terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

carnaval em casa

Quase três dias que estou costurando... é carnaval lá fora e aqui parece estar beeeem melhor. Banheiro é limpinho, comidinha é boa, a bebida e o cigarro também... Só toca música boa, graças a Deus, e eu assim “catô”.

Dessa vez estou me superando... desandei a costurar tudo que vejo pela frente!!!

Penny Lane, fiel escudeira, amiga, comparsa e companheira (e agora tatuada), está segurando a onda bonito!

Por nós já passaram panos, trapos, papéis, plásticos, desenhos, textos, fitas, borrachas e tudo mais que eu vou achando pela frente...


Têm saído umas coisas meio diferentes, que eu ainda não sei bem o que fazer com elas...



Acho que ainda estão “em processo”...
que ainda vou meter a mão e fazer algo mais para e em cada qual.
Também fiz umas almofadinhas para os bancos novos.



Aproveitamento de espaço total em Tóquio!!! Os banquinhos são baús, para guardar coisinhas (pacas...) dentro. Queria almofadas que abrissem o sorriso do zíper por 3 lados, para poder guardar umas coisinhas (pacas...) dentro. Nunca tinha feito isso não, e sou meio mais ou menos em modelagem... Sofri de véspera que nem peru... morrendo de medo de fazer merda (...). E não é que deu certo!

Fico super feliz quando consigo fazer algo que eu nunca fiz na vida e dá tudo certo!!!! (Quem sabe um dia eu ainda não acerte a mão com o baixo...).


Aproveitei também para dar uma casa nova a uma peça de argila, cheia de sentimentos e significados afetivos, que andava “ocupando espaço” para lá e para cá...



Papo vai, papo vem, e a trilha do Carnaval tem sido toda temática... Um dia, só (boas) baterias. No outro, só músicas para cantar, e eis que... um dia só de sons do Reino Unido... Putz! Faltou dia...

É impressionante como tem coisa boa! E não acaba nunca...

Tem quantas pessoas por lá? Uns 50/ 60 milhões? Se juntar a turma toda, de todas as nações agregadas em torno do reino ,equivale a quê em extensão territorial? Um estado do Brasil?

E putz! É sonzeira que não acaba mais... E olha que o Brasil é riquíssimo musicalmente... E deve ter umas 3X mais gente.

Acho que eu nunca tinha parado para pensar nisso, ou ver o mundo sob esse ângulo... Acho que o máximo que eu havia teorizado que se aproxima de tal, é o fato de que eu acho que eu fui punk em Londres nos anos 70. Porém, devo então ter morrido e reencarnado quase imediatamente, e meu processo de adaptação atual tem sido meio confuso... Passei 30 anos ouvindo The Clash e chorando compulsivamente, sem nunca ter entendido bem porque... Superada essa fase há alguns anos, eu agora não consigo ficar muito tempo sem ouvi-los. Já não choro mais por isso (o que é um alívio, pois beirava mesmo o ridículo...).

Tenho também uma outra teoria um tanto quanto mais próxima (e essa dá uma tese de doutorado!) que é a seguinte: eu realmente acho que a grande questão da humanidade, o grande dilema filosófico que nos assola, nos instiga e nos e acompanha desde toda existência humana, permeando todas as análises, investigações, reflexões e questionamentos sobre o homem, sobre o mundo e sobre o ser; questionando e examinado idéias, conceitos e juízos sobre as relações sobre nossas próprias realidades e sobre todas as relações humanas, sobre todos os fenômenos naturais e os fatores humanos, se resume a uma única questão: “should I stay or should I go”.

Já parou para pensar nisso?

Grande parte da Filosofia se resume a essa maravilha da simplicidade!

Não tenho grandes conclusões a respeito (ainda.... e ainda bem), mas já misturei de Kant a Aristóteles nessa jam session metafísica, já transformei o “não ser” ao “não ir”, já examinei crenças e deveres, já argumentei causas e essências, e me motivo cada vez mais a buscar entender e compreender a realidade em toda sua inteireza através dessa simples questão. Simples assim....

Vou encurtar o papo por aqui, deixar para falar mais outra hora porque sei que reeeende....

Beijo, me liga!




... nessa casa se ouve a trilha sonora de Ray

pó de café e um disco do pixies

Então o vejo ali sentado – ao mesmo tempo concentrado, ao mesmo tempo tão disperso. Aquele olhar que ia longe... meio olhando para o teto, meio olhando para a paisagem . Um olhar que parecia voar, mas também parecia ser fixo, focado. Ele se vira para pegar um cigarro, vê que eu estou ali quietinha o fitando.

