequar, “padronizar”, me sentir pertencente... Mas não rola... Não dá. Não funciona, não é minha, não dá certo, não resolve nada e ainda piora.
Tenho meu jeito próprio de ser quem e como sou, e hoje me pego aqui refletindo em quem e como sou como mulher.
Uma mulher incrível, diria... ;)
Eita....
Mas peculiar... Com jeitos e convicções próprias, que às vezes acho que são únicas, que ás vezes vejo que são “padrões de mulher especiais” tais como os das raras figuras que conheço e amo.

Sigo (ainda...) com a máxima de que “mulher é um bicho ruim”... Pura herança distorcida que carregamos, estigma criado, porque A MAIORIA age muito mal!
Mas não me sinto em parcela de culpa ou responsável por isso. Virei a página, sei que sou diferente. E, para mim, isso é muito bom.
Conheço e tenho amigas que são diferentes.
E simplesmente não “me encaixo” na visão geral da sociedade...
Parece que olho de fora, e ainda não sei bem como fazer para mudar e melhorar.
Sigo no “passo de formiguinha”. Sendo quem e como sou, fazendo a minha parte.

Veja você...
Olhe bem, e com calma, para a massa das “mulheres padrão” da sociedade hoje... Para os ideais, os objetivos, as aceitações culturais e sociais. O que querem, o que pensam, o que fazem... Um bando de loucas!!!!!! Tresloucadas!!! Mesquinhas, fúteis, egoístas, superficiais, rasas... Vítimas da mídia, de padrões sociais falidos, de padrões estéticos duvidosos, de submissões machistinhas enrustidas, da busca pela felicidade naquilo que é alheio a si mesmo...
Simplesmente banalizando o que é “ser mulher”.
Opa!
E deu uns 80% da sociedade, não?

Então olhe para o “padrão 2”, mais atualizado, contemporâneo, mais (e não menos “tendenciosamente”...) tido como inovador e presente – ideais de “mulheres contemporâneas, independentes, bem resolvidas”. Executivas de respeito na matéria da revista...
Bando de loucas parte 2!!!!!!!!
Trabalham fora, estudaram, conquistaram espaço e posições sociais. Têm suas vidas, são independentes financeiramente, dizem não precisar de homens para nada, tomam decisões de sua própria vida, das dos outros e do mundo.
Na maioria são outras tresloucadas de novo!!!!!!!
Opa... já deu quase uns 20% a mais, hein...

As que vivem de aparências, se escondem atrás de fortalezas neurotizantes que elas mesmas construíram, vivem em crises, são pretensiosas, manipuladoras, criam filhos como hamsters, fazem dos divórcios um negócio, gastam o que ganham em “anestésicos culturais”, sejam estes uma viagem ‘dos sonhos’ ou ‘um vibrador a pilhas’. Têm interesses pessoais acima de quaisquer outros, galgam a busca de importâncias e lucros pessoais, agem com desconfiança sobre as outras mulheres, agem com a falta de entrega verdadeira...

Sobrou 0,01 %???

Estão aí?

Que acreditam que “feliz para sempre” é algo muito relativo?
Que também acreditam que nem diploma nem casamento são garantias de seu futuro?
Mas que acreditam no poder dos seus sentimentos, das suas ações e seus pensamentos? Fazem-nos nobres?
E acreditam que a vida é aquilo que fizermos dela?
E que “príncipe num cavalo branco” é aquele que se dispuser a ser parceiro de uma mulher também parceira, guerreira, companheira, cúmplice e um ser humano?
Que acredita que “dividir uma vida” é dividir proventos não materiais, dividir emoções, satisfações, alegrias e (também) os prazeres do corpo? Naturalmente. E com plenitude e reciprocidade?
Que sabe que “o amor não pede nada” (e “quem pede é o poder”...)?
Que sabe diferenciar o que é amor do que é ‘querer poder’ sobre o outro?
Que fazem uso nobre de seus poderes?
Que não têm medo de assumir isso, mesmo em uma sociedade (ainda... e enrustidamente) retrógrada como a nossa?