- Oi. Você está aí?

- Vim falar com você... estava tão quietinho. Nem interrompi. Fiquei só olhando mesmo. Está aí quietinho, pensando o quê?

- Dani, olha só... se você só pudesse ouvir um único som qual seria?

- Hein? Sei lá.... um único som? Se eu não pudesse ouvir mais nada, só um único som?

- É, é. -- ele, eufórico, diz rápido.

- O som da minha respiração, eu acho... Espero. – respondo rápido, e então paro para pensar melhor na questão.

- Não. Não... algo como se você fosse para uma ilha deserta e isolada e só pudesse levar um disco para ouvir para o resto da vida. Qual seria?

- Nossa!!! Como assim?

- É, é... ou um disco, ou um artista, uma banda... mas algo que seja o único som que você vai ouvir para sempre.

- Nossa de novo!!! Não sei, não sei.... Pode ser ao vivo? Posso levar uma banda comigo?

- Não! Presta atenção! – ele, empolgado, vai falando rápido e instigado. Perguntando com euforia, envolvido com essa questão filosófica profunda. Ele estava ali refletindo e meditando por toda aquela manhã, e então partilhava parte do processo comigo num misto de inquietação e excitação, meio que dividindo a crise, eu acho... E continua:

- Diz aí. A primeira coisa que lhe vem à cabeça.

Eu já estava ali meio acuada com esse processo inquisitório... Tentando pensar rápido e baixo, tentando não falar algo que me fizesse mudar de idéia em poucos segundos...

- Hummm.... talvez algo mais instrumental. Algum som não muito definido. Livre. Abstrato, surrealista e psicodélico. Algum disco de dub... um baixo e bateria bem marcados... Ou uma big band, com uma boa cozinha e uns sopros. Ai, ai... Não sei... Sei não... E se eu mudar de idéia? E se eu enjoar?

- E aí? Diz aí...

- Não sei, cara... Deixa eu pensar um pouco. Você está aí a manhã inteira pensando nisso, já chegou a uma conclusão?

- Mais ou menos... Ainda não sei...

- Então me deixa pensar 2 minutinhos... Quando é que eu vou para lá? Não dá tempo para escolher um pouquinho? Como é que ouve isso lá? Tem vitrola, toca-discos ou CD player? Faz frio ou faz calor? Chove? Que mais eu posso levar? Você também vai? O que você está levando para ouvir?

- Pomba, Dani... Não, não é sério. Não é fato. Quer dizer, não sei, acho que não. Hoje não. Mas você nunca pensou nisso quando você está ouvindo alguma coisa?

- Bom... tem sons que eu acho que eu vou ouvir sempre, tem discos que são todos bons, que eu ouço o disco inteiro e gosto dele todo. Tem outros que ouvi muuuuito, talvez pudessem ser as melhores opções. Não sei...

- Hummm.... E?

- E você?

- Pois é... Estava aqui pensando nisso... Tenho uma idéia. Acho que é a minha opção. Mas também me pego em dúvida, em crise com isso. Também já aventei essas questões todas, também acho que posso querer mudar a escolha, mas estou mesmo propenso a ter uma opinião a respeito já e agora, The Smiths.

- Nossa! Rock depressivo?

- É muito bom. Não enjôo nunca...

Paro para pensar um pouquinho... como em um pout porri mental de 27 segundos (ou menos) com todas as músicas dos Smiths que eu lembrasse na hora.

- Será? Tem certeza? Aquela “melancolia alegrinha” do Morrissey para sempre? Será que você agüenta?

- Pois é... não sei. Mas não consigo chegar em outra opção, com valores equivalentes... Boto tudo e todos na balança e acabo voltando para os Smiths...

- É, é bom. Gosto do Meat is Murder, gosto do outro disco, da rainha ... Gosto do Johnny Marr, ele é o cara... Mas estou aqui já pensando outra coisas...

- Diga lá.

- Além de um som para ouvir pelo resto da vida acho que eu gostaria de levar mais coisas...

- Sei, sei... – e ele franze um tanto os lábios, e também esboça um leve sorriso – Sapatos?

- Não, não. Coisinhas... uma caixinha de costura, papéis e lápis coloridos, uns cigarros, pó de café, um disco do Pixies...

- Olha aí! Olha aí. Respondeu! – ele fala rápido e alto -- Um disco do Pixies.

- Não, não é minha resposta não – interrompo de imediato --- Está no kit “algumas coisas a mais para levar”.

- Aaahhh mulheres...

- É pela associação com o pó de café....

- Hã?

- É... veja bem. Que ilha é essa? É minha? Estou lá sozinha por opção, cheguei de helicóptero, com um lenço de bolinhas esvoaçando por baixo de chapéu panamá, tomo um drink com guarda-chuvinha na beira da piscina com araras andando em volta, e fico lá o resto da vida ouvindo o mesmo disco? Porque sou exótica, excêntrica e, notadamente, anti-social.

- .......

- Ou se eu estiver sozinha em uma ilha deserta e isolada é porque talvez as coisas não estejam muito boas? ...

- Hein?

- Como é que eu fui parar lá? Naufrágio? Acidente de avião? O sertão já virou mar? Vai virar um acampamento, não é isso?

- Ai, ai... mulheres...

- Porque se for a segunda opção, acampamento é uó... é sinal de que tudo dá errado. Tem que aprimorar a técnica de entrar na barraca só para pegar os fósforos com o pé cheio de lama sem deixar que esse interfira na estrutura do lugar, porque é lá que se tem que dormir. Olha aí... para tomar nota: também levo uma rede. E mosquiteiro. Não durmo em barraca nem a pau.... Tem que se acostumar que o banheiro não é ali pertinho do quarto, para ir rapidinho, meio de olhos fechados, no meio da noite. Tem que descobrir onde a água para beber não esquente, e se acostumar que a do banho será sempre fria. Essas coisas, entendeu?

- E?

- E aí que acampamento é uó. Ilha reclusa e isolada é uó. Fazer comida no acampamento é uó... passar o resto da vida sozinha, ouvindo o mesmo disco, com o sol na cara, areia na bacuinha, é tudo uó... Vai acabar com meu bom humor matinal rapidinho, rapidinho... Mas se eu fizer um cafezinho e sentar tomá-lo olhando a paisagem e ouvindo um disco do Pixies melhora pacas. É sinal de que tudo vai ficar bem, sinal de que tudo vai dar certo.

- Leva então um disco do Pixies?

- Não! É isso que eu estou explicando. Não quero ouvir Pixies para o resto da vida. Só enquanto eu estiver tomando um cafezinho na ilha, tá. Se houver este momento é sinal de que está tudo bem. Situação sob controle.

- Então se você tiver café e um disco do Pixies está tudo bem?

- É sinal de que estaremos salvos.

- Bom saber para a próxima TPM...

- Não, para TPM as indicações são outras – respiro fundo para começar a explicar e ele se antecipa:

- Ta. Ta bom, deixa para lá. Eu também não estou plenamente convicto de minha escolha ainda. Diga lá... você veio me falar o quê?

- Chamar para almoçar. Está tudo pronto. Bora? Pode escolher a trilha do almoço.

- Já escolhi a da sobremesa... para acompanhar o café, tá.

 


Foi um papo real. Mais ou menos assim. Anos atrás...
com uma das figuras mais especiais e queridas que conheço,
em algum dos momentos que compartilhamos,
recheados de reflexão e filosofias da vida comum.






... nessa casa se ouve Quincy Jones

Tenho um coração mais perdido que a Vanusa cantando o hino nacional...

(capítulo 2, talvez...)

 
A casa era um tanto bagunçada, ainda assim parecia vazia. Esparramavam-se alguns amontoados de certa desordem irreconhecível, mas o que se via naquela hora inebriante era apenas uma pequena linha amarelada entrando pela janela, desenhando um traço suave sobre o chão de azulejos mal pintados de branco. O rasgo de sol tímido beirava a grelha enferrujada do ralo. A solidão do lugar parecia fazer barulho... um gemido frio e intimidante.

Não era sala, não era corredor. O lugar inóspito mal tinha paredes, ainda assim parecia um labirinto. Portas e portas enfileiradas, portas que revelavam outras portas, portas emoldurando portas. Portas encostadas lado a lado; difícil imaginar que não fossem de um mesmo lugar...

Monocromático sujo. Sentimento marujo.
O coração respira fundo e começa...
- Tenho medo do que sinto.

- Sei, sei...

- Por isso mesmo desta vez resolvi investigar... Tenho medo desse caminho... desconhecido, sombrio, assustador. Por isso sempre evito adentrar em suas profundezas.

Mas não gosto disso. Parece que estou fugindo, parece que estou acuado. Não quero viver com medo, evitando-o e fingindo que não o vejo. Não dá mais para ir vivendo e simplesmente passar por 1 porta sem saber o que tem lá dentro, só porque ela me assusta.