Que admitem que aprenderam parte desta sabedoria com sua vó e / ou alguma outra mulher importante em sua jornada nessa vida?
Que sabem o real valor de um beijo, e também de um chazinho de mato fresco colhido na horta na hora?

Pois bem, mulheres que eu amo (e também às outras que eu não entendo...)...
Sabem a que duras penas isso se dá?

Eu sei...

Nas minhas ‘peculiaridades’ em ser uma mulher diferente, vive o fato de que sou uma mulher que pensa como um homem. Pensa como um homem. Age como um homem.
Mas sente como uma mulher...
Dureza, né?


 ... nessa casa se ouve Ella Fitzgerald

DA GRANDE ARTE DE SER MULHER – parte II

É o que segue... do texto partido da mulher inteira.
Talvez esteja confuso, talvez esteja maçante (e repetitivo.... Quá, quá, quá!)
Acho que é para ler os dois. Para ter (algum) sentido e coerência
Se estiver chato, diga aí, de novo! Se ‘for bom para você’, diga aí, de novo...
 

Vou ficar com Clarice... “Porque há o direito ao grito, então eu grito.’’

Sou das mulheres que gritam.
Selvagens.... Das que “correm com os lobos” (...)
Das (poucas) mulheres de verdade. Sem fingimentos nem hipocrisias.
Porque se eu quiser gritar eu grito. E ponto.
E não há mulher-de-meia-pataca, nem homem, nem sociedade, nem mundo que me mande ficar quieta.
Se eu quiser gritar, eu grito. E poooonto!
Bicho selvaaaaaagem. Não domesticado. Não adestrado. Correndo solto na floresta, sacou?

Porque aprendi (e continuo aprendendo...) a me ouvir. Não me contento com valores do patriarcado, não sou um ser abnegado e submisso. Tenho voz, tenho palavra, tenho identidade. Se eu quiser usá-las...
E seu eu quiser usar, eu uso!
E aceito!
Aceito a mim mesma, assim como sou...
E aceito SER MULHER, assim como eu sou.

Porque acho que por trás dessas mulheres que ‘compõem a maioria”, estão padrões que nos são naturais sendo abafados, sufocados, enrustidos. E quando falo isso, e o que penso, sou a ‘agulha a cutucar’.... a voz que ninguém quer ouvir. É mais fácil “fugir de si mesmo” e se encaixar a um ‘padrão’, do que ser você mesma! Do que reencontrar sua metade em si mesma. Do que se ouvir, se aceitar, se amar, e aceitar “ser mulher de verdade”, ser mulher por inteiro, o tempo inteiro, aceitar ser selvagem e aceitar aquilo que é realmente seu.
Olhar, aceitar, saber incorporar todos os lados de si mesma é uma ousadia. Uma rebeldia.
Uma voz que na maioria das vezes é mais fácil não ouvir. E então se esconder nos velhos padrões....
Mulher de verdade é aquela que se acolhe.
Sabe o que é isso?

Há muuuuito diálogo e revelações sobre os “segredos femininos”...

Vou contar alguns (mas só alguns...) dos que aprendi por aí...

- As mulheres (ainda...) não estão preparadas para agüentarem umas as outras!
- As mulheres (ainda...) não estão preparadas para agüentarem a si mesmas!
- As mulheres (ainda...)  não aceitam a si mesmas! Com seus defeitos e qualidades, com seus aspectos positivos e negativos, com suas forças e suas fraquezas, com seus anjos e com sua lilith!
- As mulheres (ainda...) não sabem o que é a intensidade de serem mulheres! De verdade, na verdade!
- As mulheres (ainda...) aceitam destinos destituídos de si mesmas, e se convencem de que isso é bom, de que é o caminho. Pleitearam voz para gritar, e viraram burros de carga de um mundo que precisa delas, mas que não as ouve... Elas mesmas não se ouvem! Mal sabem o que pensam e sentem, se ‘adequaram’ em certa situação de conquista e conforto, e negaram aquilo que lhes é a real verdade intrínseca e nata.