Como ir vivendo e fugindo? E me escondendo? Como passar em frente à porta sempre bem quietinha, realmente apavorada, sem saber o que ali se guarda?

Acho sempre que algo pode sair abruptamente e me puxar de 1 vez para lá...

Ou então que se, despercebidamente, uma vez eu entrar, a porta irá bater e não consiga mais sair. Passo na ponta dos pés. Cubro o olho mágico para ninguém ver que estou ali. Fico muda, em um silêncio que cerca a alma, até chegar às portas e caminhos que eu conheço.

- Fingindo que a tal porta do desconhecido não existe?

- Exatamente. Só pelo medo do desconhecido. Mas não agüento... Não estou mais agüentando. Não dá mais para viver assim... Acuada. Assustada. Uma hora eu teria que abri-la, certo?

- Portas existem para serem abertas. Nada pode viver trancado para sempre. Você sabe o que tem dentro? Sabe quem o trancou ali?

- Não sei bem, não. Quando eu percebi que a porta existia, ela já estava ali fechada. E me assustando. Quando passo por ela sinto um bafo frio me assoprando, barulhos esquisitos e atemorizantes, arrepio-me até os pentelhos. Ouço gritos, socos nas mesas e paredes, discussões alteradas, mulheres em crise, homens frustrados, crianças indesejadas... Sinto uma nuvem de hipocrisia abafando o lugar, sinto sentimentos e desejos acorrentados. Parece que o lugar está lotado. Ao mesmo tempo parece que está em total solidão.

- Medo de entrar?

- Parece que é um lugar que se conhece, parece ser tão vivido que, de alguma forma, se torna familiar. Ainda assim é desconhecido, é traiçoeiro. Tem cheiro de armadilha, é forca disfarçada de gargantilha.

- Abriste a porta? Espiastes o que tem dentro?

- Abri, entrei, estou passeando aqui dentro. Sentindo cada pedacinho do que existe, experimentando cada sabor desconhecido, sentindo todos os cheiros, vendo e vivendo tudo o que eu posso e consigo.

- Sei, sei... Perdeu o medo então?

- Tento não parar para pensar no que me assusta. Quero apenas experimentar e vivenciar, saber do que se trata para poder viver e conviver com isso. Superar o medo, talvez...

- Que tanto medo, medo, medo... Mal te reconheço! Sempre tão corajoso, ousado, intrépido. Agora só fala de medo, medo, medo...

- Gato escaldaaaado...

- Mas e aí? Como se sente aí dentro?

- Perdendo os medos, desvendando segredos, inventando enredos... Sinto que não posso mais fugir, e também sinto que posso fazer algo diferente, pode ter leveza. Mas ainda não sei como.... Ainda assim acho que já é um passo dado. Estou tranqüila aqui dentro. Não há que se repetir os mesmos erros, meus ou dos outros. Há que se conhecer, atrás da porta e a si mesma.

- Hunnnn.... apaixonada?

- Da resposta ainda fujo...


(pausa)


(o coração continua...)





... nessa casa se ouve Nina Simone



Estava escrito aqui já faz algum tempo... data de 09 de 09.
O Capítulo 3 também já andou se apontando por aí...

E tinha uma obs. acompanhando... não vou nem reler nem censurar.
Verdade nua e crua...em determinado momento, sob determinado contexto.
Afinal... “penso, logo, mudo de idéia”


 
Ai, ai.... Por que será que isso tanto me incomoda? Por que será que me sinto tão aflita, tão angustiada? Às vezes parece que eu nunca mais vou conseguir me relacionar com alguém novamente. Ás vezes parece que sempre há algo errado a acontecer... Mas o que será que é errado? O que é certo e o que é errado nessas horas? Existe mesmo?

Sei que me sinto bem comigo mesma. Mas é uma relação esquisita... às vezes parece que estando bem comigo mesma não é possível estar bem com mais ninguém...

Às vezes parece que não há de existir alguém que queira estar comigo. Nem bem, nem mal, nem de jeito nenhum.... às vezes lamento, às vezes tormento, às vezes invento...

Mas sigo assim. Sigo em frente. Sinto-me tranqüila.

Também sei o que quero e o que não quero. Sei dos riscos que corremos, sei dos medos que tenho, mas sei também que sou corajosa! E sou verdadeira!

E tem 1 milhão de outras coisas que eu não sei...

Queria alguém que também fosse assim... Que chegasse e falasse “ó... não sei onde isso vai levar, não... não sei nem se leva a algum lugar. Mas topo correr esse risco com você”. Pronto.
Simples assim? Ou complexo assim?

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Penny Lane agora tem uma tatuagem

Na verdade, três...

"Mais na verdade ainda", ela queria decalque de florzinhas coloridas... cobrindo o corpo todo. Mas como ela só me conta isso de madrugada, não dá para providenciar na hora, nunca lembro depois...

Então ficou com essas de fita isolante mesmo.




... nessa casa se ouve Lou Reed

domingo, 22 de novembro de 2009

Tudo ao mesmo tempo agora

Um tempão sem botar nada no blógue, um monte de coisas já escritas espalhadas por aí...



Resolvi publicar de uma vez só! (e ainda guardei mais um tanto por aqui...).



E por hoje é só!




beijo, DR

3D

Essa semana vi imagens 3D.

Enjoei e fiquei tonta...

Aaaahhh.... Estava tudo tão lindo! E eu virei do avesso....





...nessa casa (ainda) se ouve Deep Purple

de olho...


Não parecem olhinhos a me vigiar?





... nessa casa se ouve Deep Purple

A difícil arte de descongelar a geladeira


O barulho vinha incomodando há tempos... Era mesmo hora de descongelar a geladeira.

Ai, ai...

Sempre falei comprar geladeira que descongela sozinha. Não deu. Não coube, nem no bolso nem na casa. Já dizia Buda “não tem tu, vai tu mesmo”. E cá estou com uma geladeira que vira o próprio kilimanjaro, tendo que descongelá-la de tempos em tempos.

Uso água fervendo, secador de cabelo e a faquinha...

Técnicas primorosas de mulher impaciente, e funcionam!

Só uma vez esqueci a faquinha lá dentro... Virou quase um fóssil, mas foi uma agradável surpresa quando a encontrei.

Prático, rápido e eficiente. Vai jogando água quente com cuidado, a faquinha ajuda a alavancar as pedras de gelo e a quebrá-las. Cuidado com a tal da mangueirinha do gás... Caem pedaços de gelo gigantes, outros derretem rapidinho.

Alguns problemas no meio do caminho...

Pura questão científica... As pedras se acumulam na gaveta, mais a água fervente que você jogou, e enchem logo a gaveta, em dois estados físicos da água...

A gaveta precisa ser prontamente esvaziada, ou seja, despejar tudo na pia...

Pura questão prática... Aí você se dá conta que a gaveta não abre!!!! Pomba! Tem uma porcaria de uma mega power pedra de gelo colada lá no fundo interrompendo a livre abertura da gaveta...

- Aahhhh, pequena esquimó... tudo na vida é planejamento!!! Devia ter degelado primeiro as geleiras do norte....

- Caceta, agora fudeu...

- Que que eu preciso agora? Faquinha? Chaleira? Secador?

- Paciência, Dani... precisa de paciência...

Eis o precioso trabalho de perícia. Dá a impressão que só os mais astutos equilibristas conseguem fazer. É a maratona de atravessar a cozinha com a gaveta cheia na mão até chegar na pia... ainda bem que a cozinha é pequenininha e a pia fica pertinho, ainda assim é um dos momentos mais tensos do dia.

A cena se repete algumas vezes, o grau de dificuldade vai diminuindo, a paciência também. Mas tudo bem! Faz parte do processo organizacional da boa cozinha, faz parte da manutenção desta casa, e assim vamos... de tempos em tempos desbravando estas árduas e alvas geleiras e promovendo a grande expedição ao congelador , instaurando o ápice do momento de superaquecimento global em prol de mais espaço para uma cervejinha.







Rio, 30 de agosto de 09.



... nessa casa se ouve Max Romeo

"musiquinhas" ou "o mundo é nonsense"

Estava sentada no banquinho, pintando umas coisas que precisavam de novas cores nessa vida, me pego pensando e perguntando por coisas esdrúxulas....



Coisas que parecem realmente sem nexo, inimagináveis, ou o que realmente é nonsense...


Coisas do tipo “por que colocam musiquinhas em powerpoints? Para que essas merdas de musiquinhas? Quem é o fdp que bota essas musiquinhas?”.


Às vezes chegam uns e-mails por aí que, num primeiro momento, até parecem interessantes... Por vezes vem com algum comentário do amigo que enviou...


“Interessantíssimo”. “Sensacional”. “As fotos são mesmo incríveis”. “Veja isso” e coisas do tipo.