A “consciência do feminino” é algo nato, acho... Mas nem sempre percebemos, nem sempre somos capazes de ouví-la, e também nem sempre somos aceitas quando o fazemos. (Opa! Lá vem essa herança histórica distorcida de merda de novo...)
Parece-me que é mesmo algo da sua natureza. Instintivo...
Não consigo achar palavra que melhor defina que esta... Instinto!
Instinto de amar. De cuidar. De preservar. De vigiar, atentar e querer bem. E também de mostrar garras e dentes, e de nos transformar em leoas quando algo nos fere. Instinto de preservação. De sobrevivência. De perpetuação da raça, talvez (?).
Mulheres são diferentes dos homens nesse sentido?
E por que são?
Ou... Por que ‘devem’ ser?

Vou dar um exemplo simplesinho... Uma coisa que por vezes me faz parar para pensar nesse sentido é a capacidade “nata”, e “instintiva” que temos em cuidar das crianças.
Eu olho para TODAS, desconhecidas, na rua, sabe-se-lá em que contexto, e CUIDO como se fossem meus filhos.
Trazendo á razão, isso não faz o menor sentido. Meeeesmo.
Na hora nem percebo... Só dou conta mesmo depois do(s) ocorrido(s).
Mas faço disso... mesmo “sem perceber”.

Eu nunca tive um filho... Não da forma física e biológica. Nunca engravidei.
Mas já me senti, e me sinto muitas vezes, “mãe” - no sentido do amor, do cuidado, da responsabilidade humana.
Como com a capacidade de vigiar uma criança pequena que atravessa sozinha como se fosse “seu”.
Cuido mesmo.

Dá para entender?
Eu não consigo achar outra explicação que não o amor... Que não uma capacidade natural de cuidar, de zelar, que querer bem e querer o bem.

Na boa... Mulher não é para ser algo que “se fale tecnicamente”...
Não faz sentido... É no campo da emoção mesmo. No campo dos sentimentos. No campo do ‘instinto’.

Instinto feminino que também se desvirtuou...

E acho que o ponto crítico é que as mulheres passaram a se comportar (muuuuuito) mal...
Passaram a tratar mal a si mesmas, e também umas as outras...
Passaram a rivalizar. Consigo e com as outras.

Pois eu estou agora esfregando na cara da raça humana o completo caos que deixamos que acontecesse...
Esfregando em nossas caras as nossas fragilidades, os nossos ‘medos’, inseguranças, nossas fragilidades, vergonhas e obscuridades...

Sabe o que traz de volta ao eixo?

Penso que o que nos falta (Sim! É conosco, queridas mulheres... E faço, talvez em partes, e não por muito tempo, a “mea culpa”) é o “dedicar tudo de si a si mesmas”, de corpo, alma e coração!
E, natural e instintivamente, o “tudo que é a nós mesmas”, tenha a tome proporções universais e generalizadas. Simples assim!
E ainda digo mais... Acho mesmo que se as mulheres fossem unidas de coração, entre elas e entre os outros seres, o mundo seria beeeem melhor ;)

As mulheres passaram a lutar consigo mesmas, e se fragmentaram com isso. Se dividiram por dentro...
Em boas e más, bonitas e feias, gordas e magras, ricas e pobres... escravas de normas e padrões, presas em suas próprias teias... que as devoram, as engolem e as destroem.
Fora outras besteiras que também fizeram por aí...
          E então elas temem identificar a si mesmas e se unirem entre si, com suas diferenças e peculiaridades, como “seres únicos e individuais”.
Isso assusta... Traz a carga e a responsabilidade do AMOR MAIOR, do AMOR ÚNICO, que é aquele que está a serviço de TODOS. E isso não quer dizer SE SUBJUGAR a ninguém.
Fomos partidas quando confundimos as coisas... Quando nos deixamos ser servas daquilo que não é nosso originalmente. Quando corrompemos nosso poder pessoal a serviço de uma sedução ou sexualidade cobiçosa. Quando dividimos e setorizamos nosso amor, quando nos deixamos estar a serviço do outro (seja ele um homem, filhos, uma família, uma sociedade, um padrão de aceitação) e não a serviço do bem comum.
Capisco?

         Ainda acho que tem jeito....
         Basta ousarmos a assumirmos sermos mulheres, e apenas mulheres.



... nessa casa (ainda) se ouve Ella Fitzgerald