A gente até fica curiosa, né... Por vezes se deixa convencer.


Pronto. Deixou-se seduzir e lascou-se... é só abrir a porcaria do arquivo anexo e é imediato... a musiquinha xexelenta toma conta da sala, toca por cima de qualquer outra coisa que você esteja ouvindo, irrompe o ambiente com aquele sonzinho do órgão da igreja arrepiando até pelinho do pescoço.


Acabou o bom humor. Acabou a paciência. Por pouco não acaba o dia ali mesmo...


Seu mundo passa a ser achar onde desliga esta merda!!!


Já não quero nem saber se as fotos são mesmo incríveis, se o conteúdo era mesmo excepcional, se eu realmente não podia deixar de ver aquilo até o final. Chego a derrubar os copos sobre a mesa caçando botõezinhos...


- Abaixa o volume. Abaixa o volume. Abaixa o volume.


- Desliga a caixinha de som. Desliga a caixinha de som. Desliga a caixinha de som.


- Esc. Esc. Esc.


Quando algo funciona, certa sensação de alívio, mas parece que o mundo ainda vai demorar a voltar ao normal.


Mesma coisa com site que canta.... Você está interessado em ver aquela página, conhecer o conteúdo, digitou o endereço na barra de ferramentas e pow! Aquela merda começa a cantar.


- Aiiiii. Socorro!!!!


Pronto. Perdeu a chance de mostrar ao mundo a que veio.... Clica. Fecha. Sai dali. Nem para anotar um endereço, nem para saber o nome do responsável. Começou com musiquinha, acabou com a minha paciência. Não rola. Meeeesmo.


Sim, sim. Sei que tem em algum lugar da página o iconezinho “calar a boca do alto falante”, mas até acha-lo, a paciência já era...


Sim, sim, sei que muitas vezes até eu estou ali para ouvir alguma coisa, mas quero ter opção e poder de decisão, e até lá, paciência já era...


Sim, sim. Acho mesmo que a vida precisa de uma trilha sonora, mas site que canta e musiquinha de powerpoint são o inferno... Passa longe de alegre trilha para o seu dia. Passa perto das penitências que se cumpre na frente de um computador.


 

Rio, 18 de agosto de 09.




... nessa casa se ouve Jane´s Addiction


domingo, 9 de agosto de 09

Com quantos cacos se faz uma vida?



Ontem quebrei azulejos para depois recompô-los na parede.


Fiz como quando corto o cabelo... a cada tesourada penso em tudo que quero cortar da minha vida; para depois pensar em tudo que quero que cresça, forte e vivo como os cabelos de Sansão.


Com os azulejos a mesma coisa... a cada marretada, tudo que quero quebrar na minha vida. A cada recomposição, tudo o que quero pra ela criar.


E as pecinhas vão se encaixando, se montando, se ajeitando, se completando, como cada pedacinho de mim mesma.


Fiz um mosaico pobrinho... feliz nas suas limitações...


Eram azulejos “sobra da obra”, cores xoxas, peças velhas e sujas, mas cheias de história...


Não era para ser nem bonito, nem feio. Só para ser o que é.


Não era para ter um desenho representando nada. Só para formar o que dali saísse....


Faz pensar tanta coisa...


Horas a fio, colando, montando, descobrindo, encaixando.


A vida é feita de caquinhos.


Um dos grandes desafios é saber pegar (o que parece ser...) o entulho e transformar em algo novo.



Às vezes acho que faço isso o tempo todo e com tudo... coisas que não têm serventia, coisas que ninguém mais quer, coisas que “são lixo” aos olhos de alguém, e as transformo em coisas novas, crio coisas novas a partir destas.


Digo que estou lhes “dando dignidade” e então elas passam a ser coisas lindas e exclusivas, aceitas pelo mundo que as rodeia.


Com tudo... é impressionante...


Aí tento buscar paralelos comigo mesma...

Tudo tem um uso possível, uma serventia, pode se tornar algo interessante.


Tentar juntar os cacos de mim mesma e me transformar em alguém que possa ser aceita...


Pegar essa tralha toda amontoada, chamada DR, aparentemente sem muito valor, e transforma-la em algo que as pessoas gostem.


Vejo valor, oportunidade e possibilidade em tudo quanto é tralha. Acho mesmo que é possível de se transformar em algo novo e interessante; como é que mim mesma não consigo achar???


Parece que finalmente deu algum ‘start’ nesse ponto...


Algo de bom eu devo ter... não é possível... não vou ser o entulho amontoado no canto para o resto da vida; em algum momento alguém mais há de reconhecer e agregar valor a essa que vos fala...


Talvez uma conjunção de fatores estejam colaborando para isso nesse momento. Estou mais tranqüila e feliz comigo mesma.










... nessa casa se ouve Célia Cruz

“Teu BLOGUE está proibido para mim” (...)

Em 24 de julho de 2009, pontualmente às 15:13, recebo uma mensagem... “Dani, minha querida. Hoje tento acessar o teu blogue pelo trabalho que eis que descubro que ele foi "proibido" devido a certas palavras em determinadas quantidades”...

E veja a tela que aparece!!!


Caracoles!!!!! Nem eu sabia que eu tinha escrito tantas obscenidades.... Quantidade abusiva de palavras de baixo calão.... Baixaria pura...


Que vergonha... Ou melhor, que falta de vergonha...

Senti-me péssima... Senti vergonha... Senti-me embaraçada e desonrada...

Senti-me à deriva em um mar de hipocrisias e visões limitadas e reducionistas de mundo...


Ninguém leu o que escrevi, ninguém quis saber quem eu era, ninguém se preocupou com o contexto relacionado do uso da palavra... Merda de censura de merda!


- Ora, Dani... Isto é uma “censura-padrão”, algum tipo de programa de computador que faz sua seleção através de “palavras-chave”, sem saber relacioná-las a nada nem a ninguém. Algum tipo de busca ou rastreador que “pinça” palavras obscenas, libertinas e imorais como as de seus textos.

- Não. O filho-da-puta do tal programa não é assim inocente, não... Ele fez distorções! Fez associações indevidas de palavras de um lado com outras de outro... Juntou “comer” com “bunda”, “cu” com “lotado”, “calcinha” com “molhada”... Eu nem sabia que eu tinha escrito “calcinha”... Onde já se viu tamanha afronta! Era só o que me faltava... E desde quando “hospital” é uma palavra imprópria?

- Dani, você reclama de mais, por menos... Isso acontece, é comum, rotineiro e é uma tendência nesse nosso mundo contemporâneo, informatizado e tecnológico. Máquinas trabalhando...

- Hein? Então alguém sentado em frente ao seu computador (maior de idade e vacinado, diga-se de passagem, - o sujeito, não o computador...) de repente tem seu acesso bloqueado àquilo que ele quer ver por conta de um “procedimento-padrão moderno e atualizado” como essa censura limitada, restrita e balizada?


Como assim? Isso é tendência e prática a ser adotada?

Sem um pingo de visão correlacionada dos fatos, sem contextualizações e um panorama mais abrangente do todo e do um, sem nem uma brecha ao pensamento sistêmico, sem visão holística dos fatos? Que merda de tendência de futuro é esta?


- Olha... pergunte menos e faça mais. Ou melhor, faça menos... Porque você escrevendo já está sendo censurada, já estão de olho em suas imoralidades por aí...


- Heinnnn de novo! Imoral é como se trata a Educação neste país, é nosso o sistema tributário, é o aparelho carniceiro de gestão de políticas públicas, é a “astúcia legal” que rege os direitos e deveres de nossos políticos, é a forma esdrúxula como se lida com a vida e a moral nesta pátria fingida, frígida e frívola.

- Dani, cala a boca! Quer ser presa pelo Agente Smith ou pela Central-de-Palavras-de-Baixo-Calão do Google?

- Já nem digo “o que minha mãe vai pensar de mim?” porque ela fala mais palavrão do que eu, graças a Deus... Mas vamos manter a ordem nessa casa... O que meus sobrinhos vão pensar de mim? Há que se manter a linha... Há que se zelar pela honra e o nome de um ser humano a se criar. Há que se endurecer mas sem perder a ternura jamais...


Que merda é essa?

Censurada? Imprópria? Euzinha?

E é mesmo melhor o papo se encurtar por aqui... tanta coisa a se questionar por aí... Tanta coisa a se censurar, restringir e recriminar por aí... tanta vergonha e falta de vergonha, e os caras vão repreender justo meu bloguinho???


Ergo a cabeça, estufo o peito para dizer:


Vai ‘pro caralho!!!!

Caralho, aliás, que deixará em breve a categoria dos substantivos comuns e entrará também á qualidade de adjetivo, grau superlativo absoluto analítico, oficializado em dicionário e aí quero ver quem é que vai me admoestar!


 



... nessa casa se ouve The Moon Invaders

no banheiro...

Tem morado no banheiro, bem ao lado do espelho, o encarte do CD da trilha do Trainspotting # 2.

O filme é muito bom, a trilha é muito boa, mas o encarte... tem morado no banheiro!!! Do ladinho do espelho!!!!

Fica de costas, com o verso voltado para frente, onde traz lá um trechinho da primeira fala, primeira cena:

“Choose life. Choose a job. Choose a career. Choose a family. Choose a fucking big television. Choose washing machines, cars, compact disc players, and electrical tin openers. (...) Choose DIY and wondering who you are on a Sunday morning. Choose sitting on that couch watching mind-numbing sprit-crushing game shows, stuffing fucking junk food into your mouth. Choose rotting away at the end of it all, pishing you last in a miserable home, nothing more than an embarrassment to the selfish, fucked up brats you have spawned to replace yourself. Choose your future. Choose life...

But why do I want to do a thing like that?”

O texto do encarte acaba por aí...


Mas lembro bem da seqüência que ainda segue...

“I choose not to choose life. I choose something else. And the reasons? There are no reasons...”

E o personagem explica lá porque não precisa de motivos.

Do texto limado do encarte também lembro um tantinho mais... “good health, low cholesterol and dental insurance, a starter home, your friends” e por aí vai...

Bom pacas!


Deixo ali porque gosto de lê-lo e vê-lo todos os dias. Penso nas escolhas da vida, na vida de escolhas. Poder de decisão, ponderação, opção. Para cada decisão e opção há sempre uma renúncia.

E a vida que se segue sem a gente nunca ter plena certeza de ter feito escolhas certas para ela, mas com a clareza de se fazer o melhor que se pode ser feito em cada momento e contexto.


Aahhh... vida!

Na parede oposta do banheiro tem lá um adesivo: “escolha”...


Afirmação? Ordem? Pergunta?





Rio, 22 de junho de 09.


 
... nessa casa se ouve U2

Cotidianices... em 02 de maio de 09

Simples relatos sobre o quê e como tem acontecido por aqui...


Esse fim de semana peguei uns filminhos para ver!


Na verdade, fui atrás de O Hospedeiro (li uma boa indicação a respeito em um blógue e fiquei curiosa...).Não tinha...


Então trouxe para casa: Tudo sobre minha mãe, Quem somos nós, O Ilusionista, Seis signos da luz, Crônicas de Nárnia – príncipe Cáspian, Efeito dominó, O escafandro e a borboleta e A sombra do vampiro. Sendo que este último, eu não devolvo nunca mais... Comprei. Acho lindo. É em tons de sépia, tira bom partido da luz e é todo bom. Hoje ainda é sábado, já devolvi metade e só tem 1 sem assistir ainda...


Mulher compulsiva é assim... Já que é legal vou fazer enquanto der.


É que tem sido muito legal assistir filminhos por aqui. Redescobri os prazeres do programa desde que troquei de monitor e de dvd player pifado.


Ainda estou sem TV, mas não estou sofrendo de crise de abstinência. Assisto no computador, e antes era um saco assistir da cadeira... agora viro tudo para o outro lado da mesa, jogo os almofadões no chão limpinho, boto uma mesinha auxiliar e u-huuuu!!!!! Só alegria!

É a terceira série dessa nova fase... Dessa vez me superei mesmo. A média tinha sido de 5 filmes por fimdê. Mas , digamos que peguei gosto...


Achei por aqui no meio dos “rascunhos”... Agora já tem TV nessa casa, e faz tempo que não pego um filminho... Mas estou adorando assistir TV com uma costurinha na mão! Xingo apresentadores, felicito outros, mando calar a boca, mudo de canal, brigo com o juiz, dou 2 pontos, 1 laço, 1 nozinho e vou dormir.





... nessa casa se ouve Cartola...

sábado, 10 de outubro de 2009

Eu não tenho nada pra dizer por isso eu digo

Por aqui tudo certo, tudo indo....
Escrevi muito nesses dias.
Li mais do que devia...
Escrevi o que acho que é o 'segundo capítulo do conto', mas não vou publicá-lo aqui ainda não...
Tirei xerox da minha alma. Mandei encadernar.
Senti muito.
Desenhei um pouco.

IMAGENS DA SEMANA

Acho que sou eu.
Costurando cicatrizes...

O oratório do Hermida (porque acho que ele precisa rezar mais...há, há, há).



...nessa casa se ouve Asian Dub Foundation